segunda-feira, 16 de março de 2015

A histeria juvenil da "religião do rock" da Rádio Cidade


Movimentos de fanatismo e fundamentalismo não costumam apreciar a essência original da causa que dizem seguir. Eles pegam a causa deturpada e trabalham sua defesa cega, eliminando a razão e apenas se submetendo a fé e a histeria mística da qual só a "sua causa" é a "salvadora", só ela é que é a "melhor" e "mais perfeita".

O que observamos no "fenômeno" Rádio Cidade, no Rio de Janeiro, é uma demonstração disso, uma histeria coletiva que acha que o "rock", pelo menos aquilo que eles supõem como tal, é a "única doutrina louvável", "única crença possível", mesmo sem que se compreenda a natureza original da causa que seguem.

Os fundamentalistas islâmicos, por exemplo, não costumam compreender quem realmente foi o profeta Maomé. Os católicos medievais foram os primeiros a deturpar drasticamente os ensinamentos de Jesus. Há formas de marxismo que se tornaram anti-marxistas, explorando interesses contrários aos trabalhadores. O capitalismo "iluminista" nunca seguiu a essência original do Iluminismo.

Da mesma maneira, vemos que o "espiritismo" brasileiro rompeu com a essência original de Allan Kardec, em prol de um igrejismo medieval e moralista que se encaixa no contexto brasileiro de ideais originais serem deturpados para que o "novo" só se consolide se respaldado por bases velhas. E isso influi vários setores da sociedade.

Observando a Rádio Cidade e seus seguidores fanáticos, nota-se uma histeria digna das piores seitas religiosas. Uma "religião do rock" que nada tem de roqueira e que não obstante vai contra a essência da cultura rock, associada à rebeldia e ao ativismo.

São jovens que não sabem direito o que é realmente o som do rock, apenas entendem como uma combinação barulhenta de guitarras base distorcidas e solos virtuosos. Nenhum ideal, nenhum discernimento, nenhuma coerência. Eles só ouvem a "Rádio Cidade" e têm uma compreensão de "cultura rock" restrita às suas vaidades pessoais e suas incompreensões.

Isso é terrível. Porque a histeria de seus ouvintes, uma cegueira que defende o fanatismo do rock sem saber a diferença entre thrash metal e punk hardcore, por exemplo, os faz temperamentais e reacionários, como em todo grupo fundamentalista. E seu fanatismo "roqueiro", não muito diferente do fanatismo dos religiosos, poderá causar efeitos danosos no futuro.

No Rio de Janeiro, houve outras emissoras que abordavam a cultura rock com muito mais realismo, veracidade e abrangência que a Rádio Cidade cuja programação mostra locutores de estilo pop sem qualquer intimidade com o rock, programas de besteirol nada roqueiros e até futebol, um esporte que no Brasil nada tem a ver com a cultura rock.

Eldo Pop,Federal AM,  Fluminense FM, Estácio FM, a comunitária Progressiva FM e a Tribuna FM de Petrópolis exploraram a cultura rock sem sucumbirem à fórmula hit-parade, evitando locutores animadinhos e abordando a cultura juvenil sem estereótipos caricatos de rebeldia, que em muitos momentos beira ao ridículo.

No entanto todas elas desapareceram e a Rádio Cidade, que explora esses estereótipos preocupantes, criando uma massa de fanáticos fundamentalistas (de tal forma fundamentalistas que gracejam quando são assim qualificados; já que o reacionário costuma confessar através do riso) que podem representar um futuro preocupante para nossa sociedade.

Porque a histeria juvenil que não admite a realidade, jogando ela para abaixo de suas convicções pessoais, porque não conseguem compreender o mundo a não ser por suas fantasias e desejos. É geralmente constrangedor conversar sobre algum assunto sério com um ouvinte da Rádio Cidade.

Eles querem o fechamento do Congresso Nacional, o fim do Poder Legislativo, condenam os movimentos sociais, aprovando apenas "movimentos" como o "Fora Dilma". Até quando o assunto é marca de guitarra, eles nem querem saber, porque o que importa para eles não é estilo nem cultura, mas tão somente a "catarse pela sonzeira".

O comportamento desses jovens é "bovino". Eles não querem combater o "sistema". Querem usar uma roupagem de rebeldia, apostando em gestos banalizados e nada rebeldes como botar a língua para fora e fazer o sinal do demônio com as mãos, apenas como catarse e roupagem para esconder o perfil altamente conservador e reacionário dessa juventude, mais próxima de Jair Bolsonaro do que do Jello Biafra (conhecido ativista do punk hardcore).

Como toda religião ou movimento fundamentalista, para eles pouco importa a História do Rock. Pouco importa se a cultura do rock no mundo inteiro é completamente diferente da que eles acreditam de baixo de seus umbigos. Eles são do tipo de pessoas que acham que não entender uma causa nova é o mesmo que adaptá-la ao contexto local. Mas não é.

