sábado, 17 de fevereiro de 2018

Os erros de suposta psicografia de Irmão X que cita Marilyn Monroe


Sensacionalismo é isso aí, e o arrivismo de Francisco Cândido Xavier não teve limites. No livro Estante da Vida, de 1969, atribuído a Humberto de Campos por meio do pseudônimo Irmão X, Chico Xavier cria uma história fictícia, atribuída ao "mundo espiritual", na qual Humberto teria viajado para os EUA para visitar o túmulo da atriz Marilyn Monroe, falecida sete anos antes.

Há muitas irregularidades no texto, não bastasse lembrar a linguagem pessoal de Chico Xavier. Primeiro, mostra a inconcebível hipótese de Marilyn ficar prisioneira do seu próprio túmulo, pois sabemos que, conhecendo a personalidade da atriz estadunidense, ela teria se afastado do lugar de sua tragédia ou de qualquer lugar relacionado, como o cemitério onde seu corpo foi enterrado.

Simulando uma "reportagem", Chico ainda põe na conta da atriz teorias "espíritas" que são próprias da pessoa do "médium" e essa irresponsável atitude de criar uma narrativa fictícia e atribui-la à realidade do mundo espiritual pode também ser observada pelo fato de que não há uma mensagem em inglês, idioma pelo qual Marilyn se comunicaria. Marilyn era rebaixada a uma mera propagandista do "espiritismo" brasileiro e igrejista, vejam que absurdo!!

Marilyn "fala em português" e "pensa como Chico Xavier", o que faz os idiotas "espíritas" devotos do "médium" bastante extasiados, porque, tão idiotas que são, acreditam que é maravilhoso qualquer um "pensar como Chico Xavier", o festejado ídolo deles.

Publicamos este texto para ver o absurdo da narrativa, feita para alimentar o duplo sensacionalismo da apropriação de Humberto, ainda que disfarçado pelo nome "Irmão X", e pelo apelo publicitário de envolver uma atriz estrangeira muitíssimo popular, até os dias de hoje. Foi um gancho feito para vender livros e enriquecer a FEB, uma finalidade que Chico fingiu desconhecer e até se passou por "decepcionado e triste" quando se denunciou essa barbaridade.

Mas Chico, sabemos, só foi pobre até 1932, tendo daí até o fim da vida recebendo tratamento de aristocrata, apenas não mexendo em moedas sujas. E ele sabia muito bem, pois combinou com seu tutor Antônio Wantuil de Freitas, presidente da FEB, que este ficaria com a fortuna dos livros vendidos. Há muita coisa sombria nos bastidores do "espiritismo" brasileiro, que cheira a umbral.

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Suposta entrevista com Marilyn Monroe por Irmão X (suposto Humberto de Campos)

Por Francisco Cândido Xavier - Livro Estante da Vida, FEB, 1969

Caminhávamos, alguns amigos, admirando a paisagem do Wilshire Boulevard, em Hollywood, quando fizemos parada, ante a serenidade do “Memoriam Park Cemetery”, entre o nosso caminho e os jardins de Glendon Avenue.
A formosa mansão dos mortos mostrava grande movimentação de Espíritos libertos da experiência física, e entramos.
Tudo, no interior, tranqüilidade e alegria.Os túmulos simples pareciam monumentos erguidos à paz, induzindo à oração. Entre as árvores que a primavera pintara de verde novo, numerosas entidades iam e vinham, muitas delas escoradas umas nas outras, à feição de convalescentes, sustentadas por enfermeiros em pátio de hospital agradável e extenso.
Numa esquina que se alteava com o terreno, duas laranjeiras ornamentais guardavam o acesso para o interior de pequena construção que hospeda as cinzas de muitas personalidades que demandaram o Além, sob o apreço do mundo. A um canto, li a inscrição: “Marilyn Monroe – 1926-1962.” Surpreendido, perguntei a Clinton, um dos amigos que nos acompanhavam:

– Estão aqui os restos de Marilyn, a estrela do cinema, cuja história chegou até mesmo ao conhecimento de nós outros, os desencarnados de longo tempo no Mundo Espiritual?

– Sim – respondeu ele, e acentuou com expressão significativa: – não se detenha, porém, a tatear-lhe a legenda mortuária…Ela está viva e você pode encontrá-la, aqui e agora…

– Como?

O amigo indicou frondoso olmo chinês, cuja galharia compõe esmeraldino refúgio no largo recinto, e falou:

– Ei-la que descansa, decerto em visita de reconforto e reminiscência…

A poucos passos de nós, uma jovem desencarnada, mas ainda evidentemente enferma, repousava a cabeça loura no colo de simpática senhora que a tutelava. Marilyn Monroe, pois era ela, exibia a face desfigurada e os olhos tristes. Informados de que nos seria lícito aborda-la, para alguns momentos de conversa, aproximamo-nos, respeitosos.

Clinton fez a apresentação e aduzi:

– Sou um amigo do Brasil que deseja ouvi-la.

– Um brasileiro a procurar-me, depois da morte?

– Sim, e porque não? – acrescentei – a sua experiência pessoal interessa a milhões de pessoas no mundo inteiro…

E o diálogo prosseguiu:

– Uma experiência fracassada…

– Uma lição talvez.

– Em que lhe poderia ser útil?

– A sua vida influenciou muitas vidas e estimaríamos receber ainda que fosse um pequeno recado de sua parte para aqueles que lhe admiram os filmes e que lhe recordam no mundo a presença marcante …

– Quem gostaria de acolher um grito de dor?

– A dor instrui…

– Fui mulher como tantas outras e não tive tempo e nem disposição para cogitar de filosofia.

– Mas fale mesmo assim…

– Bem, diga então às mulheres que não se iludam a respeito de beleza e fortuna, emancipação e sucesso…Isso dá popularidade e a popularidade é um trapézio no qual raras criaturas conseguem dar espetáculos de grandeza moral, incessantemente, no circo do cotidiano.

– Admite, desse modo, que a mulher deve permanecer no lar, de maneira exclusiva?

– Não tanto. O lar é uma instituição que pertence à responsabilidade tanto da mulher quanto do homem. Quero dizer que a mulher lutou durante séculos para obter a liberdade… Agora que a possui nas nações progressistas, é necessário aprender a controla-la. A liberdade é um bem que reclama senso de administração, como acontece ao poder, ao dinheiro, à inteligência…

Pensei alguns momentos na fama daquela jovem que se apresentara à Terra inteira, dali mesmo, em Hollywood, e ajuntei:

– Miss Monroe, quando se refere à liberdade da mulher, você quer mencionar a liberdade do sexo?

– Especialmente.

– Porquê?

– Concorrendo sem qualquer obstáculo ao trabalho do homem, a mulher, de modo geral, se julga com direito a qualquer tipo de experiência e, com isso, na maioria das vezes, compromete as bases da vida. Agora que regressei à Espiritualidade, compreendo que a reencarnação é uma escola com muita dificuldade de funcionar para o bem; toda vez que a mulher foge à obrigação de amar, nos filhos, a edificação moral a que é chamada.

– Deseja dizer que o sexo…

– Pode ser comparado à porta da vida terrestre, canal de renascimento e renovação, capaz de ser guiado para a luz ou para as trevas, conforme o rumo que se lhe dê.

– Ser-lhe-ia possível clarear um pouco mais este assunto?

– Não tenho expressões para falar sobre isso com o esclarecimento necessário; no entanto, proponho-me a afirmar que o sexo é uma espécie de caminho sublime para a manifestação do amor criativo, no campo das formas físicas e na esfera das obras espirituais, e, se não for respeitado por uma sensata administração dos valores de que se constitui, vem a ser naturalmente tumultuado pelas inteligências animalizadas que ainda se encontram nos níveis mais baixos da evolução.

– Miss Monroe – considerei, encantado, em lhe ouvir os conceitos -, devo asseverar-lhe, não sem profunda estima por sua pessoa, que o suicídio não lhe alterou a lucidez.

