segunda-feira, 31 de março de 2014

Allan Kardec teria aprovado Jango e reprovado a ditadura militar

ALLAN KARDEC TERIA SENTIDO SIMPATIA POR JOÃO GOULART, POR CAUSA DE SEUS PROJETOS PELA JUSTIÇA SOCIAL.

O professor Allan Kardec, se fosse brasileiro e vivesse, ao menos, no século XX, teria adotado uma postura completamente diferente da de Chico Xavier. Com sua paciência de cientista mas sua firmeza de homem questionador, ele não iria medir as palavras a respeito do que ele acharia da ditadura militar brasileira.

O mestre lionês, para começar, definiria o regime militar como inválido, por se fundamentar na opressão e ser movido pelo egoísmo dos homens. Ele não faria como o anti-médium mineiro, que numa entrevista ao programa Pinga Fogo, da TV Tupi, em 1971, pediu para que os brasileiros orassem pelos generais da ditadura, como se desejássemos boa sorte para eles na conduta do país.

Kardec, na hipotética condição, teria partido para o exílio, já que ele seria, como tantos outros, "condenado" pelo crime de dar ao país algo além que o poderio dos EUA, que controlavam a América Latina no período da Guerra Fria, permitia a seus países "clientes".

Pensando de forma objetiva, Kardec definiria o período da ditadura militar como lamentável, danoso e nocivo para a população. Como educador, ele veria no regime militar uma barreira para o progresso social da população, uma vez que o estímulo ao pensamento, um dos pilares da Educação, seria completamente comprometido pelo regime de autoritarismo, censura e repressão.

Kardec também teria aprovado o governo de João Goulart, derrubado pela ditadura militar, pelas ideias propostas pelas reformas de base propostas pelo então presidente e reafirmadas no seu último discurso, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964. Kardec veria nas reformas uma forma de promover a justiça social que o professor lionês havia defendido.

Primeiro, porque a reforma agrária é uma ideia de grande simpatia para a natureza de uma pessoa como Kardec, que veria nela o sentido positivo de restringir a propriedade de terra e promover a democratização do campo através da justa distribuição de terra e o estímulo ao trabalho solidário.

Segundo, porque a redução da remessa de lucros para o exterior proposta por Jango representa um limite para a exploração econômica dos países desenvolvidos. Esta exploração significa uma série de injustiças tão conhecidas do sistema capitalista na história da humanidade.

Terceiro, porque o projeto de educação pública de Jango, baseadas nas ideias e método do educador Paulo Freire, estavam completamente de acordo com as ideias educacionais do professor lionês, para os quais educar e esclarecer as pessoas é tarefa chave para ajudar na evolução espiritual dos indivíduos.

"Jango era uma figura carismática, e torna-se admirável ele ter sido bastante popular, da mesma forma que ele tentava reduzir as desigualdades sociais existentes no país", é o que provavelmente diria Allan Kardec a respeito do presidente.

Allan Kardec era, acima de tudo, um homem racional, altruísta e via os fatos cotidianos de maneira mais objetiva possível. Não se sujeitaria a louvar uma ditadura que claramente se mostrava desumana, cruel, ineficiente, para não dizer corrupta, hipócrita e prepotente.

Portanto, a postura do "iluminado" Chico Xavier é completamente equivocada, mas de acordo com seu perfil subserviente às deturpações e manobras feitas pela Federação "Espírita" Brasileira, para a qual as injustiças humanas são apenas um "detalhe" que enriquece seus dirigentes às custas da exploração do sofrimento humano.

Daí considerar que um regime de tortura e repressão estaria "construindo um Reino de Luz", às custas de tantas vidas destruídas ou, se não extintas, arruinadas. Nem a Folha de São Paulo e sua "ditabranda" teria ido tão longe.

domingo, 30 de março de 2014

Reino de Luz?


Sinceramente, saber que Chico Xavier defendeu a ditadura militar é tão ruim quanto ver que o jornalista Bóris Casoy participou do Comando de Caça aos Comunistas e a Folha de São Paulo ofereceu suas viaturas para transportar os presos políticos para o DOI-CODI.

Chico, tido como "o homem chamado amor" ou "a personalidade mais evoluída que passou pela face da Terra" - um periódico "espírita" chegou a dizer que o anti-médium mineiro era "mais evoluído" do que Jesus - , falava que a ditadura militar garantiria o "Reino de Luz" a que os "espíritas" atribuíram como destino futuro da nação brasileira.

Ora, ora. Isso não passa de uma grande bobagem. O Brasil não tem predestinação alguma, até porque está sofrendo crises piores do que antes do golpe, e está muito longe de ser a potência econômica do mundo, quanto mais para pátria-guia da espiritualidade. Vamos parar de sonhar e veremos, ao usar a lógica, o quanto o "espiritismo" brasileiro está completamente ERRADO.


Em primeiro lugar, a aura de solidariedade desse projeto de "construir o Reino de Luz" foi por água abaixo quando um dos generais que se adiantou na derrubada do presidente João Goulart, o mineiro Olímpio Mourão Filho, foi deixado à margem pelos oficiais das Forças Armadas, não recebendo qualquer benefício real por favorecer o que o generalato tanto queria: a derrubada de Jango.

Olímpio não chegou a ser preso nem torturado, mas seu papel de adiantar um golpe, que outros generais e políticos civis estavam discutindo como seria, foi simplesmente desvalorizado, tanto que ele acabou recebendo o apelido de "vaca fardada", em alusão à "vaca de presépio" que só serve de enfeite.


Outro que foi deixado de lado foi o governador do antigo Estado da Guanabara - composto pelo município do Rio de Janeiro - , o também jornalista Carlos Lacerda. Desde quando o Brasil era governado por Getúlio Vargas, durante o qual chegou a sofrer uma tentativa de homicídio, Lacerda defendia o golpe militar, e em 1964 foi um dos que mais queriam a queda de Jango.

Pois a "solidariedade" daqueles que, segundo Chico Xavier, estavam construindo o "Reino de Luz", que não se deu com Olímpio Mourão Filho, também não se deu com Carlos Lacerda, visto como um "chato" pelos generais.

Pior: ao ser traído pelos generais que ignoraram sua campanha golpista, Carlos Lacerda se reconciliou com seu maior inimigo político, Juscelino Kubitschek, e ainda perdoou João Goulart, formando, os três, uma Frente Ampla para pedir a redemocratização do país, que irritou os generais e teria feito a Operação Condor, reunindo ditaduras do Brasil e outros países, sutilmente matarem os três.


Na instauração do "Reino de Luz" que exigiria "alguns sacrifícios" ao povo brasileiro, também a "solidariedade" se refletiu no caso do citado Kubitschek. Ex-presidente da República e ligado ao conservador PSD (Partido Social Democrático), Juscelino defendeu o golpe militar preocupado com o envolvimento do seu ex-vice, João Goulart, então presidente, com comunistas.

Juscelino era um político moderado e foi pego de surpresa quando os militares que tomaram o poder o colocaram entre os primeiros políticos cassados da vida pública. O ex-presidente, que apesar de mineiro era senador por Goiás, queria concorrer à Presidência da República em 1965, e não só ele foi cassado como a ditadura se afirmou definitiva e iria contribuir para a morte suspeita de JK em 1976.


Dando sequência ao clima de "solidariedade" garantido pelo "Reino de Luz" da "Revolução de 1964", vemos que o clima contagiou a juventude de tal forma que, no auge dos protestos estudantis naquele 1968 - em que um estudante que nem era militante, o modesto secundarista Edson Luís, foi morto no meio do tiroteio entre alunos e policiais - , houve um sangrento conflito em São Paulo.

Foi na Rua Maria Antônia, onde se situam até hoje, de um lado, a Universidade Mackenzie, prebisteriana e conservadora, e a Faculdade de Filosofia da USP, esquerdista. De um lado, estudantes da Mackenzie ligados ao Comando de Caça aos Comunistas faziam provocações aos estudantes da USP, que estavam em outro.

As agressões no entanto foram para o extremo, quando os estudantes da Mackenzie ligados ao CCC que estavam armados puxaram o gatilho e acabaram matando um secundarista que nada tinha a ver com o caso, José Guimarães, vítima de bala perdida. Bóris Casoy não participou da violência, mas assistia "de camarote" ao incidente.


E o que dizer mais sobre o "Reino de Luz" que o "iluminado" Chico Xavier tanto falava, com seus dóceis apelos para que nós, "em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo", aceitemos o governo das Forças Armadas?

Simples. Aos viajores e caminheiros da "doutrina de amor, paz e caridade", é bom deixar claro que o governo "da democracia e da liberdade" exercido pelas Forças Armadas em 1971, época em que Chico fez os "preciosos" apelos, já cometia atrocidades vergonhosas contra muitos cidadãos, a pretexto de "expurgar" os "últimos vestígios da rebelião comunista" que se via sobretudo na guerrilha armada.

Seminários eram realizados, com patrocínio do Departamento de Estado dos EUA, para demonstrar o funcionamento de aparelhos de tortura. Um deles, e o mais rudimentar, era o "pau-de-arara", em que uma pessoa era pendurada num pedaço de pau e recebia de chicotadas até golpes de cacetete que, por vezes, eram enfiados até no ânus.


Outros recursos de tortura incluíam choques elétricos com os pés postos num balde de água, afogamentos, ou a simples surra, com o prisioneiro amarrado numa cadeira. E tudo isso de maneira oficial, porque há casos de enforcamento, como o que vitimou o jornalista da TV Cultura, Vladimir Herzog, não assumidos publicamente pelo DOI-CODI na época.


E o que dizer de tantas pessoas que a ditadura mata e esconde seus corpos, alegando supostos acidentes e suicídios? O que dizer, por exemplo, do caso do deputado paulista Rubens Paiva (pai do escritor Marcelo Rubens Paiva), detido e morto por conta de seu passado político ligado ao PTB de Jango e sua oposição ao regime militar?

Tantas pessoas tiradas do convívio de seus familiares, detidas de forma arbitrária por causa das "atividades subversivas", e cujas vidas foram ceifadas de forma fria e cruel, em circunstâncias e condições que só tardiamente começam a serem esclarecidas.

Mas talvez o "luminoso" Chico Xavier, com sua consciência "tranquila", tenha achado que as vítimas da ditadura militar tenham sido antigos carcereiros, delegados ou mesmo políticos romanos que haviam capturado inocentes para serem presos, torturados e mortos. Ele seria capaz de tanta falácia?

