quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Os "espíritas" são mais queixosos e teimosos que se imagina
Os "espíritas" andam fazendo seu juízo de valor a respeito do sofrimento alheio. Definem que as desgraças que o outro sofre são "desafios", "testes sucessivos" e "sacrifícios necessários" e sempre exigem dele que "confie em Deus", "não reclame jamais" e "mude os seus pensamentos".
Exigir dos outros é muito fácil e o que se observa é que também parece cômodo que nós, estando do outro lado do plenário das palestras, sejamos sempre os portadores de erros, fraquezas, hesitações e exageros. Nós somos o "eu" para nós, mas poucos percebem o "eu" dos "conselheiros espíritas" os quais esquecem dos próprios equívocos que cometem.
O "espiritismo" brasileiro é uma sucessão de erros graves. Em que pese a gravidade que as religiões evangélicas de padrão "pentecostal", que lideram a Bancada da Bíblia no Congresso Nacional, trazem para o país, propondo um modelo de sociedade nos moldes do século XVIII, o "espiritismo" em muitos casos é até pior diante de sua desonestidade doutrinária não assumida.
Ver palestrantes que, num momento, exaltam a "brilhante atualidade" do pensamento de Allan Kardec e, depois, vão exaltar o igrejismo "de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, é altamente constrangedor. E mais preocupante é que tudo permanece num ciclo vicioso que parece longe de terminar.
Falta autocrítica no "movimento espírita". Além do mais, o Brasil vive uma tendência, notada em diversas atividades, em que as pessoas se sentem reféns de suas próprias contradições, criando um apego a ideias e práticas retrógradas e ao mesmo tempo a um pretensiosismo em fazer tudo parecer novo e moderno.
É justamente na parcela da sociedade brasileira com maior status quo que ocorre um processo de decadência e crises irrecuperáveis, mas que há todo um esforço em, pelo menos, botar a sujeira debaixo do tapete ou empurrar a tragédia iminente com a barriga.
O "espiritismo" paga o preço caríssimo de ter feito a opção catolicizada. E, como tudo acontece no Brasil, vide manobras como o "jeitinho brasileiro" e a "memória curta" que sempre beneficia os malandros de ocasião, o igrejismo, nos últimos 40 anos, anda dissimulado por uma falsa adesão ao cientificismo kardeciano.
Só isso abre caminho para tantas e tantas irregularidades. Como no próprio caso de Chico Xavier, ele que virou "ícone da caridade" de graça, e sob a ajuda da manipuladora Rede Globo, sedenta em lançar uma "água com açúcar" religiosa para abafar a crise da ditadura militar e concorrer, "à paisana", à ascensão de pastores eletrônicos como R. R. Soares e Edir Macedo.
O próprio Chico Xavier mostrou aspectos condenáveis, como o juízo de valor e a maledicência. O "médium" que dizia para "ninguém julgar quem quer que fosse" acusou, sem provas, as pobres vítimas da tragédia de um circo em Niterói, em 1961, de terem sido romanos sanguinários. Para piorar, ainda botou a responsabilidade a Humberto de Campos, nome usurpado por Xavier e muito mal disfarçado pelo cínico pseudônimo de Irmão X.
Quanto a maledicência, o caso de Jair Presente é ilustrativo. Irritado com o ceticismo dos amigos de Jair Presente, que o conheciam bem e, por isso, desconfiaram das "psicografias" lançadas por Chico Xavier, este definiu o ceticismo como "bobagem da grossa". Como ficar do lado de um ídolo religioso e não de gente que conviveu com um falecido e se sentiu lesada por supostas mensagens do além, é algo bastante preocupante.
Chico Xavier se irritava, reclamava e o próprio fato de pregar para ninguém se queixar da vida é algo que deve ser pensado com muita cautela. Afinal, as pessoas que nunca suportam ver os outros infelizes ou reclamando da vida são mil vezes mais queixosos e mais resmungões e, para piorar, são os que reclamam dos que reclamam da vida com mais razão.
Porque, muitas vezes, as pessoas que supostamente "reclamam demais" da vida sofrem muitos prejuízos e têm dificuldade extrema em superá-los. Os que não aguentam esses queixosos é que querem um mundo de ilusão, de faz-de-conta, de mar-de-rosas, e em vez de ajudar os outros julgam o sofrimento extremo como "aprendizado" e não como desgraça.
Em outras palavras, para o palestrante "espírita", sempre se achando detentor da "melhor palavra" e da "lição certeira", tanto faz a pessoa ser prejudicada. A vítima é a "culpada", e ela é que pague pelo seu próprio prejuízo. Fica fácil dizer para os outros aguentarem o sofrimento, terem paciência aqui e ali.
Ora, os sofredores já encararam suas desgraças com muita paciência. Há muito reformularam seus pensamentos na tentativa de ter alguma esperança. Redobraram seus esforços para superar grandes obstáculos.
Portanto, os conselhos que os "espíritas" sempre dão aos sofredores sempre chega tarde demais. Se o sofredor não consegue superar suas dificuldades, nem sempre é culpa dele, até porque as barreiras são impostas por outrem. Aí que está um dos maiores erros dos "espíritas", achar que dar murro em ponta de faca é aprendizado, achar que a asfixia ensina a respirar melhor.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Parábola do religioso "espírita" e do rico
Dois homens faleceram com a mesma idade, na velhice. Um era um aristocrata, um homem rico que viveu do luxo e da luxúria, com dinheiro, festas e outras curtições. Outro era um religioso "espírita", que fazia atividades filantrópicas e vivia de fazer pregações em palestras e livros.
Os dois se dirigem ao Departamento do Além, que avalia o que as pessoas teriam feito em suas vidas recém-terminadas. Funcionários são designados para atender aos espíritos que deixaram a vida terrena, e analisam suas trajetórias de vida, dando um parecer final depois.
Diante da espera, o homem rico pergunta para o "espírita":
- O que será que vai dar? Será que ganharemos algum benefício por nossas vidas?
- Da minha parte, creio que sim. Eu que fiz tudo pelo próximo, acho que terei meu ingresso ao lado do Pai Maior.
O funcionário chama o homem rico para conversar. O homem rico se dirige ao balcão, e o funcionário lhe diz algumas coisas e ouve as respostas do aristocrata. Depois o funcionário se retira, para ver documentos e analisar o caso, enquanto o rico espera com paciência.
Depois, o funcionário retorna e dá algumas palavras, recebendo eventuais respostas do interlocutor. Este às vezes balança a cabeça de maneira positiva, como se estivesse consentindo e o funcionário parece falar mais algumas coisas. De repente, o homem rico é dispensado e este se dirige ao "espírita".
