sábado, 7 de maio de 2016
Histórico da família Bezerra no Brasil
Pesquisando os textos sobre a origem do sobrenome Bezerra, em particular o derivado Bezerra de Menezes, não conseguimos, pelo menos por enquanto, verificar a posição do dr. Adolfo Bezerra de Menezes, conhecidíssimo dirigente "espírita", na árvore genealógica.
Ele quase não é citado nas pesquisas que, por ora, analisamos, embora vagamente se admita que ele era membro de uma importante família do Ceará. Em todo caso, reproduzimos um texto, colhido do perfil da Família Bezerra da Rocha Moraes, no Facebook, a partir de uma fonte bibliográfica creditada no final, que descreve o histórico da família Bezerra e suas ramificações principais.
Nosso esforço é localizar o dr. Bezerra num contexto de sua família e de suas raízes históricas, tirando-o do habitual isolamento em que se situa como "líder espírita", simbolicamente mantido "fora do contato" com outros membros do mesmo clã, exceto os familiares diretos.
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FAMÍLIA BEZERRA
Do arquivo heráldico genealógico.
"BEZERRA", família originária do Reino da Galícia, já existia no século XII e passou a Portugal na pessoa de D. Afonso de Melo Bezerra, fiel escudeiro da rainha Izabel (mais tarde Santa Izabel de Portugal). Foi nomeado pelo Rei D. Diniz (Cavaleiro do Reino). Tornou-se Comendador da Ordem de Cristo e da Ordem de Santa Maria, seu brasão de armas foi concedido por decreto real. Esta raíz (Bezerra) chegou ao Brasil por Pernambuco, depois pelo Ceará, Piauí e outros Estados, suas ramificaões entrecruzaram-se com outros Bezerras, como: Bezerra de Melo, Bezerra de Meneses, Bezerra Lages, Bezerra da Cunha e outras categoricamente qualificadas na pessoa de Dom Afonso de Melo Bezerra.
Estas informaçoes foram extraídas do arquivo genealógico das grandes famílias titulares portuguesas.
Essa é a origem da minha família brasileira em Pernambuco. A fonte original dessas informações se encontra aqui (www.brejodecima.com - linque hoje inativo).
O Patriarca da familia BEZERRA no Brasil, ANTONIO MARTINS BEZERRA (vide informação abaixo constante do Dicionário das Familias Brasileira), veio para Pernambuco acompanhando o primeiro Donatário Duarte Coelho, e seu filho DOMINGOS BEZERRA FELPA BARBUDA ( Patriarca da Familia Bezerra Monteiro e pai do Patriarca da familia Bezerra de Menezes), era conhecido COMO O VELHO JUDEU e foi investigado pela Santo Oficio, havendo sido ,o primeiro Senhor do Engenho São Pantaleão, Ú da Varzea do Capibaribe, também conhecido como Engenho Monteiro.
Reputo essa referência um indício importante na definição da eventual ascendencia judaica dos Bezerras, principalmente quando associadas a outras fontes igualmente importantes, tais como,
1) o livro "As Raízes Judaicas do Brasil" de Flávio Mendes de Carvalho (onde são relacionados diversas pessoas de sobrenome Bezerra sentenciadas a morte como judeus através dos Autos de Fé da Inquisição Portuguesa):
2)O Dicionário Serafadim de Sobrenomes, onde só são relacionados os sobrenomes usados por cristãos-novos e judeus, tem um verbete para a familia Bezerra, inclusive com uma bibliografia complementar e
3)a releitura da palavra BeZeRRa,que em Deuteronomio 3 aparece como BeZeR e que veria do Hebraico bTzur, que significa rocha ou canto.
CONCLUSÃO
Não são os BEZERRAS de hoje judeus, condição perdida por um longo processo de aculturação, mas possivelmente sejam descendentes de Patriarcas de origens judaicas.
BEZERRA - Sobrenome, primitivamente alcunha. De bezerra(Antenor Nascentes, II, 45). Já existia no tempo do rei D. Sancho II. Alguns acreditam que viesse da provincia de Lugo, na Galiza, onde tinham solar antes da conquista da Estremadura e de Andaluzia (1231 e 1249) (Carrafa, XV, 88). Felgueiras Gayo, apresenta, de forma pouco confusa, algumas origens para esta familia, entre elas, a dos ir -mãos Antonio Martins Bezerra e Fernão Gonçalves Bezerra, que denominamos de tronco A e B. Antonio Martins Bezerra (c. 1499, Foz de Lima, Viana, Portugal), chefe do tronco A, também denominado de "Bezerra Felpa", passou a Pernambuco, em companhia de sua esposa, Maria Martins Bezerra, acompanhando o primeiro Donatário daquela Capitania. Entre os descendentes do casal:
I - o filho, Domingos Bezerra Felpa Barbuda, patriarca da familia Bezerra Monteiro (v.s.), de Pernambuco;
II - o filho, Guilherme Bezerra Felpa Barbuda, patriarca da familia Barbalho Bezerra (v.s.), de Pernambuco;
III - o neto , Paulo Bezerra, natural de Viana, que passou para o Brasil, antes de 1613, estabelecendo-se em Pernambuco;
IV - o bisneto, João Pessoa Bezerra, q. teve foro de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, por Alvará de 02.01.1672, Juiz Ordinário deOlinda-PE, 1664 e 1671, Provedor da Santa Casa de Misericórdia (1664, 1670, 1679 e 1684).
Fernão Gonçalves Bezerra, Chefe do Tronco B, foi Almoxarife entre Douro e Minho, em 1537, e deixou geração que passou ao Brasil. Entre os seus descedentes:
I - o filho, Heitor Nunes Bezerra, que foi Administrador das Capelas do S. Crucifixo e do Senhor dos Mareantes, na matriz de Viana;
II - o neto, Pedro Nunes Bezerra (24.08.1600), que adquiriu, por compra, o Prazo de Perre, quinta e Torre de S. Gil de Perre, onde institituiu um Morgado, unindo-lhe a Capela do S. Crucifixo e do Senhor Mareantes, na Matriz de Viana, por escritura de 11.1594. Foi confirmado, este vínculo, por Provisão Régia de 20.07.1595. Comendador da Ordem de Cristo.Fidalgo da Casa Real. Comendador sw Santa Maria da Torre Bispado de Vizeu;
III- a bisneta Brites Bezerra que tornou-se matriarca da familia Bezerra Jácome (v.s.), da qual foi representante em Pernambuco, do seu casamento com João Jácome, natural de Braga, filho de Vasco Jácome, Senhor da Casa do Avellar, e de Melícia Gomes de Abreu (Gayo,Bezerras,Tomo VII, 28).
Linha Ilegitima:
I - o neto do tronco A, Fernão Bezerra Felpa Barbuda, que ainda vivia em 1645. Não deixou geração do seu casamento, a 06.02.1606, na Ermida doEngenho S. Pantaleão, com Maria Gonçalves Raposo (16.11.1621, PE). Deixou filhos que foram legitimados. Entre os seus descendentes :
II - o neto, Domingos de Brito Bezerra, natural de Pernambuco, que teve mercê do Hábito de S. Tiago, a 23.02.1647, pelos serviços prestados na guerra contra os gentios, no Rio Grande de Norte, e na guerra contra os holandeses, em Olinda, Recife e Salvador. Teve a patente de Capitão, passada na Bahia, a 10.10.1639.
BEZERRA MONTEIRO (resumo) - Importante familia estabe lecida em Pernambuco, com ramificações no Ceará, que teve principio em Domingos Bezerra Felpa Barbuda (1526, Foz de Lima, Viana -18.10.1607-PE), primeiro senhor do Engenho São Pantaleão, Ú Varzea do Capibaribe, também conhecido como engenho Monteiro. Era filho (segundo Borges da Fonseca) de Antonio Martins Bezerra Felpa, patriarca desta familia Bezerra (v.s.) de Pernambuco, deixando entre os descendentes o bisneto Bento Rodrigues Bezerra, patriarca da familia Bezerra de Menezes (v.s.)
BEZERRA DE MENEZES (resumo) - ramo da familia Monteiro, Importante familia do Nordeste do Brasil, com ramificações na Bahia, Pernambuco, Sergipe e, sobretudo, na cidade do Crato. A união dos 2 sobrenomes teve principio em Bento Rodrigues Bezerra Monteiro (v.s.). Deixou numerosa descendencia do seu casamento, c. 1690. com Petronilla Velho Menezes (n. Bahia). Entre os descendentes de Bento Rorigues:
I - a bisneta, Joana Maria Bezerra de Menezes (29.05.1751-30.05.1818 matriarca dos Castros Menezes (v.s.) do Ceará;
II - o bisneto, brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro de Menezes (05.12.1740, CE, 1831), capitão-mor e fundador de Juazeiro.