Será que esses episódios não bastam para desmentir a tal "construção do Reino de Luz" que Chico Xavier tanto disse? Por outro lado, bastariam que a gente apenas "orasse" e "se unisse numa esfera de amor", dando "boas energias" para que nossos generais "construíssem" a "sociedade iluminada do futuro" e "cumprissem" as promessas da FEB de predestinação humanitária do Brasil?

A pregação de Chico Xavier caiu em xeque-mate, na medida em que a "sociedade de amor e caridade" que ele acreditava ter sido construída pela ditadura militar era na verdade um regime de muita crueldade, de medidas desumanas e outras imprudentes, já que a sucessão de generais no Poder Executivo não conseguiu realizar a tão prometida melhoria geral para o país.

Pelo contrário, o enfraquecimento do Legislativo e do serviço público favoreceu esquemas de corrupção. A baixa auto-estima popular enfraqueceu nossa cultura. Houve a violenta crise econômica, que só se agravou com a alta do preço do petróleo no Oriente Médio, em 1973, que botou o "milagre brasileiro" para o lixo.

Houve o arbítrio da tortura, da censura que atrasava até mesmo a expressão e veiculação de produtos culturais e informativos, tornando-os não só inócuos e sem graça, mas datados e inúteis. O país acabou se tornando acéfalo, com tanta gente vivendo no exílio. Quem quisesse ser um brasileiro de verdade, o melhor é viver fora do país.

Essa é a dura realidade que não está nas delirantes fantasias de contos de fadas de Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, cuja autoria se atribuiu a um Humberto de Campos que nunca teria escrito uma bobagem dessas. E que mostra o quanto de erros cometeu Chico Xavier, e não apenas erros comuns, mas os gravíssimos, que seguramente desmentem seu mito de "espírito superior".

sábado, 29 de março de 2014

FEB e Chico Xavier apoiaram a ditadura militar


O Espiritolicismo apoiou o golpe militar de 1964, sob o pretexto de que os militares garantiriam a "nova nação" descrita pelo livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Segundo essa tese, cabe ao povo enfrentar "sacrifícios" para chegar à fase de prosperidade prometida pelos pregadores do "espiritismo" brasileiro.

Como é que uma doutrina que se diz tão transformadora e se autoproclama a última palavra em termos de espiritualidade e fé decide defender um regime obscurantista, que não trouxe a prosperidade prometida, mas caos, crise e muita confusão, entre outros problemas que se refletem até hoje?

É simples. O Espiritolicismo tem seus interesses elitistas. A Federação "Espírita" Brasileira, presidida por Wantuil de Freitas, defendeu a ditadura militar para que recebesse, do Estado, subsídios para a construção da opulenta sede de Brasília. Até então, a sede era na Av. Passos, no Rio de Janeiro, que se tornou uma filial da FEB.

Mas não era só isso. A FEB via em cenários políticos conservadores uma ideologia afim com seu moralismo religioso, em que valores ligados à hierarquia, ao elitismo e ao dogmatismo são garantidos na afinidade com os "poderosos da Terra".

O que surpreende, no entanto, é que Chico Xavier também apoiou a ditadura militar. Sim, o dito "homem chamado amor" apoiou serenamente um regime que custou a vida de muitos inocentes, fez agravar a corrupção política, causou uma das piores crises econômicas da história do Brasil e deixou a sociedade numa crise de identidade sócio-cultural, através do aumento das desigualdades sociais.

Para quem duvida, eis o que comprovou o "insuspeito" Francisco Cândido Xavier, numa entrevista dada ao programa Pinga Fogo, da TV Tupi, realizado em 1971. Com base em conselhos que Chico disse ter recebido de "benfeitores espirituais", ele teria definido o cenário da ditadura como "muito digno" e o classificou como "democracia", pedindo a união do povo para orar pelo país.

Ele havia defendido o governo militar a pretexto de combater ideologias que promovessem a "degeneração" social, alegando que os "garantidores da ordem e da lei" no país eram a garantia para a "formação do país como o Reino de Luz para o qual o povo brasileiro estava se encaminhando". Ele acrescentou que a "liberdade" estava garantida pela "democracia" trazida pelos militares.

Compare isso com o contexto político em que vivíamos. Era o governo do general Emílio Garrastazu Médici, que aplicava o terrível e temível AI-5 para estabelecer a "ordem" através da rígida repressão e censura. Naquele 1971, entre tantos desaparecidos políticos, destacou-se o deputado Rubens Paiva, pai do escritor Marcelo Rubens Paiva e político ligado ao antigo PTB de João Goulart.

Havia seminários nas Forças Armadas apresentando instrumentos de torturas. Soldados cheiravam até "baseado" para ficarem mais agressivos e violentarem prisioneiros políticos. Jornalistas e produtores de programas de rádio e TV tinham que mandar suas criações para a Censura Federal analisar demoradamente, para que pudessem ou não colocar no ar ou em circulação.

Policiais invadiam casas de suspeitos e destruíam tudo, apreendiam livros "suspeitos" e agrediam os detidos ou quem quisesse impedir a sua prisão (que também era detido, em muitos casos, por "desacato"). Viver no Brasil era um pesadelo. Quem podia, ia para algum consulado estrangeiro pedir asilo político, se não queria ser preso ou morto no país.

Esse é o "reino de liberdade" dos "garantidores da lei e da ordem" que agiam em "benefício" de nosso país. E o "homem mais evoluído do país" defendeu serenamente o regime dos generais, que causou tantas dores e desilusões. Que Reino de Luz é esse? Francamente...

sexta-feira, 28 de março de 2014

Críticos do Espiritolicismo deveriam tomar cuidado com a Veja


Os críticos do Espiritolicismo, entre outros que fazem críticas não só a esta doutrina, como a outros problemas da nossa sociedade, deveriam adotar uma postura bastante cautelosa com a revista Veja, publicação da qual vários de seus indivíduos depositam ainda total confiança.

A revista Veja é uma publicação marcada pelo seu reacionarismo extremo. Sua linha editorial é hostil aos movimentos sociais, às populações indígenas e a outros projetos sociais que defendam os interesses das classes populares, dos trabalhadores e da classe média consciente.

Vista equivocadamente pelos críticos do "espiritismo" brasileiro como uma revista de "jornalismo investigativo", Veja já esteve envolvida em escândalos que demonstraram fraudes diversas na produção de reportagens, muitas vezes mentirosas, caluniosas, sensacionalistas e imorais.

Entre seus colunistas, está o reacionário Reinaldo Azevedo, tão perigoso para a sociedade brasileira quanto Emmanuel para o mundo espiritual e para a Doutrina Espírita. Reinaldo é chamado de "pit-bull da Veja", porque escreve de maneira grotesca, é autoritário, zombeteiro e demasiado irônico em suas opiniões, e defende pontos de vista que só agradam as pessoas mais ricas do nosso país.

Veja prefere defender o capitalismo selvagem, a opressão no mercado de trabalho, a sobrecarga de atribuições dos trabalhadores, o processo opressivo e caríssimo de reciclagem no aprendizado profissional e a redução salarial proporcionalmente inversa à carga horária de trabalho. E, de vez em quando, Veja endeusa os milionários, como se ter dinheiro fosse por si só bom para o espírito.

MATERIALISMO - Veja endeusa os donos do poder, as pessoas mais ricas, o capital privado. Quer que a cidadania e a democracia, com todos os seus ideais, se reduzam a mercadoria a ser comprada, a um reles produto de consumo.

Como é que as pessoas que se preocupam em defender a essência da Doutrina Espírita podem dar alguma confiança a uma revista como essa, que defende neuroticamente um sistema econômico responsável pela miséria e pelas desigualdades sociais em todo o mundo?

É como se trocasse o seis pela meia-dúzia. Trocar a FEB pela Veja. Por enquanto, Veja parece alegrar muitos que exageram na dose da oposição ao PT porque, para essas pessoas tomadas de forte emoção, para não dizer um ódio gratuito que nada tem a ver com a oposição sadia, a Veja parece dizer "umas verdades" que à primeira vista empolgam.

Mas esse discurso só ocorre porque Veja está na oposição. Se vira "situação", a máscara cai e aquelas pessoas que liam felizes as maravilhas de desempregados gastarem a fortuna que não tem para aprender novas habilidades profissionais, ou de como a desnacionalização da economia é benéfica (?!) para o Brasil, se sentirão traídas com a complacência de Veja à corrupção de seus "heróis".

E Veja sofre do mesmo cafajestismo ideológico da Federação "Espírita" Brasileira. São páginas tão sujas quanto qualquer revista espiritólica. Veja é tão autoritária quanto Emmanuel, tão materialista quanto o Espiritolicismo, tão moralista e socialmente excludente quanto as pregações "espíritas" que preferem acreditar no sofrimento dos outros como um "ajuste de contas" e deixá-los para lá.

Daí a incoerência de criticar o Espiritolicismo, se confia em Veja, uma vez que a revista pratica os mesmos erros da FEB e não é uma fonte confiável para quem busca uma verdadeira espiritualidade. Daí o cuidado que se recomenda tomar com uma publicação como esta.

quarta-feira, 26 de março de 2014

"Centro espírita" de Salvador tranca portas e oferece insegurança durante doutrinárias


A pretexto de promover a disciplina e não "atrapalhar" as "energias superiores da espiritualidade", um "centro espírita" de Salvador, Bahia, é um exemplo do descaso com a segurança e o conforto de seus frequentadores.

O "Núcleo Assistencial do Centro Espírita Cavaleiros da Luz", localizado no bairro do Uruguai, perigosa área do subúrbio soteropolitano, situado na Península de Itapagipe - que envolve também Ribeira, Bonfim (onde tem a famosa Igreja do Bonfim), Vila Rui Barbosa e Maçaranduba - , simplesmente tranca suas portas durante as doutrinárias, sobretudo nas noites dos sábados.

A casa que abriga esse núcleo é pequena e seu salão no térreo é apertado e de acesso difícil à saída. Nesses horários a casa fica lotada e, juntando o fato das saídas apertadas, se houver um risco de um incêndio, a ameaça de uma tragédia é bastante potencial.

