terça-feira, 22 de agosto de 2017

A indiferença generalizada com o atual momento


"Puxa, quer dizer que não posso ser feliz, na moral?", diz o cidadão médio, quando questionado por outrem sobre a alegria extrema que vive nos últimos momentos, desde quando, em maio de 2016, o governo Dilma Rousseff se encerrou de forma abrupta, forçada pela pressão oposicionista exercida pelos poderes Legislativo e Judiciário.

O momento atual é de profundos retrocessos sociais e não há como ser feliz num momento desses, se comportando como se o país vivesse a melhor fase de sua História. Não vive, e tal felicidade mais parece uma sensação de egoísmo do que de otimismo.

Os retrocessos são imensos. A economia do Brasil irá se enfraquecer, com o "crescimento" só se refletindo para as elites financeiras e uma parcela da classe média conservadora. As conquistas sociais estão sendo desfeitas uma a uma. Mulheres e negros estão cada vez mais atingidos pela violência que voltou com tudo. E reacionários de extrema-direita parecem cada vez mais esperançosos em conquistar o poder.

O momento é de reflexão, de apreensão e até de indignação. Se as pessoas tivessem vontade de se unir para protestar contra Michel Temer com maior intensidade do que andaram fazendo, seria melhor. Mas Temer está feliz, governando às costas do povo, derrubando obstáculos jurídicos que poderiam afastá-lo do governo, impondo uma pauta que trará danos irreparáveis nas vidas de muitos brasileiros.

E o "espiritismo", que estufa o peito para declarar "fidelidade absoluta" a Allan Kardec, mas a este comete traições, "oito dias por semana", com postulados igrejeiros medievais, nem está aí. Os "espíritas" apoiam Temer, não pela declaração explícita, mas pelos apelos insistentes para os infortunados "amarem o sofrimento" e manterem fé mesmo na pior das agonias.

Esses apelos demonstram o quanto o "espiritismo" vestiu a camisa da Teologia do Sofrimento, a corrente católica medieval que nem todos os católicos aceitam, mas os "espíritas" em sua grande maioria defendem, sem declarar explicitamente. Aliás, no discurso, os "espíritas" se dizem "surpresos" com tal constatação, pois se acham "progressistas" e nunca assumiriam teoricamente a apologia ao sofrimento humano.

É aquela coisa. Praticam, mas não assumem. Defendem, apelam, apoiam a tese da "aceitação do sofrimento", desenvolvem as falácias do "inimigo de si mesmo", que só empurram o sofredor para o suicídio (para este, tudo é pior seja na vida ou na morte), e fazem isso com todas as palavras e pontuações.

Mas quando alguém melhor informado lhes diz "Isso é Teologia do Sofrimento, é catolicismo medieval", os "espíritas" choram aos berros e tentam dizer "não é bem assim". Só que até os católicos que assumem a Teologia do Sofrimento também vêm com esse papo de "não é bem assim". Ninguém quer levar fama de carrasco.

Em todo caso, o "espiritismo" brasileiro demonstrou apoiar Temer e achar positivos os retrocessos sociais em marcha. Se a negociação entre patrões e empregados perdeu a regulação da lei, os "espíritas" acham isso ótimo, acreditando em "acordo entre irmãos", nos quais o empregado testará seu espírito de renúncia e abnegação e aceitar as restrições que o patrão irá impor, para "resolver a crise" e garantir para o empresário aquela turnê Miami-Nova York-Los Angeles com a família.

O salário vai reduzir? "Que bom, grande oportunidade para o desapego!". Desapega-se do necessário para garantir o apego dos outros ao supérfluo! A aposentadoria vai para o fim da vida? "Que maravilha, os proventos serão liberados no além-túmulo, quem sabe o 'de cujus' (falecido) poderá calcular o valor da aposentadoria e receber em bônus-hora quando estiver numa colônia espiritual".

Haverá mais privatização de empresas e instituições públicas? A Educação e a Saúde, com verbas públicas congeladas, serão entregues à "ajuda generosa" dos investidores privados? "Que bom, assim o Brasil terá menos responsabilidades e poderá ter mais tempo de pregar o Evangelho, conforme as maravilhosas profecias de Francisco Cândido Xavier".

Enquanto uma grande maioria de pessoas é "convidada" a "aceitar o sofrimento", "abrir mão de tudo", enquanto o sofrimento humano é defendido pelos "espíritas" até depois que o sofredor se arrepende de seus erros (a defesa do sofrimento continuando após o remorso soa como um "estelionato moral" da religião), os privilegiados precisam ser protegidos nos seus abusos e até perversidades. A ideia é ser sempre caridoso com um egoísta para ele praticar seu egoísmo em paz.

Vivemos um período sombrio, em que o "alto da pirâmide", em acelerado processo de perecimento, já fedendo a cadáver podre em vida, tenta resistir a tudo e a todos, se tornando não só senhor das circunstâncias, mas tentando ser o senhor do passado, do presente e do futuro. De machistas a coronelistas, de entreguistas a obscurantistas religiosos, a turma "de cima" luta para não perecer, para não morrer, para não decair, empurrando encrencas e condenações com a barriga.

Por isso, vivemos, no Brasil, um período dos mais sombrios. As tentativas de progressos vindas de 1808 até mais ou menos 2007 - quando cresceu, nas redes sociais, uma onda de reacionarismo de internautas - parecem ter sido em vão, porque as forças retrógradas de todo tipo hoje reagem de forma bastante violenta para forçar a marcha-a-ré evolutiva da sociedade brasileira.

Não se pode ver atenuantes no status quo social em crimes, gafes e erros graves cometidos por gente privilegiada. Corrupção de políticos do PMDB e PSDB não são piada de humorístico da TV, são casos graves que podem botar o país a perder. Feminicídio praticado por homens privilegiados não é ato de proteção aos valores da Família, mas um possível "higienismo" gradual que, além de reduzir o número de mulheres no Brasil, impede também o nascimento de novos brasileiros.

As pessoas devem ficar aflitas e indignadas. Se é possível ficar alegre, não se pode exagerar. O clima hoje não é de paraíso nem de algo parecido. A situação está grave para todos, e o jeito é reconhecer o quanto o "alto da pirâmide" está apodrecido e vermos que muitos valores declinarão, muitos "heróis" terão que ser abandonados e muitos paradigmas, alguns aparentemente valiosos, terão que cair.

Até o nosso "espiritismo" está insustentável, não valendo mais aquela velha promessa de 40 anos atrás dos mesmos deturpadores "aprenderem melhor as lições de Allan Kardec". De que adianta eles estudarem a Doutrina Espírita original e exporem a sua teoria se depois vão praticar o igrejismo que entra em choque com os postulados kardecianos? Além disso, deve-se sempre abrir mão da ideia confortável da raposa sempre ser chamada para reconstruir o galinheiro que destruiu.

Dá para ser alegre, animado, e estar de bem com a vida. Só não se pode exagerar, como se vivesse um clima de tempos áureos. Até porque isso pode sugerir alienação ou egoísmo, pois nem todos compartilham dessa "incrível felicidade" que apenas uns poucos, privilegiados ou desavisados dos tempos sombrios de hoje, vivem. Ainda que uma esperança seja possível, o momento é de reflexão e até de preocupação.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

"Espiritismo" se vale de confusão antiga para tentar se salvar


O "espiritismo" brasileiro resgatou uma confusão antiga, que antes incomodava seus membros, como recurso para tentar se salvar da crise aguda que sofre, quando são reveladas irregularidades graves da doutrina igrejeira brasileira.

Observando os episódios de intolerância religiosa que atingem os movimentos afro-brasileiros, que a mídia empresarial confunde com "movimentos espíritas", o antigo preconceito que causava mal-estar entre os "espíritas" brasileiros tornou-se, por ironia, a sua tábua de salvação.

O episódio de uma casa de umbanda no bairro de Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro, é ilustrativo. Os noticiários mais comuns definem a casa como um "centro espírita", que há poucos dias sofreu uma tentativa de incêndio e também sofreu, antes disso, outras invasões. O episódio foi definido como um dos principais casos de intolerância religiosa existentes no Brasil.

No passado, as religiões afro-brasileiras eram confundidas com "espiritismo" pelo aparente tratamento com o sobrenatural. Num dado sentido, a umbanda assimilou valores do "kardecismo" sob a mesma lógica que o próprio "espiritismo" brasileiro assimilou valores católicos no passado, visando sobrevivência institucional e se protegendo contra a repressão policial.

Hoje o "espiritismo" brasileiro tenta dar a falsa impressão de que está sofrendo todo tipo de intolerância religiosa. Até um assalto ocorrido numa "casa espírita" em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, no mês passado, é interpretado como "intolerância religiosa" por alguns "espíritas" mais apressados. Sem falar da choradeira que muitos expositores "espíritas" fazem diante das críticas duras que a doutrina igrejeira recebe.

Observando bem a situação, porém, o que se vê é que o "espiritismo" brasileiro, aquele que jura ser "rigorosamente fiel" com os ensinamentos de Allan Kardec mas pratica abertamente o igrejismo de Jean-Baptiste Roustaing, é uma das religiões mais toleradas do país, sendo até mais do que as seitas neopentecostais que se aglutinaram para formar a "bancada da Bíblia" no Congresso Nacional.