- O que é que aconteceu? Você foi enviado para o céu? - perguntou o "espírita", inocentemente, embora acreditando na hipótese negativa.
- Não fui para o céu. Tenho que viver novas encarnações. Tenho muitas dívidas sociais a fazer e o caminho é muito longo. - disse, calmamente, o homem rico.
O funcionário chama então o "espírita", que interrompe a conversa e pede licença ao rico, que acaba por esperar o outro.
O "espírita" reage não com a indiferença do homem rico, mas com a esperança de que sua missão pode ter chegado ao fim. Mas o funcionário manteve a mesma frieza profissional, o que não causou estranheza ao "espírita", já acostumado com a conduta dos servidores na Terra.
O funcionário fez suas perguntas. O "espírita" respondeu com serenidade e uma tranquilidade de alguém que se considerava triunfante, apesar de simular modéstia.
- Sabe como é, eu me dediquei ao próximo, dei a boa palavra, criei instituições que assistiam os necessitados, vivi completamente em nome da caridade e aceitava condecorações como um reconhecimento humilde ao trabalho que realizei.
- Certo, certo.
- Será que terei assento ao lado do Pai Maior, o Deus Criador?
- Um momento.
O funcionário foi ver os documentos. Verificou a trajetória do "espírita" em outras encarnações. Quando viu os papéis mais recentes, prestou muita atenção, ficando parado por uns instantes prestando atenção no texto. No entanto, reagiu com uma expressão não muito feliz. Ao retornar, simplesmente disse:
- Senhor...
- Sim. - respondeu o "espírita".
- Você não irá para o céu. Sinto muitíssimo, mas o que você fez na Terra foi no mínimo constrangedor.
- Como assim? Que eu não tenha assento junto ao Senhor, ainda vai, mas dizer que meu trabalho foi constrangedor é algo que me entristece muito.
- Pois, para sua tristeza, eu revelo que o que você fez não teve um milésimo da importância que as paixões religiosas da Terra atribuem.
- Mas como?
- Você foi um mistificador que usava a caridade apenas como um meio de complementar sua campanha religiosa. Difundiu ideias fora da realidade, enganou multidões, explorou a boa-fé de todos, e ainda se envaideceu com os prêmios terrenos que recebia.
- Isso é impossível! Eu trabalhei pelo próximo! - disse, irritado, o "espírita".
- Pois não é isso que parece. Tudo o que você fez foi um igrejismo piegas, desonesto, exaltando farsantes ao lado de figuras autênticas como Allan Kardec, e seu moralismo era tão ruim que inspirou alguns suicídios.
- Suicídios? Eu, que sempre preguei para as pessoas não se suicidarem, porque era um ato lamentável...
- Mas você sempre fez apologia ao sofrimento, dizia para as pessoas aguentarem dificuldades sem reclamar, não aprovava a tristeza prolongada e achava que as pessoas deviam abrir mão de suas necessidades e terem autoconhecimento para outros desejos e interesses.
- Mas o que isso tem a ver com o suicídio de algumas pessoas?
- Simples. Por reprovar a individualidade humana, achando que desejar e necessitar de algo é frescura materialista, você frustrava as pessoas que, moralmente humilhadas, tiravam suas próprias vidas. Nem o fato de falar em vida eterna ou bênçãos futuras adiantou, porque, a essas alturas, tanto faz os sofredores se desgraçarem na Terra quanto no além-túmulo.
- Sinto muito pelo que aconteceu.
- Só que você influenciou isso, mesmo sem querer. Mas, por não ter evitado isso, você terá que enfrentar as consequências desse desprezo ao sofrimento alheio.
- Mas aí é demais. Nada falei de tão grave.
- Falou, sim. E eu devo citar o caso daquele homem rico que atendi antes.
- Como assim?
- Ele era um fanfarrão, um homem que vivia de luxo, gozos abusivos e poder. Mas, no intervalo do julgamento do divórcio de sua primeira esposa, o homem rico foi fazer um lanche e trocou um papo com ou depressivo engraxate, que lamentava as suas dificuldades de ascensão na vida, com tanto custo para cuidar de sua família.
- E o que ocorreu?
- O pobre rapaz contou para o rico que sentia vontade de matar, e que estava na situação limite para obter coragem e tomar veneno de rato. E eis que o homem rico lhe comentou que gostava de ouvir um disco de Dave Brubeck, um músico de jazz, o famoso Take Five, para curar de momentos de depressão.
- E o que ocorreu depois?
- Olha, os dois nem se reencontraram. Eu é que informei ao homem rico que o engraxate comprou o disco e virou músico de jazz. Nunca mais ficou deprimido, usava a música como terapia para suas frustrações emocionais. E pode ajudar ainda mais sua família com a renda dos concertos.
O "espírita", decepcionado, chegou perto do homem rico.
- E aí, o que aconteceu? - disse o aristocrata.
- Não vou para o Paraíso. Me falaram que eu prejudiquei as pessoas com meu moralismo religioso. Quanta tristeza eu tive ao ouvir o funcionário me falando coisas de machucar o coração!
- Eu nunca imaginei que iria para o Paraíso. - disse o aristocrata. - Eu vivi as ilusões da vida material, mas de tal forma que, quando encerrei minha vida na Terra, já me diverti o suficiente, me preparando para uma vida mais responsável. E como vivi sempre alegre, apesar dos abusos de minha riqueza, às vezes tinha um talento oculto de ajudar as pessoas, que mesmo minha vaidade não pôde perceber.
- E aí?
- Aí que isso se tornou um atenuante para mim e eu, preparado para admitir a distância do caminho para o Alto, recebi a sentença de maneira tranquila. Pelo menos minhas ilusões eram materiais e eu pude abandoná-las quando chegou a hora. As suas ilusões você achou que nunca abandonaria, daí essa sua inesperada decepção.
sábado, 10 de setembro de 2016
Por que os casamentos espontâneos se dissolvem com mais facilidade?
Há poucos dias, um dos casais que eram símbolo de cumplicidade e amor sincero, dos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes, chegou ao fim, depois de 26 anos de casamento, com três filhos crescidos. A separação pegou de surpresa a opinião pública, que nunca esperou um desfecho desses. O mais incrível é que a separação já ocorria há alguns meses e só recentemente foi noticiada.