– A tese do suicídio não é verdadeira como foi comentada – acentuou ela sorrindo. – Os vivos falam acerca dos mortos o que lhes vem à cabeça, sem que os mortos lhes possam dar a resposta devida, ignorando que eles mesmos, os vivos, se encontrarão, mais tarde, diante desse mesmo problema… A desencarnação me alcançou através de tremendo processo obsessivo. Em verdade, na época, me achava sob profunda depressão. Desde menina, sofri altos e baixos, em matéria de sentimento, por não saber governar a minha liberdade…Depois de noites horríveis, nas quais me sentia desvairar, por falta de orientação e de fé, ingeri, quase semi-inconsciente, os elementos mortíferos que me expulsaram do corpo, na suposição de que tomava uma simples dose de pílulas mensageiras do sono…

– Conseguiu dormir na grande transição?

– De modo algum. Quando minha governanta bateu à porta do quarto, inquieta ao ver a luz acesa, acordei às súbitas da sonolência a que me confiara, sentindo-me duas pessoas a um só tempo… Gritei apavorada, sem saber, de imediato, identificar-me, porque lograva mover-me e falar, ao lado daquela outra forma, a vestimenta carnal que eu largara… Infelizmente para mim, o aposento abrigava alguns malfeitores desencarnados que, mais tarde, vim a saber, me dilapidavam as energias. Acompanhei, com indescritível angústia, o que se seguiu com o meu corpo inerme; entretanto, isso faz parte de um capítulo do meu sofrimento que lhe peço permissão para não relembrar…

– Ser-lhe-á possível explicar-nos porque terá experimentado essa agudeza de percepção, justamente no instante em que a morte, de modo comum, traz anestesia e repouso?

– Efetivamente, não tive a intenção de fugir da existência, mas, no fundo, estava incursa no suicídio indireto. Malbaratara minhas forças, em nome da arte, entregara-me a excessos que me arrasaram as oportunidades de elevação… Ultimamente fui informada por amigos daqui de que não me foi possível descansar, após a desencarnação, enquanto não me desvencilhei da influência perniciosa de Espíritos vampirizadores a cujos propósitos eu aderira, por falta de discernimento quanto às leis que regem o equilíbrio da alma.

– Compreendo que dispõe agora de valiosos conhecimentos, em torno da obsessão…

– Sim, creio hoje que a obsessão, entre as criaturas humanas, é um flagelo muito pior que o câncer. Peçamos a Deus que a ciência do mundo se decida a estudar-lhe os problemas e resolve-los…

A entrevistada mostrava sinais de fadiga e, pelos olhos da enfermeira que lhe guardava a cabeça no regaço amigo, percebi que não me cabia avançar.

– Miss Monroe – conclui -, foi um prazer para mim este encontro em Hollywood. Podemos, acaso, saber quais são, na atualidade, os seus planos para o futuro?

Ela emitiu novo sorriso, em que se misturavam a tristeza e a esperança, manteve silêncio por alguns instantes e afirmou;

– Na condição de doente, primeiro, quero melhorar-me… Em seguida, como aluna no educandário da vida, preciso repetir as lições e provas em que fali…Por agora, não devo e nem posso ter outro objetivo que não seja reencarnar, lutar, sofrer e reaprender.

Pronunciei algumas frases curtas de agradecimento e despedida e ela agitou a pequenina mão num gesto de adeus. Logo após, alinhavei estas notas, à guisa de reportagem, a fim de pensar nas bênçãos do Espiritismo Evangélico e na necessidade da sua divulgação.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Chico Xavier e a Ufologia - Prova de desvio grave contra os ensinamentos espíritas


Francisco Cândido Xavier causou tantas confusões que nem mesmo a tese da "data-limite" é unanimidade entre seus seguidores. É risível que, numa doutrina que se diz "unificadora" - desde que seja pela deturpação igrejista, e não pelas bases originais do Espiritismo - , chiquistas briguem por causa da validade ou não da tese.

Há até mesmo seguidores de Chico Xavier em conflito. Geraldo Lemos Neto é divulgador da tese da "data-limite", e afirma ter conversado com o "médium". Ariston Teles, "médium" baiano radicado em Brasília, contraria isso e disse ter recebido mensagem em voz de Chico negando a tese. Divaldo Franco, discípulo de Chico, defende a "data-limite". Eurípedes Higino, "filho" e "herdeiro" de Chico, renega a tese.

Não dá mesmo para entender, e é isso que arruína o que se conhece como "espiritismo" no Brasil. Uma doutrina marcada pela confusão, pela deturpação, pela mistificação, pela dissimulação, pelas obras fake atribuídas a autores mortos, pelo igrejismo roustanguista nunca assumido.

Portanto, não é a inveja, nem a calúnia, nem a intolerância religiosa que fazem o "espiritismo" brasileiro ser duramente criticado. São seus maus atos, suas más decisões, movidas pelas paixões religiosas e por tantos e tantos interesses sensacionalistas, arrivistas, mistificadores e manipuladores da opinião pública que foram feitos durante décadas.

Um dos absurdos que se observa se refere à questão da Ufologia, uma área atribuída ao conhecimento humano que, no entanto, tem valor cientificamente duvidoso, marcado por sensacionalismo, especulações e mistificações.

Um artigo de Pedro de Campos que aqui reproduzimos, com o autor favorável ao assunto abordado, que é a suposta relação de Chico Xavier com os alienígenas, comprova a que ponto se chegou a deturpação do Espiritismo no Brasil, rebaixado a uma interminável coleção de mistificações que mancham de profunda vergonha o legado deixado por Allan Kardec.

O próprio Pedro de Campos está a serviço da mistificação, fazendo "análises" sobre um documento fake da Idade Média, renegado até pelos sacerdotes católicos medievais, chamado "Epístola Lentuli", da qual Chico teria se inspirado para supor a "encarnação" de Emmanuel como um suposto Públio Lentulus que nunca existiu, embora homônimo a outros já existentes e de diferentes posições de poder no Império Romano. Risivelmente, o "Públio Lentulus" de Emmanuel era um romano que nunca falava latim, mas um português bem brasileiro, "há dois mil anos".

Vejamos o texto:

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Caso Chico Xavier - Aliens de 3 metros e corpo esquelético

Por Pedro de Campos

Dentre as pessoas que temos a honra de conhecer está Geraldo Lemos Neto. Desde o lançamento de Lentulus, encarnações de Emmanuel – Inquirição histórica, tivemos a satisfação de ver o nosso livro no prestigioso site da editora Vinha de Luz. Depois, por ocasião dos nossos trabalhos sobre a Epístola Lentuli - Parte 1, Parte 2  e Parte 3 - publicados na Espiritismo & Ciência a partir de junho de 2011 (números 87, 89 e 91), Geraldo repercutiu na internet as pesquisas históricas para todos os interessados. Geraldinho, como era chamado carinhosamente pelo nosso saudoso Francisco Cândido Xavier, após a desencarnação do conhecido médium fundou em Pedro Leopoldo, estado de Minas Gerais, um museu com as coisas do Chico. A Casa de Chico Xavier é hoje uma referência turística obrigatória para quem vai àquela região de Minas Gerais. 

Geraldinho se lembrou de uma frase dos tempos de Cristo: “Se vos falo das coisas terrestres e não me credes, como crereis se vos falar das coisas dos céus?” Jo 3,12. A frase parecia se encaixar aos dias atuais, porque quando Chico lhe contou sobre a questão alienígena também foi difícil acreditar – se engana quem pensa que Chico não teve contato com os UFOs. Quanto a nós, quando pedimos permissão a Geraldinho para publicar aqui o seu testemunho, ele nos disse com tranquilidade: “Fique totalmente à vontade Pedro, caso queira divulgar essa experiência, porque creio que os tempos são chegados e precisamos amadurecer mais com as informações de Chico Xavier”. 