Embora não tenha a popularidade da Igreja Universal do Reino de Deus (dona da Record TV) nem a visibilidade de concorrentes que alugam horários na Band, CNT e Rede TV!, o "espiritismo" brasileiro é blindado pela mais poderosa rede de televisão do Brasil, a Rede Globo, surgida com uma ajudinha de fora da empresa Time-Life, três anos antes de 1965, ano de sua inauguração.

A Globo vestiu a camisa do "espiritismo" porque usa uma religião que se comporta igualzinho à Igreja Católica - embora os "espíritas" apresentem um conteúdo mais medieval, em que pese a embalagem "mais moderna" - , mas não possui aparatos pomposos, podendo se passar até por uma "não-religião", pela embalagem "limpa" e pelo verniz de "simplicidade" e "despretensão" que apresenta.

A tolerância é tanta que obras comprovadamente fake relacionadas à psicografia e pinturas mediúnicas são publicadas livremente, sendo os livros disponíveis até gratuitamente na Internet. Mesmo irregularidades reconhecidas e provadas não fazem a Justiça se mexer um dedo contra os farsantes, e isso num país em que petistas são condenados se uma simples fofoca supor alguma atitude negativa de um membro do Partido dos Trabalhadores.

Obras com diferenças estilísticas bastante grosseiras, como a de Francisco Cândido Xavier creditada ao "espírito Humberto de Campos", e o quadro "São Francisco de Assis" que José Medrado atribuiu ao pintor Cândido Portinari, que apresenta diferenças aberrantes ao similar que o falecido pintor deixou em vida, são aceitas até com certo entusiasmo, porque são obras, tendenciosa mas oficialmente, associadas ao "trabalho do bem".

O "espiritismo" brasileiro, de forma comprovada, em que pese todo discurso de "fidelidade absoluta" e "respeito rigoroso" aos postulados kardecianos, comprova assumir práticas contrárias aos mesmos. É só perceber o que os textos de O Livro dos Médiuns esclarecem e observa-se que muitas das práticas e ideias reprovadas por Allan Kardec são abertamente seguidas por Chico Xavier, Divaldo Franco e companhia.

Sem ter uma postura realmente autocrítica - os "espíritas" apenas "admitem" que "são falíveis", como quem tenta "assumir que errou" para se livrar de uma punição - , o "espiritismo" brasileiro agora deve ter passado a gostar de ser confundido com a umbanda, que voltou a ser vítima de intolerância no contexto de retomadas ultraconservadoras que se consolidaram em maio de 2016.

Mas uma coisa é condenar a intolerância contra as religiões afro-brasileiras, que não apelam para a desonestidade doutrinária e possuem um rico repertório cultural, tendo servido, no passado, como meio de expressão cultural e proteção social dos antigos escravos, que nem cidadania possuíam. Eram os cultos afro-brasileiros, neste caso, formas de socialização e integração humana naqueles momentos muito difíceis de violento preconceito social manifesto pelas elites.

Outra coisa, porém, é a intolerância à mentira e à traição. Está cada vez mais claro que os "espíritas" se revelam traidores de Allan Kardec, constatação que não isenta sequer os "renomados" Chico e Divaldo, eles mesmos tendo lançado em livros e, durante muitos anos, ideias que contrariam frontalmente os postulados espíritas originais.

É inútil que palestrantes "espíritas" fiquem por aí bajulando Kardec e até Erasto, fazendo falsos comentários contra a vaticanização espírita que no fundo adoram praticar, e até fazer apelos tendenciosos para "não só entender Kardec, mas viver Kardec". De que adianta expor corretamente a teoria espírita, se na prática se cometem traições das mais aberrantes? Será que temos que tolerar isso?

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

"Espíritas" põem culpa em "fantasmas" pelo roustanguismo


O "espiritismo" tem dessas coisas. A religião dos "certinhos" que, quando se envolve em escândalos, põe a responsabilidade nas "almas atormentadas" que "sussurram más sugestões" e supostamente lançam os "espíritas" uns contra os outros.

Como uma Torre de Babel travestida de doutrina espiritualista, o "espiritismo" brasileiro tenta ludibriar a opinião pública, pregando uma coerência que não tem e atribui seus erros aos "amiguinhos pouco esclarecidos que só vem perturbar o trabalho do bem". Toda essa retórica de desculpas é feita para dar a impressão de que o "espiritismo" é a "doutrina da pureza" e seus integrantes, se não são "anjos", estão "próximos disso".

Se o "espiritismo" brasileiro tem uma grande virtude, ela não é a ética, nem a coerência, nem a lógica e muito menos a caridade (que, tão alardeada, esconde que não vai além de mero Assistencialismo). Sua maior virtude é arrumar desculpa para tudo, ter sempre uma alegação pronta para qualquer tipo de deslize, para qualquer procedimento feito ao arrepio dos postulados de Allan Kardec.

Exemplos não faltam. Se o "espiritismo" brasileiro está muito catolicizado, as desculpas utilizadas são que muitos "espíritas" teriam sido padres em encarnações passadas, que o Brasil adaptou a doutrina kardeciana às "tradições religiosas locais" e que tal procedimento se deve pela "afinidade com as ideias do Cristianismo".

Se o "espiritismo" brasileiro é blindado pela Rede Globo de Televisão, a desculpa é que os "espíritas" acham isso ótimo, porque a Globo, pela sua grande audiência, "ajuda muito" na divulgação da "doutrina espírita".

Há também a desculpa, cada vez mais utilizada, que as críticas e ocorrências infelizes que atingem o "espiritismo" brasileiro são fruto de "intolerância religiosa", quando se sabe que as duras críticas aos deslizes do "espiritismo" são, na verdade, intolerância contra a mentira, a desonestidade doutrinária, porque os "espíritas", comprovadamente, cometeram muitas traições aos ensinamentos kardecianos.

Com a blindagem que o "espiritismo" tem, em que até seus piores erros são permitidos, e comprova-se a irregularidade nas "obras mediúnicas", cujos quadros, livros e cartas se chocam com os aspectos pessoais dos autores mortos alegados, nem se pode falar em "intolerância religiosa", quando até um juízo de valor perverso trazido por um "médium espírita" é aceito, mesmo sob o risco de causar danos morais a quem é julgado.

Outro exemplo de desculpas é atribuir aos "espíritos obsessores" os incidentes negativos causados pelos próprios "espíritas". O histórico de confusões do suposto médium Francisco Cândido Xavier, que começou com um livro claramente de obras fake, Parnaso de Além-Túmulo, se valendo pelo uso de nomes ilustres de literatos mortos, é um claro exemplo disso.

É bom deixar claro para todos que o que Chico Xavier fez, e que, lamentavelmente, tem até hoje a aceitação do público e a total e aberta blindagem da mídia e da Justiça - Chico Xavier é (mesmo postumamente) uma espécie de Aécio Neves da religião, tido como "intocável" - , é na verdade um grave problema que já havia sido alertado previamente por Allan Kardec, pelo nem sempre agradável O Livro dos Médiuns.

Nele Kardec alertava sobre o uso de nomes ilustres que espíritos mistificadores - ele destacava os desencarnados, mas vale perfeitamente também para os encarnados e os próprios "médiuns" - se utilizam para veicular ideias retrógradas, sombrias ou delirantes, manipulando as pessoas com a atribuição forjada de nomes prestigiados.

A atribuição a nomes como Humberto de Campos, Augusto dos Anjos, Casimiro de Abreu, Castro Alves e até mesmo a pouco conhecida Auta de Souza, em obras que claramente fugiam de seus respectivos estilos originais (basta uma leitura dedicada para constatar essa dura verdade), era um artifício para o medieval "médium" de Pedro Leopoldo impor a Teologia do Sofrimento, de quem era devoto, através do "apoio" forçado de literatos mortos e renomados.

Todavia, como no Brasil há o chamado "jeitinho", e que aqui prevalece a ilusão de que a religião está acima de tudo e de todos, cabendo a ela a propriedade absoluta da verdade - uma mentira apoiada pela religião é tida como "mais verdadeira" do que a verdade respaldada pela lógica e pelo bom senso - , o que prevalece é a atribuição de autenticidade apenas pela rasa desculpa de que as obras "transmitem coisas boas", como as tais "mensagens de amor".

Assim, oficialmente as confusões que envolveram Chico Xavier são atribuídas à "fúria caluniosa" de intelectuais "invejosos" de ver um caipira "se comunicando" com literatos mortos, e aí se culpam os pobres acadêmicos e literatos da Terra, que cobram coerência e sabem das irregularidades das obras "psicografadas" (um Humberto de Campos, por exemplo, que se reduziu a um "padre"). Os intelectuais seriam, segundo essa visão delirante, tomados por "espíritos obsessores".

No caso de Divaldo Franco ser acusado de plagiar o já plagiador Chico Xavier, também se atribuiu a "força de espíritos obsessores" que "tentaram desunir" os dois supostos médiuns (hoje blindados pelo poder midiático da Rede Globo, como concorrência subliminar aos "pastores eletrônicos" das emissoras concorrentes).

Livrar os "espíritas" das responsabilidades de seus atos negativos é muito ruim. É fácil esconder os abusos pelo pretexto do "amor", da "caridade", das "mensagens edificantes". Todos falam que o processo judicial contra Chico Xavier - que terminou em impunidade, pela "seletividade" conhecida de nossos juízes que viram na "fé" uma marquise para as irregularidades do "médium" - era obra de "obsessores" mas ninguém imagina isso em Parnaso de Além-Túmulo.