Com bem menos cumplicidade, casamentos que não são movidos por amor tendem a durar mais, mesmo quando existem crises e divergências. Há pelo menos duas ou três apresentadoras de televisão que, casadas com executivos de TV ou empresários, vivem uma relação sem muita cumplicidade e até com eventuais crises, mas que mesmo assim não resultam em divórcio ou separação.
É um fenômeno a ser estudado. Há mulheres aparentemente bem casadas que aparecem na mídia quase sempre sozinhas, abaçando seus filhos ou comparecendo a eventos sociais sem seus maridos. Na busca do Google, há mais fotos dessas mulheres desacompanhadas de seus cônjuges do que juntamente com eles, geralmente vestidos com insossos trajes formais de terno e gravata.
No entanto, há casais marcantes que se separam e, mesmo assim, por mais que as mulheres se tornam solteiríssimas, a maioria das aparições registradas na Internet as mostra com seus ex-maridos, ainda que haja uma quantidade crescente de fotos com elas solteiras e sem as alianças de casamento em eventos mais recentes.
Por que casamentos formados com mais espontaneidade se dissolvem com mais facilidade que os casamentos movidos pelas conveniências? É uma questão tão complicada quanto questionar por que as mulheres que seguem valores machistas tendem a ficar mais solteiras do que aquelas que não os seguem.
No caso do machismo, é reflexo de uma sociedade machista que o Brasil, ainda apegado aos valores retrógrados (vide o governo de Michel Temer e todo o seu projeto político), mantém, e que "premia" às mulheres que obtém fama como meras mercadorias sexuais (como a Mulher Melão e a ex-banheira do Gugu Solange Gomes) com solteirice, enquanto "aconselha" as mulheres que buscarem se emancipar com inteligência e bom senso a viverem "sob a sombra do marido".
Isso quer dizer que a mulher precisa ter seu feminismo "vigiado". A mulher que cumpre seu papel na sociedade machista, sendo mulher-objeto ou fazendo o papel estereotipado da empregada infantilizada que ouve música brega (ou os sucessos radiofônicos "populares" de hoje em dia), personificando estereótipos de mulheres submissas a valores machistas, estão dispensadas de ter a companhia amorosa de um macho, porque elas já seguem sozinhas o machismo.
Já a mulher que tem bons referenciais culturais, não segue papéis impostos pelo machismo e representa até ameaça aos valores machistas, "precisa" da influência "moderadora" do marido, geralmente um empresário ou alguém relacionado a uma posição de comando ou liderança.
Em alguns casos, a mulher não-machista se torna "machista" pela influência do marido. Passa a ter gosto por festas de gala, pela religiosidade conservadora, por uma vida cheia de formalidades, passa a fazer cobranças demais para os outros, deixa de ser a moça de personalidade interessante e divertida que a fazia muito atraente.
No entanto, a mulher machista que se torna solteira por conveniência não aprimora sua personalidade a não ser mediante muita pressão, e mesmo assim de forma relativa, forçada e superficial. Custa a abrir mão de sua imagem de "mercadoria sexual" e resiste a se livrar da imagem "sensual", usando desculpas pseudo-feministas como o "direito à sensualidade" e "a liberdade do corpo".
No casamento espontâneo, o único vínculo é o sentimental. Como os casais se formam com liberdade e de maneira espontânea, o casamento também se dissolve de forma livre e espontânea. Não há outros vínculos sociais obrigatórios, e mesmo que muita gente se decepcione com o divórcio, ele acontece sem "pendências".
Já no casamento por conveniências, o vínculo sentimental nem chega a se dissolver porque, de tão frágil, apenas "cai de podre". Mas há outros condicionadores sociais, como contatos influentes, pensões alimentícias, preocupação maior com a ascensão social dos filhos, a separação se torna mais dolorosa, porque a relação é muito mais um consórcio, um contrato social e não uma simples relação de amor.
Além disso, há o outro lado. Nas relações espontâneas, o vínculo de imagem dos cônjuges como um casal é maior. Nas relações por conveniência, a mulher pode "ficar solteira" e aparecer desacompanhada em quase todos os eventos. O marido é mais um patrocinador que compartilha a cama de casal e acompanha a esposa nos eventos formais ou nos passeios com o(s) filho(s). Até quando cita o homem mais bonito, a mulher dificilmente se lembra do marido.
Só mesmo entendendo as nuances da sociedade de valores conservadores e do pragmatismo das conveniências que é o Brasil para entender esses casos. No mundo dos famosos, diante de tantos casamentos frágeis que perduram e resistem, há casamentos aparentemente sólidos como os de William e Fátima que se encerram de repente.
É porque houve liberdade para se separar da mesma forma que houve liberdade para se unirem. Algo que os casamentos por conveniência não têm, pois, em que pese a superficialidade conjugal, são casamentos muito difíceis de serem dissolvidos, por ser alto o custo social de tais dissoluções.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Madre Teresa e o sofrimento humano
Quanta ilusão é o deslumbramento religioso. Vocês leem os textos de "espíritas", eles se julgam detentores da realidade, donos da palavra final, senhores da visão mais objetiva da vida, e no entanto o que eles transmitem é fantasia, mito, ficção. E fala-se até mesmo de Divaldo Franco, que os incautos têm a tolice de definir como "professor" ou até "filósofo".
A religião acaba se tornando uma farsa, afinal, a metodologia de sua construção ideológica tem como ponto de partida o Catolicismo medieval. Mesmo divergindo em vários pontos, o protestantismo pentecostal - como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus - , definido como "neopentecostal" pelo apelo midiático e pela atuação parlamentar mais intensos, e o "movimento espírita" devem muito ao Catolicismo medieval em muitas ideias e práticas.
A recente santificação de Madre Teresa de Calcutá, felizmente, mostrou o lado controverso da coisa. A grande imprensa teve que admitir que muitas pessoas criticaram a tarefa, já que um documentário de Christopher Hitchens denunciou que a freira albanesa era corrupta e fazia maus tratos aos seus "assistidos", reduzindo suas casas de "caridade" em verdadeiros holocaustos.
Nestas casas, consta-se que, enquanto a freira albanesa, cujo nome de batismo era Agnes Bojaxhiu, estava viva, 29 mil de seus "assistidos" morreram por males que vão da falta de higiene desses "lares", da má alimentação, da remediação precária e, entre outros descasos, de se expuserem uns aos outros contagiando doenças graves.
E o que Madre Teresa dizia disso? Que eram 29 mil almas que "purificaram seus pecados e agora estão ao lado de Jesus Cristo". Essa visão, não muito diferente de certo austríaco, é respaldada até mesmo pelos "iluminados espíritas" e suas "palavras de amor".