BEZERRA DO VALE (resumo) - antiga familia estabelecida em Pernambuco, procedente de Antonio Bezerra do Vale (já nascido em PE), que deixou numerosa descendência de seu casamento com Maria Alves Medeiros. Entre outras, foram pais de João Bezerra do Valle, nat. de PE, que deixou numerosa descendência de seu casamento, em meados do século XVIII, com Ana Gonçalves Vieira, que se estabeleceu no Ceará. Ana, era filha de Francisco Alves Feitosa e neta de João Alves Feitosa, patriarca desta familia (v.s.) do Ceará.
BEZERRA DE ARAÚJO (resumo) - Importante familia estabelecida em Sobral-Ce, que procede de Francisco Bezerra de Araújo (1715 -Sobral-Ce,1850 que deixou larga descendência (10 filhos) do seu casamento com Inácia de Lira.
BEZERRA CAVALCANTI (resumo) - sobrenome de diversos troncos genealógicos de Pernambuco, procedentes de várias uniões destas familias. Entre a mais antiga a do Capitão Cosme Bezerra Monteiro, que ainda vivia em 1673. Bisneto de Antonio Martins Bezerra Felpa, patriarca desta familia Bezerra (v.s.), de PE.BEZERRA JÁCOME (resumo) - Importante familia de origem portuguesa. A união dos 2 sobrenomes teve principio com João Jácome, natural de Braga, filho de Vasco Jácome, Senhor da Casa de Avellar, e de Melícia Gomes de Abreu.
Deixou geração, pela qual correm os sorenomes Bezerra, Bezerra Jácome e Jácome Bezerra, do seu casamento com Brites Bezerra, bisneta de Fernão Gonçalves Bezerra, Chefe do Tronco B, da familia Bezerra (v.s.) estabelecida em Pernambuco.
BEZERRA DE MELLO (resumo) - ramo da familia Bezerra Monteiro, importante familia do Nordeste Brasileiro, com ramificações no Rio de Janeiro. Houve diversas uniões entre a familia Bezerra de Pernambuco, com diferentes familias de sobrenome Mello da mesma localidade.
FONTE
BARATA; CUNHA. Carlos de Almeida; Henrique. "Enciclopédia Brasileira". Ed.Terra. S. Paulo, 2001
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Se fosse um país sério, supostos livros do "espírito Humberto de Campos" seriam vetados
O Brasil não é um país sério. Se na vida política, um encrenqueiro como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, teria sido cassado, em vez de arrastar o processo de impeachment contra ele, esperançoso que vá se tornar vice-presidente do governo Michel Temer e, como presidente em exercício, poder legislar em causa própria durante as viagens do titular e sob o consentimento deste.
As pessoas em geral não entendem coisa alguma. Aqui, há muito desconhecimento de leis, de méritos de conceitos sobre isso ou aquilo, e as pessoas costumam representar algo que não possuem especialização verdadeira. Tendem a entender mal as leis, os fenômenos culturais e outras coisas. No âmbito do conhecimento, acabam misturando conceitos clichês com meias-verdades e até ideias mentirosas sobre algo.
O "movimento espírita" aproveita esse contexto para promover toda sua hipocrisia. A fase "dúbia", vigente nos últimos 40 anos, que consiste numa tendenciosa bajulação a Allan Kardec e a manutenção dos conceitos igrejeiros, próprios da postura roustanguista.
O Brasil não é um país sério. A votação pelo processo de abertura de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, "condenada" por acusações tão nebulosas e vagas que mais parecem boatos, deixou a imprensa estrangeira, mesmo a de direita, perplexa, diante de um espetáculo político surreal.
Sérgio Moro sumiu de cena, depois dessa votação, e ele personificava o juiz-estrela, mais próximo de um tira de Hollywood, e cujo conhecimento jurídico demonstrou-se confuso e tendencioso, além de claramente partidário. O "imparcial" juiz paranaense da Operação Lava-Jato aparecia sem escrúpulo em eventos patrocinados pelo PSDB, partido dos rivais de Dilma Rousseff.
As pessoas se deixam levar pelo status quo e vão acreditando em trapalhadas, mitos, mentiras e fantasias como se fossem a "realidade objetiva". E se apegam no "médium" Francisco Cândido Xavier como uma menina à beira da adolescência que não quer se livrar de sua boneca de pano.
Um país sério, em que a busca do Conhecimento é um hábito social e as pessoas, antes de acreditar, se esforçam em saber, perguntando e questionando o máximo possível, não iria deixar passar mentiras e mistificações. Ou, pelo menos, dificilmente deixaria elas rolarem soltas por aí.
Aqui é que a tentação da complacência, de um lado, e da intransigência, de outro, fazem com que se aceitem certos absurdos. A mesma sociedade que quer Dilma fora do poder por rumores mal esclarecidos é o que aceita que o ilustre escritor Humberto de Campos seja usado impunemente em obras que não condizem ao seu estilo original.
É uma grande aberração. E isso se deu a partir de uma incompreensão de juízes em 1944, que apenas não entenderam o processo que os herdeiros de Humberto moviam contra a FEB e Chico Xavier. Diante dos padrões jurídicos dos anos 1940, a Justiça era incapaz de entender a questão de direitos autorais para obras atribuídas a expressão póstuma de autores falecidos.
Isso deu num empate, mas impulsionou no terrível mito de Chico Xavier, que cresceu vertiginosamente a ponto de hoje termos dificuldade em desmascará-lo, tal o apego extremo e a obsessão terrível que seus seguidores, tomados de fascinação, sentem pelo anti-médium mineiro.
O mito cresceu como bola de neve, derrubando obstáculos com a ganância dos que são capazes de derrubar a Constituição para expulsar o PT do governo. Ou da grande imprensa capaz de trair a responsabilidade da informação honesta para desmoralizar Lula e Dilma Rousseff, criando factoides e rumores infundados.
Chico Xavier cresceu sob a complacência jurídica a seus pastiches materiais, sob uma provável "queima de arquivo" - o sobrinho Amauri Xavier ameaçava revelar os "podres" da FEB - e uma vista grossa a sua cumplicidade explícita às fraudes de materialização, em que se comprova a participação ativa do "médium" nos bastidores e na assinatura de atestados de pretensa autenticação.
De repente, Chico Xavier virou dono do Brasil, dono dos mortos, acionista majoritário da verdade absoluta. E, mesmo 14 anos depois de morto, só falta ser lançado candidato a presidente da República para 2018 e ganhar uma vitória eleitoral "in memoriam". Vai que os chiquistas gostam da ideia.
Isso é terrível, preocupante, pernicioso. De repente um caipira pastichador de livros vira um quase Deus, um vice-Deus que julga o futuro, prevê feitos científicos e vira paradigma de uma suposta bondade. Se o Brasil fosse sério, Chico Xavier teria caído no esquecimento e, quando muito, seria um verbete insólito do Guia dos Curiosos.
O que os juízes do caso Humberto de Campos não puderam perceber, naquele longínquo ano de 1944, é que as obras do autor maranhense apresentavam um estilo completamente diferente do que aparece na suposta obra espiritual.
Isso se constata lendo livros e o Brasil, infelizmente, ainda sofre com fraquíssimo hábito de leitura de livros, com um ano de 2015 considerado um dos piores do mercado literário, "invadido" por livros para colorir que sucediam obras de vampiros e de cachorros com nomes de roqueiros e antecipavam os romances sobre jogos de Minecraft.
A pessoa mal tem disposição para encarar um romance histórico na Segunda Guerra Mundial - única obra ligada ao Conhecimento que tem coragem de "encarar" - e prefere literatura anestesiante, do besteirol juvenil à auto-ajuda religiosa - e, evidentemente, não tem o discernimento mental necessário para diferir o Humberto de Campos dos livros deixados em vida e a suposta obra espiritual.
O país de baixa cultura, que ignora as crises existentes no âmbito cultural, iludido com a agenda cultural "farta" que lê nos jornais reacionários da grande imprensa, mal consegue ver diferença entre um Machado de Assis e um Carlos Drummond de Andrade, quanto mais diferir um Humberto de Campos e seu "homônimo do além-túmulo".
Se fosse num país sério, as obras que levam o nome de Humberto de Campos e outras o nome de Irmão X (paródia de um dos pseudônimos usados pelo autor maranhense, Conselheiro XX, ainda que seja um "irmão xis" usurpando o "conselheiro vinte") seriam retiradas do mercado e banidas de carregamento na Internet.