Se as pessoas prestarem atenção nos alertas nem sempre agradáveis dos livros kardecianos, verão o quanto estas obras, de contundente coerência, questionaram, por antecipação, o que os "médiuns" brasileiros praticaram com gosto. Ver que espíritos inferiores podem se usar de "palavras de amor" para enganar as pessoas é algo que é óbvio para quem vive no mundo mais desenvolvido.

No Brasil tomado do mais profundo atraso - principalmente através do governo de Michel Temer, apoiado pelo "movimento espírita" - , as pessoas é que acham que as "palavras de amor" estão acima de tudo, e que o balé das palavras pode transformar, por si só, mentiras aberrantes em "verdades indiscutíveis", e questionar isso seria "ceder às vozes dos obsessores". Pensar assim já não é mais ignorância, é tolice mesmo!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

"Espiritismo" brasileiro e o fim da utopia da Nova Era


Para quem gosta de sonhar com a Nova Era, através de devaneios místicos e religiosos, melhor se contentar com ilustrações como a publicada nesta postagem, entre outras cuja beleza remete mais à imitação das estéticas de discos de rock progressivo do que de um prenúncio do que vai ser a humanidade no futuro.

A utopia da Nova Era, consagrada nos anos 1960 pelos movimentos de Contracultura e anunciada como "certa" na década de 1990, após a derrubada do Muro de Berlim em 1989, motivou o auge de muitos movimentos religiosos e esotéricos, levando multidões ao misticismo na esperança de se prepararem para os "novos tempos", sob a promessa de um "coração mais puro" e "energias mais favoráveis".

Livros de autoajuda e obras religiosas passaram a vender como pipoca na entrada do cinema. Gurus surgiram, desde o ramo empresarial da autoajuda - sob o rótulo de Empreendedorismo - até a religião "espírita", passando pelo modismo da "inteligência emocional", passaram a se projetar, prometendo "salvar o mundo" com um repertório de palavras bonitinhas.

E como o açúcar das palavras descia bem nos estômagos das almas sonhadoras, muitas pessoas passaram a atribuir o passaporte para o céu dos malabaristas das palavras, sempre em pose de mansuetude, voz doce, oratória habilidosa e um pedantismo confuso mas tão bem revestido de pretensa erudição que garante um equivocado mas apaixonado rótulo de "filósofo".

No "espiritismo" brasileiro, a utopia da Nova Era, que no contexto brasileiro só foi de fato efetivada nos anos 1990, pois na época hippie (1966-1970) o país vivia sob a ditadura militar, representou a consagração da "fase dúbia", aquela em que os "espíritas" bajulam Allan Kardec mas seguem o legado de Jean-Baptiste Roustaing, num falso equilíbrio doutrinário entre "místicos" e "científicos", que privilegia os primeiros.

A partir daí, palestras e congressos "espíritas", com cartazes com ilustrações futuristas e desenhos de humanoides em formas anatômicas, supondo pretenso cientificismo biopsicológico, surgiram mascarando o igrejismo com pedantismo intelectual, fazendo a fortuna e o prestígio de supostos médiuns, como Divaldo Franco, a fazer turismo pelo mundo com o balé de belas palavras, religiosamente piegas e intelectualmente ocas.

Tudo isso funcionou quando os retrocessos sociais, já latentes nos anos 1990, não eram explícitos e não pareciam ameaçar os relativos progressos sociais garantidos pela evolução tecnológica e pelos programas de bem-estar social, incluindo o controle nas economias dos países. A globalização sugeria uma utopia de que as fronteiras seriam rompidas e a solidariedade iria avançar por toda a humanidade, espalhando justiça social até em ambientes mais sombrios.

Só que tudo isso foi por água abaixo. A violência tornou-se maior, e cada vez mais praticada por pessoas de melhor condição econômica e supostamente com significativa educação moral. O reacionarismo tornou-se uma bandeira da rebeldia juvenil, contrariando a crença de que a juventude fosse um oásis de ideias progressistas e de vanguarda. O consumismo tornou-se desenfreado e até as religiões tornaram-se motivação não para a solidariedade, mas para o egoísmo e a cupidez.

O próprio "espiritismo" não tardou a revelar seus equívocos, gravíssimos. Depois dos últimos escândalos entre 1966 e 1975, envolvendo desde a farsa da "médium" Otília Diogo, que teve a cumplicidade de Francisco Cândido Xavier, até o fim da trajetória do prepotente Antônio Wantuil de Freitas à frente da FEB, passando por uma ameaça de publicação, pela FEESP, de traduções ainda mais roustanguistas da obra kardeciana, a "fase dúbia" nem de longe cumpriu o prometido equilíbrio.

A estabilidade forçada é mantida pelo "movimento espírita" pela sorte de muitos acordos, seja entre diferentes expositores "espíritas" que mantém a sua "diversidade doutrinária" (eufemismo para visões pessoais sobre temas e práticas doutrinários), seja entre eles e a Justiça, que nunca investiga as irregularidades doutrinárias (que envolvem até falsidade ideológica em obras "mediúnicas"), e a grande mídia, que sempre divulga uma imagem positiva do "espiritismo" brasileiro.

É, portanto, uma estabilidade forçada pelas circunstâncias, num momento em que o "topo da pirâmide social" vive em acordos sucessivos que evitem o desgaste definitivo da plutocracia, mesmo diante de graves crises e escândalos de arrancar os cabelos. Se existe até acordo para a imprensa não publicar óbitos de criminosos ricos, que "desaparecem" como semi-deuses em "ascensão ao Senhor", então tudo é feito para que a Torre de Babel contemporânea seja construída sem maiores conflitos.

Vivemos um período delicado de profundos retrocessos sociais e quando os maiores casos de sordidez humana se encontram em pessoas de significativo status social. A ilusão de que os erros graves se atenuam conforme a posição social de seu praticante, crença ainda persistente em muitas pessoas, anestesia a sociedade e abre caminho para pessoas ainda mais perversas que se protegem pela marquize do prestígio, do dinheiro e da visibilidade.

Com os profundos retrocessos sociais, o "espiritismo", ele mesmo perdido em tentar explicar a suposta "fidelidade a Kardec" mediante o apreço às ideias de J. B. Roustaing, se encontra na mais aguda crise, que atinge níveis insustentáveis. A esperança dos deturpadores da Doutrina Espírita comandarem mais uma promessa de "recuperação das bases espíritas originais" continua forte, mas ela será sempre inútil, porque os defeitos serão sempre mantidos.

Essa promessa já foi dada há 40 anos, deu na "fase dúbia" que conhecemos e o resultado foi desastroso. O "espiritismo" ganhou em popularidade, sobretudo com a blindagem da Rede Globo aos "médiuns espíritas", até hoje tidos como "intocáveis", mas aumentou sua hipocrisia, pois seu igrejismo de herança roustanguista nunca esteve tão fortalecido, apesar de tantas e insistentes alegações de "respeito rigoroso e fidelidade absoluta" ao legado kardeciano.

E agora com os tempos sombrios em que se vive, e o questionamento dado às utopias místicas e esotéricas que prometeram a "salvação da humanidade", o sonho da Nova Era se esfacela e põe em xeque as doutrinas e movimentos que se apoiaram nessa ideia, incluindo o próprio "espiritismo" brasileiro.

É possível que, num prazo mais tardio, a humanidade se evoluirá, mas a perspectiva será muitíssimo diferente do que sonhavam as utopias místicas e esotéricas, incluindo alguns movimentos religiosos. Novos paradigmas se formarão que escaparão das predições igrejeiras de gurus de ocasião, pretensos profetas, falsos sábios e, sobretudo, os "médiuns espíritas" que, aos poucos, veem a posse da verdade escaparem de suas mãos.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Protestos de Charlottesville e a tese da "Data-Limite" de Chico Xavier


No último fim de semana, um grande protesto de grupos neo-nazistas reunidos numa praça em Charlottesville, contra a retirada da estátua do combatente confederado e escravocrata Robert E. Lee, proposta pela prefeitura dessa cidade do Estado da Virgínia, nos EUA, põe em xeque as perspectivas otimistas, sobretudo da parte do "espiritismo" brasileiro.

A manifestação, no contexto dos EUA, reflete uma onda ultraconservadora que mostra uma inclinação de muitos jovens a movimentos obscurantistas. A adesão de jovens a grupos terroristas e entidades fascistas atinge índices assustadores, revelando não só um aparente descontentamento com os rumos da sociedade contemporânea e o fracasso de muitos ideais progressistas, como também a "noção de novidade" que certas causas retrógradas apresentam para quem tem menos de 45 anos.

Outro protesto, de negros e outras minorias sociais que fizeram uma "muralha humana" no campus da Universidade da Virgínia, também ocorreu e houve confronto entre as duas manifestações, com a polícia tentando resolver a situação, prendendo vários agressores.

O ápice nem se deu pelas multidões saindo à noite marchando e segurando tochas, lembrando os primórdios do tenebroso movimento Klu Klux Klan (cuja sigla KKK chama a atenção por coincidir com a grafia das risadas dadas pelos chamados "fascistas mirins" na Internet).

Ele se deu quando o jovem neo-nazista, James Alex Fields Jr., que dirigia um carro, avançou sobre uma multidão de manifestantes anti-fascistas, ferindo vários deles, causando uma vítima fatal, a ativista Heather Heyer, de 32 anos. A morte dela rendeu comparações com a da deputada britânica Jo Cox, assassinada em 2016 por um neo-nazista inglês, que está preso, como no caso de Fields Jr..