As casas eram apenas depósitos de gente, quase que pré-necrotérios. Sem higiene, sem equipamentos, as próprias casas tentavam se manter em situação precária para dar um aparato de "humildade" que encantou muitas e muitas pessoas. As geladeiras e despensas quase não tinham alimentos e as poucas seringas eram reutilizadas e lavadas apenas com água de torneira (que não é aquela limpeza toda), o que traz um risco mortal para a saúde de alguém.
Madre Teresa arrecadava fortunas imensas para sustentar suas casas de "caridade". Abastecer de alimentos, bons equipamentos, limpar os lugares etc, tratar bem os enfermos e tudo o mais, tudo isso poderia ter sido feito. Mas não. Ela desviava o dinheiro, que ia todo para os cofres da cúpula do Vaticano, enriquecendo o já milionário alto clero da Igreja Católica.
O pior é que Madre Teresa não aceitava que médicos voluntários trabalhassem nestas casas e nem que familiares recolhessem os enfermos para transferi-los para hospitais. Ela acreditava que, quanto mais as pessoas sofriam, mais estavam perto do Céu, o que é uma perversidade sem tamanho para uma beata que se tornou oficialmente "símbolo máximo da bondade humana".
CHICO XAVIER: A "NOSSA MADRE TERESA"
É bastante curioso ver comparações entre Madre Teresa de Calcutá e Francisco Cândido Xavier. Os dois são adorados pelos "espíritas", que costumam exaltar suas supostas missões de caridade. É até clichê dizer atribuir a cada um "uma vida inteira dedicada ao amor ao próximo".
Mas tudo isso é uma grande ilusão. Observando os mitos de Madre Teresa e Chico Xavier, eles tiveram a mesma construção. Não se fala da confusa construção do mito de Chico Xavier antes do final dos anos 1970, quando seu mentor terreno, o presidente da FEB Antônio Wantuil de Freitas, lançou mão de escândalos para transformar um caipira plagiador de livros em "porta-voz dos mortos".
O mito de Chico Xavier que hoje se aprecia é "mais limpo", e vem desde os anos 1970. Claro que o mito de "filantropo" estava sendo trabalhado mais ou menos desde os anos 1950, mas ele era atropelado por inúmeros escândalos, muitos deles graves. E Wantuil não tinha senso publicitário e deixava que o mito de seu criado fosse trabalhado com um sensacionalismo bastante exagerado.
A coisa só mudou pouco depois. A TV Tupi e a revista O Cruzeiro - já procurando "limpar" a imagem de Chico Xavier, depois da farsa de Otília Diogo que provocou o rompimento do "médium" com seu discípulo Waldo Vieira - já fizeram um ensaio parecido, mas foi a Rede Globo de Televisão que construiu a imagem de Chico Xavier que hoje é alvo de adoração de muitas pessoas.
E como no Brasil muita coisa se copia, o mito de Chico Xavier é exatamente idêntico ao de Madre Teresa de Calcutá. Quanto aos aspectos positivos, os "espíritas" não escondem essa semelhança e até acham o máximo. Uma onda de adorações e devoções religiosas, com um sentimentalismo carregado de pieguice, é alimentado e se expande até para outras figuras, como Divaldo Franco, por exemplo.
E tudo isso veio da mente de um jornalista católico, o inglês Malcolm Muggeridge, que criou o documentário Algo Bonito para Deus (Something Beautiful for God) em 1969 para construir o mito de Madre Teresa que serve para o consumismo emotivo de seus devotos. Muggeridge era tão beato que a equipe técnica torcia o nariz com os devaneios do jornalista, que atribuía a Deus até mesmo os avanços tecnológicos da Kodak e seus modernos equipamentos para a época.
A partir desse documentário, criou-se todo um roteiro de "filantropia" que muitos amam: o "filantropo" chega a uma casa de "caridade", acolhido pela multidão, carrega bebê no colo, acaricia as cabeças de velhos doentes, conversa com mendigos, vê crianças tomando sopa e depois dá depoimentos com frases pretensamente sábias, que se transformam em "filosofia" sobretudo num Brasil em que muitos pensam ser "filosofia" um repertório de pequenas frases soltas.
E o que foi feito de Chico Xavier? A mesma coisa. E com um contexto próprio: o Brasil vivia uma crise política da ditadura militar, e seitas pentecostais como a Igreja Universal e a Igreja Internacional da Graça de Deus estavam se ascendendo, criando problemas com a católica Rede Globo.
A Rede Globo não poderia competir com as seitas pentecostais usando um ídolo de batina. Teria que enfrentar Edir Macedo e R. R. Soares de maneira mais sutil, e aí o beato católico Chico Xavier caiu como uma luva, porque ele era como um padre sem batina, e sobre ele havia o verniz de "novidade" diante da oficial, mas altamente discutível, associação com a Doutrina Espírita.
Aí vemos Chico Xavier cumprindo o receituário de Muggeridge: chegando a um "centro espírita" acolhido pela multidão, carregando bebê no colo, falando com mendigo, passando a mão na testa de um velho doente, vendo crianças tomando sopinha, dando depoimentos pseudossábios que servem para enfeitar a "filosofia de bolso" de alguns midiotas e por aí vai.
Chico Xavier também foi adepto da mesma Teologia do Sofrimento que fez de Madre Teresa de Calcutá um "anjo do inferno". Seria Chico um "anjo do umbral"? O que se sabe é que Chico, com suas próprias palavras, dizia para os sofredores não demonstrarem sofrimento para os outros, além de não se queixarem da vida em momento algum.
Para piorar, ele recomendava orar em silêncio, porque o "silêncio é a voz da sabedoria". É uma crueldade comparável a de Madre Teresa. O maior absurdo é que Chico Xavier é visto como "ativista" e até "progressista" com suas visões bastante retrógradas e moralistas!
E se Madre Teresa alojava doentes e desabrigados para morrerem à própria sorte, sob a desculpa de "serem entregues a Deus", Chico Xavier prolongava tragédias familiares com a exploração sensacionalista das mesmas através de supostas mensagens espirituais que mostravam irregularidades severas.
Uma tragédia com um ente querido que poderia se minimizar em duas semanas virava um luto muito mal dissimulado pela "mensagem espiritual" que durava anos e anos. Famílias eram enganadas, como no trote telefônico em que o sequestrador imita a voz do filho de alguém para inventar que ele está bem.