Mas, em certo ponto, a livre publicação destas obras aberrantes acaba servindo de pesquisa para que seja desmascarada a farsa: confrontando os textos de Humberto e a sua suposta obra espiritual, confirma-se a aberrante disparidade de estilos. Não há possibilidade de relativizar nem desmentir, o "espírito Humberto" é uma fraude montada por Chico Xavier.
Essa desonestidade já é suficiente para desqualificar Chico Xavier e admitir seu oportunismo irresponsável. Não há desculpa sobre "bondade", "amor" e "caridade" que faça acobertar essa ferida grave no "trabalho" de usurpar os mortos e botá-los para representar mensagens diferentes de seus respectivos estilos pessoais. Bondade não é cúmplice da mentira. Falta todos admitirem isso.
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Embora paliativo, Bolsa Família ajudou muito mais que Divaldo Franco
LULA E DILMA ROUSSEFF PODEM SER ALTAMENTE CRITICÁVEIS, MAS DE FATO AJUDARAM MAIS QUE DIVALDO FRANCO.
É evidente que Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tiveram erros em seus governos e são até criticáveis, mas por mais que o Bolsa Família seja superestimado como uma medida paliativa vista como "definitiva", é inegável que ela impulsionou muitas famílias pobres.
O que se observa é que o Bolsa Família, no contexto do "espiritismo" no Brasil, dá um banho no "revolucionário projeto" da Mansão do Caminho de Divaldo Franco e que põe em xeque o título de "maior filantropo do Brasil" que o "médium" baiano ganhou de graça, por quase nada.
Através de um cálculo matemático, em que se avaliou a quantidade anual de beneficiados, os anos de existência da Mansão do Caminho até 2015, ano de uma "reportagem", ou melhor, uma cobertura comemorativa da instituição no Fantástico, e a população de Salvador, constatou-se que o número de beneficiados anuais era de 2.540 pessoas.
Em relação à população de Salvador, esta média anual corresponde a 0,08% de sua população. Muito menos de 1%. Em níveis nacionais (segundo dados de 2013, a população brasileira é de 200,4 milhões de habitantes), o índice é ainda mais ínfimo: 0,0012%, o que faz com que Divaldo Franco tenha ganho de seus seguidores o "honrado título" de graça, sem fazer muita coisa.
BOLSA FAMÍLIA BENEFICIOU MAIS DE 300 VEZES QUE MANSÃO DO CAMINHO
Vamos comparar com o Bolsa Família. Não estamos aqui apoiando o PT, sendo "lulopetistas" ou "lulodilmistas", mas analisando as qualidades que Lula e Dilma possuem de fato. E nota-se que, em 14 anos de implantação pelo PT, o Bolsa Família beneficiou 13,8 milhões de famílias.
Fala-se famílias, quando os dados da Mansão do Caminho falam em indivíduos. Em se tratando de famílias pobres, não é pouca coisa, diante de famílias numerosas, com mais de cinco indivíduos em média, o que pode multiplicar, em pelo menos quatro vezes, o número de beneficiados, se levarmos em conta os indivíduos.
14 anos corresponde a cerca de 22% de 63. Em 63 anos, de 1952 a 2015, a Mansão do Caminho beneficiou cerca de 160 mil pessoas, tirando-as da pobreza absoluta. Em 14 anos, estima-se que, pelo menos, 55 milhões de indivíduos, cerca de 340 vezes o total de beneficiados do projeto de Divaldo Franco, foram contemplados pelo Bolsa Família.
Em pouco tempo, o Bolsa Família beneficiou um número três centenas maior do que o da Mansão do Caminho, e nem por isso Dilma Rousseff e Lula são considerados "filantropos", enquanto Divaldo Franco é considerado "o maior filantropo do país" praticamente com quase nada, apenas movido pelo prestígio religioso que fascina muita gente.
Quantitativamente, o projeto educacional de Divaldo Franco também perde. O Método Paulo Freire, por exemplo, dá um banho de solidariedade no projeto da Mansão do Caminho. Esta ensina a ler, escrever e trabalhar, mas sob a condição do proselitismo religioso (inevitavelmente se transmitem valores do "espiritismo" igrejeiro) e criando pessoas sem muita consciência crítica do meio em que vivem.
Já o método ensinado pelo educador pernambucano se baseava numa combinação de alfabetização para adultos e conscientização social, valorizando as realidades locais de cada comunidade e estimulando o pensamento crítico e a mobilização social, um processo bem mais transformador do que a máxima "espírita" de ser alguém na vida sem entrar em conflito com os privilégios alheios.
Mas o deslumbramento religioso cria também seus privilegiados e pretensos vitoriosos, menos pelo que realizaram de concreto e transformador. Até porque o bairro de Pau da Lima, em Salvador, onde fica a Mansão do Caminho, é um dos mais violentos da capital baiana.
Em nome da fé cega, atribui-se "ativismo" e "progressismo" até em pessoas como Francisco Cândido Xavier, o tão badalado Chico Xavier, quando ele falava em "sofrer em silêncio", que na verdade nada tem de ativismo. Religião é fantasia, sobretudo quanto tenta se colocar acima da realidade.
É evidente que Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tiveram erros em seus governos e são até criticáveis, mas por mais que o Bolsa Família seja superestimado como uma medida paliativa vista como "definitiva", é inegável que ela impulsionou muitas famílias pobres.
O que se observa é que o Bolsa Família, no contexto do "espiritismo" no Brasil, dá um banho no "revolucionário projeto" da Mansão do Caminho de Divaldo Franco e que põe em xeque o título de "maior filantropo do Brasil" que o "médium" baiano ganhou de graça, por quase nada.
Através de um cálculo matemático, em que se avaliou a quantidade anual de beneficiados, os anos de existência da Mansão do Caminho até 2015, ano de uma "reportagem", ou melhor, uma cobertura comemorativa da instituição no Fantástico, e a população de Salvador, constatou-se que o número de beneficiados anuais era de 2.540 pessoas.
Em relação à população de Salvador, esta média anual corresponde a 0,08% de sua população. Muito menos de 1%. Em níveis nacionais (segundo dados de 2013, a população brasileira é de 200,4 milhões de habitantes), o índice é ainda mais ínfimo: 0,0012%, o que faz com que Divaldo Franco tenha ganho de seus seguidores o "honrado título" de graça, sem fazer muita coisa.
BOLSA FAMÍLIA BENEFICIOU MAIS DE 300 VEZES QUE MANSÃO DO CAMINHO
Vamos comparar com o Bolsa Família. Não estamos aqui apoiando o PT, sendo "lulopetistas" ou "lulodilmistas", mas analisando as qualidades que Lula e Dilma possuem de fato. E nota-se que, em 14 anos de implantação pelo PT, o Bolsa Família beneficiou 13,8 milhões de famílias.
Fala-se famílias, quando os dados da Mansão do Caminho falam em indivíduos. Em se tratando de famílias pobres, não é pouca coisa, diante de famílias numerosas, com mais de cinco indivíduos em média, o que pode multiplicar, em pelo menos quatro vezes, o número de beneficiados, se levarmos em conta os indivíduos.
14 anos corresponde a cerca de 22% de 63. Em 63 anos, de 1952 a 2015, a Mansão do Caminho beneficiou cerca de 160 mil pessoas, tirando-as da pobreza absoluta. Em 14 anos, estima-se que, pelo menos, 55 milhões de indivíduos, cerca de 340 vezes o total de beneficiados do projeto de Divaldo Franco, foram contemplados pelo Bolsa Família.
Em pouco tempo, o Bolsa Família beneficiou um número três centenas maior do que o da Mansão do Caminho, e nem por isso Dilma Rousseff e Lula são considerados "filantropos", enquanto Divaldo Franco é considerado "o maior filantropo do país" praticamente com quase nada, apenas movido pelo prestígio religioso que fascina muita gente.
Quantitativamente, o projeto educacional de Divaldo Franco também perde. O Método Paulo Freire, por exemplo, dá um banho de solidariedade no projeto da Mansão do Caminho. Esta ensina a ler, escrever e trabalhar, mas sob a condição do proselitismo religioso (inevitavelmente se transmitem valores do "espiritismo" igrejeiro) e criando pessoas sem muita consciência crítica do meio em que vivem.
Já o método ensinado pelo educador pernambucano se baseava numa combinação de alfabetização para adultos e conscientização social, valorizando as realidades locais de cada comunidade e estimulando o pensamento crítico e a mobilização social, um processo bem mais transformador do que a máxima "espírita" de ser alguém na vida sem entrar em conflito com os privilégios alheios.