Contou-nos que há muito desejava relatar este caso. Ficara sabendo da ocorrência quando de suas conversas com o prestigioso médium e não vira ninguém contá-la até então. Aproveitou para fazer isso neste 2 de Abril de 2012, data em que Chico, caso estivesse entre nós, estaria completando mais um aniversário. Na casa de Chico, em Uberaba, por ocasião de suas conversas com o médium, as quais se prolongavam às vezes até a madrugada, Geraldinho gostava de perguntar sobre as coisas do universo, das galáxias e suas nebulosas, das estrelas e planetas que se movimentam ao derredor. Chico lhe falava com muita vivacidade sobre esses assuntos, inclusive sobre a existência de humanidades muito mais avançadas que a nossa, espalhadas por esses Multiversos sem fim. Certa feita, de modo surpreendente, Chico contou a ele que já havia estado com visitantes de outros orbes, mas quando Geraldinho disse que sua vontade era um dia também conhecê-los, o médium foi enfático e contou-lhe a ocorrência. 

“Você deve ter muito cuidado Geraldinho – disse Chico preocupado –, porque embora a maioria das civilizações que já desvendaram os segredos das viagens interplanetárias seja de grande evolução espiritual, votadas ao bem e à fraternidade, há também aquelas que somente se desenvolveram no campo da técnica, enregelando os sentimentos mais nobres do coração. Representantes dessa outra turma também têm nos visitado, mas com objetivos escusos... Para eles nós somos tão atrasados que eles não prestam nenhuma atenção às nossas necessidades e aos nossos sentimentos. São eles que raptam pessoas e animais para experiências horrorosas em suas naves. Quanto a esta turma, devemos ter muito cuidado”. O médium parou, pensou, e prosseguiu em seguida contado sua experiência pessoal.

“Uma vez eu estava indo de Uberaba a Franca e, depois, a Ribeirão Preto para visitar a irmã do Vivaldo [Vivaldo da Cunha Borges, cunhado de Geraldinho], Eliana, que havia passado por uma cirurgia no coração nesta última cidade. O doutor Elias Barbosa foi dirigindo o automóvel na companhia de Vivaldo e eu, que fiquei no banco detrás. Pois bem, íamos lá pelas 3 horas da manhã para evitar o trânsito, e a meio caminho uma luz meio baça, na cor alaranjada envolveu o automóvel e passou a segui-lo. O doutor Elias achou por bem encostar o carro e esperamos os três para ver o que ia acontecer. Intuitivamente comecei a orar, pedindo aos amigos que me acompanhassem na prece. O espírito Emmanuel se fez presente e nos solicitou redobrada vigilância. A nave apareceu então no pasto ao lado, iluminando toda a natureza em torno com a sua luz alaranjada e baça. Ela pairou no ar sem tocar o solo, e do meio dela saiu uma luz mais clara ainda, de onde desceu uma entidade alienígena. Ela tinha uma aparência humanóide, mas muito mais alta que nós, com cerca de três metros de altura, quase esquelética.

“Senti um medo instintivo e roguei ao Senhor que nos afastasse daquele cálice de amarguras, que pressentia com o auxílio de Emmanuel. Subitamente a entidade parou e desistiu de nós, retornando para a sua nave. Depois, o veículo interplanetário se elevou do solo e eu vi perfeitamente uma vaca sendo levada até o seu interior, como se levitasse até lá. Em seguida, a nave desapareceu de nossas vistas com velocidade espantosa.

“O espírito Emmanuel me revelou então que estes irmãos infelizmente não eram vinculados ao bem e ao amor, eram sociedades que pilhavam planetas em busca de experiências genéticas estranhas. De vez em quando, abduzem homens e animais para suas aventuras laboratoriais. Segundo Emmanuel, eles somente não fazem mais porque Nosso Senhor Jesus estabeleceu normas e guardiães para proteger a humanidade terrestre ainda tão ignorante quanto às realidades siderais em sua infância planetária. “Então, meu filho – asseverou Chico –, se você avistar alguma entidade com as características que eu lhe dei, três metros de altura e corpo humanóide esquelético, corra, Geraldinho... Pernas pra que te quero!!!”

E Chico desatou seu riso tão característico. Embora na ocasião do contato estivesse ele preocupado, estava agora feliz por ter vivido essa e outras experiências. Geraldinho, por sua vez, não conteve a pergunta, quis saber se havia também os aliens bonzinhos, ao que Chico comentou outra experiência. 

“Ah! São magníficos! Os que eu conheci são criaturas de muito baixa estatura, cerca de um metro apenas. São grandes inteligências e por isto mesmo têm uma cabeça de tamanho avantajado em relação à nossa, com grandes olhos amendoados e meigos, capazes de divisar todas as faixas de vida nos diversos planos de matéria física e espiritual. Não possuem nariz, orelhas e sua boca é apenas um pequeno orifício. Seus sistemas fisiológicos são muito diferentes dos nossos e já não possuem intestinos. Toda a sua alimentação é apenas líquida. São de uma bondade extraordinária e protegem a civilização terrena assumindo um compromisso com Jesus de nos guiar para o bem. Um dia, Geraldinho, que não vai longe, eles terão permissão do Cristo para se apresentarem a nós à luz do dia, trazendo-nos avanços tecnológicos, médicos e científicos nunca dantes imaginados.”

Com essas palavras, Geraldinho ficou imaginando como o universo deve ser vasto, e quanto o Chico sabia sobre ele e ficava calado. Certa feita, Chico falou que Plutão era uma espécie de prisão espiritual, um isolamento milenar de espíritos endividados por crimes contra a humanidade, para eles mesmos se protegem das multidões de hordas vingativas e repensarem os seus atos criminosos do passado. Semelhante a Plutão, Mercúrio e Lua também são esferas em que vibram espíritos com grandes débitos, cada qual com seu grau evolutivo e vivendo experiências reparadoras. Mas nesses isolamentos não estão eles sem o amparo da Providência divina, que se faz presente ali por meio de espíritos de elevada expressão, verdadeiros mestres da paz em missão do bem. Chico era capaz de falar sobre os mistérios da vida no mais além. “E com que simplicidade e naturalidade ele nos falava dessas coisas dos céus”, finalizou saudoso o administrador da Casa de Chico Xavier. 

Os ufólogos como nós, que há anos estão envolvidos no estudo e na pesquisa da casuística, sabem que há mais de meia centena de raças alienígenas chegando à Terra para experiências favoráveis a elas (veja mais sobre isso neste blog, postagem de número 11. Tipologia, contato e procedimento alien). Sabe-se hoje, pelos contatos testemunhados e cientificamente estudados, que o tamanho e a aparência contam pouco no caráter e na sensibilidade alienígena para com as coisas do homem. Tais características podem ser tomadas apenas como pequenas experiências em meio a muitas outras. 

Os espíritos encarnados em corpos densos de outros orbes ou em bioformas ultrafísicas de outras dimensões possuem livre arbítrio, assim como nós, realizam incursões conforme sua capacidade técnica e estão ávidos por conhecimento; vez ou outra deixam mensagem nos alertando sobre as ações incorretas do homem, mas tal iniciativa não significa que vieram nos ajudar. Para ter certeza de suas reais intenções, seria preciso haver contato formal. Considerando Chico Xavier: “Não vai longe o dia em que eles terão permissão do Cristo para se apresentarem a nós à luz do dia, trazendo-nos avanços tecnológicos, médicos e científicos nunca dantes imaginados”. Antes disso, a prudência nos recomenda pesquisar de modo científico as ocorrências – assista ao vídeo abaixo, para saber como está sendo feito isso hoje. Trata-se de sério documentário sobre casos verídicos.

Pedro de Campos é autor dos livros: Colônia Capella – A outra face de Adão; Universo Profundo; UFO – Fenômeno de Contato; Um Vermelho Encarnado no Céu; Os Escolhidos da Ufologia na Interpretação Espírita, publicados pela Lúmen Editorial. E também do recém-lançamento: Lentulus – Encarnações de Emmanuel. E dos DVDs Os Aliens na Visão Espírita, Parte 1 e Parte 2, lançados pela Revista UFO. Conheça-os!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Rede Globo protege Beija-Flor e Mocidade Independente de Padre Miguel


No Carnaval 2018, marcado por protestos populares, mal-entendidos - no Carnaval de Salvador, as esquerdas entenderam mal o refrão "Vai dar PT" cantado por Léo Santana, que se refere não ao Partido dos Trabalhadores, mas ao termo "perda total" - , a Rede Globo mostra seu conservadorismo e, para variar, protegendo duas escolas controladas pelo jogo-do-bicho e que apresentaram temáticas de agrado à emissora.