"Reféns" da esperteza de Chico Xavier, os entes queridos falecidos "reapareciam" em supostas mensagens que contradizem com as respectivas naturezas pessoais e, se apresentam as mais sutis semelhanças, é porque a chamada "leitura fria" das conversas diversas nos "centros espíritas" (sobretudo no "auxílio fraterno") e as pesquisas de fontes contribuem para tamanha farsa.
O próprio Chico Xavier usava apelos como "não reclame da vida", "não conteste" e "não questione", dadas por ele ou ditadas pelo traiçoeiro mentor Emmanuel, para tirar vantagem. Afinal, Chico Xavier era acusado de praticar plágios e pastiches literários em supostos livros psicográficos - o caso mais aberrante envolve o nome de Humberto de Campos - , com provas consistentes de tamanho delito, e por isso precisava ficar impune de tais acusações.
Daí as alegações de "tóxico do intelectualismo", do "mal de questionar as coisas", do "excesso de raciocínio" e da "overdose de Ciência", desculpas esfarrapadas que condenam o ato de pensar, quando o foco passa a ser a fé religiosa e seus dogmas mais absurdos.
Isso é um ponto de vista medieval. É a condenação ao ato de pensar, e à tese de que, se a Ciência e o pensamento crítico falham, não é pelo banimento que se resolvem essas falhas. É como se dissesse que as pessoas deveriam parar de andar só porque escorregaram uma vez e levaram um tombo. Neste caso, a própria biologia mostra bebês se esforçando a andar e, diante de tantas quedas, só conseguem corrigir os passos errantes andando.
Mas a religião não quer que o pensamento "ande" depois de "tropeçar". Se o pensamento falha, ele deve ser banido ou escravizado pela fé. Quando o "conhecer" se torna equivocado, ele tem que ser aprisionado pelo "acreditar".
Só que é através do pensamento, da nossa capacidade de raciocinar, que podemos identificar irregularidades sérias em Madre Teresa de Calcutá e Chico Xavier, enquanto o ato de "acreditar", de abraçar uma ideia que, em vez de ser questionada e verificada, é apenas adorada, os deixa impunes em suas perversidades ocultas.
É terrível que movimentos religiosos, inclusive o "espírita", apelem para coisas como "existem mistérios que a razão é impotente em resolver", "coisas sublimes que o raciocínio humano é definitivamente incapaz de analisar", abordagens que parecem "lindas", mas são dignas do mais terrível obscurantismo da Idade Média.
E ver que esses dois devotos da Teologia do Sofrimento são endeusados pelos mesmos brasileiros que comemoram a saída do poder de uma chefe do Executivo que buscava diminuir as irregularidades sociais, é chocante. E mostra o quanto muitos consideram a bondade como um mero subproduto da fé religiosa. Triste.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Mais sobre a farsa do "espírito Humberto de Campos" por Chico Xavier
O VERDADEIRO HUMBERTO DE CAMPOS NÃO NARRAVA COMO PADRE.
Só mesmo no Brasil para se aceitar obras farsantes em nome das mensagens religiosas. O caso Humberto de Campos, a pior das apropriações indevidas feitas por Francisco Cândido Xavier, é uma aberração sem tamanho, numa farsa sem precedentes na História do Brasil, num ato dos mais deploráveis vindos de alguém que muitos insistem em ver como um espírito supostamente puro.
A farsa se mostra escancarada apenas com uma simples leitura. O estilo de Humberto de Campos original é simplesmente inexistente no do suposto espírito, só se percebermos que o "espírito Humberto" escrevia parágrafos muito mais longos que o original e tinha uma narrativa pesada, prolixa, deprimente e sem a fluência textual do autor maranhense. E "escrevia" como se fosse padre, não como escritor e intelectual.
Portanto, é um pastiche que nenhum Ad Passiones ("apelo à emoção"), falácia que sempre protegeu Chico Xavier, pode justificar. Muito pelo contrário, torna-se um convite tentador para que se aceitem fraudes em nome de supostas mensagens de amor, onde a filantropia está a serviço da desonestidade, onde a bondade é cúmplice do engano, a verdade, da dissimulação, o amor, da mentira.
Deve-se rejeitar o "Humberto de Campos" dos livros "espirituais" porque nota-se a fraude no estranho desfile de palavras que não lembra as obras que o autor maranhense deixou em vida. Semelhança não é autenticidade, o que "lembra algo" pode não ser a forma legítima desse algo, pois se há sempre algum aspecto que contradiz, um único apenas, a semelhança se dissolve na farsa.
Erasto havia dito que é melhor rejeitar dez verdades do que aceitar uma única mentira. Aqui aceita-se a única mentira, se ela se chama Chico Xavier. O "médium" brasileiro foi a mancenilheira personificada, cujas palavras dóceis e todo o verniz de amor e caridade, deslumbrou muita gente que atraiu azar para suas vidas depois que recorreu a ele com adoração e submissão.
Chico Xavier personifica o farsante, o manipulador de corações e mentes dos mais habilidosos e traiçoeiros, que Erasto havia advertido quando, em espírito, se manifestou no tempo de Allan Kardec. Ele havia avisado dos mistificadores da Doutrina Espírita, dos inimigos internos que fariam as "coisas mais lindas" para enganar e dominar as pessoas.
O que Erasto não advertiu é que os próprios mistificadores também usariam o próprio aviso do mesmo espírito para se promoverem. É como um ladrão que telefona para a polícia para dizer que alguém assaltou um lugar. É lamentável ver os próprios deturpadores da Doutrina Espírita usando Erasto para benefício deles, como mentirosos que buscam sempre a posse da verdade.
E aí Chico Xavier, arrivista e ilusionista, um dos piores farsantes da História do Brasil e um dos maiores enganadores que o país viu em mais de 500 anos, torna-se o dono da verdade e o proprietário de qualidades humanas que muitos nunca acreditam repousarem fora da sombra da religião.
Chico nunca ajudou de verdade, porque, se ajudasse, o Brasil nunca teria sofrido as crises que sofreu nos últimos 50 anos. E não é por "falta de Chico Xavier" que Uberaba é uma das cidades mais violentas do Brasil, até porque o "médium" que lá viveu suas últimas décadas é sempre lembrado, na cidade existe um mausoléu em homenagem a ele e um verdadeiro programa turístico e historiográfico existe para preservar sua memória.
O "médium" arrivista, achava que podia passar por cima de qualquer obstáculo, que podia até mentir, usurpar e enganar desde que "falasse de amor" e evocasse palavras como "caridade" e "Jesus Cristo", praticamente virou "dono" dos mortos a ponto do "movimento espírita" usar nomes como Carlos Chagas, Auta de Souza, Humberto de Campos e Meimei para batizar instituições e eventos. Uma coisa que parece linda, mas é humilhantemente leviana e constrangedora.