Fields Jr. teve o pedido de liberdade condicional sob fiança negado porque a defensoria pública se recusou a defender o preso. A recusa se deu porque uma das vítimas do atropelamento foi um familiar de um funcionário da Defensoria Pública, o que fez a Justiça local exigir que Fields Jr. arrume um advogado de defesa.

O lamentável episódio ocorreu nos EUA e, aparentemente, nada contradiz em relação à suposta profecia do "médium" Francisco Cândido Xavier, sobre a tal "data-limite" que supostamente prevê um período de turbulências e regeneração espiritual.

A "profecia" tem valor factual duvidoso, é cheia de erros de abordagem geológica (como o Chile ser poupado de uma onda de explosões vulcânicas no Círculo de Fogo do Pacífico) e sociológica (pressupõe que eslavos migrem para o calorento Nordeste brasileiro, se esquecendo que os eslavos, ao chegar ao Brasil no século XX, escolheram a região Sul) e nem todos os seguidores de Chico Xavier acreditam nessas "previsões", trazidas por Geraldo Lemos Neto.

Da nossa parte, consideramos que Chico Xavier teria feito tais "profecias", sim, porque em outras ocasiões, como em livros "psicográficos" e na entrevista ao programa Pinga Fogo, na TV Tupi, em 1971, ele teria dito coisas semelhantes. Além disso, a "profecia" segue o ideal de "coração do mundo" e "pátria do Evangelho" que Xavier sempre desejou ao Brasil.

Dois aspectos, porém , revelam o equívoco e o risco da "profecia" do anti-médium mineiro. Um é que o protesto neo-nazista de Charlottesville foi apoiado por muitos internautas nas redes sociais, que citaram sobretudo o ídolo deles, Jair Bolsonaro. No Brasil, também há a ascensão de grupos fascistas. Uma suposta organização, intitulada "International Klans", espalhou folhetos colados em vários lugares em Niterói, Estado do Rio de Janeiro.

Isso contraria a tendência de que o Brasil se tornaria "mais progressista" num contexto destes. É verdade que existem também muitos brasileiros condenando o episódio, mas o cenário sócio-político dominado por forças conservadoras que retomaram o poder em maio de 2016 revela a ascensão de forças sociais retrógradas e reacionárias, que tomaram as rédeas numa pauta socialmente mais excludente e obscurantista.

Os próprios "espíritas" parecem complacentes com esse cenário, até demonstrando, mesmo sem assumir no discurso, o apoio ao governo Michel Temer e aos grupos reacionários que comandaram a onda ultraconservadora. Um deles, curiosamente, é denominado "Revoltados On Line", incluído entre outros "iluminados" (como o Movimento Brasil Livre e o Endireita Brasil), que os "espíritas" atribuíram como "articuladores do processo de regeneração da humanidade no Brasil".

Mas existe também, sob uma outra abordagem, o risco da ideia do "Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" rumar para um projeto tirânico, combinando teocracia com imperialismo. Ideias de religiões dominantes, como o Catolicismo medieval, e de um poder político centralizador, como tentou ser a Alemanha nazista, são um grave alerta disso.

Alegações de que a "pátria do Evangelho" não representará essa ameaça por causa da vocação de "tolerância" dos "espíritas" são verossímeis, mas bastante perigosas. Afinal, os "espíritas" brasileiros já revelaram, por outro lado, a inclinação de fazer juízo de valor e a atribuição de "resgates morais" para justificar os prejuízos de outrem.

Com o "espiritismo" brasileiro cada vez mais voltado à Teologia do Sofrimento e cada vez mais caminhando para ser uma versão rediviva do velho Catolicismo jesuíta e medieval, que vigorou no período colonial, também podem impulsionar para esse dado sombrio da doutrina igrejeira. A experiência do Catolicismo da Idade Média, também anunciada com belos pretextos, é um bom alerta à humanidade.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A estranha morte de um engenheiro em prédio de federação "espírita"


O "espiritismo", pelo jeito, dá azar. Embora tal constatação seja vista por muitos como "exagerada" e "injusta", ela procede na medida em que a doutrina é marcada por tantas e tão graves contradições, a começar por um roustanguismo nunca assumido mas quase que inteiramente praticado, enquanto se declara "fidelidade absoluta" ao Allan Kardec que é traído pelos "espíritas" setenta vezes sete vezes..

Nas últimas semanas, houve um assalto violento, com tiroteio, no último dia 30 de julho, na Rua Leandro Mota, no Jardim Icaraí, em Niterói. É a rua onde fica um "centro espírita", o Irmã Rosa, e em seu entorno já havia ocorrido um assalto no mercado Tay, na Rua Mariz e Barros. No caso da Leandro Mota, sete ladrões assaltaram um restaurante, e, após um tiroteio, dois foram presos e os demais fugiram.

Em Jaboatão dos Guararapes, um "centro espírita" foi assaltado. Dois dos seis ladrões se passavam por ouvintes da doutrinária, e renderam os demais, por volta de 21h30 do dia 06 de julho passado. A polícia foi chamada e, no tiroteio, dois ladrões, um policial e uma frequentadora morreram.

O mais recente incidente trágico ocorreu na sede da Federação "Espírita" do Estado de São Paulo (FEESP), que nos tempos do presidente da FEB Antônio Wantuil de Freitas era a federação regional que tinha algum poder decisório além da direção central da federação brasileira.

O engenheiro Cláudio Arouca, de 49 anos, que morava na Bahia e periodicamente viajava para São Paulo, havia dado como desaparecido no último dia 13 de julho. Dois dias depois, dentro do prédio da FEESP, no centro da capital paulista, um funcionário da limpeza encontrou o cadáver do engenheiro, aparentemente sem sinais de violência, no banheiro.

Arouca era divorciado e uma namorada foi a primeira a ser informada do óbito. O corpo do engenheiro estava em adiantado estado de putrefação e foi enterrado num caixão lacrado. A família de Arouca tem histórico de doenças cardíacas e ele estava com sobrepeso, segundo familiares da vítima.

No entanto, nada foi concluído até agora, pois o laudo está em andamento. Houve suspeitas de ter havido suicídio, embora a hipótese de crime cometido por outrem não tenha deixado vestígio. Em todo caso, a ocorrência passou a ser investigada na condição de "morte suspeita".

Devoto do "espiritismo" há pouco tempo, Arouca foi logo morrer e sentir mal-estar num "centro espírita". Em tese, pelo valor que a doutrina igrejeira dá a si mesma, a tragédia poderia ter sido evitada, mesmo nestas condições. Mas as energias pesadas que o "espiritismo" atrai para si fazem com que justamente as "casas espíritas" sejam um reduto de energias pesadas que refletem psicologicamente na vida das pessoas.

Em condições quase semelhantes, o ator José Wilker, que era ateu, faleceu de infarto fulminante, havia consultado um "centro espírita" para curar de problemas de saúde. Ele cogitava fazer uma cirurgia espiritual para um problema cardíaco, pelo fato de ter sido fumante. Mas, pelo jeito, os "amigos de luz" nem estavam aí e o Brasil perdeu uma das figuras mais brilhantes, um ator, diretor e ativista cultural dos mais vigorosos e cultos.

Sobre Cláudio Arouca, os familiares se queixam da proibição da FEESP deles terem acesso às imagens do circuito interno. O irmão, André Arouca, e a ex-mulher do engenheiro, Adriana Colombo, estudam processar a federação por danos morais, pelo fato do morto ter sido enterrado à revelia da família e a entidade não ter dado satisfações aos familiares, chegando a alegar que as imagens não haviam sido liberadas porque "haveria uma festa acontecendo".

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

"Espiritismo" e os tesouros e títulos da Terra


Os "espíritas" deveriam olhar para si mesmos, já que se preocupam com o argueiro dos olhos dos outros e se esquecem das traves dos seus próprios. No "Correio Espírita" deste mês, uma matéria fala das "novas necessidades da civilização", entre elas a de abrir mão de "tantas necessidades", como as dos títulos e tesouros da Terra.

Cada vez mais voltado para a Teologia do Sofrimento, corrente medieval da Igreja Católica, o "espiritismo" brasileiro, há muito catolicizado - apesar das bajulações, carregadas de muita hipocrisia, a Allan Kardec e seus relacionados - aos moldes do velho jesuitismo medieval, sempre apela para os outros abrirem mão até mesmo de quase tudo.

Se depender das pregações "espíritas", estaríamos reduzidos a animais domésticos que apenas demonstram afeto e simpatia para outrem, se alimentando talvez de algum verde e algum alimento qualquer nota e nos preocuparmos apenas a sobreviver e olhar a paisagem.

Seríamos, neste caso, um misto de cachorrinhos obedientes e fofos, de avestruzes a baixar a cabeça o tempo todo e de papagaios a apenas reproduzir os sons dos outros. A razão, a ética, a transparência e a sinceridade são apenas "pequenos" e, talvez, "desnecessários", detalhes.

Os "espíritas", sintonizados com o governo Michel Temer - ao qual nunca declararam apoio oficial, mas subliminarmente comprovam estarem solidários a ele - , sempre estão pedindo para os sofredores aceitarem sua coleção de desgraças, "na esperança de um futuro melhor", pouco se importando com os sobressaltos, infortúnios, angústias, impasses e tragédias por eles sofridos.

A ênfase do sofrimento desmascara os "espíritas", que se vangloriam pela suposta fidelidade absoluta a Allan Kardec, mas o traem de maneira bastante cruel e irresponsável. A apologia do sofrimento humano, que está na pauta de quase todas as obras "espíritas", é uma herança não dos postulados originais de Kardec, mas dos delírios católicos trazidos por Jean-Baptiste Roustaing.