A Beija-Flor de Nilópolis, campeã do Carnaval 2018, tornou-se a mais protegida, por ter lançado o samba-enredo "Monstro É Aquele Que Não Sabe Amar (Os Filhos Abandonados da Pátria Que Os Pariu)", com temática voltada à maneira conservadora que se aborda a corrupção política, visão que é compartilhada pelos "espíritas".

A temática fez contraponto ao enredo da emergente e vice-campeã Paraíso do Tuiuti, que, intitulado "Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?", fazia duras críticas ao governo Michel Temer e comparava a reforma trabalhista à escravidão, além de definir como "fantoches" os "coxinhas" (manifestantes vestidos com a camiseta da CBF) e os paneleiros que protestavam contra a presidenta Dilma Rousseff.

A Globo não gostou da Tuiuti, e deu apenas um pequeno espaço de cobertura nos noticiários. Até o fechamento deste texto, a Beija-Flor tornou-se a favorita do desfile, além do Salgueiro e da Mangueira. Mas a Mocidade Independente de Padre Miguel, sexta colocada, também se mostra protegida pela corporação da família Marinho.

Com um enredo que, em tese, é voltado para a Índia, "Namastê... A Estrela Que Habita em Mim Saúda a Que Existe em Você", sua letra cita dois ídolos religiosos, Francisco Cândido Xavier e Madre Teresa de Calcutá, adeptos da Teologia do Sofrimento e símbolos de uma concepção bastante conservadora de "caridade humana", aquela que não ameaça os privilégios abusivos dos ricos.

Na eleição do Estandarte de Ouro, promovida pelo jornal O Globo, a Mocidade Independente de Padre Miguel - que já teve como presidente de honra o bicheiro Castor de Andrade, já falecido - ganhou prêmio na categoria melhor samba-enredo, por ter citado o nome de Chico Xavier, um protegido das Organizações Globo e precursor da "caridade espetacularizada" hoje personificada por Luciano Huck.

ENCENAÇÃO EM DESFILE DA BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS, NO CARNAVAL DE 2018 - Denúncia ou apologia acidental?

No caso da Beija-Flor de Nilópolis, até as alegorias mostram um apelo inferior ao da Tuiuti. A Tuiuti investiu no bom humor, no didatismo e no protesto inteligente, criando até mesmo um insólito "presidente-vampiro" - alusão a Michel Temer - empolgando o público diante de protestos divertidos que incluíram pessoas vestidas de carteiras de trabalho, denunciando o fim dos direitos dos trabalhadores pela reforma trabalhista.

Até mesmo os "coxinhas" e os paneleiros, manifestantes anti-Dilma que o "espiritismo" brasileiro definiu como "pessoas dotadas de conscientização política" e "intuidas por espíritos superiores no estabelecimento do caminho da Regeneração" - provas de que a doutrina de Chico Xavier e Divaldo Franco apoiou o golpe político de 2016 - foram parodiados por alegorias da escola de samba Paraíso do Tuiuti como "fantoches políticos".

Em compensação, a Beija-Flor exibiu encenações de mau gosto, como policiais com marcas de tiros, simulações de sequestros etc. A Beija-Flor representou a catarse do "brasileiro médio", que vê Jornal Nacional e lê Veja e Folha de São Paulo, e cuja visão de mundo e de justiça social é da mais míope possível.

A Mocidade Independente de Padre Miguel está no grupo A e luta por uma vaga no grupo Especial. A Beija-Flor, do grupo Especial, luta para ser a campeã da elite das escolas de samba. Mas, até o momento, as favoritas são Mangueira, Salgueiro e Portela. Em todo caso, a Rede Globo blinda a Beija-Flor e a Mocidade por defenderem, nos seus sambas-enredo, valores e ícones apoiados pela sociedade conservadora. Chico Xavier incluído.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Chico Xavier não morreu pobre. E era tratado como um aristocrata


Há um forte mito de que Francisco Cândido Xavier morreu pobre. Ele, de fato, teve origem pobre, mas, na medida em que se tornou um popstar da religião, nas dimensões de um Michael Jackson, ele se tornou um aristocrático, se não na vida de luxo e posses materiais, pelo menos no tratamento que era recebido.

Ele apenas não tocava em dinheiro. Consentiu que o lucro dos seus livros fosse para a Federação "Espírita" Brasileira e aceitou que seu tutor Antônio Wantuil de Freitas, então presidente da instituição, se enriquecesse às custas de seu pupilo.

Quando esse escândalo veio à tona, em 1969, Chico Xavier tirou o corpo fora. Fingiu estar "muito triste" com o uso do dinheiro dos livros vendidos para a fortuna da cúpula da FEB e, tendenciosamente, passou a editar seus livros em outras editoras. Mas, a essas alturas, Wantuil, doente, começava a deixar o comando da FEB, o que fazia seu protegido ficar "órfão" de seu "empresário" e descobridor.

Há muitos pontos sombrios na biografia de Chico Xavier, e é lamentável que livros esclarecedores como O Enigma Chico Xavier Posto à Clara Luz do Dia, de Attila Paes Barreto, estejam condenados ao esquecimento. Enquanto isso, bobagens em torno de "datas-limites" são publicadas e geram livros que geram documentários que geram livros de livros que geram documentários de documentários de livros etc etc etc.

Chico Xavier não morreu pobre porque nunca houve notícia de que ele havia sido abandonado na penúria, sem ter o que comer, vivendo em casa fedorenta rodeada de moscas e mosquitos, com baratas passeando pelo chão, e ignorado ou sendo jogado no chão de um hospital público qualquer.

Há relatos de fim de vida pobre, sim, em relação a outros nomes, como o cantor Lúcio Alves, a vedete Wilza Carla, o intelectual Luiz Carlos Maciel e o ex-baixista da Legião Urbana, Renato Rocha, o Negrete ou Billy. Estes sim encerraram a vida na pobreza e no abandono, em muitos casos desprezados pela sociedade.

Chico Xavier, não. Ele era bem tratado, como um aristocrata britânico. Era tão bem tratado quanto a Rainha Elizabeth, da Inglaterra, por exemplo. Ele apenas não tocava em dinheiro, mas viveu em situação de conforto, sim, e um conforto significativo. Chico é que buscava, como ídolo religioso, um aparato de simplicidade, mas dizer que ele faleceu na mais absoluta pobreza é um absurdo.

Ele recebeu os prêmios e os aplausos e, postumamente, ainda recebe as palmas e a adoração pública, como um astro pop, como uma celebridade, como um afortunado. As fortunas de Chico Xavier podem ser simbólicas, mas nem de longe espiritualistas, pois as paixões religiosas, pela qualidade de suas manifestações emocionais, se equiparam às orgias do luxo e do dinheiro, com tantas adulações, devoções, mistificações e privilégios.

Os "médiuns espíritas", pelos prêmios que recebem, pelas boas relações com os ricos e poderosos, podem ser considerados aristocratas da fé, se equiparando com os sacerdotes que eram duramente criticados por Jesus de Nazaré. Embora associados a uma aparente imagem de suposta humildade, eles se equiparam aos privilegiados da sorte e, com certeza, devem se satisfazer com a luminosidade artificial das paixões religiosas e as recompensas que recebem na Terra.

No mundo espiritual, porém, não há essas ilusões e, como os "médiuns espíritas", como Chico e Divaldo Franco, deturpam o legado espírita original, numa atitude que em si já é leviana e desonesta, suas condições de pretensos "espíritos de luz" se encerram com o desencarne (Chico já sentiu o drama disso tudo), pois no além-túmulo mesmo as ilusões religiosas que aqui parecem perenes e eternas lá se dissolvem como um castelo de areia engolido pelo mar.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Texto da extinta revista Visão Espírita sobre Carnaval cita "Noel Rosa" 'fake'

PRETENSAS PSICOGRAFIAS MOSTRAM MÚSICOS FAMOSOS COMO NOEL ROSA COMO SE FOSSEM RELIGIOSOS ABOBALHADOS.

