quarta-feira, 15 de abril de 2015

"Espiritismo" e seu "ideal" de relações de trabalho


Sabemos que o "movimento espírita" é uma "indústria do sofrimento". Os tratamentos espirituais acabam mais prejudicando do que beneficiando seus pacientes, e estes, buscando melhorias e soluções para seus problemas, acabam, depois de tais terapias, atraindo mais encrencas e infortúnios, além de não terem resolvido os problemas que foram o motivo de tais "ajudas".

Isso tem a ver com o próprio moralismo severo do "espiritismo". Ele se baseia em valores próprios do Catolicismo medieval. E desenvolvem seus dogmas morais com base sempre numa perspectiva policialesca e punitiva, que só poupa os submissos e os espíritos corruptos ou endurecidos.

No mercado de trabalho, o "espiritismo" da FEB e dissidentes parece estar de mãos dadas com o capitalismo. Sempre desejam o que há de pior para as classes trabalhadoras e imaginam que a missão do trabalhador é tão somente ganhar dinheiro e aguentar todo tipo de "tranco".

Se a pessoa tem alguma personalidade diferenciada e dotada de um significativo grau de evolução, é de praxe o "espiritismo" brasileiro condená-la a todo tipo de sofrimento, de acordo com seu receituário severo e sádico que tantas dores causam aos homens realmente de bem.

No trabalho, o cidadão terá que enfrentar um patrão menos inteligente, mais grosseiro e mais corrupto do que ele para cumprir seu trabalho. Ou, se isso não for o caso, terá que sofrer bullying de algum colega de trabalho mais atrevido e menos talentoso, mas com esperteza suficiente para passar por cima de qualquer cilada.

Salários de fome, trabalhos arriscados, trajetos perigosos entre a casa e o ambiente profissional, entre outras enrascadas. A pessoa que quer se evoluir e tem algum ideal de trabalho não tem oportunidade de exercer seu potencial e sua inteligência, tendo que suportar a prova da subserviência e da baixa qualidade de vida.

Para todo o efeito, o infeliz terá que admitir que foi um "romano" que explorou alguém em algum período da Idade Média. O medievalismo constantino dos "espíritas" - que, cinicamente, dizem ser "contra" os abusos do Catolicismo medieval - faz com que se suponham sentenças pesadas para justificar o sofrimento pesado que certas pessoas têm que encarar.

As melhores oportunidades profissionais escapam das mãos do pobre coitado cheio de ideias e projetos que poderiam fazer do emprego algo mais do que um salariozinho medíocre. Frequentar doutrinárias e fazer tratamentos espirituais acabam prejudicando seu futuro e transformando-o num reles assalariado sem importância.

Aí os "espíritas" argumentam que faltou fé, jogo de cintura, iniciativa e outros esforços do pobre rapaz. Só que ele sofreu azar. Ele fez a parte dele, mas teria talvez que dar murro em ponta de faca para ter que conquistar parcialmente os projetos profissionais que ele quer.

Houve o caso de um internauta, formado em Jornalismo em Salvador, que reclamou do fato de que sua falta de sorte só o impelia a trabalhar na Rádio Metrópole, do "coronel" midiático baiano Mário Kertèsz, que montou a rádio com o dinheiro que acumulou de um esquema de corrupção, quando era prefeito da capital baiana.

Cheio de ideias e projetos, o pobre jornalista só poderia trabalhar em rádio corrupta, ganhar salário na forma de dinheiro sujo, podre, enquanto outras oportunidades profissionais melhores e mais íntegras lhe escapavam das mãos, como os concursos públicos os quais ele nunca conseguia ser aprovado, por mais que estudasse e assinalasse com atenção as respostas das provas.

As chances "fáceis" de emprego eram sempre ciladas: editora "espírita" que não pagava salário e só dava o dinheiro de almoço. Jornal de cidade da Chapada Diamantina com rotina opressiva de horário. Não havia carga horária fixa, o trabalho era quase o dia todo, o salário era miserável e as estradas para ir de uma cidade a outra eram esburacadas, com altíssimo risco de trágico acidente de carro.

Havia também o jornal comunitário em fase de implantação num bairro barra-pesada do Subúrbio Ferroviário, em que o editor preveniu o aspirante que tinha sérias desavenças com "lideranças locais" e que por isso precisava do apoio do jovem para realizar o seu trabalho.