E a "posse" do nome de Humberto de Campos, mesmo quando Chico Xavier ludibriou a mãe e o filho do escritor - respectivamente Ana de Campos Veras e Humberto de Campos Filho - , nada justifica, sendo um processo de apropriação indébita e que se agrava pela forma que Chico usou para seduzir e forçar o apoio de suas vítimas.
Se aproveitando das comoções de Ana, Chico Xavier escreveu uma mensagem dócil, ciente de que assim a conquistaria de imediato. Conseguiu realizar seu plano, atraiu sua vítima com a mais perfeita armadilha.
Já em relação ao cético Humberto de Campos Filho, a princípio desconfiado com as "psicografias", teve mais trabalho: Chico teve que inventar psicografias forjando uma mensagem "paternal" e atribuiu ao falecido escritor.
Em 1957, em Uberaba, o "médium" acolheu o filho de Humberto de Campos, o convidou para assistir a uma "doutrinária espírita" e ostentou atividades "filantrópicas", como cozinheiras preparando uma sopa e um humilde interno, idoso, de comportamento abobalhado, triste mas rapidamente convertido em alegria tolamente infantil, depois que Chico lhe sussurrou alguma coisa.
E haja mensagens de afeto atribuídas ao escritor Humberto de Campos. O recurso falacioso do Ad Passiones era a maior arma do ilusionista Chico Xavier, no qual se desenvolve a habilidade de envolver emocionalmente o público de tal maneira que ninguém pode contestar nem desconfiar, porque mesmo um questionamento mais positivo era tido como "ofensa a um homem de bem".
Isso é realmente terrível e mostra que Chico Xavier foi o maior caso de impunidade existente em toda a História do Brasil. O que ele fez é de uma irresponsabilidade desmedida, e que certamente rendeu dolorosas sensações depois que Chico faleceu após os "brasileiros" (leia-se João Havelange, Ricardo Teixeira e companhia) ficaram "felizes", em 2002.
Enquanto isso, os chiquistas se afogam em ilusões e fantasias religiosas que juram "não ser ilusão" e serem a "mais absoluta realidade". A alucinação religiosa é a pior das fantasias, o deslumbramento religioso a pior das luxúrias e a humildade como um subproduto da religião a mais perigosa e opulenta das fortunas. Quem imagina que, depois da morte, não sofrerá o choque da dor por se julgar protegido por tais ideias, estará completamente enganado.
Só mesmo no Brasil para se aceitar obras farsantes em nome das mensagens religiosas. O caso Humberto de Campos, a pior das apropriações indevidas feitas por Francisco Cândido Xavier, é uma aberração sem tamanho, numa farsa sem precedentes na História do Brasil, num ato dos mais deploráveis vindos de alguém que muitos insistem em ver como um espírito supostamente puro.
A farsa se mostra escancarada apenas com uma simples leitura. O estilo de Humberto de Campos original é simplesmente inexistente no do suposto espírito, só se percebermos que o "espírito Humberto" escrevia parágrafos muito mais longos que o original e tinha uma narrativa pesada, prolixa, deprimente e sem a fluência textual do autor maranhense. E "escrevia" como se fosse padre, não como escritor e intelectual.
Portanto, é um pastiche que nenhum Ad Passiones ("apelo à emoção"), falácia que sempre protegeu Chico Xavier, pode justificar. Muito pelo contrário, torna-se um convite tentador para que se aceitem fraudes em nome de supostas mensagens de amor, onde a filantropia está a serviço da desonestidade, onde a bondade é cúmplice do engano, a verdade, da dissimulação, o amor, da mentira.
Deve-se rejeitar o "Humberto de Campos" dos livros "espirituais" porque nota-se a fraude no estranho desfile de palavras que não lembra as obras que o autor maranhense deixou em vida. Semelhança não é autenticidade, o que "lembra algo" pode não ser a forma legítima desse algo, pois se há sempre algum aspecto que contradiz, um único apenas, a semelhança se dissolve na farsa.
Erasto havia dito que é melhor rejeitar dez verdades do que aceitar uma única mentira. Aqui aceita-se a única mentira, se ela se chama Chico Xavier. O "médium" brasileiro foi a mancenilheira personificada, cujas palavras dóceis e todo o verniz de amor e caridade, deslumbrou muita gente que atraiu azar para suas vidas depois que recorreu a ele com adoração e submissão.
Chico Xavier personifica o farsante, o manipulador de corações e mentes dos mais habilidosos e traiçoeiros, que Erasto havia advertido quando, em espírito, se manifestou no tempo de Allan Kardec. Ele havia avisado dos mistificadores da Doutrina Espírita, dos inimigos internos que fariam as "coisas mais lindas" para enganar e dominar as pessoas.
O que Erasto não advertiu é que os próprios mistificadores também usariam o próprio aviso do mesmo espírito para se promoverem. É como um ladrão que telefona para a polícia para dizer que alguém assaltou um lugar. É lamentável ver os próprios deturpadores da Doutrina Espírita usando Erasto para benefício deles, como mentirosos que buscam sempre a posse da verdade.
E aí Chico Xavier, arrivista e ilusionista, um dos piores farsantes da História do Brasil e um dos maiores enganadores que o país viu em mais de 500 anos, torna-se o dono da verdade e o proprietário de qualidades humanas que muitos nunca acreditam repousarem fora da sombra da religião.
Chico nunca ajudou de verdade, porque, se ajudasse, o Brasil nunca teria sofrido as crises que sofreu nos últimos 50 anos. E não é por "falta de Chico Xavier" que Uberaba é uma das cidades mais violentas do Brasil, até porque o "médium" que lá viveu suas últimas décadas é sempre lembrado, na cidade existe um mausoléu em homenagem a ele e um verdadeiro programa turístico e historiográfico existe para preservar sua memória.
O "médium" arrivista, achava que podia passar por cima de qualquer obstáculo, que podia até mentir, usurpar e enganar desde que "falasse de amor" e evocasse palavras como "caridade" e "Jesus Cristo", praticamente virou "dono" dos mortos a ponto do "movimento espírita" usar nomes como Carlos Chagas, Auta de Souza, Humberto de Campos e Meimei para batizar instituições e eventos. Uma coisa que parece linda, mas é humilhantemente leviana e constrangedora.