Já descrevemos a revista Visão Espírita, do falecido Alamar Régis Carvalho, acusado de explorar indevidamente a mão-de-obra para a produção do periódico da Editora Seda. Pois ela havia lançado um texto sobre o Carnaval, dentro daquele moralismo "espírita" que descreve tais festejos como se fosse a "materialização do umbral" em solo terrestre, no qual há o descaramento de usar o nome do saudoso Noel Rosa (1910-1937) para uma frase igrejista.

A frase em questão, na verdade uma paródia, de apelo religioso, do estilo poético do compositor carioca, famoso por inúmeras canções como "Com Que Roupa?", "Gago Apaixonado", "Conversa de Botequim", "Não Tem Tradução" e inúmeros outros, nos quais a semelhança superficial não garante a veracidade da "psicografia".

Afinal, o "espírito Noel Rosa" se manifesta como se fosse um religioso abobalhado, uma espécie de pateta beato que "só pensa em caridade" e, mesmo assim, como se fosse um ritual religioso. Devemos desconfiar de mensagens assim, porque o verdadeiro caridoso não é aquele que prega, em dóceis e religiosas palavras, essa prática, mas ajuda as pessoas sem alarde e sem vaidades.

Infelizmente, vemos na "caridade espírita" uma manifestação de puro cinismo, demagogia e presunção humana. Uma "caridade" que ajuda muito pouco, mas é festejada acima dos próprios méritos, bem menores do que muitos pensam.

Enquanto os "médiuns espíritas", com muita hipocrisia, falam da "caridade sem alarde e sem pedir recompensa", a "caridade" que eles fizeram, que nunca deixou os pobres saírem da sua inferioridade social, só serviu para a promoção pessoal desses religiosos, forçando a adoração pública e a pretensa unanimidade em torno deles, que são vistos, pelas paixões religiosas terrenas, como os "espíritos de luz", mas que, no além-túmulo, essa ilusão é desfeita pela mais traumática das decepções.

Noel Rosa era muito inteligente e observador, e, certamente, não seria o religioso patético que falaria de Natal como se fosse um meninote de dois anos. Ele mesmo, se soubesse o que se faz em seu nome nas "psicografias", reagiria sem aprovação, dizendo, na sua ironia: "Tem malandro usando o meu nome e faturando em cima".

Vamos mostrar o texto abaixo, que ainda apela para o moralismo "científico" do deturpador Divaldo Franco, ilustrando essa pseudo-análise sobre o Carnaval, que mostra o quanto o "espiritismo" condena o Carnaval dos outros, mas se esquece da farra que os "espíritas" fazem traindo os ensinamentos de Allan Kardec e fingindo fidelidade a ele, assim como farras ainda piores, que é a apropriação impune, leviana, oportunista e tendenciosa dos nomes dos mortos.

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" ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO TAMBÉM VAI QUEM JÁ MORREU "

Da revista Visão Espírita (data da edição não creditada, texto colhido da Internet)

“Atrás do trio elétrico só não vai que já morreu...”. – Caetano Veloso
“Atrás do trio elétrico também vai quem já “morreu”...”.

Ao contrário do que reza o frevo de Caetano Veloso, não são somente os “vivos” que formam a multidão de foliões que se aglomera nas ruas das grandes cidades brasileiras ou de outras plagas onde se comemore o Carnaval.

O Espiritismo nos esclarece que estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que nos encontremos. Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval.

Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis. Se antes de compor sua famosa canção o filho de Dona Canô tivesse conhecido o livro “Nas Fronteiras da Loucura”, ditado ao médium Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, talvez fizesse uma letra diferente e, sensível como o poeta que é, cuidaria de exortar os foliões “pipoca” e aqueles que engrossam os blocos a cada ano contra os excessos de toda ordem. Mas como o tempo é o senhor de todo entendimento, hoje Caetano é um dos muitos artistas que pregam a paz no Carnaval, denunciando, do alto do trio elétrico, as manifestações de violência que consegue flagrar na multidão.

No livro citado, Manoel Philomeno, que quando encarnado desempenhou atividades médicas e espiritistas em Salvador, relata episódios protagonizados pelo venerando Espírito Bezerra de Menezes, na condução de equipes socorristas junto a encarnados em desequilíbrios.

Philomeno registra, dentre outros pontos de relevante interesse, o encontro com um certo sambista desencarnado, o qual não é difícil identificar como Noel Rosa, o poeta do bairro boêmio de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, muito a propósito, integrava uma dessas equipes socorristas encarregadas de prestar atendimento espiritual durante os dias de Carnaval.

Interessado em colher informações para a aprendizagem própria (e nossa também!), Philomeno inquiriu Noel sobre como este conciliava sua anterior condição de “sambista vinculado às ações do Carnaval com a atual, longe do bulício festivo, em trabalhos de socorro ao próximo”.

Com tranqüilidade, o autor de “Camisa listrada” respondeu que em suas canções traduzia as dores e aspirações do povo, relatando os dramas, angústias e tragédias amorosas do submundo carioca, mas compreendeu seu fracasso ao desencarnar, despertando “sob maior soma de amarguras, com fortes vinculações aos ambientes sórdidos, pelos quais transitara em largas aflições”.

No entanto, a obra musical de Noel Rosa cativara tantos corações que os bons sentimentos despertados nas pessoas atuaram em seu favor no plano espiritual; “Embora eu não fosse um herói, nem mesmo um homem que se desincumbira corretamente do dever, minha memória gerou simpatias e a mensagem das músicas provocou amizades, graças a cujo recurso fui alcançado pela Misericórdia Divina, que me recambiou para outros sítios de tratamento e renovação, onde despertei para realidades novas”.

Como acontece com todo espírito calceta que por fim se rende aos imperativos das sábias leis, Noel conseguiu, pois, descobrir “que é sempre tempo de recomeçar e de agir” e assim ele iniciou a composição de novos sambas, “ao compasso do bem, com as melodias da esperança e os ritmos da paz, numa Vila de amor infinito...”.

Entre os anos 60 e 70, Noel Rosa integrava a plêiade de espíritos que ditaram ao médium, jornalista e escritor espírita Jorge Rizzini a série de composições que resultou em dois discos e apresentações em festivais de músicas mediúnicas em São Paulo.

O entendimento do Poeta da Vila quanto às ebulições momescas, é claro, também mudou:
- “O Carnaval para mim, é passado de dor e a caridade hoje, é-me festa de todo, dia, qual primavera que surge após inverno demorado, sombrio”.

A carne nada vale:

O Carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes, é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. Como nosso imperativo maior é a Lei de Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade desaparecerão da Terra.Em seu lugar, então, predominarão a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade.

A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanalia; na velha Roma dos césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnalia e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.

Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.

Bezerra cita os estudiosos do comportamento e da psique da atualidade, “sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a carne nada vale, cuja primeira silaba de cada palavra compõe o verbete carnaval”.

Assim, em três ou mais dias de verdadeira loucura, as pessoas desavisadas, se entregam ao descompromisso, exagerando nas atitudes, ao compasso de sons febris e vapores alucinantes. Está no materialismo, que vê o corpo, a matéria, como inicio e fim em si mesmo, a causa de tal desregramento.

Esse comportamento afeta inclusive aqueles que se dizem religiosos, mas não têm, em verdade, a necessária compreensão da vida espiritual, deixando-se também enlouquecer uma vez por ano.

Processo de loucura e obsessão:As pessoas que se animam para a festa carnavalesca e fazem preparativos organizando fantasias e demais apetrechos para o que consideram um simples e sadio aproveitamento das alegrias e dos prazeres da vida, não imaginam que, muitas vezes, estão sendo inspiradas por entidades vinculadas às sombras. Tais espíritos, como informa Manoel Philomeno, buscam vitimas em potencial “para alijá-las do equilíbrio, dando inicio a processos nefandos de obsessões demoradas”.

Isso acontece tanto com aqueles que se afinizam com os seres perturbadores, adotando comportamento vicioso, quanto com criaturas cujas atitudes as identificam como pessoas respeitáveis, embora sujeitas às tentações que os prazeres mundanos representam, por também acreditarem que seja lícito enlouquecer uma vez por ano.