Empregos sem a menor segurança, com patrões com diversos problemas, sem remuneração digna e sem oportunidade de realização pessoal. Só salário, e olhe lá. Mesmo que seja para pagar somente o almoço. E depois o "espiritismo" se julga "espiritualista", quando seu materialismo salta aos olhos ao não dar oportunidade para as pessoas realizarem seus ideais, apenas limitadas a "viver como podem".

terça-feira, 14 de abril de 2015

A competição entre fé e ciência nas curas de doenças


A série de reportagens da TV Bandeirantes, nesta semana, mostra os episódios de cura do câncer através da religião, citando várias crenças religiosas, entre elas a "espírita". São relatos que, aparentemente, revelam o sucesso da fé na realização de curas dessa doença difícil, curável apenas quando está em estágio inicial, considerado benigno.

Embora haja possibilidade de haver curas espirituais e que o sentimento de tranquilidade consequente da fé de algumas pessoas seja capaz de realizar curas - se relacionando mais ao fenômeno de autocuras do que da religiosidade em si - , nota-se uma certa disputa entre fé e ciência no que se refere às curas de doenças.

O Brasil, país ainda marcado por uma religiosidade bastante conservadora, de tradição lusitana, que ainda guarda valores medievais, tenta exercer a prevalência do proselitismo religioso. No vácuo de um Catolicismo em crise, os ditos "evangélicos" e "espíritas" correm contra o tempo para conquistarem a supremacia religiosa, recorrendo até à imprensa para tal realização.

A Rede Globo tornou-se a principal parceira da Federação "Espírita" Brasileira e está preferindo apostar no "espiritismo", e não no Catolicismo, porque a tradicional religião romana-bizantina ficou muito visada, principalmente pelo visual de padres, sacerdotes e bispos.

A Globo percebeu que o apelo modernoso dos padres Marcelo Rossi e Fábio de Mello não puderam dar ao Catolicismo um apelo mais atraente para novos seguidores. Além disso, a medida ainda fazia com que o ranço religioso tirasse o aspecto aparentemente laico da emissora dos irmãos Marinho e iria superexpor a já problemática rivalidade com a Rede Record.

Dessa maneira, o "espiritismo", mais "independente" e sem os aparatos pomposos do Catolicismo propriamente dito, seria a "carta na manga" da Globo competir com a Rede Record, propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus, sem que se comportasse como outra emissora "religiosa".

Já o "espiritismo" também precisa penetrar em outros canais e espaços midiáticos, até pela necessidade de uma divulgação mais ampla. E, uma semana depois do Profissão Repórter, agora recorre à concorrente TV Bandeirantes para fazer novos apelos.

E aí vemos o quanto é problemático o processo de curas apenas pela fé, rivalizando com a ciência "dos homens" e apostando em processos em que o mistério é o seu maior princípio. Alegações em favor do "mistério da fé" servem para dar um tom misticamente aceitável à falta de transparência que acontece nesses procedimentos.

O "espiritismo" que não estuda a Ciência Espírita e corrompe seus tratamentos espirituais, criando um processo seletivo de curas e resolução de problemas, às vezes com algum preço de azar na vida, torna duvidosos seus procedimentos de curas, baseados no ocultismo que se arroga a desafiar o conhecimento científico, sem mostrar transparência.

A total ignorância do Magnetismo de Franz Anton Mesmer - que não tem livro algum traduzido por aqui e, quando muito, só é vagamente citado por terceiros - e a falta de estudos para todo tipo de processo, dos passes à psicografia, o "espiritismo" brasileiro se transformou num vale-tudo de pessoas sacudindo as mãos sobre cabeças dos outros e pessoas com a mão na testa escrevinhando qualquer coisa igrejista.

Não há como ter confiabilidade. A fé acaba sendo uma forma de tornar confiável o que não traz confiança. Que transparência existe? Nenhuma. Tudo se reduz a uma mística religiosidade que, sabemos, agrada bem aos barões da grande mídia, que sempre apostam no conservadorismo religioso para amansar os brasileiros tensos nesse país em crise.

Só que isso não resolve. Até que ponto as curas espirituais existem? Até que ponto existem autocuras? Até que ponto fé pode se aliar à ciência para curar doenças? Nada disso é estudado, nada disso é verificado, acredita-se em qualquer coisa porque "ter fé é acreditar", mas acreditar naquilo que a gente não entende e aceita que fique sem explicação.

E assim a fé religiosa impõe sua arrogância de criar uma área do surreal, do absurdo ou do oculto, um terreno em que o raciocínio lógico não pode penetrar, a não ser para dizer "amém". Isso é mal. Cria-se um desnecessário litígio entre fé e ciência na busca de soluções e curas para doenças, sem que podemos buscar as verdadeiras soluções de maneira inteligente, coerente e transparente.