E a "posse" do nome de Humberto de Campos, mesmo quando Chico Xavier ludibriou a mãe e o filho do escritor - respectivamente Ana de Campos Veras e Humberto de Campos Filho - , nada justifica, sendo um processo de apropriação indébita e que se agrava pela forma que Chico usou para seduzir e forçar o apoio de suas vítimas.
Se aproveitando das comoções de Ana, Chico Xavier escreveu uma mensagem dócil, ciente de que assim a conquistaria de imediato. Conseguiu realizar seu plano, atraiu sua vítima com a mais perfeita armadilha.
Já em relação ao cético Humberto de Campos Filho, a princípio desconfiado com as "psicografias", teve mais trabalho: Chico teve que inventar psicografias forjando uma mensagem "paternal" e atribuiu ao falecido escritor.
Em 1957, em Uberaba, o "médium" acolheu o filho de Humberto de Campos, o convidou para assistir a uma "doutrinária espírita" e ostentou atividades "filantrópicas", como cozinheiras preparando uma sopa e um humilde interno, idoso, de comportamento abobalhado, triste mas rapidamente convertido em alegria tolamente infantil, depois que Chico lhe sussurrou alguma coisa.
E haja mensagens de afeto atribuídas ao escritor Humberto de Campos. O recurso falacioso do Ad Passiones era a maior arma do ilusionista Chico Xavier, no qual se desenvolve a habilidade de envolver emocionalmente o público de tal maneira que ninguém pode contestar nem desconfiar, porque mesmo um questionamento mais positivo era tido como "ofensa a um homem de bem".
Isso é realmente terrível e mostra que Chico Xavier foi o maior caso de impunidade existente em toda a História do Brasil. O que ele fez é de uma irresponsabilidade desmedida, e que certamente rendeu dolorosas sensações depois que Chico faleceu após os "brasileiros" (leia-se João Havelange, Ricardo Teixeira e companhia) ficaram "felizes", em 2002.
Enquanto isso, os chiquistas se afogam em ilusões e fantasias religiosas que juram "não ser ilusão" e serem a "mais absoluta realidade". A alucinação religiosa é a pior das fantasias, o deslumbramento religioso a pior das luxúrias e a humildade como um subproduto da religião a mais perigosa e opulenta das fortunas. Quem imagina que, depois da morte, não sofrerá o choque da dor por se julgar protegido por tais ideias, estará completamente enganado.
domingo, 4 de setembro de 2016
As piores paixões terrenas estão no âmbito da religião
Boa parte de quem ocupa o topo da pirâmide social, no Brasil, está sofrendo os piores deslizes. Um exemplo é juízes e advogados que integram o Poder Judiciário ou o Ministério Público cometendo erros propositais, selecionando quem deve ou não ser investigado ou condenado perante as convicções pessoais.
Há os empresários que querem tudo e não abrem mão de ceder um centavo de suas fortunas, só se livrando dos bens quando suas vontades pessoais assim desejam. Há os executivos de mídia que querem ser os senhores da opinião pública. Há os tecnocratas que decidem arbitrariedades cruéis e nocivas, motivados pelo envaidecimento do diploma e da roupagem técnica de seus atos.
Mas há também os religiosos, que se consideram representantes do "Criador", para os quais não cabe qualquer tipo de contrariedade. É certo que católicos e evangélicos, estes da linha pentecostal, começam a enfrentar sérias crises, mas hoje se observa que os "espíritas" ainda estão imunes, mesmo quando suas irregularidades sejam aberrantes.
Recentemente, o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) está envolvido num escândalo em que é acusado de assédio sexual a uma jovem jornalista. Outros personagens estão envolvidos e, mesmo quando a ilusão de imunidade permite que o processo se inverta e Feliciano tente processar a denunciante, acusada de suposto suborno, seu escândalo já repercutiu negativamente perante a opinião pública.
No "espiritismo", porém, não há um escândalo que oficialmente se repercuta com amplitude nos meios de comunicação. Sabe-se que as instituições já sucumbiram ao processo obsessivo que Allan Kardec chama de "subjugação", já que o deslumbramento religioso acaba cegando juristas, jornalistas e acadêmicos que têm medo de investigar com isenção as irregularidades "espíritas".
Num dado momento, chega o recurso falacioso do Ad Passiones, o "apelo à emoção". Quando se tenta investigar alguma irregularidade, os "espíritas" reagem com seu "canto da sereia". falando em "bondade" e "caridade" e se aproveitando dessa carteirada moral quando tenta convencer de que "erra muito, sim, mas pelo menos pratica caridade".
Esse "rouba mas faz" do "espiritismo" beneficia figuras como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, e mostra o quanto a carteirada beneficia certos setores sociais. Se você quiser ser impune, pode escolher duas coisas: filiar-se ao PSDB e ser "espírita". Você pode até furtar a bolsa de uma senhora numa rua movimentada que ninguém mexe consigo.
As fraudes literárias que Chico Xavier e Divaldo Franco fizeram, e a usurpação do nome de Allan Kardec para dar um verniz "racional" aos livros "psicográficos", dotados do mais gritante igrejismo medieval, são deixadas para lá, impunemente.
Ficamos imaginando se o senador Aécio Neves pudesse também exercer atividade de "médium espírita", e lançasse livros supostamente mediúnicos com mensagens igrejistas. Aí seria a consagração, ele alcançaria o "paraíso" presumido pelos seus apaixonados seguidores e abaixo-assinados de milhares de páginas seriam lançados pedindo o Nobel da Paz.
A carteirada religiosa faz com que se use e abuse de uma suposta superioridade social. E isso é ruim porque o religioso acaba deixando de lado suas responsabilidades, se é que a religião, essa ilusão que faz os homens se acharem "embaixadores de Deus", pode fazer alguém responsável por alguma coisa.
Vendo os últimos textos produzidos pelas páginas "espíritas" na Internet, verifica-se uma pregação moralista que, embora parecesse "sábia", é desumana. Revelam a nunca assumida Teologia do Sofrimento, corrente católica medieval que pregava que as pessoas devessem suportar um maior número de desgraças para atingir as "bênçãos divinas".
São textos que não conseguem dizer claramente a que vieram. Viemos para sofrer ou não? Temos que ser perseverantes ou não? Temos ou não temos talentos? Nossas vocações são luxúria terrena? Nossas necessidades são caprichos levianos? Exigimos demais quando queremos apenas o que precisamos? Devemos ou não mudar nossos pensamentos?