Além disso, quem morar longe e quiser sair cedo para pegar um ônibus sem esperar muito não pode sair antes. Depois do fim da doutrinária, o frequentador terá que esperar quase uma hora por um ônibus da linha 0207 Massaranduba / Itaigara, o último a rodar na linha para o Iguatemi, um dos bairros estratégicos para os moradores de Salvador se deslocarem para suas casas.

Se o passageiro não quiser esperar tanto, terá que se arriscar a caminhar uns metros de uma rua escura para pegar o 1612 Paripe / Rodoviária ou o 1637 Mirantes de Periperi / Boca do Rio em direção ao Iguatemi. Não pode pegar, todavia, o 0319 Grande Circular I, porque é menos lotado e raro, com alto risco de haver assaltantes a bordo.

Com tudo isso, em nome da "organização" e das "boas vibrações" da suposta espiritualidade que "está agindo para o bem das pessoas", o Cavaleiro da Luz tem as saídas trancadas a chave durante suas doutrinárias. E são portas típicas de casas modestas, com grades enfeitadas e tudo.

Mas vá que ocorra alguma coisa - um exemplo é ver uma barata circulando livremente num dos banheiros do "centro" e se "enfiando" sob o buraco entre o chão e um vaso sanitário - , como um curto-circuito e coisa parecida, e a demora em abrir os portões não impede que alguma tragédia aconteça.

Foi por causa de uma casa com saídas difíceis e portas trancadas que o incêndio que ocorreu na boate Kiss, em Santa Maria, em janeiro de 2013, causou uma das piores tragédias do gênero, já que muitos dos mortos se deram por causa da incapacidade de saírem do recinto de forma rápida e segura.

Fica complicado até ser espiritólico. Depender de um "centro espírita" que prometa "melhores energias", num local distante e perigoso, com portas trancadas durante uma doutrinária e uma demora angustiante por um último ônibus na saída, é uma tortura para o indivíduo que mora em Salvador. Antes ficasse em casa do que sofrer tantos riscos.

terça-feira, 25 de março de 2014

Comunidade ESPIRRITISMO critica o Espiritolicismo com humor, no Facebook


A crítica ao Espiritolicismo também conta com sua face humorística. É a comunidade ESPIRRITISMO, do Facebook, que mostra, em um tom satírico, o lado ridículo do "espiritismo" brasileiro, mostrando o quanto os ditos "espíritas" da FEB ridicularizaram a doutrina de Allan Kardec.

Altamente iconoclasta, ESPIRRITISMO já possui vários "memes" - breves mensagens divulgadas em arquivos de imagem - que derrubam mitos e dogmas antes considerados "sagrados" pelo chamado "espiritismo" que é feito no Brasil.

É como se o "espiritismo" da FEB ganhasse o seu "Febeapá", fazendo aqui uma alusão ao Festival de Besteiras que Assola o País feito pelo falecido Sérgio Porto (1923-1968) através do pseudônimo Stanislaw Ponte Preta.

Só não espere que Sérgio Porto retorne através de "mensagens psicografadas" nos chamados "centros espíritas". Sérgio não cairia numa cilada dessas, e possíveis farsantes que usassem o seu nome, mesmo com engenhosa imitação de seu estilo, deixariam alguma estranheza ser notada pelos familiares herdeiros do saudoso humorista.

O endereço do ESPIRRITISMO é este. Ele só é proibido para espiritólicos que não aceitam críticas e muito menos sátiras. Mas quem questiona o espiritolicismo pode entrar e participar.

sábado, 22 de março de 2014

Conversa de "espíritas" denuncia bastidores de "centro" em Salvador


A denúncia se deu ao ouvir uma conversa de duas senhoras, durante uma caminhada na pista que está ao fundo do terreno do Aeroclube Salvador (que está em reformas), no lado do Jardim Armação, bairro da orla marítima da capital da Bahia.

A conversa se deu há oito anos, em 2006, mas dá o tom de como são, até hoje, os bastidores dos chamados "centros espíritas" existentes no Brasil, não somente na capital baiana, que é reduto dos "anti-médiuns" José Medrado e Divaldo Franco.

As duas conversavam a respeito de brigas que aconteceram no grupo que dirigia um "centro espírita" localizado na Pituba, próximo ao bairro de Amaralina, numa área residencial de Salvador. Elas estavam numa conversa, uma com a outra, preocupadas com as brigas que haviam no referido "centro", também conhecido pela "proteção" de espíritos de antigos padres católicos.

Elas descreviam as vaidades que o presidente da entidade tinha, além de seus privilégios financeiros, e as divergências que outros membros tiveram com ele, seja na partilha de rendas, seja na escolha de temas para palestras. Mas a pior queixa era dos privilégios que o presidente e ocasional palestrante havia acumulando, às custas de uma instituição legalmente tida como "sem fins lucrativos".

Consta-se que, com as brigas que aconteciam no "centro", um grupo rompeu com a cúpula e se migrou para outro "centro espírita", vinculado ao famoso Cavalheiro da Luz de Patamares, mas localizado no perigossíssimo bairro do Uruguai, na Península de Itapagipe, na Cidade Baixa de Salvador.

A região é tão perigosa que quem saísse  do "centro" na espera de um ônibus para o Iguatemi - a linha 0207 Massaranduba / Itaigara - , bastante demorada no horário das 22 horas de sábado, pôde testemunhar a desistência de um passageiro de não aguentou tanta demora ao aguardar o ônibus.

Esse passageiro, morador da Vila Rui Barbosa - bairro localizado próximo ao Rio Vermelho - telefonou pelo celular dizendo que não iria mais voltar naquela noite, que ficaria na casa de um amigo. Certamente, ele estava com receio de haver algum problema, já que na ocasião é muito comum haver tiroteios e atos violentos na Vila Rui Barbosa, durante as altas horas da noite e da madrugada.

Quanto ao "centro espírita" da Pituba / Amaralina, ele é bastante frequentado pelas elites desses bairros e também da Barra, Iguatemi e Rio Vermelho.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Stephen Hawking, quando depois de morto, iria aparecer com voz de robô?


Já que estamos falando, em outros textos, do questionamento da aparição do dr. Bezerra de Menezes, que, na suposta condição de "espírito superior", nunca iria se manifestar na forma de um velho frágil, falando como se ainda estivesse no leito de morte.

Se espíritos considerados inferiores têm capacidade de, na condição de regressos ao mundo espiritual, superar, pelo menos em parte, as limitações e as dores da fragilidade corporal, a não ser em casos mais graves e em espíritos mais atrasados, por que um espírito considerado "superior" têm que manter as impressões físicas da dolorosa velhice, mesmo depois de mais de um século de falecimento?

É bastante patético que o dr. Bezerra de Menezes tenha que aparecer como um velhinho fraco, andando com dificuldade, com voz trêmula, frágil e quase inaudível, chorando como um vovô agonizante falando para os netinhos, só para dar a impressão de "humildade" e "espírito de abnegação".

Bobagem. Um espírito considerado superior não se nivelaria dessa forma. Nem Allan Kardec, que sofreu as piores dores do corpo físico, nos seus últimos anos de vida, se apresentaria de forma tão humilhante. Ele retomaria a maneira lúcida e firme de falar, rompidos os laços com o corpo físico, e manteria todo o vigor e firmeza natural à sua pessoa, já sem a "prisão" corporal.

Espírito superior não perde tempo adotando um jeito frágil para comover as massas. Imagine se um palestrante iria fazer essa encenação, com toda a trabalheira que ele tem para arrumar as ideias para apresentá-las, num limitado espaço de tempo, a grandes plateias ouvintes?

Um espírito superior, quando rompe com os laços físicos, rompe com as impressões das dores corporais que sentiu no final da vida. Ele não vai passar um século falando como um moribundo, andando feito um quase paralítico, chorando de dor e de agonia. Nada disso. Ele retomaria a lucidez e o vigor normalmente, e se preocuparia em aparecer espiritualmente para difundir ideias e mensagens.

Se o dr. Bezerra aparecesse mesmo na forma espiritual, ele, se fosse mesmo o "espírito superior" que tanto se diz nos meios ditos "espíritas", ele retomaria o antigo vigor do orador parlamentar que marcou o cotidiano do Poder Legislativo nos tempos do Segundo Império.

Imaginem o absurdo que seria se, quando o cientista Stephen Hawking falecer, dentro de vários anos adiante, ele reaparecer tempos depois, em mensagens mediúnicas, com a mesma voz de robô saída de seu sintetizador, já que o cientista sofre uma paralisia que o faz depender da tecnologia para expressar suas ideias e mensagens.

Não. Se Stephen Hawking falecer um dia, ele reaparecerá espiritualmente com a voz lúcida de um humano comum, com a liberdade de movimentos do perispírito que o corpo físico adoecido impediu de exercer. A não ser que ele seja escravo do materialismo obsessivo, ele dificilmente reaparecerá, como espírito do além, na forma de um paraplégico que se comunica com voz de robô.

Vamos buscar a coerência. É impossível que dr. Bezerra se manifeste como um moribundo. Se ele assim se manifesta, não é questão de humildade nem uma forma de identificação. Espírito superior nunca se passa por moribundo para se identificar aos presentes. A personalidade do espírito tem a ver com atos, gestos e modos de falar e agir, e não com falsas poses de humildade e fragilidade.

Daí que há muito o que questionar dessa aparição de Bezerra de Menezes. Muito, mesmo. Só a suposta fragilidade das aparições "espirituais" já indica fraude e irregularidade, pela hipótese de um espírito dito superior que não tem superadas as dores da matéria física.

Uma grande contradição, pois. Um espírito "livre" que não se libertou da materialidade de sua doença. Um espírito "superior" que não superou as dores do corpo, uma alma "espiritualizada" ainda escrava das antigas impressões materialistas do corpo antes doentio e há mais de cem anos morto e perecido.

quinta-feira, 20 de março de 2014

"Aparição" do Dr. Bezerra de Menezes pode ser uma fraude

JOSÉ MEDRADO E DIVALDO FRANCO SE PREPARAM PARA A MEDIUNIZAÇÃO... OU PARA A ENCENAÇÃO?

Um possível caso de charlatanismo pode vir à tona no "espiritismo" brasileiro. A suposta aparição do espírito do médico Adolfo Bezerra de Menezes, o "Dr. Bezerra", pode ser uma fraude, conforme análises a respeito de vários aspectos observados nos processos supostamente mediúnicos.