Dessa forma, a fé religiosa quer manter sua supremacia, com seus valores absurdos, com seus procedimentos duvidosos, nos quais só valem os resultados, conforme a frase de Niccolo Machiavelli sobre a maldade do príncipe: "os fins justificam os meios".

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O ridículo da "senha" de Chico Xavier


No final de sua vida, o anti-médium Francisco Cândido Xavier disse para seus amigos mais íntimos que havia criado uma senha para eles usarem para verificar a veracidade de futuras mensagens espirituais que levassem seu nome.

Segundo seus seguidores, essa senha seria um código que possibilitaria a identificação do espírito de Chico Xavier, que passaria um tempo "sem se manifestar"- ele "aposentaria o lápis e o papel", no seu dizer - e, quando se "manifestar", o código serviria para identificar a sua autoria.

A senha foi anunciada em 1994 para três pessoas: a amiga Kátia Maria, o filho adotivo Eurípedes Higino e o médico Eurípedes Tahan. Kátia já faleceu, guardando o segredo para si. Os dois Eurípedes mantém o segredo e também não revelarão.

Chega-se a dizer que "não há necessidade" de divulgar a senha, porque o "código maior" de Chico Xavier teria sido seu "trabalho para o bem". Uns temem também pela repercussão de uma mensagem espiritual atribuída a Chico Xavier.

Depois do dia do falecimento de Chico Xavier, num dia em que o "Brasil" (leia-se Ricardo Teixeira, Fifa, CBF e a Rede Globo) estava "muito feliz", muitas mensagens "espirituais" atribuídas ao anti-médium foram divulgadas, todas consideradas oficialmente inverídicas.

Lei de Causa e Efeito. Afinal, o próprio Chico Xavier havia divulgado mensagens que também eram inverídicas, como a série "Humberto de Campos" cujo estilo de prosa nem de longe lembrava o do saudoso escritor de O Brasil Anedótico.

Também era muito estranho que o anti-médium, que seus seguidores viam como se fosse uma espécie de Speed Racer da escrita mediúnica, divulgasse mensagens atribuídas aos mortos que quase sempre só tinham a assinatura do próprio "médium" ou, quando muito, de um colaborador, mas sempre divergindo das assinaturas originais daqueles que faleceram.

Quanto à senha, seria risível ou trágico conforme o enfoque emocional de cada questionador. Afinal, não há segredo algum no mundo espiritual e mesmo os espíritos mais traiçoeiros podem se servir dos mais intrincados segredos guardados por gente na Terra.

Chico Xavier, em verdade, era cercado de muitos espíritos obsessores. O caráter perverso do antigo jesuitismo encontrou atualização no "movimento espírita" e várias fotos de Chico Xavier apresentam um semblante pesado e assustador, como uma foto publicada na imprensa em 1935.

O próprio Emmanuel era autoritário e explorava a fragilidade de Chico Xavier. Certa vez, o anti-médium estava sem trabalhar porque estava com problema num dos olhos, e Emmanuel reagiu dizendo que seu subordinado tinha o outro olho sadio e que "ficar doente e poder trabalhar" era quase que "ter saúde". Bem tirano, o jesuíta.

Muitos espíritos farsantes, portanto, já têm a senha de Chico Xavier. Uma quantidade grande deles. E isso não é desaforo nem calúnia, mas uma constatação que se baseia nos avisos que Allan Kardec recebeu dos espíritos e registrou em O Livro dos Médiuns, aqui lembrado na tradução de José Herculano Pires.

Nele, há capacidade para tudo nas mensagens espirituais, e esse vale-tudo do além-túmulo nem de longe pode ser controlado por senhas. No capítulo 25, "Das Evocações", na questão 37 do item 283, Kardec questionava o sentido de pessoas terem recebido mensagens de espíritos de animais e a resposta foi contundente: "Evoque um rochedo e ele responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a falar sobre tudo".

Imagine então o que seria a manifestação do tal "código de Chico Xavier"! E o próprio anti-médium, que fez das suas nas fraudes "psicográficas" - podemos dizer que eram pseudográficas - , fazendo pastiches literários e não convencendo os literatos mais renomados, não deixaria também de receber o troco de alguns desafetos espirituais ou mesmo de supostos médiuns terrenos oportunistas.