É como se vê no "espiritismo" brasileiro, em que a ignorância das lições essenciais de Kardec geraram uma prática "à moda da casa" em que o que poderia ser especulativo em torno de mediunidade ou compreensão da vida espiritual é visto como "certo" e "comprovado" sem que pesquisas sérias fossem realizadas para verificar essa tese.

A ascensão da histeria coletiva dos ouvintes da Rádio Cidade, com sua rebeldia amestrada que desvia o potencial impulsivo para o reacionarismo, pode representar sérios danos para o futuro, porque são pessoas que não toleram questionamentos, só veem o mundo como querem seus interesses e crenças pessoais e assim poderão agir em outros ramos da atividade humana.

Imaginamos os jovens generalizadamente como revolucionários, audaciosos, vanguardistas, progressistas e voltados a interferir na realidade não com fantasias e incompreensões, mas com novas ideias. Eles existem, mas não são a totalidade. Há o outro lado sombrio, de uma juventude reacionária, fundamentalista em diversos aspectos e formas, que quer o retrocesso.

Na vida adulta, isso fará uma diferença negativa. Pessoas que não admitem a realidade fora de seus interesses pessoais são os que promoverão injustiças futuras, se comportarão de maneira autoritária e prepotente, reagindo com repressão às manifestações contrárias a seus desígnios.

E isso já é grave no contexto em que o Rio de Janeiro, com seus 450 anos de existência, vive hoje, com o autoritarismo manifesto a partir de seu grupo político, vide as medidas de urbanismo e transportes que são impostos sem consultar a população.

E como o Rio de Janeiro, apesar de viver uma crise de valores e práticas que a faz longe de virar "modelo" a ser seguido pelo resto do país, ainda assim é usado como referencial, o Brasil pode decair muito se copiar e imitar as aberrações que surgem por decisão de políticos, tecnocratas, executivos de mídia e outros detentores de poder.

Portanto, não há como ver no Brasil um país pronto ou preparado para comandar o mundo nos próximos anos. Os fundamentalismos e reacionarismos aqui e ali e os estragos causados no país nos últimos 50 anos não deixam.

domingo, 15 de março de 2015

Chico Xavier é o avesso do ex-presidente Lula


Hoje o pessoal se reunirá nas ruas das cidades brasileiras para pedir o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e o fim de mais de uma década de governo do PT na nossa República. Isso nos faz refletir sobre uma situação irônica envolvendo o ex-presidente Lula e o anti-médium Chico Xavier, falecido pouco antes do PT chegar ao poder no Executivo Federal.

Verificando a mídia oposicionista, ela pega pesado e exagera na oposição que os brasileiros passaram a sentir ao Partido dos Trabalhadores, não aguentando mais um longo período de poder, sem que profundas reformas sociais sejam feitas para a população.

No entanto, a oposição política teve uma boa oportunidade, em dois turnos no ano passado, de mostrar que seu programa de governo de seu candidato, em princípio Marina Silva e depois Aécio Neves, valia mais a pena do que o programa da candidata petista Dilma Rousseff, que foi reeleita com uma margem apertada de votos no segundo turno.

O que carateriza o comportamento oposicionista é o rancor exagerado que seus ideólogos, em especial colunistas reacionários da grande imprensa (como Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Eliane Cantanhede, Merval Pereira, Diogo Mainardi e o roqueiro Lobão, entre outros), é a forma exagerada com que depreciam o ex-presidente Lula.

Lula é "demonizado" até pelos erros que não cometeu. É acusado de fascista, ditador, mafioso, facínora, quando o que ele fez de erros foi não ir longe nas suas promessas de reformismo social e fazer alianças com políticos, empresários e servidores corruptos.

O grande problema é que os anti-petistas exageram na dose e atribuem a Lula defeitos que ele nunca teve. Descrevem o ex-operário como se fosse a versão brasileira do mafioso Al Capone, e definem a corrupção cometida em seu governo como "a maior ocorrida na História do Brasil", como se, por exemplo, não tivéssemos etapas lamentáveis como a República Velha (1889-1930).

Em compensação, Francisco Cândido Xavier goza de uma reputação que é exagerada no outro lado. Seus partidários atribuem a ele virtudes que lhe eram inexistentes, como as de filósofo ou cientista, e tentam a todo custo promovê-lo como a síntese máxima da espécie humana.

Se Lula é considerado "ditador", "mafioso", "o pior ladrão do mundo", o "homem que fundou a corrupção no Brasil", além de pesar sobre ele acusações de erros que ele não cometeu, Chico Xavier chega mesmo a ser poupado até dos erros graves que havia cometido.

Chico Xavier deturpou a Doutrina Espírita de maneira leviana. Cometeu fraudes a título de "mediunidade", como plágios literários e uso indevido dos nomes de autores mortos. Apoiou fraudes de materialização, assinando atestados favoráveis a eles. Induziu um sobrinho a fazer as mesmas fraudes, e, quando este decidiu denunciá-lo, Chico deixou que seus colegas "acabassem" com o menino.