Bezerra "aparece" em médiuns - ou "anti-médiuns", já que não são intermediários, mas os astros principais dos espetáculos "espíritas" - José Medrado e Divaldo Franco, ambos baianos, e se "manifesta" de maneira semelhante.

Geralmente a partir de uma música relaxante, tanto Medrado quanto Franco fecham os olhos, franzem as sobrancelhas, num aparente transe, geralmente por cerca de um minuto, e de repente cada um solta uma voz rouca, trêmula e frágil, atribuída ao falecido médico e deputado que presidiu a Federação "Espírita" Brasileira.

Há uma sutil diferença entre o timbre de Bezerra "incorporado" em José Medrado e no timbre do "incorporado" em Divaldo Franco. É como se, no humorismo, haja dois imitadores de Sílvio Santos que tentam imitar com "perfeição" a voz do apresentador de TV, mas que apresentam sutis diferenças no estilo de cada imitação.

O "Dr. Bezerra" de José Medrado é muito mais choroso e ainda mais frágil, carregando na pieguice e no ar de sofrimento. Já o "Dr. Bezerra" de Divaldo Franco é muito mais contido, embora tenha também o tom choroso e frágil, não com a intensidade observada no caso de José Medrado.

Outro aspecto que chama a atenção é o fato de que Bezerra deva necessariamente se apresentar do jeito frágil, como se estivesse no leito de morte, 114 anos depois de falecido. Embora consideremos provável que ele tenha se reencarnado, os questionamentos a seguir levam em conta, a título de análise, a hipótese de Bezerra ser mesmo "espírito de luz" e não ter mais reencarnado.

O suposto Dr. Bezerra aparece também andando com dificuldade, algo inconcebível para alguém que faleceu há muito tempo e que por isso rompeu com as dores e limitações que só correspondem ao corpo físico, e não ao espírito. E nenhum espírito superior perderia tempo se passando por velhote frágil para divulgar mensagens para as pessoas do mundo carnal.

Afinal, se Bezerra é considerado espírito superior, ele deveria ter superado completamente, com mais de um século de falecimento, as impressões dolorosas da velhice física. Como deputado e orador, que viveu tempos de oratória vigorosa, em voz alta e firme, seria natural que Bezerra, como espírito, tivesse não o jeito agonizante de falar, mas ter voltado aos tempos de orador vigoroso e lúcido.

Portanto, fica muito estranho ver o Dr. Bezerra, com mais de um século de falecimento, e tão considerado "superior" e "puro", manter-se ainda preso às impressões materiais da dor física, do corpo em perecimento, quando o mais lógico era ele esquecer de tais impressões e voltar ao antigo vigor da fala lúcida e em voz clara e audível.

Daí a provável fraude que merece uma investigação bastante apurada. O Espiritolicismo já cometeu diversas fraudes, mas goza ainda de uma aura de suposta imunidade moral. Mas a provável fraude da "aparição do Dr. Bezerra" pode representar mais um capítulo que desafia a paciência servil dos fanáticos do Espiritolicismo, a se verem diante de mais uma mentira a ser desmascarada.

quarta-feira, 19 de março de 2014

É muito fácil o Espiritolicismo forjar "espíritos de luz"


O exemplo ilustrado pela imagem acima é fictício, mas suponhamos que se trata de um livro lançado pelo Espiritolicismo, 50 anos depois do falecimento do senador Antônio Carlos Magalhães, conhecido pelo seu jeito agressivo e reacionário.

Neste exemplo, digamos que ACM tenha sofrido um processo de reabilitação intensa de imagem, incluindo uma engenhosa fabricação de consenso, apoiada por jornalistas, juristas, historiadores, acadêmicos e outros interessados em fazer uma imagem positiva do político baiano para a posteridade.

Digamos que estamos em 2057. E digamos que a mídia conseguiu trabalhar uma mutação de imagem do falecido senador, ex-prefeito de Salvador e ex-governador da Bahia, que passou a ser conhecido como uma figura extremamente amorosa, meiga e gentil.

Nesse processo, foram levados ao exagero qualidades políticas de Magalhães, como a eventual simpatia com aqueles que se identificam com sua figura, ou a realização de obras de cunho urbano - que, dizem as más línguas, são imitações de projetos urbanísticos típicos do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek - , com o acréscimo de alguns aspectos surreais.

Constrói-se um mito que só evoca os aspectos positivos de ACM, deixando de lado os momentos de truculência, ocultando os seus defeitos e apenas "adaptando" tais defeitos a um "admirável" senso de austeridade e firmeza contra os "detratores" e "invejosos".

Com isso, cria-se um mito que é trabalhado aos poucos ano após ano. Chegados os 50 anos, o antigo Toninho Malvadeza é transformado num anjinho ancião, no mais elevado sinônimo de mansuetude, meigice e grande evolução espiritual.

Criam-se livros atribuídos à sua autoria espiritual, com mensagens melífluas e confortantes. Criam-se supostas aparições espirituais associadas a supostas curas e supostas mensagens de "amor e fraternidade", de altíssimo teor de pieguice. Cira-se um consenso que transforma o falecido senador em figura iluminada, "espírito de luz", dotado da "mais elevada perfeição moral".

Consolidado o mito, cria-se até mesmo situações surreais, como Magalhães voando sobre as águas, seu fantasma enfrentando ondas para salvar um grupo de pescadores, ou o cheiro de dendê surgir do nada para anunciar sua presença. Tudo narrado como se fosse coisa verídica, através de palestrantes dotados de visibilidade e prestígio e respaldados pelo poderio midiático.

O exemplo, em si, é muito forte, para a comparação com o doutor Adolfo Bezerra de Menezes. Até porque, como político, Bezerra estava mais próximo de um José Sarney um pouco mais filantrópico do que de ACM, e naquela época quem se aproximava do "Malvadeza" era o senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado, assassinado em 1915.

Mesmo assim, cabe aqui ilustrar como é fácil, no Espiritolicismo, apoiado de outros suportes ideologizadores, forjar "espíritos de luz". Criou-se até mesmo um mito fabuloso do católico caipira Chico Xavier, promovido a "guia maior do Espiritismo" e a "figura de indiscutível perfeição moral". Mesmo com todos os erros, vários graves, por ele cometido.

Daí o exemplo acima. Alguém imaginaria, daqui a 50, 100 anos, Antônio Carlos Magalhães sendo sinônimo de meiguice e perfeição? A ponto de muitas mulheres idosas prestarem sua imensa devoção a ele, visto como um santo, um espírito sem falhas? Ou mesmo um espírito cujas eventuais falhas devem ser subestimadas em prol da adoração confortável?

Por isso é que o Espiritolicismo é perigoso, diante das armadilhas que produz para seduzir as massas e inventar "espíritos de luz" conforme sua conveniência. A exemplo do Vaticano, o "espiritismo" brasileiro também tem o cacoete de canonizar pessoas a bel prazer, como se coubesse aos homens mortais e imperfeitos o juízo da perfeição espiritual.

terça-feira, 18 de março de 2014

FEB determina que "centros espíritas" abram doutrinárias com textos de Emmanuel


Verificando a intensa reação de indignação dos espíritas autênticos contra as deturpações da Doutrina Espírita feitas pela roustanguista Federação "Espírita" Brasileira e seus derivados e dissidentes, os dirigentes da FEB resolveram adotar uma medida severa para proteger seus princípios espiritólicos.

Eles agora "recomendam" aos chamados "centros espíritas" que todas suas doutrinárias necessariamente sejam iniciadas com a leitura de qualquer trecho do livro de Emmanuel, psicografado pelo médium-estrela e anti-médium (no sentido semântico do termo) Chico Xavier.

A leitura é considerada "obrigatória", embora em tese seja apenas uma "recomendação", conforme a retórica supostamente suave da FEB. Mas nota-se que a preocupação é manter o "espiritismo" brasileiro arraigado nas diretrizes espiritólicas da corrente chiquista (de Chico Xavier).

Ultimamente, os dirigentes da FEB e seus colaboradores diretos manifestaram profunda revolta com a série de questionamentos que o "espiritismo" trabalhado pela "federação" está fazendo. Dotados de um inimaginável ódio, eles acusam os contestadores, que simplesmente querem recuperar a fidelidade às ideias originais de Allan Kardec, de serem "ortodoxos" e "puristas".

É um reacionarismo que encontra paralelo ao que ocorre na mídia mais reacionária, como a revista Veja e certos jornalistas da Rede Globo e Folha de São Paulo, até porque um dirigente da FEB também esculhambou os espíritas considerados progressistas.

Segundo esses reacionários, os questionamentos expressariam a "intolerância" contra o "sucesso" (?!) da "doutrina espírita" comandada pela FEB e seus princípios de "amor e caridade". Esses reacionários chegam mesmo a acusar seus críticos de "não praticarem o perdão" e "estarem obsediados", neste caso lembrando a turma de Edir Macedo, R. R. Soares etc falando contra os "possuídos pelo demônio".

Daí que a "leitura obrigatória" dos textos de Emmanuel se configura numa contra-reforma tramada pela FEB. E que tenta manter todos os desvios do "espiritismo" brasileiro da doutrina original de Kardec, através da fidelidade não às ideias do professor francês, mas às pregações autoritárias do jesuíta do além, que certa vez havia dito: "Não critique".

segunda-feira, 17 de março de 2014

Estranhezas da "aparição" de Bezerra de Menezes




É muito estranha a "aparição" do espírito Bezerra de Menezes. Será que ele tem que ser necessariamente frágil, com uma voz trêmula, sofrida, como alguém que está no leito de morte? Como, se ele, liberto do corpo físico, estaria, neste caso, liberto de suas fragilidades físicas?

Tudo indica que existe um padrão adotado pelo Espiritolicismo das encenações da suposta aparição do antigo presidente da FEB, erroneamente definido como o "Kardec brasileiro", até pela preferência que o dr. Adolfo Bezerra de Menezes deu a Jean-Baptiste Roustaing, que veio a ser desafeto e violento deturpador das lições lançadas por Allan Kardec.

Neste padrão, o "espírito" se manifesta como o de um velho com dificuldades de locomoção, com a coluna relativamente curva e um jeito muito frágil. A voz, rouca e trêmula, mais parece a de um Papai Noel em um grave estágio de pneumonia.