Imagine exigir autenticidade a um "médium" que, usando o nome de Humberto de Campos, o fazia ser um melancólico escritor igrejista, totalmente diferente do culto, fluente mas coloquial e descontraído prosador maranhense!

A senha então não passa de uma grande piada. Não existe segredo no mundo espiitual e os espíritos mais zombeteiros irão usar tranquilamente o código descrito por Chico Xavier. E vão passar uma mensagem de maneira verossímil ou intuir a um suposto médium para realizar um pastiche que possa condizer com as mensagens igrejistas do anti-médium mineiro.

Há um ditado gaúcho, muito popular, que diz: "Em tempo de guerra, mentira é como terra". Num país conflituoso como o Brasil, e diante de uma religião fraudulenta que é o "espiritismo", mentira é como "terra", habitual, abundante e real, principalmente aquela que usurpa as fantasias terrenas que se tem do além-túmulo e contaminam, como epidemia, nossos "espíritas" tão materialistas.

domingo, 12 de abril de 2015

"Cirurgias espirituais" revelam conflito entre "espiritismo" e Ciência


Já se falou do problema das chamadas "cirurgias espirituais" do "espiritismo" brasileiro. Um dos maiores problemas é típico dessa doutrina, que é o total desconhecimento da Ciência Espírita e as condições duvidosas que indicam exercício clandestino e improvisado da Medicina.

Os "espíritas", cheios de razão, ou melhor, cheios de falta de razão - uma vez que Razão é o que eles detestam, porque ela de vez em quando desafia a "fé espírita" - , se sentem ofendidos quando se acusa suas práticas "curandeiras" de exercício ilegal da Medicina, e preferem criar uma "medicina paralela" a ter que adotar procedimentos mais seguros e condizentes à Ciência Médica.

O que chama a atenção nas manifestações "espirituais" supostamente medicinais é que elas, praticadas a título de exercício "mediúnico", revelam o conflito que existe entre "espiritismo", ou ao menos as manifestações "mediúnicas independentes", e a Ciência na Terra.

O "espiritismo", tão metido a unificador, conciliador e aglutinador de tudo, suposto acolhedor da ampla diversidade de crenças e expressões da sociedade mundial, acaba reagindo com arrogância diante das acusações de charlatanismo e atribui à Ciência um "subproduto da paixão materialista dos homens".

Com arrogância, o "espiritismo" quer manter imaculado alguns valores e procedimentos que devem ser mantidos fora de qualquer avaliação do raciocínio humano, criando um terreno em que o surreal, o misterioso, o vago e o oculto possam viver sossegados, criando um mundo de fantasia contra o qual qualquer investigação lógica é desqualificada.

E isso cria problemas entre os critérios da "medicina espírita" e os da Ciência Médica aqui na Terra. Não há diálogo nem entendimento, o que há é o acolhimento da Ciência Médica nos limites que são permitidos pelo "movimento espírita".

Em outras palavras, a Ciência é só é benvinda se ela aceitar os dogmas, ritos e crenças do "espiritismo" brasileiro e agir em favor delas. Vide o caso dos acadêmicos da Universidade Federal de Juiz de Fora que arrumaram um jeitinho para legitimar as duvidosas "psicografias" de Francisco Cândido Xavier.

Se autoproclamando possuidor da verdade, o "espiritismo" brasileiro quer que a Ciência se ajoelhe a seus pés. Não questionar Chico Xavier nem Emmanuel (que sempre condenou o raciocínio investigativo e o debate), não adentrar no terreno da mistificação e aceitar certos absurdos porque eles agem de acordo com a "fé espírita".

E aí isso causa problema quando o assunto é "cura espiritual", porque procedimentos duvidosos poderiam ser substituídos por práticas espirituais que pudessem se harmonizar e dialogar com valores e conhecimentos da Medicina na Terra. Mas não são substituídos.

Tudo se limita a práticas duvidosas, misteriosas, e o valor delas está justamente no que está oculto e misterioso. As pessoas são desestimuladas a saberem por quê. Tudo fica "maravilhoso" porque ninguém sabe como e por que aconteceu. Apenas... "aconteceu".

Isso é ridículo. As pessoas têm direito de saber as justificativas das coisas e os segredos dos mistérios. O "espiritismo" se comporta igualmente ao Catolicismo medieval, do qual herdou sua essência bem mais do que a de Allan Kardec,

Sabe-se que o Catolicismo medieval criava também seu "terreno do surreal", em que deturpações narrativas de fatos bíblicos, com episódios fictícios ou detalhes surreais inseridos, cujo questionamento era severamente condenado sob a alegação do "mistério da fé".