E aí se tem o apelo de "abrir mão de tudo". Há apelos como "O rapaz quer uma mulher de caráter e inteligência? Que aceite aquela periguete burra e ensine coisas a ela!" ou "A moça quer um príncipe encantado e só chegou aquele rapaz sombrio que já cometeu um feminicídio? Seja complacente ao olhar tristonho dele e seja sempre submissa a ele" que são dados aos montes nas "casas espíritas".

Mas o "espírito de renúncia" os "espíritas" apelam para os outros. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Quanto aos "espíritas", eles mesmos esquecem que seus maiores ídolos são os mais afoitos e privilegiados na coleção de títulos e tesouros na Terra.

O que pensar nos "médiuns" que excursionam pelo planeta, vendo as maiores relíquias turísticas das grandes capitais do Brasil e do mundo, se hospedando nos melhores hotéis, fazendo plateias para ricos e posando ao lado de juristas, autoridades e aristocratas, enquanto a "revolucionária caridade" que dizem praticar traz resultados tão medíocres e inexpressivos para a população carente?

A glorificação que marcou as carreiras de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, dois grandes deturpadores da Doutrina Espírita, que publicaram livros cujos conceitos e ideias causam arrepio de tanto contrariarem os postulados espíritas originais, é bastante ilustrativa desses tesouros e títulos terrenos.

O próprio Chico Xavier, católico medieval protegido de Antônio Wantuil de Freitas (então presidente da FEB) e, dos anos 1970 até a posteridade póstuma de hoje, blindado pela Rede Globo de Televisão como se fosse um Aécio Neves da filantropia, colecionou medalhas e títulos concedidos pela sociedade elitista.

E Divaldo Franco, então? Um sujeito ainda mais espertalhão, mas "santificado" pela sua habilidosa pose de mansuetude, delicadeza vocal e pedantismo, sempre passeando pelo mundo como um pretenso ativista social, enquanto sua "admirável caridade" nunca ajudou sequer 1% da população brasileira, é ainda mais afoito na coleção de tesouros e títulos da Terra.

Só os dois anti-médiuns, que se consagraram pelo culto à personalidade, colecionaram medalhas, diplomas e condecorações por causa de uma imagem de "caridade" que, embora cause deslumbramento a muita gente, nunca trouxe resultados profundos para a humanidade, constituindo no que especialistas definem como a técnica fajuta do Assistencialismo, uma "caridade" que serve mais para promover o "benfeitor" do que ajudar de verdade os mais necessitados.

O mito de que Chico Xavier "doou os direitos autorais para a caridade" é hipócrita. O que o "médium" fez foi deixar os direitos autorais para Wantuil e depois, quando este se aposentou, Xavier criou um jogo de cena fingindo ter se decepcionado com o uso de suas obras "mediúnicas" para alimentar os interesses comerciais da federação.

Chico Xavier apenas não tocava em dinheiro, mas sempre viveu de um considerável conforto e tinha a blindagem das elites e dos grandes empresários de mídia. Desde os anos 1970 Xavier tornou-se um protegido da Rede Globo, conhecida pela manipulação traiçoeira do inconsciente coletivo das pessoas, a ponto de impor costumes, modos de ver o mundo e, principalmente, os políticos que o povo brasileiro deveria amar ou odiar.

É como os maiores aristocratas fazem hoje. Chico abriu um precedente: não gostava de tocar em dinheiro. Hoje os mais ricos pregam a "morte da moeda" e se servem de um cartão eletrônico para pagar suas contas, criando uma movimentação financeira "invisível" e feita apenas dentro dos bancos.

A própria "moeda" do livro Nosso Lar, de 1943, o chamado Bônus-Hora, lembra um cartão de crédito. Serve para o uso do transporte (BRT?), para ir ao cinema, para comprar alimentos. Se é certo que muito suposto pioneirismo atribuído a Chico Xavier é grosseiramente duvidoso, há um "relativo pioneirismo" no caso dos cartões de crédito, que na época era um artigo de luxo para fregueses de estabelecimentos comerciais, serviços e instituições financeiras.

Neste sentido, o Bônus-Hora era um cartão de crédito "universalizado", numa obra de ficção não-assumida que foi lançada numa época em que até a classe média tinha que pagar as coisas usando "dinheiro vivo", pois a popularização do cartão de crédito só se deu a partir da segunda metade da década de 1950 e, no Brasil, do começo da década seguinte.

Quanto aos títulos, Chico Xavier e Divaldo Franco, além dos prêmios que recebiam das elites e das autoridades, também recebiam títulos informais e um tanto hipócritas como "sábios", "mestres" e até "filósofos", "intelectuais" e "pensadores". Mas até a denominação de "espíritos iluminados" e "símbolos do amor ao próximo" também se inserem nesse contexto de títulos terrenos, movidos pelas paixões religiosas, tão materialistas e mórbidas quanto os chamados gozos materiais profundos.

E AS FORTUNAS DO ALÉM-TÚMULO?

O que poucos conseguem cogitar é que também existe a ilusão das "fortunas do outro lado". É como se os "espíritas" adiassem seu materialismo para o pós-morte. Evocam o "espírito de renúncia", com sua pretensa humildade e falsa modéstia, e saem pregando a defesa do sofrimento alheio prometendo o "socorro de Deus na hora certa (sic)".

O problema é que, entre os "espíritas", existe uma ânsia muito grande do "acesso ao Céu", depois do retorno ao que eles entendem como "pátria espiritual". Com suas crendices místicas, acreditam que o retorno ao mundo espiritual será como no desembarque de um aeroporto, onde algumas pessoas queridas lhe aguardam para receber o desencarnado dentro de um cenário de um "chão de nuvens brancas" e um céu sempre azulado, como num paraíso de filme de Hollywood.

Em relação a uma figura como Divaldo Franco, já existe até a narrativa de seu retorno ao além-túmulo, toda pronta: uma grande cerimônia, com corais de anjos, autoridades de vários planetas, cerimônia de discursos e concessão de medalhas e prêmios, e além disso Jesus tendo que comparecer ao evento para chamar o "médium" para ir ao convívio definitivo com Deus. É bom demais para ser verdade que isso possa ser assim, ainda mais envolvendo um deturpador grave do Espiritismo.

Asneiras semelhantes a esta já foram narradas a respeito de Chico Xavier. Uma narrativa supôs que ele estava com sua mãe e alguns amigos antes falecidos, até que veio Jesus para chamar o "médium" para o "mundo dos puros" e Xavier foi "sugado" como um espectro por um aspirador de pó. Narrativa ridícula, até porque o anti-médium mineiro, em verdade, levou um grande choque ao saber que nada disso ocorreu e que, alertado por seus graves erros, já deve ter reencarnado para pagar pelo que fez.

Isso é um jogo de linguagem e psicologia. E revela uma ilusão tão pior quanto os materialismos da Terra. Uma ilusão de que tesouros e títulos "verdadeiros" existam no "além-túmulo", o que representa uma transferência da ambição humana para "o outro lado". A roupagem de "humildade" e "pureza espiritual" não isenta os efeitos nocivos que se nota no materialismo terreno e isso traz até uma sensação ainda pior nos "espíritas" que encerram sua vida material.

Pois, quando eles retornam ao além-túmulo, eles são os que mais sentem choques, extremamente violentos e traumatizantes, diante da desilusão de que o "outro lado" não lhe oferece sequer os descontos de futuras reencarnações expiatórias.

O materialismo é transferido para o mundo espiritual, mas a realidade do além-túmulo lhes decepciona, de forma que os verdadeiros umbrais são apenas reflexos das desilusões dos "espíritas", considerados apenas "puros" ou "quase puros" em função das mesmas paixões materiais da Terra, muito mal disfarçadas por um espiritualismo de fachada.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A incoerência de defender o sofrimento humano


O que é trabalhar com as palavras. No Brasil, o ditado popular "de boas intenções, o inferno está cheio", poderia muito bem ser adaptado para "de belas palavras, o inferno está cheio". A Teologia do Sofrimento é uma das grandes aberrações ideológicas que se servem de palavras bonitas só para forçar alguém a aceitar seus próprios prejuízos.

É verdade que as pessoas aprendem com dificuldades e limitações, mas soa um grande desrespeito dizer que o sofrimento beneficia as pessoas. E os maiores pregadores da Teologia do Sofrimento parecem ser pessoas de pouco sofrimento, sendo malabaristas das palavras que vivem a ilusão de pregarem "ensinamentos positivos", quando o que fazem é tão somente pregar moralismo severo sob o aparato da beleza das palavras.

As pessoas fazem malabarismos com as palavras, para justificar retrocessos e arbitrariedades aqui e ali. Os egoístas são aqueles que se servem de argumentos os mais objetivos, pragmáticos e paliativos possíveis, tudo para dar o máximo disfarce às suas intenções egoístas, fazendo os outros crerem que se trata da pessoa mais altruísta que apenas "aconselha" outrem a aceitar "sacrifícios necessários", eufenismo para prejuízos.

A Teologia do Sofrimento é originária do Catolicismo medieval, famoso por suas atrocidades. É uma ideologia ultraconservadora, um "holocausto do bem", um repertório ideológico tão retrógrado e severo, apesar dos "bons conselhos", que a gente imagina que os tiranos da nossa história poderiam ser "santificados", com toda a sua crueldade de genocídios, se fossem oradores mais dóceis e atribuíssem às suas vítimas um "pagamento" de algum "erro grave" mais antigo.