As palavras são quase inaudíveis, ditas como se o falante estivesse quase soprando ao falar para que as palavras não saiam da boca claramente pronunciadas. O ritmo das palavras é paternal, como a de um avô agonizante, que pronuncia as frases em tom choroso, como se fizesse alguma súplica a alguém, e até faz, através das tais "palavras de amor".

Deveria haver até um curso de como falar como o suposto Bezerra de Menezes, com todos os trejeitos, toda a retórica e todo o método de movimentos corporais e uso da voz para que os candidatos possam convencer e comover as plateias. Basta usar a voz do urso Zé Colmeia e adotar um tom mais frágil, dramático e trêmulo de falar e agir.

ESPÍRITO SUPERIOR QUANDO MORRE NÃO SE SENTE FRÁGIL

É impossível que o espírito de Bezerra de Menezes se manifeste de um jeito frágil, por diversos motivos. Para facilitar sua análise, vamos analisar aqui a tese de que Bezerra é um espírito superior e tenha se manifestado realmente como espírito, através de médiuns como José Medrado e Divaldo Franco.

A contradição se relaciona à suposta fragilidade de Bezerra. Se o Dr. Bezerra de Menezes é considerado espírito superior, de elevação suficiente para superar seus instintos e impressões materiais, por que ele se manifesta como alguém que ainda sofre a fragilidade do corpo envelhecido, mesmo com mais de cem anos de ruptura desses vínculos materiais?

Um espírito como Bezerra se manifestaria como se fosse o antigo deputado ainda dotado de força física e vigor que se refletia no parlamentar preparado a discursar alto e com firmeza. De acordo com a tese de sua aparição espiritual, ele nunca iria aparecer frágil e trêmulo, porque o nível evolutivo atribuído a ele dispensa tais impressões materiais, que teriam sido superadas.

Um espírito superior já tem como superadas as impressões da fragilidade da matéria. Mesmo dotado da mais amorosa humildade, isso não significa que ele deva aparecer, nas mensagens espirituais, com o jeito frágil de suas últimas horas de velhice e enfermidade. Pelo contrário, ele voltaria a ter o mesmo desempenho vigoroso de seus tempos joviais, mesmo que tenha falecido com 90 ou 100 anos.

Por isso é muito estranho que Bezerra, tido como "espírito de luz", apareça tão doente e debilitado na sua forma espiritual, mesmo mais de 100 anos após seu falecimento. Que espírito superior é esse que, com mais um século de falecimento, ainda guarda para si as dolorosas impressões da velhice enferma e agonizante?

Daí as duas hipóteses prováveis. Primeiro, Bezerra de Menezes não é espírito superior. Segundo, suas aparições espirituais são duvidosas, por conta de algum espírito zombeteiro e imitador ou talvez por algum modelo de imitação feito por espíritos daqui, como o fazem José Medrado e Divaldo Franco no seu teatrinho para comover as pessoas.

domingo, 16 de março de 2014

Bezerra de Menezes pode ter se reencarnado

ILUSTRAÇÃO ESPIRITÓLICA DO MÉDICO ADOLFO BEZERRA DE MENEZES.

A foto acima mostra um Bezerra de Menezes vestindo uma roupa que mais parece a de um monge católico, em traje de cor branca, sentado numa escadaria "fluídica" numa paisagem que lembra um bosque, com vários anjos do sexo feminino enfileirados, em olhar submisso e invariável a cada uma dessas moças em pose de oração.

Bezerra parece pensativo - ou talvez alguém sugira que está entediado - com a mão direita com o punho sob a face e apoiada a um velho livro de capa marrom intitulado "Evangelho". As jovens angelicais, posicionadas às costas de nossas vistas e do médico, não mostram seus rostos, parecendo todas entes sem qualquer personalidade.

Nota-se também que Bezerra está vestido como se fosse um santo católico, e a roupa lembra uma batina de um padre. O que diz muito não só à formação católica do médico e deputado como também pela própria influência do Catolicismo vigente no Brasil imperial como suporte ideológico do "espiritismo" brasileiro.

Mas toda essa mitificação, assim como as supostas mensagens sonoras e textuais atribuídas a Bezerra de Menezes podem simplesmente não serem verdadeiras. Tudo indica que Bezerra não se tornou espírito "de luz" - como os espiritólicos definem os espíritos "puros" - e já estaria na sua segunda ou terceira reencarnação depois daquela que ocorreu entre 1831 e 1900.

MITO FOI CRIADO PELA FEB

Um dos fundadores e dirigentes da Federação "Espírita" Brasileira, Adolfo Bezerra de Menezes, que dirigiu a instituição por duas gestões, foi um conhecido político do Segundo Império, além de médico e figura ilustre nos círculos sociais da antiga capital federal, o Rio de Janeiro, onde o cearense Bezerra vivia há muito tempo.

Bezerra participou dos debates abolicionistas no Legislativo da época, e até lançou um livro em 1869, A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação , entre outros livros de temáticas sociais de natureza laica, e outros ligados ao Espiritolicismo.

Bezerra de Menezes estaria longe de ser a figura excepcional que a FEB tanto trabalhou, criando um mito de "espírito puro" que superestimava sua generosidade. Talvez Bezerra tivesse sido mesmo uma pessoa afável, um senhor bonachão e alegre, e dado a ser generoso e gentil com as pessoas, independente da situação social. Mas nada que chegue ao nível de espírito superior.

Pelo contrário, Bezerra era um político como outros, tendencioso e oportunista dentro da dicotomia liberais e conservadores, análoga ao que vemos, nos EUA de hoje, entre o Partido Democrata (liberal) e Partido Republicano (conservador). E, como espírita, Bezerra preferiu trair Allan Kardec ao demonstrar sua preferência às ideias delirantes e catolicizadas do advogado Jean Baptiste Roustaing.

Nesses tempos, a FEB, com suas distorções que pasteurizavam a Doutrina Espírita numa ideologia mística e moralista, com tantos conceitos e rituais absurdos que foram inseridos ao longo dos tempos, era combatida por Afonso Angeli Torteroli, italiano radicado no Brasil e que era um dos que se indignavam com a deturpação do Espiritismo patrocinada com gosto pelo doutor Bezerra.

Torteroli foi deixado de lado pela posteridade, já que o poderio da FEB queria levar adiante toda a deturpação do Espiritismo. Canuto Abreu, também seguidor de Roustaing, percebeu a fidelidade de Torteroli com as ideias originais de Kardec e resolveu pôr o ítalo-brasileiro à margem, se limitando a divulgar sua figura apenas pelo vago codinome de "professor T".

BEZERRA REENCARNADO E MATERIALISMO

Consta-se que as aparições de Bezerra e o chamado cheiro de éter não seriam mais do que meras encenações, não só dos espíritos encarnados, como também nos desencarnados que são dotados de um forte materialismo.

O cheiro de éter não seria outra coisa senão um recurso materialista de espíritos do além chamarem a atenção das pessoas, o que rende também uma exploração sensacionalista do Espiritolicismo, à maneira do Catolicismo em relação às imagens de santas "chorando lágrimas de sangue".

Quanto a Bezerra, é bem provável que ele tenha se reencarnado e já estivesse hoje em sua segunda ou terceira reencarnação. Esta seria sua missão espiritual, vide o caráter mediano em que ainda se encontrava o médico, do contrário que se diz oficialmente.

Há até mesmo a "lenda" de que Maria, mãe de Jesus, teria chamado Bezerra para juntar-se a Deus, por causa da "evolução máxima" que ele teria atingido, e este havia se recusado porque queria assistir, como espírito desencarnado, os "miseráveis da Terra", alegando que não estaria satisfeito enquanto houver uma única lágrima caindo dos rostos dos desemparados.

Mas Bezerra teria voltado à Terra, depois de 1900. Pelo seu nível evolutivo, ele teria levado, no máximo, uma década para regressar à vida terrena, e levando em conta o prazo de cerca de 80 anos para uma encarnação se completar, Bezerra teria reencarnado, pelo menos, duas vezes. Possivelmente ele estaria hoje vivo, no corpo material de um jovem de cerca de 24 anos.

sábado, 15 de março de 2014

Sociedades mais atrasadas são as mais religiosas


As religiões são criações dos homens, "pontes" que estes constroem para chegar a um Deus que suas limitações de caráter moral e cognoscitivo acreditam existir. Aparentemente, isso nada tem de mais, mas os interesses humanos mesquinhos produziram desvios gravíssimos sob o manto da fé.

Religião é uma expressão da infância da humanidade, uma espécie de "babá" que as pessoas menos preparadas precisam para terem alguma esperança na vida. É uma espécie de muleta para pessoas "paralíticas" nos aspectos morais, o que mostra o estágio em que se encontra a humanidade, ainda sem a consciência desenvolvida para traçar seu caminho evolutivo independente.

O que chama a atenção, segundo muitas pesquisas (sobretudo de escritores como o neurocientista Sam Harris), é que as áreas de maior presença de religiões são as moralmente mais atrasadas, apresentando mais conflitos e crimes violentos e maior ocorrência de atos desonestos.

Mas aí alguém dirá que as religiões estão para isso mesmo, para socorrer áreas mais atrasadas. Em tese, isso faz sentido. Mas, na prática, as religiões, como criações humanas, pouco contribuem para evoluir a humanidade e, salvo exceções, até fazem para agravar a situação de atraso.

Isso é tão certo que muitos adeptos de religiões, que se julgam moralmente evoluídos e dotados de muita paz de espírito, reagem com muita fúria quando são contrariados. Alguns chegam a renegar a amizade das pessoas só porque estas não lhes compartilham de crenças de sua religião.

Em contrapartida, muitos dos ateus revelam-se dotados de moral elevada, embora ateísmo e evolução espiritual também não estejam necessariamente interligados. Mas há a tendência de pessoas que dispensam a crença em algum Deus ou totem religioso terem maior capacidade de entender as pessoas em sua volta e, usando a razão, poder trabalhar o altruísmo de forma mais objetiva e segura.

Não se fala que as pessoas tenham que largar a religião em si. Se alguém se sente confortável em seguir uma religião, que esteja à vontade, embora, sempre que necessário, outras pessoas devam alertar seus entes sobre os perigos de determinadas correntes religiosas dotadas de qualquer irregularidade séria.