Em que pese o "espiritismo" ter rompido com a maioria dos absurdos bíblicos, ele criou novos e mantém a prática de ocultar certas práticas, ideias e procedimentos para ser "temido" por seus seguidores, uma vez que o "mistério" domina mais as pessoas.

Daí que as "curas espirituais" tornaram-se um procedimento irregular e duvidoso. As pessoas são proibidas de saber como realmente se dão essas cirurgias, qual a relação delas com procedimentos científicos, e se contentam a aceitar procedimentos "simples" mas feitos em total ignorância tanto da Medicina terrena quanto da Ciência Espírita.

Cria-se um conflito entre a Medicina terrena e as práticas "espirituais", e isso prejudica a confiabilidade dessas cirurgias, que podem dar certo ou errado não pela luz da Medicina, mas por aspectos nebulosos que variam dos efeitos placebos ao mau agouro que os tratamentos espirituais costumam trazer para as pessoas.

E esse conflito é muito grave, diante do verniz "conciliador" do "espiritismo" brasileiro, com suas irregularidades, mistificações, fraudes, deturpações etc. E, no caso das "cirurgias espirituais", pode-se afirmar que a medicina "espírita" se mantém muito doentia.

sábado, 11 de abril de 2015

A corrupção, a impunidade e o fiado


A edição deste mês do Correio Espírita, periódico que segue ideologicamente o "espiritismo da FEB", tem como matéria de capa a corrupção, tendo como título a chamativa frase "Na realidade espiritual, nada acaba em pizza", em alusão ao famoso alimento associado à impunidade política.

Segundo o periódico, a corrupção política, como todos os erros humanos, terá seu preço "estabelecido" no retorno à "pátria espiritual", quando os devedores saberão o quanto deixaram de débitos para a humanidade, a serem pagos nas próximas encarnações.

Tudo bem, se fosse só isso. O grande problema é que o "espiritismo" brasileiro adota um estranho moralismo para o qual os erros são cometidos por longos períodos sem causar danos sérios a seus praticantes, beneficiados pela impunidade e pelo "exemplo de sucesso" que acabam deixando para seus seguidores e parceiros.

Existe até mesmo o julgamento "espírita", logo vindo de uma religião que pede para "ninguém julgar", de que corruptos, assassinos, ladrões e semelhantes agem prolongadamente e com êxito porque estariam "cumprindo" missões de "reajustes espirituais" ou "resgates morais" de suas vítimas. No "espiritismo" brasileiro, a vítima é a "culpada".

Dessa feita, a corrupção, que é o caso do artigo do Correio Espírita, e a impunidade que a protege, revelam uma espécie de "fiado" moral em que seus praticantes têm um longo prazo para estas práticas abusivas, e quando sofrem algum dano, ele não se torna grande o suficiente para intimidar suas atividades ilícitas.

Quando muito, pessoas que cometem graves erros são odiadas por multidões, mas são apenas arranhões que não comprometem o privilégio daqueles que agem em prol do egoísmo. Praticam longamente seus abusos e maldades, e vivem em relativo sossego embora longe de viverem em paz.

Quase não há decadência, diante dessa perspectiva, e o infrator ou criminoso só cumprirá os efeitos de seus abusos em uma ou duas encarnações adiante, de preferência quando tiver consequência do arrependimento. Quando não se arrepende, não paga pelos erros. Só começa a pagar quando não tem mais vontade de errar e passa a se opor às suas antigas atitudes e interesses.

O fiado é assim. A pessoa que poderia pagar deixa a conta para depois. Quando deixa de ter condição para pagar, a conta vem amarga. O devedor moral tem condições, na encarnação de seus atos errados, de sofrer desilusões pesadas ou mesmo de abreviar sua vida para evitar o prolongamento de sua vida de crimes e o aumento de influência de seus êxitos.

Mas, em vez disso, o pagamento só é feito quando ele não se acha mais nas condições de sofrer infortúnios, quando seu arrependimento se torna pleno e quando sua consciência repudia os antigos atos.

O fiado moral se reverte, quando seu faltoso já se arrependeu de seus atos, em juros pesados e prolongados, que o faltoso já não precisa mais suportar, mas têm que aguentar em doses maiores do que aquelas que naturalmente suportaria.

Com isso, o "espiritismo" brasileiro torna-se cruel, ao permitir que o egoísmo humano se prolongue demais numa vida para depois seus praticantes, no momento do arrependimento, sofrerem mais do que o necessário para o aprendizado e para o verdadeiro reajuste moral.