A Teologia do Sofrimento, então, justificaria o holocausto aos judeus na Segunda Guerra Mundial, porque o nazismo atribuiu aos judeus uma "conduta usurpadora" do dinheiro público, e os campos de extermínio foram construídos sob a desculpa de "limpar a humanidade das impurezas deixadas por parte da humanidade". Daí a Teologia do Sofrimento, mesmo com suas "mensagens positivas", ser uma ideologia muitíssimo perigosa e nociva.

JOÃO MOHANA PREGOU A TEOLOGIA DO SOFRIMENTO, MAS FOI CHICO XAVIER QUEM A POPULARIZOU

Não há um palestrante muito conhecido, entre os brasileiros, que fosse ligado oficialmente à Igreja Católica. Mas um dos pregadores, que pelo menos ficou conhecido entre os católicos mais entrosados, foi o padre católico João Mohana, que viveu entre 1925 e 1995 e era maranhense.

Ele não escreveu só textos sobre Teologia do Sofrimento, escrevendo também sobre outros temas sob o prisma católico, como as relações entre casais. Mas João Mohana lançou um livro caraterístico desta corrente, intitulado Sofrer e Amar - Psicologia e Teologia do Sofrimento, lançado pela Editora Agir em 1973, com os mesmos argumentos "bonitos" sobre a "importância do sofrimento humano".

A abordagem do livro, embora adotasse um estilo de argumentação envolvente e típico de um livro de autoajuda, é bastante parcial. Ela fala apenas dos "pontos positivos" que o sofrimento traz à pessoa, sem perceber que não é o sofrimento que traz benefícios, mas a reação da pessoa para superar esse incômodo destino.

João Mohana chega mesmo a apelar para o "amor ao sofrimento". Sobre a dor da desgraça, o autor escreve sobre o "cristão": "Encara-a com coragem, e sobretudo com confiança, sendo que muitos até com alegria".

Mesmo católico, ele parece usar os mesmos argumentos dos "espíritas", que popularizaram a Teologia do Sofrimento. Ele cita até mesmo a dicotomia "materialista" X "espiritualista" que dá água na boca nos pregadores "espíritas": "Só o espiritualista entende a linguagem misteriosa do sofrimento e sabe perfeitamente o que ele quer dizer: ao passo que o materialista acaba derrotado pelo sofrimento, sem achar razão para ele".

Ele enumera grandes personalidades que, segundo o autor, fizeram grandes realizações "a partir do sofrimento", como se obter desgraças apenas gerasse pessoas brilhantes, esquecendo o autor que o sofrimento extremo pode produzir, de outra forma, tiranos, criminosos, corruptos, trapaceiros e usurpadores:

"Beethoven foi obra do sofrimento. Santo Agostinho foi obra do sofrimento. Bizet, Haendel, foram obras do sofrimento. Edison, Francisco de Assis, Inácio de Loiola, Franklin, Thomas Jackson, Léon Bloy, Madame Curie, Pierre Curie, Chopin, Schubert, Hellen Keller, José do Egipto, Gema Galgani - todos eles fazem parte de uma das inúmeras galerias do museu do sofrimento".

É muito perigoso teorizar o sofrimento e dizer que a desgraça humana é benéfica por si mesma. O próprio autor se contradiz quando fala que o sofrimento não é um tema a ser debatido, embora ele mesmo se arrisque em "discutir o tema" dentro de uma abordagem pretensamente filosófica:

"O sofrimento é destes problemas que não podem ser discutidos como se discute política, história, arte ou economia, porque o sofrimento fere, ataca diretamente, e quando ele marca um encontro conosco, vem pronto para nos laçar, para nos atraiçoar, pois mete-se na roupa bonita do prazer e depois a gente se surpreende quando descobre que era a dor que estava vestida de homem".

O autor também se contradiz, no parágrafo acima, quando define o sofrimento como disfarçado na "roupa bonita do prazer". De que sofrimento ele está falando? O prazer é sofrimento e o sofrimento é prazer? O que é o prazer? A religião conservadora condena o prazer, independente da forma sadia ou doentia que ele seja exercido, e acaba defendendo a desgraça como "salvação da vida".

O livro é cheio de argumentações bonitas que podem servir de armadilha para a pessoa aceitar viver em desgraça. Aliás, a Teologia do Sofrimento é perigosa porque pode produzir masoquistas, que passam a ter prazer pelo sofrimento e, em muitos casos, isso pode trazer preguiça e até depressão, disfarçada de uma mórbida e falsa alegria que pode ser autodestrutiva.

O mito do "inimigo de si mesmo" é outro aspecto dessa ideologia medieval. Esse conceito, extremamente perigoso, pode induzir a pessoa ao suicídio, porque prega o "combate a si mesmo". "Você é seu inimigo, combata-o", diz o pregador religioso, sem excluir os "espíritas", que são os que mais apelam para essa falácia, com enérgica firmeza. Só depois das críticas é que os "espíritas" alegam que foi apenas "metáfora", mas até isso acontecer vários suicídios podem ter sido cometidos.

Os "espíritas" pregam a Teologia do Sofrimento sem assumir (aliás, os "espíritas" iriam assumir alguma coisa, já que a religião é marcada pela dissimulação?). Pelo contrário, nas "casas espíritas" os palestrantes tentam alegar o contrário: "ninguém nasceu para sofrer", é o que costumam dizer.

Mas é só ler os livros retrógrados de Francisco Cândido Xavier para verificar o quanto a Teologia do Sofrimento foi adotada pelo "espiritismo" brasileiro. Chico Xavier apelava, com suas próprias palavras, para as pessoas "sofrerem sem demonstrar sofrimento", "nunca reclamarem da vida", "nunca questionarem" etc etc etc.

Claro que isso é manobra para ninguém ficar desconfiando das obras fake que Chico Xavier produzia creditando autoria aos mortos. Mas também era uma demonstração de que o "médium", ídolo religioso protegido da Rede Globo, era um seguidor entusiasmado da Teologia do Sofrimento.

Os "espíritas", que não costumam assumir seus aspectos sombrios (eles se limitam a dizer apenas que são "imperfeitos" e "falíveis"), ficam assustados quando alguém lhes identifica como seguidores da Teologia do Sofrimento. Acham que isso é "injusto", por se acharem "progressistas" e "nunca iriam fazer apologia da desgraça humana" em suas palestras. "Nunca iriam fazer", mas sempre fazem.

Se observarmos livros como Os Quatro Evangelhos de Jean-Baptiste Roustaing, e Sofrer e Amar, de João Mohana, veremos que os dois livros poderiam ter sido escritos por algum "espírita" brasileiro, que é roustanguista e adepto da Teologia do Sofrimento, mas se horroriza quando é identificado como tal. Falta sinceridade entre os "espíritas", que, pelo menos, deveriam assumir seus aspectos mais retrógrados.

domingo, 6 de agosto de 2017

Internauta fala de problemas familiares trazidos pelo "espiritismo" brasileiro


Aqui temos uma mensagem de alguém que não quer ser identificado e que relata dramas familiares trazidos pelas energias sombrias do deturpado "espiritismo" brasileiro.

"Olá, amigos. A minha vida é cheia de pesados infortúnios. As adversidades surgem em minha vida além do controle e não há paciência, fé nem jogo de cintura que resolvam. Eu me esforço na medida do possível e não consigo emprego, a vida amorosa é sempre com alguém sem afinidade, as circunstâncias me obrigam a abrir mão de minhas necessidades e habilidades e para vencer na vida eu tenho que me degradar na servidão injusta e nas relações por conveniência.

As mulheres que teriam muita afinidade pessoal comigo me escapavam do acesso, como que numa maré de azar. Se casam com outros homens, vão morar para bem longe ou até mesmo morrem de uma tragédia surgida do nada. Enquanto isso, mulheres sem um pingo de afinidade me assediavam e estavam sempre acessíveis, mesmo não exercendo a menor atração nem identificação de minha parte.

Meus pais seguem o tal Espiritismo que, no Brasil, se limita a bajular Allan Kardec sem que um só ensinamento dele seja honestamente seguido. Não adianta insistir para eles largarem. Eles se iludem com aquele balé de palavras bonitas, como alguém que fica comendo açúcar refinado puro, às colheradas. O entretenimento das palestras nas casas espíritas, espécies de contos de fadas para gente grande, viciam os mais velhos, que pensam estarem obtendo lições de sabedoria com isso.

Isso é vergonhoso e constrangedor. Eu larguei o Espiritismo e meus pais tentam me convencer a voltar, achando que a desilusão que eu tive foi influência de "gente da Internet" e que eu deveria voltar a frequentar palestras e tudo. Fico com medo, porque toda vez que fui ao Espiritismo foi como se eu passasse debaixo de uma escada mil vezes. O azar chegava em doses muito pesadas.

Meus pais aderiram a esta religião por influência de uma comadre. Ela era espírita fervorosa, mas isso não a fazia menos atormentada e obsediada, e os problemas psicológicos dela se agravaram e hoje ela, aos 75 anos, está em estado quase vegetativo.

Ela e meus pais ainda têm, no seu círculo social, uma amiga que se tornou viúva três vezes. Adepta do Espiritismo. E outra amiga, solteirona, que passou a sofrer de depressão crônica vinda do nada, que a fez ficar arredia na velhice. Adepta do Espiritismo.