Mas o deslumbramento religioso cria também seus privilegiados e pretensos vitoriosos, menos pelo que realizaram de concreto e transformador. Até porque o bairro de Pau da Lima, em Salvador, onde fica a Mansão do Caminho, é um dos mais violentos da capital baiana.
Em nome da fé cega, atribui-se "ativismo" e "progressismo" até em pessoas como Francisco Cândido Xavier, o tão badalado Chico Xavier, quando ele falava em "sofrer em silêncio", que na verdade nada tem de ativismo. Religião é fantasia, sobretudo quanto tenta se colocar acima da realidade.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Religião nem sempre pode tudo
EDUARDO CUNHA, O "TODO-PODEROSO" PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS.
A "bancada da Bíblia", integrante do bloco parlamentar mais reacionário do Congresso Nacional, a "bancada BBB" - Bíblia (evangélicos), Bala (policiais e entidades armamentistas) e Boi (latifundiários) - , acha que pode tudo e conceber um Brasil que só eles acreditam.
Representados pelo presidente da Câmara dos Deputados, o prepotente Eduardo Cunha - ele mesmo um evangélico - , ansioso em governar o país nas viagens do futuro presidente Michel Temer (os dois são articuladores do impeachment da presidenta Dilma Rousseff), a "bancada evangélica" anda tramando propostas obscurantistas, comprometidas com o retrocesso social do país.
Chegaram mesmo a tentar mudar o princípio da Constituição, no parágrafo único do Artigo 1º, trocando a expressão "todo poder emana do povo" para "todo poder emana de Deus", desafiando a condição democrática do Estado laico, que não depende de crenças nem movimentos religiosos.
A bancada - oficialmente denominada Frente Parlamentar Evangélica - esteve diante de uma polêmica recente, que é a autorização, prevista na PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do deputado João Campos (PSDB-GO), o mesmo que se tornou famoso pela "cura gay", das igrejas questionarem regras ou leis junto ao Supremo Tribunal Federal.
Sim, as igrejas se tornam, com isso, uma espécie de poder paralelo junto ao Poder Judiciário, com o poder de decisão equiparado ao maior órgão dessa esfera de poder, se caso a PEC fosse aprovada. Isso é ruim porque a religião acaba agindo em total prepotência ao interferir nas atividades políticas do Brasil.
A bancada evangélica está relacionada a muitas pautas reacionárias, como a proposta de definir família apenas quando há um casal de marido e mulher. Casais homoafetivos e mães solteiras ou descasadas, ou mesmo pais que criam sozinhos os filhos, não podem ser considerados "família". A proposta não foi aprovada mas é uma das bandeiras da FPE.
Junta-se a tudo isso o obscurantismo social de Michel Temer, o parceiro de Eduardo Cunha no golpismo político, cujo governo implantará medidas reacionárias como a desvalorização do salário mínimo, o fim da mediação da legislação sobre negociações trabalhistas (o patrão pode decidir o que quer sobre o trabalhador, sob a desculpa do "livre diálogo"), e os cortes em investimentos sociais.
E O "ESPIRITISMO", COM ISSO?
A bancada evangélica se ascendeu quando a mídia associada, já arrendando horários em emissoras de rádio e TV, teve como marco a compra, por parte de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, da histórica Rede Record, comandada pela TV Record de São Paulo, uma das mais antigas emissoras de televisão que estão no ar atualmente, surgida em 1953.
As seitas cresceram, se multiplicaram e criaram até mesmo dissidências. E seitas se apropriaram de veículos de comunicação como complemento da politicagem que havia se apropriado dos mesmos, principalmente a partir dos anos 1980.
Isso fez com que os evangélicos levassem vantagem na competição para derrubar a supremacia da Igreja Católica. O "movimento espírita", que apenas eventualmente se une aos evangélicos em causas como o combate ao aborto, está em desvantagem nesta disputa.
E o que os "espíritas" têm a dizer com essa situação? Da maneira mais simplória possível. Eles irão dizer que, depois do impeachment, resta orarmos pelos novos governantes e pedir para que eles considerem os princípios de fraternidade e amor ao próximo, trabalhando em prol destas finalidades.
Como dizer assim é muito fácil, e é muito fácil forjar fraternidade num ambiente de profundas desigualdades e injustiças, então o governo Temer irá acolher os "espíritas" com "generosidade". Desde que todos troquem elogios, gentilezas e sorrisos, tudo bem.
É muito fácil forjar fraternidade dentro desse contexto porque basta pedir aos sofredores que aguentem suas desgraças e supliquem a eles misericórdia aos algozes que abusam em seus privilégios. Para o sofredor, o "espiritismo" defende que "é melhor" dar do que receber misericórdia, pois os sacrifícios, por mais que estejam acima da capacidade do sofredor, são "um caminho seguro" para a "purificação espiritual".
A desculpa para a defesa das desgraças é que a "verdadeira vida" não é aqui. É certo que existe mundo espiritual e vida espiritual, mas a concepção que se tem entre nós é misteriosa e desconhecida. Além disso, soa muito perverso defender os sofrimentos, usando a "vida futura" como desculpa para que desperdicemos uma encarnação inteira com infortúnios.
Daí, tanto faz para os "espíritas" essa vida qualquer nota. E a desculpa da "fraternidade" só complica as coisas, porque "aceitar" e "acreditar" não contribuem para resolver os retrocessos observados no Brasil. Pelo contrário.
Se esperarmos a "outra vida" ou a "vida futura" para melhorar as coisas, será terrível, porque seria esperar uma melhoria num futuro que não temos a menor ideia do que seja. Acreditar que o "incerto" irá nos salvar será cair numa nova perdição.
A "bancada da Bíblia", integrante do bloco parlamentar mais reacionário do Congresso Nacional, a "bancada BBB" - Bíblia (evangélicos), Bala (policiais e entidades armamentistas) e Boi (latifundiários) - , acha que pode tudo e conceber um Brasil que só eles acreditam.
Representados pelo presidente da Câmara dos Deputados, o prepotente Eduardo Cunha - ele mesmo um evangélico - , ansioso em governar o país nas viagens do futuro presidente Michel Temer (os dois são articuladores do impeachment da presidenta Dilma Rousseff), a "bancada evangélica" anda tramando propostas obscurantistas, comprometidas com o retrocesso social do país.
Chegaram mesmo a tentar mudar o princípio da Constituição, no parágrafo único do Artigo 1º, trocando a expressão "todo poder emana do povo" para "todo poder emana de Deus", desafiando a condição democrática do Estado laico, que não depende de crenças nem movimentos religiosos.
A bancada - oficialmente denominada Frente Parlamentar Evangélica - esteve diante de uma polêmica recente, que é a autorização, prevista na PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do deputado João Campos (PSDB-GO), o mesmo que se tornou famoso pela "cura gay", das igrejas questionarem regras ou leis junto ao Supremo Tribunal Federal.
Sim, as igrejas se tornam, com isso, uma espécie de poder paralelo junto ao Poder Judiciário, com o poder de decisão equiparado ao maior órgão dessa esfera de poder, se caso a PEC fosse aprovada. Isso é ruim porque a religião acaba agindo em total prepotência ao interferir nas atividades políticas do Brasil.
A bancada evangélica está relacionada a muitas pautas reacionárias, como a proposta de definir família apenas quando há um casal de marido e mulher. Casais homoafetivos e mães solteiras ou descasadas, ou mesmo pais que criam sozinhos os filhos, não podem ser considerados "família". A proposta não foi aprovada mas é uma das bandeiras da FPE.
Junta-se a tudo isso o obscurantismo social de Michel Temer, o parceiro de Eduardo Cunha no golpismo político, cujo governo implantará medidas reacionárias como a desvalorização do salário mínimo, o fim da mediação da legislação sobre negociações trabalhistas (o patrão pode decidir o que quer sobre o trabalhador, sob a desculpa do "livre diálogo"), e os cortes em investimentos sociais.
E O "ESPIRITISMO", COM ISSO?
A bancada evangélica se ascendeu quando a mídia associada, já arrendando horários em emissoras de rádio e TV, teve como marco a compra, por parte de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, da histórica Rede Record, comandada pela TV Record de São Paulo, uma das mais antigas emissoras de televisão que estão no ar atualmente, surgida em 1953.
As seitas cresceram, se multiplicaram e criaram até mesmo dissidências. E seitas se apropriaram de veículos de comunicação como complemento da politicagem que havia se apropriado dos mesmos, principalmente a partir dos anos 1980.
Isso fez com que os evangélicos levassem vantagem na competição para derrubar a supremacia da Igreja Católica. O "movimento espírita", que apenas eventualmente se une aos evangélicos em causas como o combate ao aborto, está em desvantagem nesta disputa.