Esse processo sutil de aliciamento esclarece o autor espiritual, dá-se durante o sono, quando os encarnados, desprendidos parcialmente do corpo físico, fazem incursões às regiões de baixo teor vibratório, próprias das entidades vinculadas às tramas de desespero e loucura.

Os homens que assim procedem não o fazem simplesmente atendendo aos apelos magnéticos que atrai os espíritos desequilibrados e desses seres, mas porque a eles se ligam pelo pensamento, “em razão das preferências que acolhem e dos prazeres que se facultam no mundo íntimo”. Ou seja, as tendências de cada um, e a correspondente impotência ou apatia em vencê-las, são o imã que atrai os espíritos desequilibrados e fomentadores do desequilíbrio, o qual, em suma, não existiria se os homens se mantivessem no firme propósito de educar as paixões instintivas que os animalizam.

Há dois mil anos. Tal situação não difere muito dos episódios de possessão demoníaca aos quais o Mestre Jesus era chamado a atender, promovendo as curas “milagrosas” de que se ocupam os evangelhos. Atualmente, temos, graças ao Espiritismo, a explicação das causas e conseqüências desses fatos, desde que Allan Kardec fora convocado à tarefa de codificar a Doutrina dos Espíritos. Conforme configurado na primeira obra da Codificação – O Livro dos Espíritos -, estamos, na Terra, quase que sob a direção das entidades invisíveis: “Os espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?”, pergunta o Codificador, para ser informado de que “a esse respeito sua (dos espíritos) influência é maior do que credes porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem”. Pode parecer assustador, ainda mais que se se tem os espíritos ainda inferiorizados à conta de demônios.

Mas, do mesmo modo como somos facilmente dominados pelos maus espíritos, quando, como já dito, sintonizamos na mesma freqüência de pensamento, também obtemos, pelo mesmo processo, o concurso dos bons, aqueles que agem a nosso favor em nome de Jesus. Basta, para tanto, estarmos predispostos a suas orientações, atentos ao aviso de “orar e vigiar” que o Cristo nos deu há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a praticada caridade desinteressada.

Esta última é a característica de espíritos como Bezerra de Menezes, que em sua última encarnação fora alcunhado de “o médico dos pobres” e hoje é reverenciado no meio espírita como “o apóstolo da caridade no Brasil”.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Como não cair na tentação da retratação do "espiritismo" brasileiro?


No "espiritismo" brasileiro, há muitos casos de adesão de pessoas que haviam sido céticas e até extremamente críticas, a ponto de acusar os "médiuns" de charlatanismo e fraude, mas que depois, no primeiro contato com uma atividade "espírita", passam a aderir a ela com muita devoção, desfazendo das impressões anteriores.

Isso é bom? Não. Isso é péssimo, é perigoso e bastante nocivo para a pessoa, que apenas ganha falsa impressão de amorosidade e paz, embora num momento ou em outro o infortúnio lhe pregue peças muito piores, nem que seja para afastar dele, através da tragédia, os entes mais queridos.

O que parece uma "sublime atitude de reconhecimento da fé espírita" é na verdade uma perigosa subordinação religiosa comparável à que os hereges da Idade Média sucumbiram ao jugo católico. Nunca devemos esquecer que o "espiritismo" brasileiro, por suas escolhas igrejistas, reduziu-se a uma versão repaginada do Catolicismo jesuíta do Brasil colonial, que possuía bases medievais.

É vergonhoso que no Brasil haja essa tendência, uma grande ameaça do "espiritismo" brasileiro absorver céticos e contestadores e, assim, fazer-se triunfar essa versão do Espiritismo que permanece deturpada, com traições graves contra Allan Kardec sendo impunemente praticadas, e, o que é pior, em nome dele.

Os deturpadores do Espiritismo, que exercem seu poder pelo aparato de "humildade", "caridade" e "esclarecimento", até se valem do triunfalismo, aguentando as críticas pesadas que recebem e as violentas crises que os atingem, como se isso fosse uma tempestade de duas horas. Acreditam eles que seus contestadores de véspera se renderão e correrão chorando para os braços dos "médiuns", que são os sacerdotes sem batina dessa esquizofrenia religiosa.

Quem se rende a esses deturpadores é tido como "forte", "perseverante" e "misericordioso". Engana-se quem pensa assim. Quem se rende assim é, na verdade, um fraco, um desistente, e um masoquista, porque o "espiritismo" finge que perdoa os hereges contemporâneos, mas lhes roga azar assim que os acolhe como "ovelhas perdidas".

Há dicas para as pessoas evitarem essa retratação e seguirem a recomendação de Allan Kardec, que sempre aconselhou para que se combata a deturpação com vigilância, sem ceder um único passo em favor dos deturpadores.

Segundo Kardec, os deturpadores - sobretudo, conforme nossa análise, os "médiuns" brasileiros tão conhecidos e, infelizmente, muito adorados - investem em mensagens falando de "amor", "fraternidade" e "caridade", apelando para ideias "mais lindas", de forma a dominar o interlocutor e inserir nele ideias levianas de mistificação e de conservadorismo ideológico.

Damos aqui as dicas para as pessoas evitarem qualquer retratação do "espiritismo" brasileiro, evitando assim o papel patético que pessoas como Humberto de Campos Filho fizeram ao se renderem a Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier:

1) NÃO VISITE UMA "CASA ESPÍRITA" - Estabelecimentos "espíritas" estão preparados para receber estranhos através do recurso do "bombardeio de amor", combinando apelos emotivos muito fortes e aparentemente confortadores com demonstrações de aparentes intimidade e fraternidade extremas. Isso traz sensações que na aparência soam muito agradáveis e prazerosas, mas essas sensações são alucinógenas e corrompem a razão e o bom senso, além de tornar as pessoas irritáveis à menor adversidade.

2) NÃO SE DEIXE LEVAR PELA POSE DE COITADOS DOS "MÉDIUNS ESPÍRITAS" - É essencial resistir, com todas as energias, à pose de coitados e de vítimas dos "médiuns espíritas", que sempre tentam passar uma imagem de mansuetude e aparente alegria. A tentação em se deixar levar pela aparência suave desses perversos deturpadores do Espiritismo é imensa e já levou muitos bravos Ulisses do cotidiano atual para os "cantos de sereias" dos "médiuns" pretensamente amorosos. É preciso firmeza, porque legitimar um "médium espírita" é legitimar a deturpação.

3) NÃO SE DEIXE LEVAR POR APELOS EMOTIVOS DIVERSOS - Paisagens floridas, céu azul com nuvens brancas e sol, cenários marinhos com peixes graciosos e fotos de crianças sorrindo, ou então, de crianças pobres chorando, são apelos dos mais diversos que forçam a pessoa a se render a esse "espiritismo" deturpador. Há também a propaganda midiática que glamouriza a imagem dos "médiuns" e, no caso de Divaldo Franco, o aparato melífluo da voz ou a teatralidade das oratórias também favorece a dominação de quem não tem firmeza para resistir a esses apelos perigosos.

4) DESCONFIE DAS DESCULPAS RELACIONADAS À "CARIDADE" - A "caridade" - que os "espíritas" definem erroneamente como "Assistência Social", mas é mero Assistencialismo - é usada como artifício para abafar as irregularidades do "espiritismo" brasileiro. Daí a famosa desculpa: "os espíritas no Brasil deturpam a Codificação, mas pelo menos valem pela caridade". Não, não existe a caridade sincera e espontânea e mesmo o serviço mais gratuito e aparentemente fraternal tem seu objetivo de recompensa, senão a financeira, pelo menos a simbólica, que é o prestígio religioso.

5) NÃO ACEITE AS DESCULPAS DE QUE OS DETURPADORES IRÃO "APRENDER MELHOR" O ESPIRITISMO - Foi essa desculpa que fez ampliar os poderes dos "médiuns" deturpadores durante a ditadura militar. A promessa, que se comprovou em vão, dos deturpadores Chico Xavier e Divaldo Franco em "recuperar as bases doutrinárias do Espiritismo original" foi apenas uma conversa para boi dormir. O igrejismo dos dois só se intensificou, assim como as traições doutrinárias. A promessa foi como uma raposa prometer recuperar o galinheiro. Só deu errado.