Sei que existe o outro lado, a outra vida, mas é muito estranho que esse Espiritismo tão deturpado ao gosto dos valores católicos jesuítas-medievais, que vigoraram com força no Brasil-colônia, influencie tanto nos desperdícios de vidas com tantas tragédias e infortúnios.

Isso é terrível e seria bom que as pessoas denunciassem à imprensa sobre tantas irregularidades do Espiritismo no Brasil. Meter coragem e não se iludir com imagens de coraçõezinhos e crianças sorridentes que os deturpadores da doutrina de Kardec mostram, quando são denunciados. Os supostos médiuns, com seu bom-mocismo, parecem anjos celestiais vivendo na Terra, mas eles são o que há de mais traiçoeiro e enganador nas religiões existentes no Brasil.

Temos que ter uma Leah Remini denunciando farsas doutrinárias, um Christopher Hitchens revelando irregularidades filantrópicas, sem o medo de ruir a bela imagem das palavras bonitinhas, dos supostos médiuns dando sorrisos pretensamente meigos, das oratórias sacerdotais de aparentes mensagens de amor. Tudo isso é feito, conforme se alertou nos tempos de Kardec, para empurrar ideias levianas e retrógradas e o Espiritismo no Brasil virou um crime perfeito que ninguém até hoje investiga.

A maré de azar se dá porque o Espiritismo virou a doutrina da falsidade e da dissimulação. Quantas ideias veiculadas pela religião brasileira arrepiam o legado que Allan Kardec desenvolveu com tanto sacrifício e paciência? Isso é vergonhoso e mais vergonhoso saber é que a imunidade e impunidade são absolutas entre os ditos espíritas no Brasil, onde existe até falsificadores de quadros e criadores de literatura fake que se passam por médiuns e obtém alto prestígio de graça, sem esforço.

Fico constrangido quando vejo meus pais falarem no Espiritismo do Brasil como se quisessem voltar, de vez em quando citando um suposto médium do qual idolatram com cego fanatismo, e ainda se ofendendo quando são criticados. O fanatismo de meus pais é preocupante, eles que são sensatos e lúcidos em muitas coisas, exceto nessa religião dotada de tantas irregularidades.

Me lembro quando eu era criança, quando meus pais falavam que não se deve ouvir estórias de gente estranha, que tinha que tomar cuidado com aqueles que querem seduzir os inocentes com relatos agradáveis e bonitos, para depois sequestrá-los e lesá-los de uma forma ou de outra. No caso de crianças, é muito comum a estória do "homem do saco" que geralmente assedia os pequenos dizendo contos muito bonitos.

Daí eu comparo com esse Espiritismo que expressa os antigos pavores já alertados por Erasto e pelo próprio Kardec. O Espiritismo feito no Brasil, catolicizado e medieval, se serve dessas estórias lindas para seduzir os incautos, para depois forçá-los a acreditar em valores morais retrógrados ou fantasiosos. Não é à toa que o Espiritismo costuma anestesiar os mais velhos enquanto amaldiçoa os mais novos, como a 'maldição dos filhos mortos' que assombram muitos devotos.

É triste. Espera-se que venham pessoas a denunciar os podres que ocorrem nos bastidores do Espiritismo no Brasil, retomando os esforços de antigos esclarecedores que nunca se iludiram com o açúcar das palavras e resolveram revelar irregularidades das mais diversas.

Que os esforços de Attila Paes Barreto, Osório Borba, José Herculano Pires, de denunciar fraudes e irregularidades, voltem, mesmo que seja para derrubar ídolos e arruinar aparentes unanimidades. Um ídolo não pode ser mais importante que a humanidade a ponto de se colocar até acima da ética e do bom senso. Se o ídolo religioso cometeu irregularidades, ele deve sofrer os efeitos das mesmas, portanto não adianta choradeira".

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Intolerância religiosa e intolerância à mentira


Incidentes eventualmente ocorrem em casas religiosas, dentro do cenário lamentável de convulsões sociais que domina na Internet mas, com muita certeza, vai além dos limites digitais até pelos impulsos temperamentais de muitas pessoas.

Há poucos dias o centro de umbanda Casa do Mago, no bairro de Humaitá, Rio de Janeiro, foi alvo de ataques e tentativa de incêndio. Não é o primeiro ataque. O caso mostra indícios de intolerância religiosa, um mal que contamina o mundo e atinge o Brasil.

Condenamos a intolerância religiosa. Quando criticamos o "espiritismo" brasileiro, a nossa intolerância não é religiosa, mas contra as mentiras e desonestidades praticadas pela doutrina, que originalmente se fundamentou nas bases de Jean-Baptiste Roustaing e se consolidou com os arrivismos do roustanguista Antônio Wantuil de Freitas, durante muito tempo presidente da FEB.

Estas são más escolhas que cobraram o preço caríssimo aos "espíritas" brasileiros. Foi um caminho de perdição no qual os "espíritas" tentam dissimular, não medindo escrúpulos de cometer contradições e equívocos graves, cobrando coerência dos outros mas praticando suas próprias incoerências.

Hoje os "espíritas" tentam reparar tudo. Se na véspera defenderam a Teologia do Sofrimento, depois se atrevem a dizer que "ninguém veio para sofrer". Num momento dizem que as pessoas devem abrir mão de suas necessidades, noutro citam o ensinamento cristão "Pedi e obtereis". Há muito dizem renegar o nome de Roustaing cujas ideias continuam seguindo inteiramente. Deturpadores, os "espíritas" brasileiros querem comandar a recuperação das bases espíritas originais.

É sempre assim. Corre-se atrás do próprio rabo e, mais uma vez, temos a velha e mofada promessa dos "espíritas" brasileiros em recuperar as bases doutrinárias. Pessoas que se formaram nas ideias roustanguistas e que, oportunistas, dizem reprovar a deturpação, bajulam até Erasto e, furando a fila, querem liderar o processo de recuperação das ideias kardecianas que eles mesmos traíram e distorceram com muito gosto.

E isso não envolve só "peixes pequenos". Esquecemos que as piores mordidas não vêm de "sardinhas", mas de "tubarões". Mesmo os tão adorados Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco não são inocentes na deturpação do Espiritismo. Afinal, Chico Xavier e Divaldo Franco deturparam com muito prazer e consciência de seus atos, porque seu igrejismo feito ao arrepio dos ensinamentos de Allan Kardec foi feito durante anos, com obras de grande repercussão.

Ninguém faz isso por acidente ou boa-fé. Se observarmos bem, Chico Xavier, por exemplo, professou seu igrejismo até o fim. Um catolicismo medieval, dos tempos do Brasil-colônia, existente até em obras produzidas nos anos 80 e 90 e em depoimentos então dados. Isso não é algo feito sem querer, até porque o igrejismo xavieriano era alvo de duras críticas desde meados dos anos 1930.

A intolerância religiosa é um erro condenável, por representar um ato violento, de ódio, de egoísmo e de disputas entre seitas religiosas rivais. Mas o grande perigo também está quando se tolera religiões comprometidas com a falsidade, com a cupidez, com a ganância, mesmo quando se traveste do mais verossímil verniz de humildade, de modéstia, de despretensão.

O que não se pode tolerar é a falsidade, as contradições, a dissimulação. E o quanto o "espiritismo" fez para Kardec virar refém dos próprios deturpadores, que se servem do Assistencialismo exibindo as populações carentes como troféus para tentar calar os críticos.

Os "espíritas" tentam dizer que "são os que mais praticam caridade". Mas o Brasil só mergulha numa decadência sem fim, aumentando as populações de miseráveis nas ruas, crescendo os assaltos que, por ironia, desafiam justamente a gula das elites em retomar seus privilégios, defendendo propostas retrógradas como a reforma trabalhista para que os patrões ganhem tudo e os empregados, quase nada.

Afinal, são justamente as elites que estão mais vulneráveis aos assaltos e latrocínios, pois o que os patrões deixam de pagar, em salários e encargos, para manterem seus altos padrões de vida, é o que acaba sendo cobrado pelos ladrões, muitos deles antigos miseráveis aos quais lhes foram negadas todas as oportunidades de trabalho.

O moralismo severo dos "espíritas", que, afeitos à Teologia do Sofrimento, nunca se mostraram sensíveis às dificuldades dos sofredores e infortunados da sorte. Em vez disso, ficam entre a indiferença, o egoísmo e a falsidade. Dizem que os sofredores "pagam pelos próprios erros", apelam para eles suportarem e até amarem suas desgraças, mas, depois, hipócritas, os "espíritas" tentam trazer um discurso de "esperança", pedindo para os sofredores ficarem olhando passarinhos.

Quantos erros que fazem o "espiritismo", em muitos aspectos, pior do que as seitas neopentecostais! Pelo menos as seitas neopentecostais (como a Igreja Universal do Reino de Deus), retrógradas e grotescas, oferecem situações bastante cômicas, pois figuras como Edir Macedo, R. R. Soares, Silas Malafaia e Waldomiro Santiago são tão pitorescas que, às vezes, soam até cômicas.

Como tolerar isso? Moralismo retrógrado, fakes mediúnicos - só o "Humberto de Campos" trazido por Chico Xavier simboliza esses "espíritos" que não condizem ao que eram na Terra - , tantas dissimulações, tanto charlatanismo (sim, os "espíritas" são charlatães), isso mancha a história do que se entende como Espiritismo no Brasil, e do qual até seus "heróis" estão associados a fraudes e erros vergonhosos, que fariam Kardec passar a mão na testa de tanta preocupação.