Chico Xavier cometeu erros dos quais sua responsabilidade é explicitamente comprovada. No entanto, é poupado até de seus piores erros. Seus partidários, ou mesmo alguns espíritas autênticos mas de vontade débil, tentam jogar a culpa em outrem, seja no Wantuil, no Waldo, em Luciano dos Anjos, Francisco Thiesen, Suely Caldas Schubert, Emmanuel etc etc etc.

Chico Xavier e, da mesma forma, Divaldo Franco, são os únicos brasileiros que poderiam cometer erros gravíssimos, com a culpabilidade provável ou mesmo comprovada, e saírem inocentados de tudo isso. Por outro lado, a eles são também atribuídos acertos que eles nunca cometeram, como por exemplo suas ações filantrópicas, frouxas e inexpressivas.

Eles são até associados a abordagens científicas e há quem, no Brasil, acredite ingenuamente que o "espiritismo" brasileiro possa recuperar as bases originais de Allan Kardec com Chico e Divaldo, o que é um grande absurdo.

ESTEREÓTIPOS - Os estereótipos de Chico Xavier, do interiorano "inocente" e, mais tarde, do "velhinho frágil e bondoso", contradizem o estereótipo do barbudo rude que Lula personificou quando era operário e nos primeiros anos do PT. Isso permite que o papel de detratores do PT e partidários da FEB exagerem nas suas concepções.

Daí o "bom velhinho" de Pedro Leopoldo, que mesmo errando feio, "nunca erra" e, "se errou", é inocentado de maneira mais cômoda. E o operário paulista nascido em Garanhuns, é "criminalizado" até nos seus acertos, mesmo sua simpatia atrai o repúdio agressivo dos seus seguidores.

São dois pesos e duas medidas. Chico Xavier nada fez para promover o progresso do Brasil, ele que preferia ver o povo brasileiro calado e aceitando as imposições da vida. Lula fez um pouco, embora poderia ter feito muito mais.

Chico Xavier se beneficiou com uma adoração tão grande de seus seguidores fanáticos que chega ao nível da obsessão mais doentia em favor do anti-médium. Sim, os chiquistas são uns obsediados por excelência.

sábado, 14 de março de 2015

Castro Alves foi usado por Chico Xavier para fazer panfletarismo religioso


De vida brevíssima, não vivendo mais do que 24 anos de idade, o poeta e ativista Antônio Frederico de Castro Alves foi uma das maiores expressões do Romantismo brasileiro de cunho social, tendo feito vários poemas sob temática abolicionista, entre outros temas típicos de seu movimento literário.

Ele teria feito, hoje, 168 anos de nascimento, e, baiano, ele foi homenageado por uma famosa praça no centro de Salvador e pela mudança de nome de sua cidade natal, Curralinho, que passou a ser conhecida pelo seu nome artístico, composto de seus dois sobrenomes.

Pois Castro Alves foi uma das "vítimas" do pioneiro dos fakes, Francisco Cândido Xavier, no seu estranho livro de poemas Parnaso de Além-Túmulo, que o anti-médium mineiro organizou com a ajuda de Antônio Wantuil de Freitas, editores da Federação "Espírita" Brasileira e consultores literários a serviço dessa entidade.

Reproduzimos um poema atribuído ao espírito de Castro Alves, já "presente" na primeira edição, de 1932, que antecedeu várias outras edições remendadas ao longo de pouco mais de duas décadas: cinco edições em 23 anos.

O poema, "Marchemos!", mais parece um atestado de intenso panfletarismo religioso que dá a impressão aos incautos de que os espíritos quando vão no além só voltam para dizer que o mundo espiritual é igualzinho a uma gigantesca igreja, e que tudo que devemos fazer é "unirmos no amor e na fraternidade", aquela "fraternidade" de sermão de missa, mais teórica do que prática.

Para fazer uma comparação, colocamos dois poemas que Castro Alves realizou em vida: "América" e "A Canção do Africano", e vemos que o poema do "espírito Castro Alves" nem de longe corresponde ao estilo pessoal do falecido poeta, mas um insípido poema religiosista de linguagem culta mas expressão insossa e piegas.

Um aviso para os apreciadores de primeira viagem é que o poema "espiritual" pode parecer semelhante ao estilo de Castro Alves, numa primeira impressão feita por apreciadores sem muita profundidade das expressões poéticas.

Mas uma observação bastante cautelosa conclui, com toda segurança, que Castro Alves NUNCA escreveria um poema atribuído a seu espírito. Além disso, não nos parece que Castro Alves tivesse coragem de chamar um indígena de "selvagem infeliz".

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Marchemos! - SUPOSTO CASTRO ALVES - PARNASO DE ALÉM-TÚMULO

Há mistérios peregrinos
No mistério dos destinos
Que nos mandam renascer:
Da luz do Criador nascemos,
Múltiplas vidas vivemos,
Para à mesma luz volver.