6) NÃO SE ILUDA COM DISCURSOS "FRATERNOS" E "UNIFICADORES" - Parece cruel, mas rejeitar o discurso de "fraternidade" e "união entre irmãos" é necessário porque muitos desses processos "unificadores" e "conciliadores" escondem mecanismos de dominação das pessoas. Em muitos momentos, a expressão "fraternidade" e "irmão" servem apenas de eufemismo para líderes religiosos dominarem as pessoas e submeterem-nas ao seu poder e controle.

São alguns desses cuidados que devem ser feitos para que o questionador das irregularidades do "espiritismo" brasileiro não se renda ao seu domínio, evitando ser escravo do poder mistificador dos deturpadores e seus apelos emotivos e outros aparatos atraentes, porém perigosos.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Divaldo Franco, o homem que esnoba Allan Kardec



Um texto urgente foi escrito pelo autor que atende pelo codinome Professor Caviar, sobre o maior deturpador vivo do Espiritismo, Divaldo Franco, que não mede escrúpulos em trair os postulados kardecianos com o igrejismo de matriz roustanguista - leia-se Jean-Baptiste Roustaing ou J. B. Roustaing - temperado com o jesuitismo medieval brasileiro, para depois sair por aí bajulando Allan Kardec e se passando pelo "melhor de seus discípulos".

Quanta construção de discurso, quanta fábrica de consenso foi alimentada por tantos apelos emotivos e por uma caridade fajuta que mais serve para glorificar o suposto filantropo, e quantos idiotas são muitos brasileiros que acreditaram no papo do "ativista da paz" que não consegue banir uma "farinata", oferecendo o Você e a Paz para lançar uma farsa alimentícia que depois foi cancelada por vergonhosa repercussão.

Ah, quantas paixões religiosas e quanto culto à personalidade "engrandeceram" a figura do suposto médium Divaldo Franco, que havia sido previamente definido pelo espírita autêntico Herculano Pires como "impostor" (lembre-se que Herculano não era alguém de sair disparando calúnias por aí), mas se tornou "dono do Espiritismo" e dublê de pacifista e de filantropo, enganando as pessoas com sua verborragia e suas mistificações.

Fiquemos com este texto, de urgente leitura e necessária divulgação, para mostrar a hipocrisia de alguém que não aprende as lições do Espiritismo e diz que as segue com muito rigor. Divaldo está para Allan Kardec assim como, na ficção humorística, Rolando Lero está para o professor Raimundo Nonato.

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Divaldo Franco, o homem que esnoba Allan Kardec

Por Professor Caviar - Blog Intruso Espírita

Nunca foi fácil se ascender na vida, ir longe demais no prestígio social, virar uma pretensa unanimidade e se tornar quase um deus aos olhos da humanidade da Terra. Nesse sentido, roubar doce de criança se torna uma tarefa bastante sem graça, diante de tantas facilidades que as conveniências da vida podem oferecer.

Nem Marcelo Nascimento, hoje empresário e outrora um dos maiores golpistas do país (retratado no famoso livro e filme Vips), foi tão longe assim. O suposto médium baiano Divaldo Franco, roustanguista de carteirinha, malabarista das palavras e o maior inimigo interno do Espiritismo, conseguiu com toda sua sorte se passar por "herdeiro de Allan Kardec", mesmo cometendo graves traições ao legado deixado pelo professor lionês.

Muitos acham chocante falar coisas sombrias sobre esse "admirável médium". Não deveria ser assim. Chocante é um oportunista desses, explorador da fé alheia, ter atingido uma projeção quase divina, virando uma pretensa unanimidade e se tornando objeto de adoração extrema até por quem poderia vê-lo com um mínimo de desconfiança.

Chocante é ver a que ponto chegou um homem desses, um hipócrita que remete aos antigos sacerdotes que eram reprovados com muita severidade por Jesus de Nazaré em seu tempo. Chocante é ver um sujeito que veste a capa de "verdadeiro discípulo de Allan Kardec", indo para Paris babar o ovo no mestre lionês, quando o próprio pedagogo de Lyon advertida, já no século XIX, contra mistificadores que desfigurariam cruelmente a Doutrina Espírita com textos empolados e ideias anti-doutrinárias.

Se deixarmos de lado a memória curta, o wishful thinking e outros vícios emocionais ou perceptivos, veremos o quanto Divaldo é um charlatão, e isso não é uma questão de calúnia ou inveja. É uma estranheza em torno de tanto aparato de "bondade" e "beleza" extra-humanos. Esquecemos que as pessoas que são realmente evoluídas não tem necessariamente o mel das palavras nem o verniz da mansuetude, assim como os melhores presentes não são aqueles que necessariamente vêm nas embalagens mais caprichadas.

Quanta desinformação atinge os brasileiros. Em países menos imperfeitos, religiosos que vivem do aparato de mansuetude e possuem lábios de mel são vistos com muita estranheza. Quantos "missionários" foram, depois, desmascarados, após a denúncia de aspectos bastante sombrios? E pontos sombrios não faltam na trajetória de Divaldo Franco, mas no Brasil da complacência fácil nem a imprensa de esquerda se encorajou em identificá-lo.

OS PONTOS SOMBRIOS

Nos últimos anos, Divaldo Franco mostrou pontos bastante sombrios de sua carreira, que desmereceriam até 0,5 % da inabalável idolatria que recebe. É bom lembrar que, quando o "médium" baiano estava em ascensão, o jornalista, tradutor e estudioso autenticamente espírita, José Herculano Pires, havia alertado em carta enviada a um colega e depois levada ao público:

"Do pouco que lhe revelei acima você deve notar que nada sobrou do médium que se possa aproveitar: conduta negativa como orador, com fingimento e comercialização da palavra, abrindo perigoso precedente em nosso movimento ingênuo e desprevenido; conduta mediúnica perigosa, reduzindo a psicografia a pastiche e plágio – e reduzindo a mediunidade a campo de fraudes e interferências (caso Nancy); conduta condenável no terreno da caridade, transformando-a em disfarce para a sustentação das posições anteriores, meio de defesa para a sua carreira sombria no meio espírita".

O caso Nancy é referente a Nancy Ann Tappe, que lançou o modismo esotérico das "crianças-índigo", que no país de origem, os EUA, é visto como uma piada. A farsa foi "aperfeiçoada" pelo ex-casal Lee Carroll e Jan Tober, também dos EUA. No Brasil, o assunto foi levado a sério por Divaldo Franco que, fundindo com as perspectivas de "coração do mundo e pátria do Evangelho" de Francisco Cândido Xavier, estabeleceu supostas previsões sobre a regeneração da humanidade a ser, conforme esta tese, "comandada" pelo Brasil.

Há outros casos sombrios que confirmam os alertas de Herculano Pires, e que deveriam ser levados em conta pelos brasileiros. Herculano não era um moleque a querer ofender filantropos por puro esporte. É certo que Herculano parecia um pouco complacente com Chico Xavier, seu amigo pessoal, mas ele sabia do ditado "amigos, amigos, negócios à parte" e não queria ofender o "médium" mineiro, mas no fundo também ficava preocupado com os trabalhos de Chico pela deturpação doutrinária.

Vamos mostrar alguns pontos recentes que revelam o lado sombrio de Divaldo Franco, que pessoas com um mínimo de consciência social deveriam prestar atenção. São aspectos muito graves para alguém que é tido como "a maior unanimidade do Brasil":

1) FEZ JUÍZO DE VALOR GRAVÍSSIMO CONTRA REFUGIADOS DO ORIENTE MÉDIO - Com base no "achismo" e feito ao arrepio dos ensinamentos espíritas, Divaldo Franco, em entrevista em dezembro de 2016 após o fim de um evento "espírita" na Espanha, acusou os refugiados do Oriente Médio de terem sido "colonizadores sanguinários". Para piorar ainda mais as coisas, Divaldo deu seu juízo generalizando os casos e atribuindo aos sofredores encarnações antigas demais, além de apelar para evocar encarnações passadas, o que Kardec reprovava com muita propriedade. As frases de Divaldo, com o agravante do tom melífluo das mesmas, foram estas:

"No campo das deduções e de acordo com o meu pensamento, penso que aqueles que estão hoje, de volta à Europa, são os antigos colonizadores que deixaram, até hoje, a América Latina na miséria. Como foi negado todo o direito aos seus residentes, como aculturaram os selvícolas, destruindo culturas veneráveis, pela Lei de Causa e Efeito aqueles estão retornando hoje à pátria, no estado de miséria, e que ameaçam os próprios países de onde saíram, para, um dia, buscarem a fortuna para o conforto europeu".

