terça-feira, 11 de novembro de 2014

"Evangelho perdido" de Maria Madalena será lançado amanhã

MARIA MADALENA, EM PINTURA MEDIEVAL.

O chamado "Evangelho perdido", atribuído a Maria Madalena - também conhecida como Maria de Magdala - , foi finalmente traduzido e será lançado amanhã a partir de uma entrevista coletiva com os pesquisadores Barrie Wilson e Simcha Jacobovic.

O livro traz revelações que destoam da visão oficial há muito difundida pelo Catolicismo medieval, e foi quase todo traduzido do aramaico, a partir de um manuscrito descoberto em 1896 entre vários textos do Codex Akhmin, pelo arqueólogo alemão Carl Reinhardt.

A mais destacada revelação era que Maria Madalena, além de ter sido discípula de Jesus, teria sido também sua esposa, além de ter tido dois filhos com o ativista judeu. Maria teria sido também uma das mulheres mais atuantes de seu tempo.

O texto do aramaico é atribuído a Maria Madalena pelos especialistas diante das análises de conteúdo e pela citação de seu nome no crédito final da obra, e sua data remete a cerca de 1500 anos. Todavia, da única cópia encontrada, faltam dez páginas: de um a seis e de onze a catorze.

Barrie e Simcha teriam também pesquisado outras fontes existentes sobre o Evangelho Segundo Maria Madalena, dois fragmentos traduzidos para o grego que datam do século III e uma tradução longa para o copta datada do século V.

QUEM TERIA SIDO MARIA MADALENA?

Nascida no ano três de nossa era, Maria Madalena tem sua versão oficial difundida pela Igreja Católica que minimiza sua importância na vida de Jesus, apesar dela ter sido personagem destacado nos livros do Novo Testamento, além de sua imagem ter sido moldada pelo Catolicismo medieval ao gosto de valores machistas vigentes.

Segundo esta versão, Madalena teria sido uma prostituta, que depois se arrependeu e passou a servir a missão de Jesus. Ela não é creditada como discípula e seu ativismo pouco é mencionado. Certas fontes a confundem com a adúltera que, ameaçada de ser apedrejada por um grupo de homens, foi socorrida por Jesus.

Despindo de mitologias religiosas e buscando uma compreensão próxima da realidade daquele tempo - cujas fontes originais, em boa parte, se perderam - , podemos entender Maria Madalena não como uma prostituta, antes uma moça que, a princípio, teve uma sequência quase ininterrupta de namorados, sem qualquer promiscuidade, e depois tornou-se ativista social e filantropa.

Ela teria sido uma moça de elite, de aparência bastante atraente, que apenas era namoradeira. Como vemos hoje em muitas mulheres famosas, ela teria, como diz a gíria, engatado novo namoro a cada fim de relação anterior. E isso antes de conhecer Jesus, com quem teria se tornado namorada e esposa, gerando, como sugere o referido livro, dois filhos.

Maria Madalena teria sido uma mulher muito inteligente, dinâmica e independente. Era bastante culta e intelectualizada, e tornou-se ativista quando se apaixonou por Jesus e se afinou com sua personalidade bastante diferenciada para a época.

Depois que Jesus morreu condenado pelo seu ativismo - que contrariava interesses políticos dominantes no Império Romano - , Maria Madalena passou a tratar de leprosos (hoje conhecidos como portadores de hanseníase), até falecer após contrair a doença, aos 58 anos de idade.

O livro também será lançado em breve no Brasil, uma vez que o tema é de muito interesse nas discussões sobre religião. Maria Madalena é cortejada pelo Espiritolicismo, que prefere chamá-la de Maria de Magdala, mas o "movimento espírita" prefere limitar sua importância ao tratamento dos doentes de hanseníase, mas sem questionar frontalmente sua mitologia católica.

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