Buscamos na Humanidade
As verdades da Verdade,
Sedentos de paz e amor;
E em meio dos mortos-vivos
Somos míseros cativos
Da iniqüidade e da dor.

É a luta eterna e bendita,
Em que o Espírito se agita
Na trama da evolução;
Oficina onde a alma presa
Forja a luz, forja a grandeza
Da sublime perfeição.

É a gota dágua caindo
No arbusto que vai subindo,
Pleno de seiva e verdor;
O fragmento do estrume,
Que se transforma em perfume
Na corola de uma flor.

A flor que, terna, expirando,
Cai ao solo fecundando
O chão duro que produz,
Deixando um aroma leve
Na aragem que passa breve,
Nas madrugadas de luz.

É a rija bigorna, o malho,
Pelas fainas do trabalho,
A enxada fazendo o pão;
O escopro dos escultores
Transformando a pedra em flores,
Em Carraras de eleição.

É a dor que através dos anos,
Dos algozes, dos tiranos,
Anjos puríssimos faz,
Transmutando os Neros rudes
Em arautos de virtudes,
Em mensageiros de paz.

Tudo evolui, tudo sonha
Na imortal ânsia risonha
De mais subir, mais galgar;
A vida é luz, esplendor,
Deus somente é o seu amor,
O Universo é o seu altar.

Na Terra, às vezes se acendem
Radiosos faróis que esplendem
Dentro das trevas mortais;
Suas rútilas passagens
Deixam fulgores, imagens,
Em reflexos perenais.

É o sofrimento do Cristo,
Portentoso, jamais visto,
No sacrifício da cruz,
Sintetizando a piedade,
E cujo amor à Verdade
Nenhuma pena traduz.

É Sócrates e a cicuta,
É César trazendo a luta,
Tirânico e lutador;
É Cellini com sua arte,
Ou o sabre de Bonaparte,
O grande conquistador.

É Anchieta dominando,
A ensinar catequizando
O selvagem infeliz;
É a lição da humildade,
De extremosa caridade
Do pobrezinho de Assis.

Oh! bendito quem ensina,
Quem luta, quem ilumina,
Quem o bem e a luz semeia
Nas fainas do evolutir:
Terá a ventura que anseia.
Nas sendas do progredir.

Uma excelsa voz ressoa,
No Universo inteiro ecoa:
“Para a frente caminhai!
“O amor é a luz que se alcança,
“Tende fé, tende esperança,
“Para o Infinito marchai!”

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América - Castro Alves

Acorda a pátria e vê que é pesadelo
O sonho da ignomínia que ela sonha!

Tomás Ribeiro

À Tépida sombra das matas gigantes,
Da América ardente nos pampas do Sul, 
Ao canto dos ventos nas palmas brilhantes, 
À luz transparente de um céu todo azul,

A filha das matas — cabocla morena —
Se inclina indolente sonhando talvez!
A fronte nos Andes reclina serena.
E o Atlântico humilde se estende a seus pés.

As brisas dos cerros ainda lhe ondulam
Nas plumas vermelhas do arco de avós, 
Lembrando o passado seus seios pululam, 
Se a onça ligeira boliu nos cipós.

São vagas lembranças de um tempo que teve!...
Palpita-lhe o seio por sob uma cruz.
E em cisma doirada — qual garça de neve —
Sua alma revolve-se em ondas de luz.

Embalam-lhe os sonhos, na tarde saudosa,
Os cheiros agrestes do vasto sertão,
E a triste araponga que geme chorosa
E a voz dos tropeiros em terna canção.

Se o gênio da noite no espaço flutua
Que negros mistérios a selva contém!
Se a ilha de prata, se a pálida lua
Clareia o levante, que amores não tem!

Parece que os astros são anjos pendidos
Das frouxas neblinas da abóbada azul,
Que miram, que adoram ardentes, perdidos,
A filha morena dos pampas do Sul.

Se aponta a alvorada por entre as cascatas,
Que estrelas no orvalho que a noite verteu!
As flores são aves que pousam nas matas,
As aves são flores que voam no céu!

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Ó pátria, desperta... Não curves a fronte 
Que enxuga-te os prantos o Sol do Equador.  
Não miras na fímbria do vasto horizonte 
A luz da alvorada de um dia melhor?

Já falta bem pouco.  Sacode a cadeia
Que chamam riquezas... que nódoas te são!
Não manches a folha de tua epopéia
No sangue do escravo, no imundo balcão.

Sê pobre, que importa?  Sê livre... és gigante,
Bem como os condores dos píncaros teus!
Arranca este peso das costas do Atlante,
Levanta o madeiro dos ombros de Deus.

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A canção do africano - Castro Alves

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão ...

De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!

"Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!

"O sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!

"Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar ...

"Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".

O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!

......................................................................

O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.