E o que os "espíritas" têm a dizer com essa situação? Da maneira mais simplória possível. Eles irão dizer que, depois do impeachment, resta orarmos pelos novos governantes e pedir para que eles considerem os princípios de fraternidade e amor ao próximo, trabalhando em prol destas finalidades.
Como dizer assim é muito fácil, e é muito fácil forjar fraternidade num ambiente de profundas desigualdades e injustiças, então o governo Temer irá acolher os "espíritas" com "generosidade". Desde que todos troquem elogios, gentilezas e sorrisos, tudo bem.
É muito fácil forjar fraternidade dentro desse contexto porque basta pedir aos sofredores que aguentem suas desgraças e supliquem a eles misericórdia aos algozes que abusam em seus privilégios. Para o sofredor, o "espiritismo" defende que "é melhor" dar do que receber misericórdia, pois os sacrifícios, por mais que estejam acima da capacidade do sofredor, são "um caminho seguro" para a "purificação espiritual".
A desculpa para a defesa das desgraças é que a "verdadeira vida" não é aqui. É certo que existe mundo espiritual e vida espiritual, mas a concepção que se tem entre nós é misteriosa e desconhecida. Além disso, soa muito perverso defender os sofrimentos, usando a "vida futura" como desculpa para que desperdicemos uma encarnação inteira com infortúnios.
Daí, tanto faz para os "espíritas" essa vida qualquer nota. E a desculpa da "fraternidade" só complica as coisas, porque "aceitar" e "acreditar" não contribuem para resolver os retrocessos observados no Brasil. Pelo contrário.
Se esperarmos a "outra vida" ou a "vida futura" para melhorar as coisas, será terrível, porque seria esperar uma melhoria num futuro que não temos a menor ideia do que seja. Acreditar que o "incerto" irá nos salvar será cair numa nova perdição.
terça-feira, 3 de maio de 2016
"Espiritismo" não é religião, sendo religião? Como assim?
Um portal de "espiritismo" português, que na prática é uma sucursal do "espiritismo" brasileiro - como uma espécie de retribuição pelo fato do "movimento espírita" ter herdado a essência do Catolicismo medieval português - , disse que o "espiritismo" é uma "cultura", mas "não uma religião".
"O Espiritismo é cultura, não é mais uma religião ou mais uma seita. Como ciência filosófica de consequências morais, ajuda o Homem a espiritualizar-se, aproximando-o assim de Deus".
Vamos analisar as coisas. O "espiritismo" é definido como "não mais uma religião ou seita".
Mas, definido como "filosofia", auxilia o homem a se "aproximar de Deus", o que, na prática, é um propósito religioso.
Essa é a tendência "dúbia". Num primeiro momento, os "espíritas" não se definem como seguidores de religião ou seita, dizem condenar o igrejismo, apreciam a Ciência de maneira ampla e irrestrita, afirmam valorizar a busca do Conhecimento e definem o "espiritismo" como um movimento filosófico.
Falar é fácil. No segundo momento, porém, mostram uma abordagem igrejista de ideias como bondade, fraternidade e caridade, não muito diferentes da Igreja Católica. Manifestam admiração entusiasmada aos deturpadores da Doutrina Espírita, Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, e celebram eventos "espíritas" como verdadeiras missas ou "cultos ecumênicos".
O "espiritismo" vive sua grave crise porque
prefere o jogo das aparências. Como se usasse o pretexto da "outra vida" para criar um jogo de aparências e não-aparências, os "espíritas" criam todo um repertório de contradições, caprichando no discurso para ocultar práticas e posturas duvidosas.
E para que eles investem nessa verdadeira falta de sinceridade, nesta escancarada desonestidade doutrinária, em que teoria e prática se contradizem, dizendo uma coisa e fazendo outra, ou mesmo dizendo uma coisa e depois dizendo algo diferente?
A contradição é feita para agradar quem? Que sentido tem mentir e levar vantagem nisso? Que vantagem é essa? Agradar os espíritas científicos? Passar-se por avançado? Dar uma rasteira nos neopentecostais?
O que se sabe é que, agindo assim, o "espiritismo" brasileiro se torna um movimento longe de ser sincero. A desonestidade doutrinária, associada a ideias trazidas por Chico Xavier e Divaldo Franco, é notória e isso está muito claro nos livros.
O que Kardec diz em seus livros Chico e Divaldo dizem o contrário nos seus. Como é que os "espíritas" tentarão convencer que são "íntegros" diante dessa postura "dúbia", que mostra suas contradições mais evidentes?
Portanto, o "espiritismo" acaba sendo uma religião, sim. Com todas as suas ideias igrejeiras e todo o deslumbramento da fé cega e do misticismo entusiasmado que marca o "movimento espírita" no Brasil e seus derivados em outros países, como Portugal.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Qual o interesse de avacalhar a mulher solteira no Brasil?
Triste ideia. Se a mulher quer ser alguém na vida, tem que arrumar um marido, de preferência com qualidades superiores a ela, como um cargo de liderança, como ser empresário ou profissional liberal. Se a mulher se recusa dessa dependência marital, o que o "sistema" quer é que ela se contente com a imagem de mulher-objeto.
Sim, a mulher brasileira vive um dilema. Ser a serva do lar ou o brinquedo sexual de tarados solitários. O "beco sem saída" entre ser uma humana servil e uma mercadoria erótica faz com que a emancipação feminina se torne duplamente prejudicada diante desse falso maniqueísmo que soa como duas facetas de um mesmo machismo.
No último fim de semana, Solange Gomes, a ex-integrante da Banheira do Gugu, principal quadro do antigo Viva a Noite, programa popularesco comandado nos anos 90 por Gugu Liberato no SBT, partiu para mais um apelo sexista.
Em plena frente fria carioca, a subcelebridade publicou uma foto nua nas mídias sociais, usando o seguinte comentário: "Desafiando o frio no Rio de Janeiro". Desprezando o risco de que ficar nu em dia frio pode causar pneumonia, com consequências até fatais, Solange deu continuidade a sua pretensa sensualidade, grotesca e apelativa demais para uma mulher de 42 anos.
Solange é apenas uma das muitas mulheres que estão a serviço da hipersexualização. Outras "musas", como Renata Frission, a Mulher Melão, Andressa Soares, a Mulher Melancia, Yani de Simone, a Mulher Filé e, de forma politicamente correta, Valesca Popozuda, levam ao extremo o erotismo obsessivo que se tornou moda desde os tempos do grupo É O Tchan.
Mais do que exibir um sensualismo obsessivo e compulsório, as "musas" também apelam para a imagem depreciativa da mulher solteira no Brasil, avacalhando a emancipação feminina de forma relativamente sutil, pelo menos sem assumir no discurso, ainda que o processo de coisificação da mulher brasileira seja em muitos momentos escancarado, como no caso de Solange e Mulher Melão.
Isso é um processo habilidoso do machismo brasileiro, que cria dois caminhos para barrar a emancipação plena da mulher. Um é forçar que mulheres que busquem ampliar conhecimentos e tenham referenciais culturais consistentes se vinculem à figura de um marido poderoso, seja empresário, médico, advogado, economista, diretor de TV, político etc.
Outro caminho é dispensar a mulher de ter um marido ou namorado quando ela segue o receituário machista do erotismo obsessivo, promovendo seu corpo como verdadeira mercadoria sexual. Independente do contexto, a mulher exibe seu corpo em poses "sensuais" ininterruptas e desprovidas de qualquer observação de contexto.
FORMAS DE DEPRECIAÇÃO DA MULHER SOLTEIRA
Tudo é exibido de maneira ininterrupta. Não há um momento de pausa nas poses "sensuais". O corpo vira mercadoria até durante eventos que não permitem esse apelo, como festas de gala ou dias de muito frio. É preocupante essa postura "triunfalista" de Solange Gomes "desafiando o frio" para se "sensualizar", numa situação que normalmente pode trazer pneumonia e morte.
Muitos consideram essa "atividade" - houve mulheres que diziam "não ter tempo para namorar" por causa desse "trabalho" (o de "sensualizar" e "mostrar demais") - uma forma de depreciar a mulher solteira, embora não seja a única.
Nas periferias, por exemplo, existe o estereótipo da moça "modesta" e considerada "não muito atrativa" que ouve músicas piegas e vive "encalhada". É um tipo comum sobretudo no público de "pagode romântico", e mostra uma alteração na imagem da "escrava do lar" das antigas comunidades pobres, transformada em "solteira incurável" quando antigos estereótipos machistas da mulher foram dispensados da figura do marido ou do namorado.