Isso é o que fazemos quando questionamos o "espiritismo" brasileiro, denominado Espiritolicismo. Ele regrediu gravemente em relação às lições originais de Allan Kardec, traindo o professor francês com uma série de inserções místicas, pseudo-científicas, moralistas e de outras naturezas ideológicas que o transformaram numa religião mentirosa, charlatã e cheia de fantasias e pretensiosismos.

Ela mesma é o reflexo de um Brasil atrasado, surgida no seio de uma sociedade escravista, provinciana, patrimonialista, patriarcal, deturpando as ideias de Kardec com crenças e conceitos herdados do catolicismo jesuíta vigente em 1884 (ano de surgimento da FEB, Federação "Espírita" Brasileira), que por sua vez ainda mantinha muitos aspectos ideológicos do catolicismo medieval.

A religião, que inicialmente serviria para ligar o homem a Deus, transforma Deus num escravo do homem, e muitas correntes se corrompem pelos interesses mesquinhos, pela fraude historiográfica, pelas mentiras ideológicas, pelas fantasias e pelo moralismo ao mesmo tempo punitivo e paternalista. Se a religião é a "muleta moral" do homem, muitas dessas "muletas" se encontram quebradas e seus fiéis, moralmente "paraplégicos".

quinta-feira, 13 de março de 2014

Espiritolicismo e religião

CENA DE UM CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Diz o aparente senso comum que os lugares onde há mais presença de correntes religiosas são os mais evoluídos e os mais protegidos das energias maléficas. No entanto, o que se nota, na prática, é que essa tese não corresponde à realidade.

Pode parecer um absurdo, para muita gente, e isso irrita bastante muitas pessoas, na medida em que eles preferem acreditar que, quanto mais religião, maior será o progresso da humanidade. Mas, se existem religiões para proteger a humanidade, porque os locais onde elas mais existem são os mais vulneráveis a conflitos e tragédias?

Com o respeito digno e admirável a correntes religiosas diversas que se esforçam em minimizar a brutalidade de muitos seres humanos, admite-se que a religião é uma criação do homem, que em muitos casos pode revelar também culturas admiráveis, como a arquitetura católica de beleza indiscutível, os ritos muçulmanos e os rituais africanos cuja expressividade é também de grandioso valor social.

No entanto, elas por si só não garantem a evolução da humanidade. As mais evoluídas são aquelas que abrem mão de interesses materiais e pessoais, não fazem questão de proselitismo e renunciam ao fanatismo e à intolerância, e se elas não levam a humanidade para um plano moral perto do considerado "puro", pelo menos impulsionam alguma evolução moral.

Infelizmente, porém, muitas religiões são tomadas pela ganância, por interesses mesquinhos, crenças absurdas, disputas e vaidades pessoais, e elas se multiplicam por causa das dissidências que a menor discordância e o menor conflito podem causar.

O "espiritismo" brasileiro não está imune a isso. Pelo contrário, leva isso às últimas consequências, com o agravante de que promete um diferencial de crenças, ritos e princípios que não cumpre, além de forjar uma aproximação com a ciência que não existe.

Desde o começo, a traição às ideias de Allan Kardec e a deturpação mesquinha de seu árduo trabalho de transmitir novos conhecimentos, dentro de um processo desonesto e oportunista, fez do "espiritismo" brasileiro uma religião como as piores, corrompida pelo ideologismo fácil, pela verborragia, pela demagogia e pelas mentiras e fraudes movidas pelo sensacionalismo místico.

E, assim como toda pior religião, o "espiritismo" nada contribuiu para evoluir a humanidade, só fazendo os efeitos mais brandos do que as formas distorcidas de judaísmo e da religião muçulmana, que criam "fundamentalistas" que se enfrentam em confrontos sangrentos no Oriente Médio, há mais de 50 anos.

Mesmo assim, o "espiritismo" brasileiro já provoca o reacionarismo de seus seguidores, que deixam suas máscaras caírem, na medida que sua "aura de amor infinito" se desmorona em reações raivosas e até rancorosas quando suas crenças são questionadas, mesmo de forma construtiva.

Por isso, o Espiritolicismo, esse produto das distorções feitas na França e no Brasil contra as ideias originais de Kardec, se soma à galeria de religiões fajutas. Chico Xavier e Divaldo Franco não diferem muito de Edir Macedo, R. R. Soares, Waldomiro Santiago e similares, na difusão de crenças confusas e no proselitismo.

O Espiritolicismo tem até o agravante de querer se passar por "vanguarda", quando torna-se uma retaguarda, já que sua pretensão é bem oposta à sua prática. E, supondo querer e conseguir fazer evoluir a sociedade, deixa-a presa em suas crenças viciadas e atrasadas. Daí a piora da praxe "espírita" predominante no Brasil.

terça-feira, 11 de março de 2014

Nosso Lar não corresponde a mundos superiores


A ilustração parece a inauguração de um novo shopping center numa área nobre de alguma cidade. Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, por exemplo. Até parece um desses desenhos do novo estabelecimento a ser construído e inaugurado em breve.

Mas não é. Trata-se de um desenho feito através de computador da suposta "cidade espiritual" de Nosso Lar, que o "espiritismo" brasileiro tenta nos fazer crer ser a concepção de mundos superiores no plano espiritual.

Ele até tem ônibus, o chamado "aerobus", e tem até moeda corrente e tudo. Se o espírito fizer boas ações, ganha os tais "bônus-hora", que lhe dá direito até a fazer compras num supermercado ou ir a um cinema. Uma espécie de cartão de crédito. Simples assim, né?

A pretensão futurista de Nosso Lar veio na onda das obras literárias de ficção científica, já que a obra foi publicada pela primeira vez em 1944, quando o médium-estrela, ou digamos anti-médium (por não assumir papel intermediário no "espetáculo" espírita) Chico Xavier, usando o nome de André Luiz, ainda enfrentava processos judiciais movidos pela família de Humberto de Campos.

No entanto, a obra nem de longe chega a ser tão instigante quanto, por exemplo, 1984, de George Orwell, lançado em 1948 e que, este sim, é um livro que aborda a opressão política de maneira contundente, embora menos sutil do que as manobras políticas que acontecem no mundo politicamente correto de hoje.

A narrativa de Nosso Lar é confusa, e não consegue explicar por que um mundo supostamente superior é ameaçado de ser invadido por espíritos extremamente inferiores, mesmo quando protegida por uma enorme fortaleza (?!) munida de cerca de arame farpado (?!?!), já que na época não se falava ainda em cerca elétrica, evocada por espiritólicos mais contemporâneos.

Mas, para piorar, Nosso Lar, sendo uma ficção científica ruim, no entanto é tido como um relato "realista" e "verídico", como se fosse a "verdadeira realidade espiritual" supostamente vivida pela estranha figura de André Luiz, no fundo uma criação em quatro mãos de Chico Xavier e Waldo Vieira, da mesma forma que os cassetas Hubert Aranha e Marcelo Madureira criaram o jornalista Agamenon Mendes Pedreira.

Com isso, somos levados a acreditar que a tal colônia espiritual descrita no livro é um exemplo de "mundos superiores", embora seja localizado próximo à orbe terrestre, mais precisamente sob um confuso Estado do Rio de Janeiro (na época incluindo também o antigo Distrito Federal, a cidade do Rio de Janeiro), o que contraria bastante a lei de atração.

Afinal, a colônia Nosso Lar não pode ser considerada mundo superior porque se encontra na fronteira de lugares atrasados, cuja sintonia espiritual não está preparada para assimilar valores e espíritos de lugares realmente superiores.

Nosso Lar simboliza uma abordagem materialista de um ambiente surreal e "fantástico" que junta a um só ambiente hospital, internato, presídio, refeitório e outros ambientes ligados a um cenário ao mesmo tempo moralista e assistencialista.

A residência Savoye, localizada em Poissy, na França e concebida pelo arquiteto Le Corbusier em 1928 (a obra foi concluída no ano seguinte) e o ônibus GMC-Coach da extinta empresa carioca Viação Relâmpago, conhecido como "gostosão", de 1949, refletem concepções estéticas utilizadas no livro sobre a colônia Nosso Lar, de Francisco Cândido Xavier. 

Provavelmente, a concepção que se tem hoje do "aerobus" e da colônia Nosso Lar não é a mesma que a de 1944, época de um Brasil ainda predominantemente rural. Naquela época, provavelmente o Nosso Lar pareceria com as construções desenhadas pelo arquiteto Le Corbusier até então e o "aerobus" se assemelharia aos ônibus "gostosões" que circulavam na Zona Sul carioca.

A obra não traz qualquer tipo de realismo. Nosso Lar talvez corresponda a um mundo de outra dimensão, mas existem sérias lacunas na nossa compreensão terrena do mundo espiritual. O livro em nada acrescenta nas pesquisas científicas do que pode ser o mundo espiritual dentro de nossas concepções terrestres, apenas tomando como "verídica" uma suposição imaginária.

A obra se revela bastante materialista, não consegue explicar por que um mundo superior é vizinho de uma área bastante inferiorizada, e por que o sossego de um mundo superior chega a ser abalado até mesmo por uma greve de internos da tal colônia espiritual. São contradições que fazem Nosso Lar um livro confuso, surreal e delirante, portanto nada sendo de superior nem de verídico.

domingo, 9 de março de 2014

"Eu quero ser Allan Kardec"


É um festival de incoerência e de muita hipocrisia o Espiritolicismo e seus supostos mestres. E imaginar que a religião tenta bajular o conhecimento científico, fica brincando de ciência quando sua compreensão sobre o conhecimento e o método científico é bastante precária.

Veja o caso das teses sobre qual figurão brasileiro teria sido Allan Kardec. Consta-se que o Dr. Demeure teria dito que Kardec iria reencarnar um dia na Terra para cumprir sua missão, mas há dúvidas se Kardec reencarnaria na Terra ou num mundo superior.

Se depender do que disse o espírita autêntico José Manoel Barbosa, já falecido, Kardec não teria reencarnado na Terra, porque, pela lei de atração, ele se encontrava num elevado nível de evolução, incompatível com o nível de atraso intransigente em que se encontra a sociedade, na medida em que as lições kardecianas foram duramente deturpadas.

As mentes atrasadas não o compreenderiam direito, por mais que bajulassem o novo espírito (lembrando que Kardec ocultaria sua identidade, pela lei de reencarnação, para evitar complicações diversas, e isso ocorre em todo e qualquer espírito).