E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!

sexta-feira, 13 de março de 2015

"Espiritismo" brasileiro permite até passes em animais



O "espiritismo" brasileiro virou uma grande farra, já que todo o seu desconhecimento acerca do mundo espiritual e sua recusa de realizar pesquisas sérias, rigorosas e principalmente honestas, faz com que suposições e palpites imaginários fossem tomados como "certezas absolutas".

Pois se existem várias publicações "espíritas" que afirmam que existem animais no mundo espiritual, como as do fictício "cientista" André Luiz - o mesmo que um bando de acadêmicos tentou atribuir pioneirismo científico onde não existiu - , a coisa chegou ao extremo de haver até atividade de passes espirituais para animais.

Se a prática de passes espirituais em seres humanos é bastante irregular e duvidosa no Brasil, devido ao pouco conhecimento que se tem do magnetismo de Franz Anton Mesmer e nenhum acesso à suas obras originais, imagine então se a atividade se estende aos animais.

Pois é isso que alguns "centros espíritas" de São Paulo, como o Asseama, fazem tratamentos espirituais em animais doentes, sabendo que os tratamentos espirituais são tão irregulares e duvidosos no Brasil que, em vez de trazer melhorias, chegam mesmo a trazer mau agouro para as pessoas, de forma pior do que a crendice de muitos em passar debaixo de escadas.

Na reportagem da revista Isto É, da edição do último dia 27 de fevereiro, o vídeo da reportagem mostra membros do Asseama cantando, catolicamente, a Oração de São Francisco de Assis, embora afirmem que o "centro espírita" se dedique a ensinamentos "kardecistas" em suas palestras doutrinárias.

O "espiritismo" brasileiro quis apostar no "achismo" em tudo. Psicografias que nada têm de psicográficas e que só mostram a caligrafia do "médium" ou de algum colaborador, e quase sempre mostram o mesmo apelo igrejista. Há relatos imaginários de cidades espirituais que são tomados como "realidade". E, entre outros absurdos, há a questão dos animais.

Allan Kardec havia feito a pergunta para a equipe do Espírito de Verdade, sobre a questão de haver ou não animais no mundo espiritual. Ela aparece em O Livro dos Médiuns, no capítulo 25, "Das Evocações", questão 36 do item 283. Reproduzimos a tradução de Herculano Pires:

36. Pode-se evocar o Espírito de um animal?

- O princípio inteligente que animava o animal fica em estado latente após sua morte. Os Espíritos encarregados desse trabalho imediatamente o utilizam para animar outros seres, através dos quais continuará o processo da sua elaboração. Assim, no mundo dos Espíritos não há Espíritos errantes de animais, mas somente Espíritos humanos. Isto responde a vossa pergunta.

37. Como se explica então que certas pessoas tenham evocado animais e recebido respostas?

Evoque um rochedo e ele responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a falar sobre tudo.

Nota-se que Allan Kardec nega a existência de animais no mundo espiritual. Só existem espíritos humanos. Esta tese depende de muitas pesquisas científicas com os recursos que inexistiam nos tempos do pedagogo francês, mas a tese de Kardec faz sentido.

Quanto à pergunta 37, nota-se que existem sempre espíritos brincalhões que podem se passar por tudo, dizendo qualquer mentira e nvestindo em qualquer palhaçada, até mesmo para dizer que são rochedos, são micróbios, são Napoleão Bonaparte ou qualquer coisa que lhes vier à mente.

Enquanto isso, no "espiritismo" brasileiro que toma a especulação como certeza absoluta, sobretudo às custas da figura festejada de Chico Xavier, a tese da existência de animais é defendida, sobretudo a partir da emotividade piegas do anti-médium mineiro.

Isso vai contra Allan Kardec e derruba a tese de que Chico havia sido reencarnação do professor lionês. Isso seria um absurdo, já descrito antes nesse blogue. Aliás, Chico Xavier sempre foi contrário a Allan Kardec, até por se recusar a estudá-lo com seriedade. Ele preferia sempre o seu catolicismo alucinado. Neste caso, a escolha de Chico Xavier foi "animal".

quarta-feira, 11 de março de 2015

Ex-BBB que perdeu irmã diz ser de família "kardecista". Não seria chiquista?


Mais um episódio que mistura sentimentalismo religioso e pseudo-ciência se deu com a tragédia que se abateu em uma família. No último fim-de-semana, a jovem Daniela Gevaerd e seu namorado Marcelo Fabrício, advogado, faleceram em um acidente de carro na noite do dia 07, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Daniela era filha do ufólogo Ademar José Gevaerd e da dona-de-casa Dayse Fontoura. Irmã do ex-competidor do Big Brother Brasil, Daniel Gevaerd, ela integrava a equipe da revista UFO e, segundo o próprio irmão, ela contribuiu para o sucesso da revista.

Com toda a certeza, a tragédia é horrível e deprimente e não dá para não compreender a profunda tristeza da perda da jovem e de seu namorado, que tanta dor causaram para suas famílias. Mas a gente fica pensando se o "espiritismo", que normalmente glamouriza as tragédias prematuras, não teria influenciado esse mau agouro. Manifestamos nossos pesares às famílias das vítimas.