A corrupção política, que no Brasil atinge seu apogeu, não se limita a casos como a Petrobras e ao esquema de Marcos Valério. Também não se limita ao PT, PMDB e similares, mas também ocorre no PSDB, DEM e outros partidos mais conservadores.

À sua maneira, a corrupção também ocorre na Federação "Espírita" Brasileira, com seus chefões deturpando a Doutrina Espírita e estimulando a prática de falsas mediunidades - das quais Chico Xavier e Divaldo Franco não são exceção - que mancham o movimento religioso e agem por sua decadência devido a suas próprias faltas.

Enquanto as atividades "espíritas" desperdiçam seu tempo falando em "moralismo familiar" e "problemas emocionais", seu total desconhecimento da Ciência Espírita é mascarado por simulacros de mediunidade e compreensões fantasiosas do "mundo espiritual", que mal conseguem disfarçar conceitos moralistas, dogmáticos e ritualísticos herdados do Catolicismo medieval.

Por isso a própria "advertência" do Correio Espírita deveria servir para o próprio "espiritismo", de forma ainda mais grave e chocante do que prega para os corruptos políticos. Isso porque a ilusão de "superioridade" do "movimento espírita" já fez muitos de seus líderes se chocarem com a situação humilhante no regresso à vida espiritual.

Tomados de um estereótipo de filantropia e humildade que mascaram vaidades pessoais e práticas abusivas de enganação e ilusionismo, os líderes e anti-médiuns "espíritas", quando voltam ao mundo espiritual, sentem a aberrante e traumatizante decepção de verem que até mesmo a ilusão terrena da falsa humildade se desfaz no além-túmulo, como em todas ilusões levianas feitas na Terra.

Portanto, se a corrupção política não "termina em pizza" no além-túmulo, também não os líderes "espíritas" não se tornarão "iluminados" no retorno à vida espiritual. Pelo contrário, eles tornam-se ridiculamente inferiorizados e frustrados com a realidade que produziram na Terra.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Ed Motta e os roedores expõem feridas do suposto "Coração do Mundo"


O Brasil está em crise e dois episódios ocorridos ontem mostram as feridas abertas de 50 anos em crise, que causam choque na aparente normalidade que forçadamente se construiu num modelo de país esquizofrênico, como o Brasil se tornou depois de abril de 1964 e cujos absurdos não só ainda não foram superados como vieram outros, principalmente dos anos 1990 para cá.

Isso vai contra a suposta "profecia" do "dócil e meigo" Francisco Cândido Xavier, que havia "prenunciado" que o Brasil se tornaria um país próspero promovendo solidariedade e fraternidade, enquanto o "velho mundo" (Europa, EUA, Oriente Médio, Ásia e parte da Oceania) seriam destruídos pela "Mãe Natureza" (esposa de Deus?) por causa de suas supostas inclinações bélicas.

Pois justamente o Brasil está sofrendo sua pior crise, desde as tensões sociais de 2013 e 2014, época que os "espíritas" outrora acreditavam serem o começo de um tempo de paz e fraternidade e de muita prosperidade no país. Desde 2010 eles esperavam que o Brasil fosse assim, e desde então ficou o contrário.

Um dos episódios corresponde ao protesto de um funcionário da Câmara dos Deputados, Márcio Martins de Oliveira, que soltou cinco roedores no plenário da casa parlamentar, durante o depoimento do secretário de Finanças do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto.

O funcionário, ao ser identificado, foi detido por seguranças e já foi anunciado que ele será exonerado do cargo. Os roedores eram dois ratos, dois hamsters e dois esquilos. Um dos roedores saiu ferido ao ser pisoteado e todos foram capturados bastante estressados com a ocasião, já que muitas pessoas se apavoraram com os animais sendo jogados no chão por Márcio.

Já o cantor e músico Ed Motta, em sua página no Facebook, escreveu um texto agradecendo o apoio da comunidade brasileira, mas ressaltando que na sua turnê europeia só toca canções em inglês e se comunica com a plateia com essa língua, não com o português vigente no Brasil.

Ed ainda criticou uma parcela de brasileiros, que ele chamou de "turminha simplória", que "vem beber cerveja barata com camiseta apertada tipo jogador de futebol, com aquele relógio branco, e começa gritar nome de time" e que pede para o cantor tocar "Manuel" (seu maior sucesso, mas que o cantor não toca mais ao vivo) e falar em português.