No entanto, há quem insista na bolsa de apostas reencarnacionista - poderemos chamá-la de BOVESPÍRITA? - e duas torcidas disputam a hipótese de quem teria sido Allan Kardec ao reencarnar na Terra. E, claro, são dois brasileiros, por coincidência nascidos em 1910, e que representam a obsessão ufanista de puxar a brasa kardeciana para a sardinha dos espiritólicos.

Já descrevemos o caso de Oswaldo Polidoro, o lunático que imaginava ter sido tudo que ele achava bom de personalidades humanas, de cientistas a padres. Delirante, ele afirmava ter sido Allan Kardec e deturpou ao seu bel prazer a doutrina kardeciana apostando num místico "divinismo" que o professor lionês, com toda a segurança, nunca teria o menor interesse em pregar.

Agora tem a torcida mais animada, a de que Chico Xavier é que merece o título. E existe um livro que "cientificamente" tenta "comprovar" que o católico de Pedro Leopoldo teria sido o professor lionês, mesmo com notáveis diferenças de personalidade.

Trata-se do livro A Volta de Allan Kardec, do advogado goiano Weimar Muniz de Oliveira, que se pretende ser um "trabalho de pesquisa", supostamente "científico" e "imparcial", incluindo 24 entrevistas, dez delas com pessoas ilustres do ideal "cristão", e outras dez quase anônimas, além de uma aparente pesquisa bibliográfica para "reforçar" a tese do autor.

As argumentações do livro (editado pela FEEGO, Federação "Espírita" do Estado de Goiás), segundo especialistas, sejam muito cansativas e imprecisas, e mesmo a pretensão de Weimar de dar "como concluída", em caráter "definitivo", a tese de que Xavier foi Kardec, é altamente discutível.

Admitamos que o próprio Chico Xavier negou, certa vez, com certa veemência, que teria sido Allan Kardec. As diferenças de personalidade são notórias, mesmo quando se adota a idolatria tipicamente espiritólica ao mineiro. Nem mesmo a maioria dos espiritólicos aceita a tese de Weimar.

No entanto, a torcida também não é pequena, como havia notado uma pesquisa, no Orkut, em que certos deslumbrados queriam que Xavier fosse Kardec, conforme uma enquete publicada numa comunidade "espírita". A tese, duvidosa e delirante, no entanto é respaldada por quem quer ver o Brasil destacado no "mapa mundi" do Espiritismo (seja este autêntico ou não).

Portanto, não valeu. Allan Kardec, sabemos, não teria reencarnado no Brasil. Se tivesse, o Brasil teria dado um salto de humanidade tremendo, com a presença do brilhante professor, homem de ciências, que ampliaria e modernizaria suas ideias, adaptando-as às novas tecnologias e novos contextos sociais.

Em vez disso, a doutrina kardeciana foi deturpada, distorcida até a medula, empastelada até o perispírito, contaminada com conceitos do catolicismo medieval e de esoterismos e parapsicologias baratas que nada tinham a ver com as seguras pesquisas do professor francês.

Portanto, o Brasil não quis receber Kardec, que não escreveu sequer as mensagens divulgadas pela FEB como de sua autoria. O professor francês não foi bem compreendido pelos brasileiros. Infelizmente, ele sentiu que pouco tinha que fazer aqui, com tantas pessoas ocupadas com os astros do Espiritolicismo. Os maus alunos acabaram "expulsando" o bom professor.

sábado, 8 de março de 2014

André Luiz não conviveu com Allan Kardec


Mais delírios no Espiritolicismo. Na sua "bolsa de apostas" sobre reencarnações, agora é a vez de André Luiz aumentar ainda mais a galeria de personalidades de que ele teria sido em outras encarnações.

O livro "Estudando o Nosso Lar", de Carlos Bacelli - ex-dirigente da FEB - e do "espírito" Inácio Ferreira, mostra supostas "revelações" que são um prato cheio para as hordas espiritólicas.

As "revelações" seriam de que André Luiz teria sido o médico francês Dr. Antoine Demeure, que viveu nos tempos de Allan Kardec e teria sido o médico que o assistiu no final da vida do codificador da Doutrina Espírita.

De bandeja, o livro editado pela LEEPP "confirma" que Chico Xavier havia sido Allan Kardec, o que é um grande absurdo. E como é fácil usar o nome de um espírito para lançar obras tão sensacionalistas.

Aposta-se tanto em quem foi quem na encarnação passada que um dia vão dizer que o breganejo Luan Santana é reencarnação de Elvis Presley. A coisa virou uma bagunça muito grande que daqui a pouco vão dizer que André Luiz foi algum político do Império Romano.

Para piorar, o "achismo" dos dirigentes espiritólicos é bastante perigoso. A cúpula inventa um factoide "espírita", atribui a um suposto espírito escolhido a bel prazer, e aí tudo é difundido em palestras nos ditos centros espíritas e o público aceita.

E, indo mais além, o público não só aceita como acaba defendendo o que ouviram de forma radical e apaixonada, e aí cria-se um círculo vicioso no qual surgem pessoas que tentam "confirmar cientificamente" as crenças inventadas de forma irresponsável nos bastidores espiritólicos.

E isso se multiplica como em epidemia. No fim, cria-se uma mentira desse tamanho que é vista como "verdade indiscutível" e aí os que a questionam é que são ridicularizados, acusados de irem contra conceitos da "mais pura verdade" e das "missões de amor ao longo das existências".

No entanto, podemos garantir que o André Luiz não conviveu com Kardec. E que Chico Xavier nunca foi Kardec é fato consumado. Nem chegou perto. Primeiro, porque é fruto da imaginação fértil de Waldo Vieira junto a Chico Xavier. Segundo, porque eles pouco entendem da verdadeira doutrina de Allan Kardec, muito distante das bagunças promovidas pela FEB e por muitos que depois se tornaram dissidentes da federação.

A obra do "Dr. Inácio", portanto, não tem relevância científica. É tão somente um recurso da FEB de promover a idolatria a seus totens, atribuindo-lhes "encarnações" fantásticas com o objetivo de criar um sensacionalismo místico e espiritualista que atraia palestras, venda muitos livros e movimente o mercado espiritólico que enriquece seus líderes sob o manto da "caridade".

quinta-feira, 6 de março de 2014

Palestrante demonstrou bastante crédula com "André Luiz"


O que é o Espiritolicismo e suas crendices surreais. Uma palestrante de um dito centro espírita de Niterói, no ano passado, estava expondo o seu tema quando, na sua retórica em tom maternal e desenvolto, descreveu uma situação frívola e um tanto fantasiosa.

Disse a palestrante, baseada num livro de "André Luiz", que Jesus, ainda dentro da barriga de sua mãe, Maria, teria pulado de alegria ao saber que seu primo João Batista estava na barriga de outra mãe, Isabel, considerada longeva e também canonizada pela Igreja Católica, sendo conhecida como a Santa Isabel dos católicos.

A palestrante, feliz da vida, deu apenas uma desculpa para considerar a situação "verídica". "Viu? Isso quem nos disse foi André Luiz", foi o que ela declarou, em tom professoral, como se isso comprovasse qualquer bobagem descrita.

A situação é puramente fantasiosa. Jesus, na sua condição biológica de feto, não tinha consciência alguma formada, devido às limitações físicas de seu corpo em formação. Nós, humanos, não temos a consciência do que nos ocorreu dentro da barriga da mãe, porque a limitação do corpo prematuro nos impede de pensar qualquer coisa.

Portanto, Jesus não teria tido noção da notícia e não ficaria pulando como se já fosse um garoto relativamente crescido e peralta. Ele estava em sua condição de inconsciência, pelo estágio biológico que impede qualquer expressão consciente da mente humana.

Mas, mesmo que esse episódio tenha existido, ele é um fato sem importância para que seja destacado assim com a ênfase tão grande. E, cá para nós, usar como "prova" o fato de ter sido relatado por um tal de André Luiz registrado no papel por Chico Xavier não procede como comprovação lógica de qualquer coisa.

Sabemos que o André Luiz não passa de um personagem desenvolvido em quatro mãos por Chico e Waldo Vieira. Até a atribuição espiritual de quem foi André Luiz na Terra é de tal forma constrangedor, de tão confusa, ridícula e hipócrita.

Por isso, se a própria veracidade de André Luiz é algo bastante discutível, por que usá-lo para comprovar um suposto fato da vida de Jesus, que não passa de narração fantasiosa, infantilesca e que só serve à fé cega e exageradamente mística dos espiritólicos?

Além disso, temos muita coisa a fazer para nos preocuparmos se Jesus saltitou ou não ao saber que seria primo de João Batista. No entanto, é certo que a Ciência confirma que Jesus não teria tido, nas condições de feto, as condições físicas para permitir "façanhas" como esta.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Brasil é somente uma pátria, não o Eldorado espiritual


O livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que Chico Xavier lançou passando recibo para o coitado do Humberto de Campos, que nunca teria escrito esse absurdo, é completamente cheio de erros.

O maior desses erros está justamente no título, que dá ao Brasil a surreal e inconcebível predestinação de nação-guia do planeta, através de sua promoção a uma suposta filial da pátria cristã de Israel, conforme influências do catolicismo medieval herdados pelo "espiritismo" brasileiro.

Afinal, o Brasil é só um país. Não é um guia da humanidade, não é a nova terra prometida, não é o centro do universo, nem muito menos a porta de entrada para mundos espirituais superiores. Esqueçam tudo isso.

O Brasil é, como qualquer outro país, um território arbitrariamente delimitado pela ação política dos homens. Seu território tem um significado puramente material, relacionado ao contexto social das pessoas que vivem nessa área na Terra.

Embora possamos admirar países, e ter algum sentimento relativo de patriotismo, devemos deixar claros que, no mundo espiritual, essas divisões são insignificantes. No mundo espiritual - uns chamam de "pátria espiritual" - não existe Brasil, nem Estados Unidos, nem Israel, nem Japão, nem Rússia, nem qualquer outro país. E não existem áreas com ideias próximas à delimitação por países.

Portanto, o livro que inspirou uma visão ufanista um tanto patética do "espiritismo" brasileiro já deixa de ser admissível como um documento sério já a partir do título, que sugere uma inapropriada predestinação messiânica do Brasil.