Daniel Gevaerd disse que a mãe é "kardecista", que é uma espécie de eufemismo para o "espiritismo" que nada tem das lições de Allan Kardec, mas sim das pregações conservadoras de Francisco Cândido Xavier, o famoso anti-médium mineiro. Talvez fosse melhor definir a mãe do ex-BBB como "chiquista", que seria mais lógico.

Chico Xavier é famoso pela atração mórbida e quase voluptuosa que sentia por mortos prematuros, obsediando vários espíritos falecidos antes da terceira idade, do escritor Humberto de Campos à anônima jovem Irma de Castro, a Meimei, se apropriando de seus nomes para escrever obras que nada tinham a ver com os perfis originais dos falecidos.

O "espiritismo" glamouriza as mortes precoces e trabalha uma energia negativa oculta por trás de uma atmosfera falsamente confortadora e alegre. Reduto de irregularidades e fraudes, os "centros espíritas" mais prejudicam do que beneficiam as pessoas, sempre estabelecendo preços severos para benefícios relativos e precários.

O maior medo, nesse caso em que pais mais uma vez viram órfãos de filhos, é que seus nomes sejam usados em mensagens supostamente mediúnicas, de carregado panfletarismo religioso, sempre repetindo o mesmo mantra "morri, sofri, fui socorrido em colônias espirituais e agora vim para pedir que todos se unam na fé em Cristo".

Se o "espiritismo" funcionasse, o casal talvez tivesse sido prevenido pelos "amigos de luz" a evitar aquele horário ou criar um outro modo de escapar do acidente. Prevenir, diz o ditado popular, é bem melhor do que remediar, ainda mais sob o "silêncio da prece".

terça-feira, 10 de março de 2015

Seria a Rádio Cidade uma "religião"?

JOVEM PEDE VOLTA DA RÁDIO CIDADE "ROQUEIRA"; NO ALTO, O ATUAL LOGOTIPO DA RÁDIO.

Já falamos do fenômeno de emissoras de rádio comerciais e de perfil pop se aproveitarem da mística do rock para se autoproclamarem "rádios rock" e "reeducarem" a rebeldia juvenil para os parâmetros de um conformismo conservador e potencialmente reacionário.

Chico Xavier iria adorar o "saudável papel" das rádios 89 FM, em São Paulo, e da Rádio Cidade, no Rio de Janeiro, como "reguladoras" da rebeldia juvenil aos moldes que só mesmo o provincianismo brasileiro consegue aceitar.

Essa "rebeldia" se manifestaria por jovens que, por fora, são arrojados, desbocados, debochados, temperamentais e se revoltam e se irritam com muita facilidade. No entanto, são tão conservadores quanto, por exemplo, o "filósofo" Olavo de Carvalho e seus seguidores jornalistas Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo.

São jovens que querem a despolitização da juventude, o fechamento do Congresso Nacional e fim do Poder Legislativo, sob o pretexto de "combater a corrupção". Odeiam a leitura de livros e distorcem fatos históricos. Não se dispõem a desafiar o "sistema". Fingem que são contra o imperialismo dos EUA mas compartilham de seus valores. São geralmente homofóbicos e ridicularizam os movimentos sociais de operários e camponeses.

A 89 FM tem seus fanáticos, que se irritam ao menor espirro de outrem em cima deles, e tornou-se uma "instituição respeitada" graças a blindagem midiática que fez muita gente esquecer que o proprietário da rádio foi um deputado da ARENA, durante a ditadura militar, ligado a Paulo Maluf. No entanto, a Rádio Cidade possui uma horda de fanáticos maior e mais intensa.

Seus fanáticos, tomados de uma cegueira cultural na qual as únicas convicções e crenças que eles consideram válidas são as deles mesmos, chegam mesmo a desafiar o mundo com seu fundamentalismo de condomínio de luxo da Barra da Tijuca, provinciano, bairrista e mesquinho, mas que pode ser perigoso.

"DANE-SE O MUNDO!! O ROCK É MEU UMBIGO"

O próprio modo com que os fanáticos da Rádio Cidade encaram a "cultura rock" é surreal e tomado de um fanatismo que não valoriza o rock como uma cultura musical, mas como um suporte ideológico de uma rebeldia míope que, em muitos aspectos, vai até contra a cultura rock e a rebeldia juvenil como um todo.

Eles encaram o "rock" conforme suas convicções pessoais, e não raro chegam a repudiar nomes respeitáveis do rock, partindo para xingações e comentários depreciativos a nomes como Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Smiths ou mesmo Renato Russo. Contraditórios, chegaram a chamar o falecido cantor da Legião Urbana de "ultrapassado", mas hoje querem se autopromover às custas do seu carisma.