É aquele tipo da moça "ingênua" e "romântica" que gosta de novelas e cujo único homem que consegue alguma relação afetuosa - e mesmo assim nos limites sociais próprios dos status familiares - com seu afilhado. Apesar da personalidade submissa, o "sistema" permite a ela algum sustento profissional próprio. Geralmente uma moça assim costuma viver com a mãe.
A solteira brasileira não pode ter referenciais culturais sólidos. Até a chamada "alta cultura" que consegue assimilar é ditada pelo contexto midiático, como a trilha sonora de novela da Rede Globo, por exemplo. Conta-se que a solteira brasileira precisa manter os "ouvidos sujos", já que o gosto musical costuma ser associado a derivados da música brega tocados nas rádios "populares", canções consideradas de gosto bastante duvidoso.
Os estereótipos da solteira brasileira, seja a mocinha submissa que brinca com o afilhado numa eterna infância, ou a moça "gostosa" que só vive de mostrar seu corpo, são recursos que o poder midiático brasileiro faz para impedir a emancipação plena da mulher, ou, ao menos, para dificultá-la, sobretudo quando "recomenda" às mulheres que não querem suportar esses fardos a arrumar um marido, de preferência um empresário.
Mesmo a atitude politicamente correta de Valesca Popozuda, que fora dos palcos tentou uma atitude "mais sóbria", servem apenas como simulacro, sobretudo se observarmos que ela sempre se mostrou orgulhosa com o papel que exerceu e exerce no "funk", o de objeto sexual que nos palcos chega mesmo a mostrar os glúteos para a plateia. Seu "feminismo" soa como conversa para boi dormir.
HIGIENISMO
O interesse de depreciar a imagem da mulher solteira pode ter um objetivo sutilmente higienista. Busca desnortear as mulheres das classes populares, induzidas a escolher entre dois estereótipos: o da moça submissa e infantilizada que ouve músicas piegas e brinca com o afilhado e a mulher apelativa que usa o corpo como mercadoria.
Diante disso, as mulheres deixam de pensar na vida familiar e, numa inversão ideológica, a ideia de ter um marido, que nas classes populares deveria ser opcional, acaba sendo proibida, numa homofobia às avessas. Pior: sob o rótulo de "feminismo", estimula-se a misandria nas mulheres, que é a indisposição ou a falta de interesse de conquistar um homem, dificultando a realização da maternidade.
O propósito é, portanto, "limpar" gradualmente as classes populares através da imposição de tipos de "mulher solteira" que são ao mesmo tempo depreciativos para a emancipação feminina em geral como são impostos como "modelo de realização pessoal" para as mulheres pobres.
É a partir disso que as mulheres pobres são cada vez mais desestimuladas a se tornarem mães, através da misandria já sutilmente difundida pelos noticiários policialescos. E cria um aspecto aberrante numa comparação entre as mães das classes abastadas e as das classes populares no Brasil.
Mulheres abastadas com casamento problemático e três filhos têm medo de se divorciarem, evitando criar um trauma nas crianças. É até direito delas pensarem assim, e, podendo manter as relações, serão bem sucedidas e felizes.
Mas o problema é nas classes pobres, quando casais se separam à menor divergência e mulheres com mais de cinco filhos têm que conviver solteiras, com crianças traumatizadas, órfãs de pai vivo, sem a renda que a abastada possui para sustentar sozinha vários filhos e obrigando o primogênito a ser uma espécie de tutor dos irmãos mais novos, compensando a ausência da figura do pai.
Dessa forma, nem o discurso falsamente libertário das intelectuais "provocativas" faz com que a vida dura das mães solteiras pobres se torne próspera. Pelo contrário, a pobreza fica mais difícil para que o "sistema" possa assistir ao triste espetáculo das classes populares se enfraquecerem diante da solteirice forçada das mulheres pobres, que não têm a desenvoltura das mulheres de classe média para encarar novos padrões familiares, diante da baixa escolaridade e alta religiosidade.
domingo, 1 de maio de 2016
Rio de Janeiro e sua incapacidade de "sentir dor"
PESSOAS FICAM INDIFERENTES OU VEEM CURIOSAS OS DOIS MORTOS DA QUEDA DE UMA CICLOVIA, EM SÃO CONRADO.
Mais chocante do que uma cidade outrora imponente, como o Rio de Janeiro, passar por uma vergonhosa e vertiginosa decadência, é a maioria das pessoas ficar indiferente a essa situação, insistindo em acreditar que tudo está bem.
As pessoas veem os jornais e encaram a tragédia cotidiana do Rio de Janeiro, Estado e capital, como se fosse uma piada macabra. A indiferença é tanta que, para piorar, as pessoas ainda se incomodam quando surge alguém questionando demais as coisas e diagnosticando alguma decadência.
Pessoas chegam a romper amizade com aqueles que "reclamam demais" dos problemas e há quem se atreva a fazer trolagem na Internet, quando o internauta discordante expressa não gostar do "estabelecido". A situação, no Rio de Janeiro, sucumbiu a um aberrante processo de compactuar com os retrocessos que põem o Rio de Janeiro cada vez mais distante de sua antiga postura de vanguarda nacional.
Só na cultura jovem, os fãs de rock autêntico deixaram a rebeldia de lado e passaram a aceitar a canastrice de uma emissora FM, a Rádio Cidade, sob a desculpa do "fortalecimento do mercado de rock no Estado".
É aberrante ver que pessoas que valorizam a memória da Fluminense FM, ou apreciam possíveis herdeiras como a Kiss FM Rio (ainda fora do ar, após fase de testes) e Cult FM, não se encorajem em combater a Rádio Cidade, mesmo diante da ameaça desta FM comercial, feita por pessoal sem envolvimento no gênero, passe a exercer, no futuro, monopólio sobre o setor.
Isso mostra o quanto o Rio de Janeiro anda acomodado, resignado e insensível. Ninguém consegue ver a real dimensão dos problemas. Os fluminenses, e os cariocas em particular, aceitam, por exemplo, entrar em restaurantes quando caminhões de lixo fedorentos estão estacionados à sua frente.
Não conseguem perceber que o fedor vem de uma fumaça tóxica que, se espalhando pelo ar, pode contaminar os alimentos que estão expostos ao self service dos fregueses, e as pessoas vão felizes escolher o seu almoço, ignorando que poderão sofrer uma intoxicação alimentar que pode ser fatal.
CADÁVERES NA PRAIA
Um dado ilustrativo é a presença de banhistas curiosos ou indiferentes que, numa praia de São Conrado, curtiam o dia ao lado de dois cadáveres de vítimas da queda de um trecho de ciclovia, inaugurado três meses antes, no referido bairro carioca. A tragédia virou notícia no Brasil e no mundo, mas os banhistas, quando muito, viam os cadáveres com tranquila curiosidade.
Com todo o reacionarismo pelo qual ganhou fama nos últimos anos, o músico da banda paulistana Ultraje a Rigor, Roger Rocha Moreira, mostrou indiscutível lucidez quando perguntou se os ciclistas não estavam vendo a ressaca batendo no calçadão da ciclovia. A indiferença dos cariocas passou a ganhar má fama além das fronteiras fluminenses.
Aqueles que se preocupam com essa indiferença carioca chegam a fazer trocadilho com uma doença grave, mas pouco conhecida, chamada Síndrome de Riley-Day. problema no sistema nervoso que faz a pessoa não sentir dor. Há quem sugira que, vendo o comportamento dos fluminenses, mude o nome Rio de Janeiro (Estado e capital) para Riley-Day Janeiro.
Até o mercado de trabalho está discriminando mentes criativas, preferindo pessoas mais conformistas e obedientes, mas capazes de serem brincalhonas e torcerem por times de futebol (Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e, agora, pasmem, o espanhol Barcelona).
Num supermercado em Niterói, um funcionário realmente talentoso, para ser promovido gerente, teve que enfatizar mais o senso de humor, vendo que o mercado dá mais preferência ao estereótipo do trabalhador-comediante.
O conformismo é generalizado, o retrocesso sempre tem alguma desculpa, podendo variar entre argumentos falsamente racionais como "É assim mesmo, não tem jeito", "(O retrocesso) acontece para viabilizar outro benefício", "(O retrocesso) acontece devido a critérios técnicos", "É preciso certos sacrifícios para obter novas vantagens".
Enquanto isso, o prejuízo se faz, sob o pretexto de garantir necessidades básicas. Que, de tão básicas, passam, de retrocesso em retrocesso, a ficarem abaixo do básico, porque o precário de ontem é o básico de hoje e será o sofisticado de amanhã. Se deixarmos, banquete no Rio de Janeiro será pão com capim e um copo de 200 ml de água de bica.