Vamos nos relaxar. Essa "predestinação" traz responsabilidades demais. Já basta a Copa do Mundo, com suas obras paradas. Já pensou se o Brasil fosse realmente a tal Pátria do Evangelho? Teríamos que construir imponentes centros espíritas e criar colônias espirituais de arquitetura bastante sofisticada. Creio que iria custar muito, muito dinheiro. E não daria em coisa alguma importante.

terça-feira, 4 de março de 2014

Como o Espiritolicismo se serve aos espíritos inferiores


O "espiritismo" brasileiro não é uma doutrina superior. Ele falhou na sua pretensão de ser a última palavra em espiritualidade e combinação entre fé e ciência, mais parecendo uma reciclagem do catolicismo medieval (que havia sido abandonado pelo Catolicismo contemporâneo) com clichês espiritualistas e terapêuticos.

A doutrina acaba atraindo a ação de espíritos inferiores, que se confortam até mesmo com as musiquinhas "elevadas" dos centros espíritas, e pelas deturpações nada honestas que o Espiritolicismo fez da doutrina originalmente lançada por Allan Kardec.

E como é que o Espiritolicismo se serve aos espíritos inferiores e de que forma eles exercem sua influência nesse "espiritismo" tão carregado de restos deixados de lado pelo Catolicismo?

Ora, os espíritos inferiores determinam o "horizonte ideológico" do "espiritismo" brasileiro. Em tese, a religião difundida a partir dos conceitos traçados pela FEB se dedica a assistir espíritos sofredores, mas acaba pautando sua ideologia não pela busca de qualidade de vida.

Assim, a doutrina "nivela" por baixo as coisas. Privilegia os medíocres e até mesmo os de caráter considerado mau, rogando-lhes "sorte" a pretexto de "aprendizado". Desta forma, por exemplo, homicidas são "amenizados" por serem considerados "agentes de reajustes espirituais", como se eles fossem "capangas de Deus".

Em contrapartida, a religião "espírita" brasileira torna-se severa e até punitiva para espíritos dotados de alguma evolução. Espíritos diferenciados que entram em contato com o Espiritolicismo tendem a enfrentar obstáculos mais pesados em suas vidas, sendo obrigados a nivelar seus projetos de vida por baixo, praticamente abrindo mão de suas vontades em prol de situações "desafiadoras".

Dessa forma, o Espiritolicismo que, em tese, assiste aos espíritos inferiores na tentativa de socorrê-los e fazê-los evoluir, acaba se tornando servo desses mesmos espíritos, que veem a ideia de socorro espiritual sob uma ótima materialista, própria de seu nível de evolução.

É como os miseráveis que, de "assistidos" passam a ser uma espécie de "demanda VIP" dentro de seu contexto. A assistência passa a fazê-los exigir vantagens maiores, privilégios. Desse modo, quem se dá bem no Espiritolicismo é sempre aquele que identifica com suas ideias piegas, conservadoras e que não trazem transformações profundas para a sociedade.

Daí a estranha ênfase na "reforma íntima". Não que fosse desnecessária a reforma moral pessoal de cada indivíduo, mas da forma como o Espiritolicismo a prega sugere que é inútil transformar a sociedade, apenas se deve "transformar o indivíduo" para que ele aceite as "imposições da vida" com "resignação e perseverança". Perseverança na aceitação e na subjugação, vale lembrar.

Daí a tirania dos espíritos inferiores, que, em muitos casos, se serviram até em rituais de "desobsessão", fazendo todo o teatrinho mediúnico de almas "perversas" que se diziam "arrependidas".

Por isso o Espiritolicismo contribuiu muito pouco para a melhoria de nossa sociedade. Só criou pessoas submissas e sonhadoras com a "salvação" que nem sabem o que é nem como se dará. Tudo vira uma questão de conformismo e aceitação, e as pessoas através dessa doutrina se tornam apenas docilmente conservadoras, adiando para não se sabe quando o verdadeiro crescimento espiritual.

segunda-feira, 3 de março de 2014

O Espiritolicismo não é uma doutrina de amor


Já descrevemos isso noutra vez, mas vamos insistir. Afinal, a reação que alguns adeptos do "espiritismo" brasileiro têm em relação aos questionamentos demonstra que não se trata de uma doutrina realmente de amor.

Afinal, que "doutrina de amor" é essa que, à menor contrariedade, faz com que os adeptos do Espiritolicismo - e sobretudo de figuras como Chico Xavier, Divaldo Franco e Emmanuel - se espumem de ódio e de raiva?

Mesmo quando tentam lançar palavras "dóceis", elas mais parecem um recurso irônico ou uma calma forçada, dessas pessoas que, se pudessem, avançariam para a violência física nos momentos mais extremos da discordância.

O verdadeiro amor não se apoia em palavras melífluas, nem em demonstrações de sentimentalismo piegas, e muito menos em um aparato de emotividades solenes, com gente chorando de comoção e gente sorrindo de forma paternal.

Se há uma discordância em jogo e tais pessoas se desequilibram emocionalmente, sobretudo com manifestações de raiva mal disfarçada como "você está sendo obsediado, irmão", então não há amor, o amor se torna uma palavra morta de gestos falsos e forçados.

O verdadeiro amor inclui paciência, compreensão e capacidade de ceder quando um erro é devidamente comprovado. E isso o "espiritismo" brasileiro tem de sobra: erros diversos, cometidos sobretudo por "totens intocáveis" como Chico Xavier e Divaldo Franco, que aliás estão entre os que mais erraram ou erram na doutrina.

Não admitir esses erros ou arrumar desculpas para minimizar os graves erros que pessoas assim cometeram em relação à Doutrina Espírita faz com que os adeptos mais exaltados reajam com raiva, xingando os espíritas de "ortodoxos", como se os verdadeiros espíritas - os que seguem as lições originais de Kardec e não as deturpações da FEB - fossem ultrapassados e antiquados.

Nada disso. O "espiritismo" brasileiro, cujas diretrizes foram lançadas pela FEB mas são seguidas até mesmo por dissidentes, é que é ultrapassado e antiquado, na medida em que assimila elementos do catolicismo medieval e os mistura com clichês da espiritualidade e do cientificismo terapêutico.

Por isso é que, quando os erros do "espiritismo" brasileiro, o Espiritolicismo, são divulgados, os adeptos dessa doutrina reagem com revolta e ódio, contrariando toda a pretensa aura de amor que eles julgam ter. Neste caso, os "iluminados" espiritólicos mostram que possuem ainda zonas trevosas nas suas mentes ainda tão confusas.

sábado, 1 de março de 2014

"Espiritismo" brasileiro pensa que está pensando


O "espiritismo" brasileiro tem um grande cacoete. É uma religião retrógrada e dotada de um misticismo moralista, mas tem a mania de dizer que é uma mistura de "ciência e filosofia", com todos os discursos e arremedos que lhe são possíveis de fazer.

O Espiritolicismo, que é o que denominamos o "espiritismo da FEB" e similares, apenas pensa que "pensa". Acha que se encontra "à luz da ciência" e que é uma doutrina voltada para a busca do conhecimento.

No entanto, tudo o que esse "espiritismo" faz é apenas um engodo que cria tão somente um aparato de racionalidade que não discute ideias, apenas transmite um amontoado de conceitos confusos, seja de um catolicismo medieval não assumido, seja de enxertos apressados e malfeitos de outras crenças, juntando com palavras rebuscadas e conceitos espíritas muito mal interpretados.

Para reforçar esse aparato, só mesmo a "roupagem" de palestras que, já na propaganda, forjam um racionalismo forçado, com ilustrações cósmicas ou antropomórficas, além do simulacro de seminários e, no caso de tratamentos espirituais, há ambientes que simulam uma estética hospitalar com música relaxante, lençóis brancos, cortinas de cores leves e alegres e por aí vai.

Tem até receituário, água fluidificada, recomendação para não comer carne durante uma semana nem em pensar em sexo. Se a Jessica Alba, por exemplo, aparecer usando um biquíni num portal de celebridades na Internet, deve-se controlar a excitação pela sensual atriz. Pelo menos neste caso há um "freio" chamado Cash Warren, que devolve os desafortunados à realidade.

Mas esse arremedo de racionalidade não ajuda muito. Tudo não passa de ritual religioso, que pouco acrescenta ao ser humano, da mesma forma do que perder horas e horas rezando um terço católico, na tentativa de "receber o perdão".

Os adeptos do Espiritolicismo, no entanto, acabam sendo seduzidos por essa falsa racionalidade, pela pseudo-ciência "espírita", que os faz muito mais confusos do que esclarecidos. Claro, com "palavras de amor" se aceita qualquer coisa.

Se no "espiritismo" brasileiro, mesmo seus maiores líderes - sobretudo um verborrágico como o pseudo-cientista Divaldo Franco - pouco entendem de conhecimentos científicos, seus adeptos entendem menos ainda. Mesmo assim, fica todo mundo pensando que entende um pouco de ciência e que "entende muito mais" por causa dos "espíritos superiores" da doutrina.

Grande balela. Primeiro, o "espiritismo" sofre a intervenção dos deturpadores, que tiram justamente o que havia de científico na doutrina original de Allan Kardec, traindo violentamente sua dificílima missão. Segundo, os que vêm depois tornam-se colaboradores dessa deturpação e ficam brincando de ciência. Terceiro, surgem os adeptos que acham que tudo isso é ciência e pronto.

Se os primeiros mentem, os segundos espalham a mentira e os terceiros assinam embaixo, então o "espiritismo" brasileiro nem de longe representa qualquer inclinação à ciência. Ele apenas usa um verniz "científico" para seu esgoto sobre o qual "navegam" tanto ideias boas mal interpretadas como outras ideias de valor e veracidade bastante duvidosos.

O "espiritismo" brasileiro, agindo assim, perdeu uma boa oportunidade de ser um diferencial para outras seitas e movimentos religiosos. Perde até mesmo para certos movimentos católicos e evangélicos que, pelo menos, tentam algum avanço mesmo diante de ideias surreais e valores moralistas.

Já o "espiritismo" brasileiro bota as sujeiras religiosas debaixo do tapete. E, na medida em que absorve ideais velhos do catolicismo medieval, mesclados com clichês da espiritualidade e dos conhecimentos científicos banalizados por leigos, o Espiritolicismo não só deixa de cumprir sua promessa supostamente inovadora como torna-se, ele mesmo, retrógrado e antiquado.
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