Se "rock" é aquele sonzinho barulhento sem criatividade que ouvem, é esse que "deve ser o rock". Dane-se o mundo, danem-se os outros, danem-se os Beatles e os Rolling Stones, danem-se os Ramones e o Clash, dane-se a história do rock, o que eles querem é a apropriação do nome "rock" e de seus estereótipos de catarse emocional para criar uma ideologia fanática sem pé e nem cabeça. O som do rock, para um fanático da Cidade, é o de seu próprio umbigo.

Eles chegam a defender o futebol com o apetite voraz das torcidas organizadas. Acham que futebol é "esporte rock'n'roll" sem se darem conta que, no Brasil, o rock é o gênero menos curtido e mais repudiado pela quase totalidade dos jogadores de futebol brasileiros. Mas realidade não é o forte dos fanáticos da Cidade, a imaginação deles é que deve prevalecer sobre qualquer tipo de lógica.

Querem ouvir rádio mais para escutar piadas de locutores engraçadinhos, participar de promoções e algum som catártico do rock noventista, barulhento e pouco criativo. Preferem ouvir grunge, nu metal e poppy punk, sem se preocupar em saber a diferença entre os britânicos Muse e Travis e sem se importar se Paul McCartney está vivo ou não.

Reacionários, ridicularizam tudo que difere do "modelo de cultura rock" difundido pela Rádio Cidade. E, quando são chamados de reacionários, ainda caem na gargalhada, como se, num discurso sutil, quisessem dizer "E nós somos mesmo, seu idiota". Coisa não muito diferente que Reinaldo Azevedo faz na Veja: a extrema-direita confessa através de gracejos.

A Rádio Cidade virou um reduto eletrônico da juventude fluminense de extrema-direita, uma "religião" do qual uma pequena mas furiosa parcela de jovens cria um modelo de "cultura rock" que só eles acreditam, repudiando tudo que não rolar em sua pequena órbita de valores "pragmáticos" de catarse e rebeldia.

A campanha pela volta da rádio, depois de aventuras pop em 1998 e 2006, tem esse caráter de fanatismo fundamentalista. Sem terem uma compreensão real da natureza do rock, esses jovens apenas se fascinam pela fachada ideológica de vincular a Rádio Cidade ao termo rock, pouco importando que "rock" eles realmente querem e acreditam.

Em comportamento, os fanáticos da Rádio Cidade são um "meio-termo" entre os roqueiros "coloridos" conhecidos como "emos" e os punks fascistas conhecidos como "skinheads". Compartilham valores trazidos pelo poder midiático, e forjam um falso niilismo para tentar justificar seu pouco interesse em "combater o sistema".

Pode ser um exemplo "rasteiro", para os debates espíritas mais básicos, mas o fenômeno dos fanáticos da Rádio Cidade, que defendem a "cultura rock do próprio umbigo", nem que seja para combater 99% dos roqueiros no Brasil e no mundo que não compartilham de seus valores, revela um exemplo de ignorância, egoísmo e intolerância que movem grupos fundamentalistas em geral.

É através desses focos de fanatismo, desrespeito humano e desejo de supemacia - dizem que a Rádio Cidade está mexendo os pauzinhos nos bastidores para explorar sozinha o segmento rock, dificultando o caminho de uma concorrente - que podem surgir movimentos de jovens fascistas a provocar desordens no Brasil.

Os fanáticos da Rádio Cidade já estão associados a práticas de cyberbullying na Internet. Se organizam para ridicularizarem, unidos, qualquer um que questionar suas crenças e seus princípios, mesmo quando lançam argumentos consistentes. Eles são capazes até mesmo de criar páginas ofensivas contra desafetos, usando e abusando da apropriação de acervos pessoais.

Daí esse aspecto preocupante da "religião da Rádio Cidade". Convém a sociedade observar esse aspecto da parcela da mídia ultraconservadora (Rádio Cidade e 89 FM) de transformar a rebeldia juvenil num movimento reacionário, que pode gerar, no futuro, práticas criminosas de espancamento de nordestinos, homossexuais e mendigos, algo que já ocorre na São Paulo da rebeldia amestrada mas fundamentalista da 89 FM.

segunda-feira, 9 de março de 2015

"Espiritismo" apresenta mais corrupção do que a Petrobras

PLATAFORMA P-36 DA PETROBRAS, SE AFUNDANDO NA BACIA DE CAMPOS, EM 2001.

O "movimento espírita", que se autoproclama a vanguarda das doutrinas espiritualistas existentes no Brasil, tornou-se seu exemplo mais vergonhoso de como a deturpação doutrinária e uma série de irregularidades e deslizes pode criar um esquema de corrupção bem sucedida a ponto de boa parte de seus seguidores nem sequer ter a menor desconfiança.

A corrupção existente sobretudo na Federação "Espírita" Brasileira mas que contaminou até movimentos dissidentes, criando um padrão de "espiritismo" e "mediunidade" cujos princípios são justamente a fraude e a prestidigitação, de fazer muitos ilusionistas ficarem de queixo caído, é tanta que supera de longe a que ocorre atualmente na Petrobras.