CRIANDO MONSTROS
A pior fase do Estado do Rio de Janeiro (Riley-Day Janeiro?) é sentida nos últimos anos, quando os retrocessos vividos pelo Estado nos últimos anos, sobretudo a partir de um cenário que combina crime organizado (narcotráfico e milícias), contravenção (jogo-do-bicho) e política fisiológica (os grupos políticos formados nos últimos 40 anos), além de uma mídia reacionária (O Globo, Rede Globo) ou semi-populista (jornal O Dia).
Um Estado que foi considerado a vanguarda do país, que tinha Bossa Nova com rica expressão musical, que fazia a Passeata dos Cem Mil em plena ditadura militar, que era a vitrine de grandes movimentos culturais do resto do país, hoje está reduzido à resignação a uma cultura decadente e a um conformismo que não luta sequer contra pintura padronizada nos ônibus que confundem as pessoas na hora de ir e vir.
É a terra do "funk" cujo um dos maiores ícones, Valesca Popozuda, cria um arremedo de feminismo de moldes machistas e, juntamente com Solange Gomes e Renata Frisson (Mulher Melão), promovem de maneira depreciativa a imagem da mulher solteira no Brasil, reduzida a um objeto erótico numa sociedade hipersexualizada.
Nessa terra, o mercado literário sucumbe à supremacia de "livros para colorir", ou futilidades como vampiros e bonecos de Minecraft, ou de youtubers preocupados em "filosofar" sobre espinhas no rosto, fora os livros de auto-ajuda e de "lindas estorias" religiosas. No teatro, comédias semi-eróticas adultas e franquias da Disney monopolizam o mercado em que os que fazem algo diferente não têm verba para montar.
Musicalmente, nem se fala. Qualquer maluco em roupa hippie ou cabeleira black power com um computador na mão vira "gênio" e "vanguarda musical". O próprio "funk" se autoproclama "vanguardista", confundindo o ato de incomodar e irritar as pessoas com "genialidade artística".
E isso sem falar da conformação da "boa sociedade" em ver emepebistas e roqueiros autênticos mendigando os poucos espaços que têm condições de divulgar seus trabalhos. E não estamos falando do pior, que é a predominância de tendências como "sertanejo" e "forró eletrônico", além de "funk" e "pagode romântico", que invadem até as universidades.
Isso faz um Rio de Janeiro virar um Estado estranho, de capital mais estranha ainda. Uma capital que lidera uma região metropolitana em que uma perigosa região de bairros - Complexos da Maré e do Alemão - está no caminho entre o Galeão e o Centro do Rio, o que faz muitos perguntarem se não seria ideal transferir o status de internacional para o Aeroporto Santos Dumont.
É uma região metropolitana cuja cidade de Niterói, que um dia foi capital do Estado do Rio de Janeiro, sofre um provinciano digno de cidade do Acre e se conforma em servir de capacho para a cidade vizinha, tão decadente porém mais arrogante e ainda tomada de complexo de superioridade.
É uma região metropolitana onde a paisagem praiana, antes considerada bucólica, é atingida pela poluição que faz o Grande Rio superar a antiga líder São Paulo, com fumantes convictos e tão intransigentes que, só de sacanagem, andam quarteirões com o cigarro aceso na mão, sem tragar, mas com a fumaça se espalhando para outras pessoas, sobretudo não-fumantes, inalarem.
É uma região que tratava os troleiros da Internet (seja os "fascistas mirins" reacionários, ou os meros "midiotas", que "zoam" só por "zoar") com consideração e carinho, antes deles serem denunciados depois de atingirem a reputação de pessoas como a atriz Taís Araújo. E que, na sanha moralista, foi capaz de eleger dois dos mais problemáticos políticos do país para a Câmara Federal.
Pagando o alto preço de um moralismo revanchista, os fluminenses "presentearam" o país com o bravatismo irresponsável de Jair Bolsonaro - que em seu discurso pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, fez apologia à tortura e agora é denunciado por movimentos sociais em várias ações no Judiciário - e o vandalismo constitucional do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
Foram dois "monstros" criados pela "boa fase" em que vive o Estado do Rio de Janeiro, crente de que ainda detém o poder de referência para o resto do país. E que ainda tem o fanatismo por futebol, regulador de relações sociais e que faz muitos fanáticos gritarem de forma ensurdecedora até mesmo durante os jogos noturnos transmitidos geralmente nas quartas-feiras.
Sendo uma região cujas únicas metas na vida são expulsar o PT da vida política e ver pelo menos algum dos quatro times cariocas em alta, poucos percebem a gravidade que Jair Bolsonaro, político comparável a um famoso austríaco, de deprimente lembrança, que ameaçou a humanidade. Da mesma forma, todos ignoram o obscurantismo legislativo do delinquente político Eduardo Cunha.
Cunha, comprovadamente envolvido em escândalos de corrupção diversos, está manobrando o Legislativo e o Judiciário para que demore, por tempo indeterminado, qualquer esforço para condená-lo por crime de corrupção ativa. O mais preocupante é que ele é o futuro suplente na hierarquia da República, pois será o vice de Michel Temer, quando ele se tornar titular do Executivo federal.
Isso é horrível. Cunha propõe muitos retrocessos em leis trabalhistas e de âmbito social. Os retrocessos podem levar o Brasil aos níveis do período colonial anterior ao da vinda da família real brasileira. E o pessoal do Rio de Janeiro, mais preocupado em ver Dilma Rousseff fora do poder, está indiferente a isso, como encara naturalmente o modelo de casal do século XIX de Michel Temer e sua esposa Marcela, com idade para ser neta do marido.
Outro aspecto lamentável: os fluminenses raciocinam a vida como se fosse uma novela da Rede Globo. E brincam com smartphones vendo bobagens no WhatsApp. A personalidade que mais valorizam no momento é uma tal de Munik, campeã do Big Brother Brasil 16, e os vídeos que mais veem são de vídeocassetadas.
Essa "felicidade" que se vê no Rio de Janeiro, com jovens fazendo dos problemas cotidianos uma piada e gente vendo vídeocassetadas no WhatsApp é apenas um aspecto lúdico dessa tragédia que transforma um dos principais Estados do país em uma região cada vez mais atrasada, que parece não ter escrúpulos em andar para trás e, de preferência, obrigando o resto do país a ir junto. Triste.
Mais chocante do que uma cidade outrora imponente, como o Rio de Janeiro, passar por uma vergonhosa e vertiginosa decadência, é a maioria das pessoas ficar indiferente a essa situação, insistindo em acreditar que tudo está bem.
As pessoas veem os jornais e encaram a tragédia cotidiana do Rio de Janeiro, Estado e capital, como se fosse uma piada macabra. A indiferença é tanta que, para piorar, as pessoas ainda se incomodam quando surge alguém questionando demais as coisas e diagnosticando alguma decadência.
Pessoas chegam a romper amizade com aqueles que "reclamam demais" dos problemas e há quem se atreva a fazer trolagem na Internet, quando o internauta discordante expressa não gostar do "estabelecido". A situação, no Rio de Janeiro, sucumbiu a um aberrante processo de compactuar com os retrocessos que põem o Rio de Janeiro cada vez mais distante de sua antiga postura de vanguarda nacional.
Só na cultura jovem, os fãs de rock autêntico deixaram a rebeldia de lado e passaram a aceitar a canastrice de uma emissora FM, a Rádio Cidade, sob a desculpa do "fortalecimento do mercado de rock no Estado".
É aberrante ver que pessoas que valorizam a memória da Fluminense FM, ou apreciam possíveis herdeiras como a Kiss FM Rio (ainda fora do ar, após fase de testes) e Cult FM, não se encorajem em combater a Rádio Cidade, mesmo diante da ameaça desta FM comercial, feita por pessoal sem envolvimento no gênero, passe a exercer, no futuro, monopólio sobre o setor.
Isso mostra o quanto o Rio de Janeiro anda acomodado, resignado e insensível. Ninguém consegue ver a real dimensão dos problemas. Os fluminenses, e os cariocas em particular, aceitam, por exemplo, entrar em restaurantes quando caminhões de lixo fedorentos estão estacionados à sua frente.
Não conseguem perceber que o fedor vem de uma fumaça tóxica que, se espalhando pelo ar, pode contaminar os alimentos que estão expostos ao self service dos fregueses, e as pessoas vão felizes escolher o seu almoço, ignorando que poderão sofrer uma intoxicação alimentar que pode ser fatal.