Divaldo poderia ser processado por qualquer indivíduo ou família que, ao tomar conhecimento de tal decisão, se sentisse injuriado ao ser acusado de ter sido um "tirano colonizador". Divaldo Franco seria condenado a indenizar um significativo valor financeiro por danos morais, o que pegaria mal para sua reputação. Não se pode brincar com o sofrimento dos outros. Casos semelhantes, como o de uma pediatra mato-grossense que se recusou a atender uma criança por acusar a pobre menina, estuprada por um tio, de ter sido cortesã em encarnações mais antigas, resultou em processo judicial.

2) APOIOU A OPERAÇÃO LAVA JATO - Divaldo Franco não citou nomes, mas deixou claro que definiu "toda a equipe da Operação Lava Jato" como "Missionários da Ordem do Bem" e alegou que eles estavam protegidos pelo "Plano Superior Divino" para desempenhar suas ações.

Vindo de um ídolo de uma religião marcada por irregularidades mediúnicas e desonestidade doutrinária - as "obras espirituais" destoam dos estilos pessoais dos autores mortos alegados e os postulados "espíritas" brasileiros destoam dos ensinamentos kardecianos originais devido ao igrejismo de inspiração católico-jesuíta-medieval - , faz sentido.

Afinal, a Operação Lava Jato é marcada por inúmeras e gravíssimas irregularidades jurídicas, envolvendo processos truculentos como condução coercitiva para depoimentos e prática e divulgação ilegais de escutas telefônicas. Muitos procedimentos também são feitos ao arrepio dos princípios do Direito. Até para expor processos jurídicos, gafes são cometidas, vide o trabalho de Microsoft Power Point que o procurador Deltan Dallagnol fez sobre o ex-presidente Lula, muito simplório e parcial para alguém de seu cargo e competência jurídica.

A atuação de Sérgio Moro é considerada "parcial", por ser enérgica demais para políticos do PT e de partidos então aliados do governo Lula, mas é complacente ao extremo com políticos do PSDB. Durante uma cerimônia de premiação a personalidades brasileiras promovida pela revista Isto É, Sérgio Moro aparece sussurrando e rindo com o senador mineiro Aécio Neves, uma das figuras do PSDB marcadas pela corrupção política.

Recentemente, o juiz Marcelo Bretas - espécie de versão carioca de Sérgio Moro (e famoso por oferecer uma pipoca ao juiz paranaense durante uma sessão do risível filme Polícia Federal: Justiça é Para Todos, que aborda a Lava Jato sob o ponto de vista auto-adulatório da mídia hegemônica) - está sendo denunciado por receber auxílio-moradia junto com a mulher, resultando em acúmulo ilícito de vencimentos. Segundo a lei, em se tratando de um casal de magistrados ou servidores de um mesmo cargo, o benefício só deve ser concedido a um dos cônjuges, nunca a ambos.

3) DIVALDO FRANCO HOMENAGEOU JOÃO DÓRIA JR., APOIOU A "FARINATA" E AINDA RECEBEU O FARSANTE SRI PREM BABA

É preocupante o caso do Você e a Paz. Quando as coisas vão bem, nota-se que o evento tem sempre Divaldo Franco em primeiro plano. Ele é o idealizador do evento e, por mais que envolva outras crenças religiosas, fica claro que o evento é dele, é ele que aparece nos cartazes promocionais, é ele o primeiro e, talvez, o único a ser entrevistado pela imprensa. Não é só em Salvador. Se o Você e a Paz fosse no Cazaquistão, por exemplo, o destaque de Divaldo seria exatamente o mesmo.

Mas, no caso da "farinata" do João Dória Jr., algo surreal aconteceu. A edição do Você e a Paz em São Paulo, em outubro de 2017, homenageou João Dória Jr. e lançou oficialmente o perigoso alimento lançado pelo prefeito de São Paulo para o "combate à fome", uma "mistura alimentar" de procedência duvidosa contra o qual já havia sido feitas investigações sobre suposta intoxicação alimentar que teria matado catorze internos num sítio em Jarinu que fornecia o "alimento".

Com isso, Divaldo Franco "desapareceu" e o nome Você e a Paz foi vagamente descrito, mas como um evento que não era do "médium". O tendenciosismo jornalístico fez misturar as imagens do Você e a Paz - focalizando apenas Dória lançando a "farinata" com a camiseta do evento que também creditava o nome do "médium" - com a da entrevista coletiva com o arcebispo de São Paulo, o católico Dom Odilo Scherer, que, pelo jeito, foi "provisoriamente" tratado como o "responsável" do Você e a Paz. Divaldo sumiu, como um fantasma às avessas.

Só que isso é grave, e grave é a omissão e complacência da imprensa de esquerda, que ao menos deveria contrapor às informações oficiais da mídia hegemônica. Ela se preocupou em criticar somente Dom Odilo, poupando Divaldo, quando foi o próprio Divaldo que decidiu homenagear o decadente prefeito e abrir espaço para o lançamento da "ração humana", depois cancelada devido à má repercussão. A decisão partiu por iniciativa do próprio "médium" baiano, já que Divaldo é sempre o frontman do Você e a Paz, devendo ser assim tanto nos melhores quanto nos piores momentos.

Para piorar, Divaldo recebeu um farsante esotérico Sri Prem Baba, guru dos "coxinhas", ou seja, aquelas personalidades que, desesperadas, pediram o "Fora Dilma" pelo medo de perderem seus privilégios materiais de elite. Sri Prem Baba também está à frente da "assistência espiritual" aos aspirantes a políticos do movimento Renova BR, evento financiado pela nata do empresariado mais conservador, como Luciano Huck, Nizan Guanaes, Abílio Diniz e o homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann.

Outra coisa grave é que Divaldo Franco, que "brincou com fogo", fugiu do "incêndio" que causou. Um mês após a "farinata", ele aparecia num evento "espírita" de Porto Alegre como se nada tivesse acontecido, posando de "paladino da paz" e falando as mesmas verborrágicas palavras diabéticas de sempre. 

Estes são apenas alguns aspectos sombrios de Divaldo Franco, não bastasse o simples fato dele ser deturpador da Doutrina Espírita. Só os disparates grosseiros que as obras de Divaldo (a exemplo de Chico) apresentam em relação à literatura kardeciana original, mereceriam o repúdio aos "médiuns espíritas" que vierem com igrejismo barato.

Afinal, lembremos das lições do próprio Kardec, que aconselhava que, quando um erro comprometedor aparece, não se pode esperar a hesitação em combatê-lo, cabendo o repúdio severo, ainda que de maneira serena e sem ódio, mas de forma a não admitir relativização alguma ao infrator, pois a menor consideração a ele pode permiti-lo cometer erros ainda mais graves e sair ileso de todos eles, ante a condescendência geral da população. 

Divaldo representou esse infrator, e cresceu demais como "mito", nos fazendo esquecer dos alertas feitos há décadas por Herculano Pires, que na sua boa intenção queria cortar a erva daninha pela raiz. Pois agora Divaldo tornou-se a "erva de passarinho" da árvore do Espiritismo, que cresce, fazendo debilitar até a morte a doutrina original, enquanto o "médium" se promove às custas da deturpação.

A risada que ilustra esta postagem parece agradável e simpática à primeira vista, mas a verdade é que Divaldo Franco está rindo de Allan Kardec, esnobando o Codificador que o "médium" baiano trai com gosto e sem um pingo de escrúpulos, mas tem o cinismo de se autoproclamar "seu discípulo mais fiel". Chocante não é questionar ou investigar Divaldo, chocante é um sujeito desses ter hoje virado objeto da mais cega adoração popular e transformado numa pretensa unanimidade nacional.
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