Sabe-se que está em andamento da investigação, chamada Operação Lava-Jato (que impulsionou a CPI da Petrobras), que apura um esquema de corrupção que envolve servidores da Petróleo Brasileiro S. A. - Petrobras - , empresa de capital misto (estatal + privado) e políticos de diversos partidos, não apenas o Partido dos Trabalhadores (PT) e aliados, mas também o PSDB.

A comparação da corrupção do "espiritismo" não se dá somente pelo fato de que a FEB tem 131 anos e a Petrobras, 62. Ela se dá porque o "espiritismo" brasileiro cometeu muito mais corrupção e, pior, ainda se passa por "honesta" e "acima de qualquer suspeita".

A coisa chega ao ponto dos líderes "espíritas", usando de seu carisma obtido ludibriando e seduzindo pessoas, dizerem "condenar" fraudes e mistificações, como raposas que, acusadas de destruírem o galinheiro e devorarem as galinhas, põem culpa nos perus.

Doutrina materialista, o "espiritismo" se perde promovendo palestras moralistas e pedindo para que as pessoas simplesmente se conformem com as imposições da vida. Enquanto isso, cientistas frustrados e mistificadores esotéricos tentam criar mil fantasias em torno do sobrenatural sob o pretexto de promoverem "ciência espírita".

A farra tornou-se tão intensa que tem até suposto médium que analisou as "reencarnações" de Suzane Von Richtofen, em processos bastante duvidosos. Hoje praticamente se brincam com os vivos e os mortos, e os supostos médiuns ficam escrevendo mensagens apócrifas com as mesmas caligrafias desses "psicógrafos" e com o mesmíssimo panfletarismo religioso.

O "açúcar" das "palavras de amor" e das "mensagens fraternais" tornam-se veneno dos mais mortais cujos efeitos se fazem depois da degustação saborosa e prazerosa de seus seguidores. Após o deleite das "lindas palavras", que por vezes contam "lindas histórias" ou apresentam "lindas lições de amor", a menor contrariedade mostra a peçonha de um "amor" que fica preso na matéria das palavras.

São tantas fraudes, movidas pelo completo desconhecimento da realidade espiritual, e de suposições vindas de "espíritas" pouco preparados para a pesquisa científica, perdidos numa verborragia pseudo-científica e nas fantasias que julgam serem realidades concretas.

E tudo isso se apoia numa reputação acumulada de anti-médiuns e líderes "espíritas", que têm a pretensão e a presunção de simular "superioridade espiritual", usando de sua esperteza para transformar a Doutrina Espírita num religiosismo promíscuo e confuso, enquanto usam e abusam de sua popularidade para esconder fraudes e irregularidades.

O que é o desvio de verbas públicas para favorecer privilégios de deputados e diretores da Petrobras, diante da "compra" da fé das pessoas por parte de supostos médiuns de fala rebuscada, como Divaldo Franco, ou de falsa humildade, como Chico Xavier, para que todos acreditem em suas mistificações e pregações moralistas de palavras piegas?

Para piorar, as mesmas pessoas que criminalizam Lula até quando ele dá bom dia para as pessoas, e definem como "holocausto" até medidas positivas lançadas pelo PT - que, em contrapartida, também tem seus erros sérios, mas exagerados pelos chamados "coxinhas", espécie de reacionários delirantes - , se assustam quando Divaldo e Chico são chamados de charlatães.

Mesmo as mais rigorosas provas científicas, que em muitos casos desqualificam de maneira definitiva e indiscutível muitas obras ditas mediúnicas desses dois malabaristas da palavra, são insuficientes para convencer as pessoas de que o charlatanismo dos dois nada tem a ver com a calúnia, e sim com a constatação feita pelo questionamento lógico.

Os seguidores dos anti-médiuns chegam mesmo a classificar, com o misticismo crédulo mais cego, que as provas racionais contra Divaldo e Chico são fruto de "interpretações materialistas" e "julgamentos terrenos das paixões humanas", ou então "perseguição furiosa (?) a homens de bem".

São tais reações de seguidores de líderes religiosos que serviram de fonte, em outras crenças, para o fundamentalismo religioso que promove atos terroristas no mundo inteiro, com a "fé" e o "amor" usados como pretextos para o ódio e a carnificina.

É um grande perigo ver a ameaça do "espiritismo" brasileiro impor seu pequeno mundo de fantasias materialistas, na qual cabem misticismos e falsas mediunidades, além do mais rijo moralismo de herança medieval, o que pode representar futuros atos violentos, como se observa nas ofensas e ameaças que muitos "espíritas" fazem a alguém que contraria seus interesses.

A corrupção do "espiritismo", um quadro muito complexo e que vai além do ato de "entender mal Allan Kardec", é um fenômeno preocupante porque seus responsáveis simulam coitadismo e se apoiam no pretexto da "liberdade religiosa" para se manterem impunes. Só que a liberdade religiosa não permite que se enganem as pessoas sob o manto da "fé".
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