CADÁVERES NA PRAIA
Um dado ilustrativo é a presença de banhistas curiosos ou indiferentes que, numa praia de São Conrado, curtiam o dia ao lado de dois cadáveres de vítimas da queda de um trecho de ciclovia, inaugurado três meses antes, no referido bairro carioca. A tragédia virou notícia no Brasil e no mundo, mas os banhistas, quando muito, viam os cadáveres com tranquila curiosidade.
Com todo o reacionarismo pelo qual ganhou fama nos últimos anos, o músico da banda paulistana Ultraje a Rigor, Roger Rocha Moreira, mostrou indiscutível lucidez quando perguntou se os ciclistas não estavam vendo a ressaca batendo no calçadão da ciclovia. A indiferença dos cariocas passou a ganhar má fama além das fronteiras fluminenses.
Aqueles que se preocupam com essa indiferença carioca chegam a fazer trocadilho com uma doença grave, mas pouco conhecida, chamada Síndrome de Riley-Day. problema no sistema nervoso que faz a pessoa não sentir dor. Há quem sugira que, vendo o comportamento dos fluminenses, mude o nome Rio de Janeiro (Estado e capital) para Riley-Day Janeiro.
Até o mercado de trabalho está discriminando mentes criativas, preferindo pessoas mais conformistas e obedientes, mas capazes de serem brincalhonas e torcerem por times de futebol (Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e, agora, pasmem, o espanhol Barcelona).
Num supermercado em Niterói, um funcionário realmente talentoso, para ser promovido gerente, teve que enfatizar mais o senso de humor, vendo que o mercado dá mais preferência ao estereótipo do trabalhador-comediante.
O conformismo é generalizado, o retrocesso sempre tem alguma desculpa, podendo variar entre argumentos falsamente racionais como "É assim mesmo, não tem jeito", "(O retrocesso) acontece para viabilizar outro benefício", "(O retrocesso) acontece devido a critérios técnicos", "É preciso certos sacrifícios para obter novas vantagens".
Enquanto isso, o prejuízo se faz, sob o pretexto de garantir necessidades básicas. Que, de tão básicas, passam, de retrocesso em retrocesso, a ficarem abaixo do básico, porque o precário de ontem é o básico de hoje e será o sofisticado de amanhã. Se deixarmos, banquete no Rio de Janeiro será pão com capim e um copo de 200 ml de água de bica.
CRIANDO MONSTROS
A pior fase do Estado do Rio de Janeiro (Riley-Day Janeiro?) é sentida nos últimos anos, quando os retrocessos vividos pelo Estado nos últimos anos, sobretudo a partir de um cenário que combina crime organizado (narcotráfico e milícias), contravenção (jogo-do-bicho) e política fisiológica (os grupos políticos formados nos últimos 40 anos), além de uma mídia reacionária (O Globo, Rede Globo) ou semi-populista (jornal O Dia).
Um Estado que foi considerado a vanguarda do país, que tinha Bossa Nova com rica expressão musical, que fazia a Passeata dos Cem Mil em plena ditadura militar, que era a vitrine de grandes movimentos culturais do resto do país, hoje está reduzido à resignação a uma cultura decadente e a um conformismo que não luta sequer contra pintura padronizada nos ônibus que confundem as pessoas na hora de ir e vir.
É a terra do "funk" cujo um dos maiores ícones, Valesca Popozuda, cria um arremedo de feminismo de moldes machistas e, juntamente com Solange Gomes e Renata Frisson (Mulher Melão), promovem de maneira depreciativa a imagem da mulher solteira no Brasil, reduzida a um objeto erótico numa sociedade hipersexualizada.
Nessa terra, o mercado literário sucumbe à supremacia de "livros para colorir", ou futilidades como vampiros e bonecos de Minecraft, ou de youtubers preocupados em "filosofar" sobre espinhas no rosto, fora os livros de auto-ajuda e de "lindas estorias" religiosas. No teatro, comédias semi-eróticas adultas e franquias da Disney monopolizam o mercado em que os que fazem algo diferente não têm verba para montar.
Musicalmente, nem se fala. Qualquer maluco em roupa hippie ou cabeleira black power com um computador na mão vira "gênio" e "vanguarda musical". O próprio "funk" se autoproclama "vanguardista", confundindo o ato de incomodar e irritar as pessoas com "genialidade artística".
E isso sem falar da conformação da "boa sociedade" em ver emepebistas e roqueiros autênticos mendigando os poucos espaços que têm condições de divulgar seus trabalhos. E não estamos falando do pior, que é a predominância de tendências como "sertanejo" e "forró eletrônico", além de "funk" e "pagode romântico", que invadem até as universidades.
Isso faz um Rio de Janeiro virar um Estado estranho, de capital mais estranha ainda. Uma capital que lidera uma região metropolitana em que uma perigosa região de bairros - Complexos da Maré e do Alemão - está no caminho entre o Galeão e o Centro do Rio, o que faz muitos perguntarem se não seria ideal transferir o status de internacional para o Aeroporto Santos Dumont.
É uma região metropolitana cuja cidade de Niterói, que um dia foi capital do Estado do Rio de Janeiro, sofre um provinciano digno de cidade do Acre e se conforma em servir de capacho para a cidade vizinha, tão decadente porém mais arrogante e ainda tomada de complexo de superioridade.
É uma região metropolitana onde a paisagem praiana, antes considerada bucólica, é atingida pela poluição que faz o Grande Rio superar a antiga líder São Paulo, com fumantes convictos e tão intransigentes que, só de sacanagem, andam quarteirões com o cigarro aceso na mão, sem tragar, mas com a fumaça se espalhando para outras pessoas, sobretudo não-fumantes, inalarem.
É uma região que tratava os troleiros da Internet (seja os "fascistas mirins" reacionários, ou os meros "midiotas", que "zoam" só por "zoar") com consideração e carinho, antes deles serem denunciados depois de atingirem a reputação de pessoas como a atriz Taís Araújo. E que, na sanha moralista, foi capaz de eleger dois dos mais problemáticos políticos do país para a Câmara Federal.
Pagando o alto preço de um moralismo revanchista, os fluminenses "presentearam" o país com o bravatismo irresponsável de Jair Bolsonaro - que em seu discurso pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, fez apologia à tortura e agora é denunciado por movimentos sociais em várias ações no Judiciário - e o vandalismo constitucional do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
Foram dois "monstros" criados pela "boa fase" em que vive o Estado do Rio de Janeiro, crente de que ainda detém o poder de referência para o resto do país. E que ainda tem o fanatismo por futebol, regulador de relações sociais e que faz muitos fanáticos gritarem de forma ensurdecedora até mesmo durante os jogos noturnos transmitidos geralmente nas quartas-feiras.
Sendo uma região cujas únicas metas na vida são expulsar o PT da vida política e ver pelo menos algum dos quatro times cariocas em alta, poucos percebem a gravidade que Jair Bolsonaro, político comparável a um famoso austríaco, de deprimente lembrança, que ameaçou a humanidade. Da mesma forma, todos ignoram o obscurantismo legislativo do delinquente político Eduardo Cunha.
Cunha, comprovadamente envolvido em escândalos de corrupção diversos, está manobrando o Legislativo e o Judiciário para que demore, por tempo indeterminado, qualquer esforço para condená-lo por crime de corrupção ativa. O mais preocupante é que ele é o futuro suplente na hierarquia da República, pois será o vice de Michel Temer, quando ele se tornar titular do Executivo federal.
Isso é horrível. Cunha propõe muitos retrocessos em leis trabalhistas e de âmbito social. Os retrocessos podem levar o Brasil aos níveis do período colonial anterior ao da vinda da família real brasileira. E o pessoal do Rio de Janeiro, mais preocupado em ver Dilma Rousseff fora do poder, está indiferente a isso, como encara naturalmente o modelo de casal do século XIX de Michel Temer e sua esposa Marcela, com idade para ser neta do marido.
Outro aspecto lamentável: os fluminenses raciocinam a vida como se fosse uma novela da Rede Globo. E brincam com smartphones vendo bobagens no WhatsApp. A personalidade que mais valorizam no momento é uma tal de Munik, campeã do Big Brother Brasil 16, e os vídeos que mais veem são de vídeocassetadas.
Essa "felicidade" que se vê no Rio de Janeiro, com jovens fazendo dos problemas cotidianos uma piada e gente vendo vídeocassetadas no WhatsApp é apenas um aspecto lúdico dessa tragédia que transforma um dos principais Estados do país em uma região cada vez mais atrasada, que parece não ter escrúpulos em andar para trás e, de preferência, obrigando o resto do país a ir junto. Triste.
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