Voltando a Casa do Mago, ela é definida como "centro espírita", mas era um cento de umbanda que assimilava elementos esotéricos e católicos. E os ataques devem ser sofridos por desafetos de lideranças da casa. Ataques como estes devem ser combatidos de acordo com a lei e não se devem fazer vandalismos em hipótese alguma, por eles serem deploráveis em sua própria natureza.

Mas, tenhamos bom senso. A tolerância religiosa, por outro lado, também não deve ser a tolerância da mentira e da mistificação. Que as religiões construam suas fantasias e lendas, é compreensível, mas elas não devem exercer supremacia nem mesmo monopólio sobre a realidade.

As religiões não podem estar acima dos homens, acima das sociedades. Elas podem ser extintas e podem ser duramente criticadas. As religiões refletem os interesses de uma parcela de homens que se acha "com vínculo direto com Deus". Em muitos casos, isso revela ilusões e ambições materialistas muito maiores do que sugere seu pretenso espiritualismo e divinização.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

"Espíritas" dizem que Pátria do Evangelho "já surgiu"


O "espiritismo" brasileiro, pelo jeito, está no clima do "Fica Temer". Apoia as pautas retrógradas do governo, se não de forma assumida, mas de um jeito explícito, conforme os muitos textos que os "espíritas" diversos publicam fazendo apologia ao sofrimento humano e apelando para os indivíduos abrirem mão até de seus talentos e necessidades.

Na edição do "Correio Espírita" deste mês, uma das matérias tenta afirmar que a chamada "Pátria do Evangelho", prevista pelo anti-médium mineiro Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, "já surgiu", dois anos antes do chamado prazo da "data-limite".

A alegação do periódico, em outras palavras, é que o Brasil está passando por momentos de muita turbulência, retrocessos, confusões e conflitos, entre tantos erros e desastres, porque "está informando" aos brasileiros dos males que o país sofreu há décadas, já que esse quadro não apresenta aspectos inéditos na história do país.

Comparando com uma água suja, o texto contrapõe a esse quadro a ideia de que "está surgindo" a "pátria do Evangelho", um conceito que, segundo os "espíritas", iria guiar o progresso moral da humanidade planetária, a partir do exemplo do Brasil.

O conceito de "pátria do Evangelho" é cheio de equívocos. Embora o "espiritismo" brasileiro se vanglorie em professar "fidelidade absoluta" aos postulados espíritas originais, a tese de "pátria do Evangelho" seria refutada por Allan Kardec, cuja linha de raciocínio não admite, pelo sua lógica e coerência, que um país possa ser considerado "líder" do mundo, mesmo que sob pretextos religiosos.

IDEIA ROUSTANGUISTA

A ideia de "pátria do Evangelho" é a maior herança deixada por Jean-Baptiste Roustaing, o advogado francês que, com seu livro Os Quatro Evangelhos, forneceu as bases doutrinárias que o "espiritismo" brasileiro pratica até hoje. O nome de Roustaing é renegado, mas o legado deixado por ele é seguido até por aqueles que se dizem "totalmente fiéis a Kardec".

O próprio livro Os Quatro Evangelhos fala de uma "religião unificadora" que sintetizaria várias crenças religiosas em torno de uma só, que em tese seria o Espiritismo, nas concepções de Roustaing, ou seja, dotado de conteúdo católico.

Chico Xavier escreveu, com o presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, o livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Tendenciosamente, os dois atribuíram a autoria do livro ao "espírito Humberto de Campos", quando a única "presença" do autor maranhense se deu em um trecho plagiado de um capítulo do livro deste, O Brasil Anedótico, "A lei das aposentadorias".

O livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho - cujo tema nem é original, mas um reaproveitamento, sob a orientação de Wantuil, do tema "Brasil, Berço da Humanidade, Pátria do Evangelho", que Leopoldo Machado escreveu e expôs na FEB em 1934 - revela um conteúdo ufanista, bem ao gosto do caipira conservador Chico Xavier, que como todo interiorano sonhava ver o país natal "mandar no mundo".

O conteúdo é igrejeiro, de um catolicismo medieval explícito, e que comprova que o conceito de "coração do mundo" e "pátria do evangelho", que os "espíritas" definem como "algo maravilhoso", é, na verdade, uma ideia bastante perigosa e traiçoeira.

Primeiro, por pressupor a supremacia mundial de uma única nação sobre as outras. Na teoria, tudo é muito bonito, mas na prática, revela um imperialismo ameaçador, que pode praticar atos genocidas ao longo dos tempos sob a alegação da "vontade divina". Para um projeto de "pátria divina" prosperar, eliminam-se obstáculos à causa da nação poderosa. Daí surgirem cruzadas, inquisições, queimadas de pessoas, torturas, enforcamentos e fuzilamentos, entre vários outros holocaustos.

A supremacia religiosa é também perigosa, sob este ponto de vista, e ela pode justificar as tiranias que podem cometer suas atrocidades "em nome de Deus". Os "espíritas" mostraram que podem ter em mãos desculpas para o prejuízo alheio, supondo, sem provas lógicas, encarnações passadas para tornar aceitável a desgraça do outro. O mito dos "reajustes espirituais", "resgates morais" e "resgates coletivos" pode permitir que até genocídios sejam feitos.

Exemplos como a Alemanha nazista e o catolicismo medieval do Império Bizantino (antigo Império Romano do Oriente) mostram o quanto é perigosa a ideia de uma nação dominar o mundo política ou religiosamente. Nada disso é anunciado no discurso, mas as circunstâncias que virão ao longo dos anos trarão condições para que os "líderes fraternos" possam recorrer até ao extermínio em massa para proteger seu projeto político-religioso.

O Catolicismo medieval, que se deu sob o mesmo enunciado "fraterno" da "pátria do Evangelho", foi marcado por violenta supremacia, que custou as vidas de milhões e milhões de inocentes que contrariavam as crenças da "Santa Igreja". Mais adiante, os jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega (o Emmanuel dos "espíritas") apoiaram o assassinato de um homem só por ele seguir a religião protestante.

BRASIL FRAGILIZADO

Mas outro aspecto que se deve considerar é que o Brasil está "infartado demais" para obter o status de "coração do mundo". Em certo sentido, ainda bem. Não seria positivo para os brasileiros que o país se tornasse líder do mundo, da mesma forma que os estadunidenses se sentem prejudicados quando os EUA se atrevem a cuidar dos assuntos de outros países.

A crise que assola o Brasil, e que os "espíritas" acham "positivo" para "despertar a consciência" das pessoas quanto ao "evangelho", faz com que o país sul-americano voltasse a ter não só a condição de nação subdesenvolvida, mas também de nação em baixa reputação no resto do planeta.

Não são raros os momentos em que a imprensa da Europa e dos EUA revela perplexidade com tantos fatos lamentáveis ocorridos no Brasil em dimensões surreais. O golpe político que se deu em maio de 2016 criou uma série de incidentes que fizeram o país ser visto com estranheza por jornalistas, celebridades, intelectuais e autoridades de maior conceito no restante do planeta.

"ESPÍRITAS" APOIAM O GOVERNO TEMER

O que se mostrou também é que o "movimento espírita" brasileiro apoiou, com entusiasmo mas sem assumir no discurso, o golpe político de maio de 2016. As passeatas dos "coxinhas", nas quais se pedia até "intervenção militar" (eufemismo para golpe militar), eram vistas pelos "espíritas" como "despertar da humanidade" e "início do processo de regeneração".

A julgar pelo que os "espíritas" falam, teríamos que acreditar que as "crianças-índigo" seriam os rapazes do Movimento Brasil Livre, Revoltados On Line (na ironia dos "espíritas" condenarem a ideia de revolta) e Vem Pra Rua, as "crianças-cristais" seriam os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro e o pai destes, Jair Bolsonaro, um potencial líder para cumprir a missão do "coração do mundo".

O apoio do "espiritismo" ao governo Temer é tal que o próprio presidente citou a frase "Não fale da crise, trabalhe", semelhante à que Emmanuel havia dito em seu tempo: "Não reclame, trabalhe e ore". O otimismo de Temer em relação ao "fim da recessão" também segue exatamente o mesmo sentido do otimismo dos "espíritas" quanto à "chega de uma nova era" para o Brasil.

Desde maio de 2016, os "espíritas", cada vez mais identificados com a Teologia do Sofrimento - corrente medieval da Igreja Católica - , passaram a publicar mais textos fazendo apologia ao sofrimento humano, como se já estivessem preparando os cidadãos às reformas restritivas do governo Temer, como a reforma trabalhista e a reforma previdenciária, que desfazem direitos trabalhistas históricos.

Textos apelando para amar a desgraça e abrir mão das próprias necessidades e talentos foram publicados, em muitos casos deixando a máscara de muitos palestrantes espíritas, antes famosos por seus textos e oratórias vibrantes, caírem, revelando neles moralistas extremamente severos e intransigentes.

Para terminar, vemos uma grande ironia do anúncio da "pátria do Evangelho" diante de um cenário em que a plutocracia política luta para permanecer no poder, com ou sem Temer. E isso mostra o quanto o "espiritismo" está retrógrado e o papo de "pátria do Evangelho" mostra o quanto esta doutrina está repetindo os mesmos discursos, no desespero paranoico de ficar com a posse da verdade. Mas a realidade se dará à revelia dos "espíritas", o que lhes será muito doloroso.
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