Os dois episódios criaram incômodos muito grandes. Quebraram a normalidade forçada por um país que desenvolve seus absurdos e os mascara dando a falsa impressão de que tudo está bem. Valores culturais, sociais, políticos, econômicos e de outras naturezas que se baseiam em processos excludentes e prejudiciais, embora trouxessem falsos benefícios e falsas vantagens, ainda prevalecem sem que haja uma reação organizada contra tudo isso.

Evidentemente, muitas pessoas não gostaram. O protesto de um funcionário que quis chamar a atenção diante da morosidade da Comissão Parlamentar de Inquérito, e de um músico brasileiro indignado com a mediocridade reinante, foram vistos, respectivamente, como ato de vandalismo e demonstração de arrogância. Queriam que os dois cumprissem quietos seus respectivos scripts.

Só que, desde 1964, o Brasil acumulou absurdos, injustiças, impunidades, arbítrios, perdas graduais de poder aquisitivo, que os brasileiros receberam, em primeira instância, de maneira forçadamente conformada, já que havia o governo militar e depois o AI-5. Mas, depois, o próprio Brasil pegou gosto de aceitar seus absurdos e retrocessos, aplaudindo até as piores decisões.

Criamos uma má pedagogia por causa da ditadura. Os brasileiros passaram a aceitar decisões que, por mais nocivas que sejam, são apoiadas por conta da reputação e status de alguém. Um Jaime Lerner, por exemplo, um dos "filhotes da ditadura" que hoje se passa por "progressista" por conta de um sistema de ônibus nocivo que só está causando acidentes, estressando rodoviários e fazendo os passageiros esperarem muito tempo para embarcarem no ônibus errado.

O Brasil retomou o complexo de vira-lata e, salvo exceções, passou a aceitar tudo de ruim. Quando muito, só reclama de certos absurdos pelas costas. As pessoas deixaram de desejar o melhor para elas mesmas e atribuem "superioridade" de certas elites arbitrárias por causa do diploma, da visibilidade, do prestígio político, do poder econômico etc.

Somos prejudicados e muitos de nós preferem acreditar que esses prejuízos, do arrocho salarial à pintura padronizada nos ônibus, da falta de atendimento médico à invasão de grotescos funqueiros nos redutos da MPB, são apenas "transtornos necessários" para um benefício futuro que, na verdade, nunca existirá e que não passa de conversa para boi dormir.

O Brasil chegou aos níveis surreais de muitos de seus arbítrios e injustiças, de seus desleixos, descasos e impunidades, que o país, em vez de ser a síntese dos mais diversos povos do mundo, tornou-se a síntese dos absurdos narrados nos livros de Franz Kafka, nas pinturas de Salvador Dali e nos filmes de Luís Buñuel, acrescida de um FEBEAPÁ que saiu do papel e sobreviveu à morte do seu criador Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto).

Na melhor das hipóteses, o Brasil tornou-se uma mixagem amalucada dos fatos fictícios narrados pelas obras 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que dizem mais sobre o Brasil do que o tolo livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que Chico Xavier e Antônio Wantuil de Freitas escreveram e usaram o nome de Humberto de Campos.

Aliás, as pessoas acreditam bovinamente na "superioridade" de Chico Xavier, figura típica desse país de absurdos. Ele errou muito e gravemente, transformando a Doutrina Espírita numa bagunça, causou escândalos sérios e problemas jurídicos graves, explorou as tragédias familiares de forma sensacionalista e no entanto seus seguidores querem vê-lo inocente de tudo quanto errou.

Eles querem que Chico Xavier seja mantido no seu pedestal, querem que ele seja visto como "espírito superior" de qualquer maneira, atropelando a lógica dos fatos e dos argumentos, e querem atribuir a ele funções de "cientista", "psicólogo", "socíólogo", "profeta" etc, coisas que ele nunca teve.

A impressão que se tem é que boa parte da sociedade brasileira, independente de ser "espírita" ou não, prefere que o Brasil naufrague sereno e silencioso na sua decadência, como queria um Chico Xavier que simboliza os valores conservadores enrustidos e o estereótipo de religiosidade e humildade do qual os hipócritas se apegam pela incapacidade de desenvolver tais qualidades por si mesmas.

Só que isso fará com que o Brasil não consiga progredir e seja vitimado por seus próprios vícios e teimosias, seus próprios descasos e arbitrariedades, suas próprias mentiras e violências e aí ele deixará de ser o virtual candidato a "farol da humanidade", virando ruínas de suas pretensões e omissões.

É contra esse Brasil viciado e acomodado que Márcio e Ed agiram. Com toda a certeza, eles desagradaram e irritaram muita gente. Mas é assim mesmo que acontece, diante de tanto marasmo que acontece nesse país.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Profissão Repórter apela para clichês do "espiritismo" brasileiro

"ESPÍRITAS" EXPLORAM DE FORMA SENSACIONALISTA A DOR DOS QUE PERDERAM JOVENS FAMILIARES.

O "movimento espírita" foi mais uma vez assunto na grande mídia, e a Rede Globo promove a doutrina de tal forma que a gente desconfia se a emissora dos irmãos Marinho está usando o "espiritismo" da FEB para se contrapôr ao neopentecostalismo da Rede Record e suas milícias de "Gladiadores do Altar", espécie de "pitboys de Cristo".

Em que pese seu compromisso com a honestidade jornalística, o Profissão Repórter comete falhas sérias, não apenas porque Caco Barcellos, profissional de competência indiscutível, é obrigado a seguir a cartilha das Organizações Globo, mas a própria boa-fé da equipe em trabalhar pautas tendenciosas como o "funk", o "sertanejo" e, agora, o "espiritismo".

Difícil não entrar no terreno do sensacionalismo na edição do último dia 07 (07 de abril de 2015, para facilitar a consulta do Google), dedicada a reportar a "mediunidade", as "cartas psicografadas", a "caridade espírita" e as "curas espirituais". O programa se dedica a explorar os mesmos clichês batidos que marcam o "movimento espírita" brasileiro há mais de cem anos.

Dentro de um processo em que a fé religiosa serve de pretexto para acobertar irregularidades, a reportagem mostra vários casos: o trabalho do "médium" João de Deus em Abadiânia, em Goiás, o caso do espírito Doutor Hans, supostamente relacionado a um serviço de "curas espirituais" em São Caetano do Sul, em São Paulo, e serviços de "psicografias" em Lorena e Guarulhos, também em São Paulo.

As "curas mediúnicas" são narradas dentro do que a aparência se limita a mostrar e que remetem ao mesmo processo do Dr. Adolph Fritz, investindo nos clichês da "medicina espírita" feita no Brasil: supostas cirurgias com uso de tesouras, facas e bisturis, sem higiene, dentro de salas escuras e com pequena duração de tempo.

Sem verificarmos estudos e pesquisas sérias sobre curas espirituais, apenas acredita-se no sobrenatural, no misterioso, fazendo com que a tradição católica existente no Brasil hoje encontrasse seu "terreno de veraneio" na forma com que a Doutrina Espírita é feita no Brasil, em completa e aberrante distância da Ciência Espírita de Allan Kardec.

Já as "cartas psicografadas" são um outro aspecto aberrante que pegou desprevenidos os repórteres da equipe de Caco Barcellos. Isso porque sabemos dessa prática, completamente cheia de irregularidades, em que a veracidade é erroneamente reconhecida, mesmo quando mensagens apresentam apenas a caligrafia dos "médiuns" e expressam o mesmo apelo religioso, como se o mundo espiritual fosse uma grande igreja.

A reportagem cita até mesmo uma pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora, que com métodos duvidosos e confusos, embora pretensamente "rigorosos", apontaram que 98% das supostas cartas psicografadas por Chico Xavier teriam sido "exatas, precisas e verdadeiras", um resultado que não tem qualquer grau de validade séria.

Além dessa constatação ser bastante tendenciosa, sem verificar outros aspectos - como a semelhança de apelo religioso das mensagens, que destoam em muitos casos das personalidades originais dos jovens falecidos - , o único critério que se observa nas pesquisas é preservar a reputação de Chico Xavier, protegido por estereótipos diversos que vão da religiosidade à humildade.

E as "cartas psicografadas" tornam-se um processo leviano, sensacionalista, na qual a emotividade das famílias que perdem seus filhos é explorada da maneira mais constrangedora, já que a pieguice da exploração da tragédia alheia, da capitalização sobre a tristeza do outro, acaba servindo mais para propaganda dos "centros espíritas" do que para qualquer fim de aparente caridade.

É lamentável que um programa que queira ser considerado como de jornalismo sério, em que pese ser veiculado pela conservadora Rede Globo de Televisão - tão marcada negativamente por suas manobras ideológicas - tenha que servir de propaganda para as irregularidades do "espiritismo" brasileiro, que sabemos viver sempre de abordagens especulativas, fantasiosas e fraudulentas.
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