O que chama a atenção é que os "espíritas" não entendem a individualidade humana. Eles deixam subentendido que as individualidades são apenas meros caprichos materialistas, porque no fundo os espíritos não passam de um rebanho de ovelhas que depois vai para a pátria espiritual viver apenas na "fraternidade".
Quantas ilusões foram produzidas sob o rótulo de "espiritismo" no Brasil e quantas paixões terrenas têm os "espíritas" sem que eles mesmos pudessem admitir, tomados pela "santa" vaidade de se acharem os "paladinos da moral cristã".
Para piorar, a impunidade de Chico Xavier em se apropriar dos mortos, produzindo, sob o nome deles, mensagens que destoam dos respectivos aspectos pessoais, torna-se, infelizmente, inabalável, garantida a carteirada religiosa diante da qual nenhum esforço definitivo se faz para combater.
Mas a coisa chega ao ponto deplorável de Chico Xavier ter seduzido, com sua estratégia falaciosa do Ad Passiones, tanto a mãe quanto o filho de Humberto de Campos, respectivamente Ana de Campos Veras e Humberto de Campos Filho, com o agravante de que este último chegou a ter uma postura extremamente cética em relação às supostas psicografias que levavam o nome do pai.
A religião "espírita" é a que mais sucumbe às paixões terrenas do que mil orgias aristocráticas. A ilusão da riqueza espiritual não é muito diferente do acumular de moedas e títulos, porque é tão abundante quanto aquelas e tão pomposo quanto estes.
A ilusão do juízo de valor diante do sofrimento alheio, a ilusão da presunção de existência de um "ente superior" concebido pelos preconceitos materiais da sociedade ocidental, chamado "Deus", para o qual não se comprova existência, a ilusão dos prêmios dos ricos ao suposto trabalho da "caridade", a ilusão da suposta humildade, tudo isso deslumbra os "espíritas".
É essa ilusão, que os "espíritas" não consideram desta forma, que os corrompe e os faz vulneráveis a uma desencarnação que, depois, será muito dolorosa. Já se observa a surpresa desagradável que um Divaldo Franco terá quando falecer, a exemplo das dores e do choque sofridos por Chico Xavier quando encerrou sua encarnação.
O próprio Divaldo se valeu da carteirada religiosa diante dos prêmios que a aristocracia dava a ele, e ao título de "maior filantropo do país" dado assim de graça, quando as atividades da Mansão do Caminho, não bastasse um método pedagógico inócuo e de acordo com os preceitos da Escola Sem Partido, só conseguiram beneficiar menos de 0,01% de toda a população brasileira.
Isso é desagradável para muitos, mas é essa a realidade dura e dolorosa de quem, iludido com as luzes artificiais do status religioso, elas em si holofotes não menos levianos que muitos que iluminam mansões em vaidosas orgias, não sabe o choque que terá, ao perceber que a fé também acoberta tantas e tantas paixões, tantos e tantos sentimentos de sensualismo, vaidades estremas, orgulho e omissão.
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
A grande mídia pode transformar lorota em uma linda história
O relato parece comovente. Um engenheiro que passava lua de mel em Gramado, com sua esposa, em 2008, teria se sentido mal. Voltando para a cidade de origem, Santos, ele foi internado em um hospital católico e o médico diagnosticou oito abcessos no cérebro, dizendo que são pouquíssimas as chances de sobrevivência.
A esposa, então, foi para uma paróquia, pediu ajuda a um padre, que lhe deu uma medalha de Madre Teresa e o folheto de uma oração. A mulher foi então orar e o engenheiro, de 35 anos, que havia entrado em coma antes da esposa ir para a paróquia, acordou, perguntou aos médicos o que fazia ali e levantou por conta própria e tomou o café, como se nenhuma coisa tivesse acontecido.
Oficialmente, o episódio do engenheiro Marcílio Haddad Andrino intrigou médicos e cientistas, constituindo num suposto milagre atribuído à Madre Teresa de Calcutá, falecida em 1997. O engenheiro irá ao Vaticano assistir à cerimônia de canonização, daqui a dois dias. Mas o episódio é bastante tendencioso, se percebermos vários aspectos relacionados.
No Brasil, o episódio é narrado com muito entusiasmo pelo Fantástico, jornalístico de variedades da Rede Globo de Televisão. É o mesmo programa que insistiu num triplex de Lula que documentos comprovam nunca ter sido dele nem de sua esposa, mas da empreiteira OAS.
A Rede Globo é um dos mais tendenciosos veículos da mídia brasileira. Esteve empenhada na campanha de desmoralização de Dilma Rousseff e na defesa do governo de Michel Temer, composto de uma retrógrada agenda política.
Diante da campanha violenta contra o PT, contra o qual se estimulam até calúnias, difamações e mentiras - há um vídeo fraudulento em que um suposto Lula ameaça matar Sérgio Moro. Uma mentira descarada, mas se até a revista Isto É trata Dilma Rousseff como se fosse uma descontrolada, Lula também receberia o mesmo tratamento ofensivo por parte da mídia e seus seguidores.
Já no caso de Madre Teresa de Calcutá, a coisa é diferente. Transforma-se uma lorota em uma bela história, causando comoção no público, que tem suas fraquezas emocionais exploradas dessa forma tão leviana. Não há provas que Marcílio realmente teria tido um coágulo devastador no cérebro.
O que pode ter acontecido é que Marcílio deve ter tido um mal-estar, talvez um formigamento no cérebro depois de uma refeição exagerada. e o "mal devastador" teria sido apenas um problema de intoxicação alimentar, já que o relato dá indícios disto. O "coma" teria sido apenas um repouso prolongado.
Mas a farsa do "milagre" tem ainda outro detalhe: o hospital onde Marcílio foi internado se chama São Lucas. É um hospital católico. Além disso, há um indício de exclusividade da versão oficial da Igreja Católica, conforme admite o irmão do engenheiro:
"É um assunto que está sendo coordenado de forma única (pela Igreja Católica), assim evitamos diversas fontes de informação que no final podem vir a causar problemas", disse o irmão de Marcílio em entrevista ao jornal O Globo.
Isso já indica parcialidade. E mostra o quanto o episódio tem que ser comprovado sem a confrontação de fontes adversas. É o contrário do que ocorre com a informação, na qual se confrontam pontos de vistas diferentes para buscar a coerência dos fatos.
Há, portanto, a sonegação de qualquer questionamento. A Igreja Católica quer estabelecer um monopólio de informação, cabendo apenas a ela a prevalência da visão oficial, banindo qualquer questionamento antes de qualquer exame e ponderação. Transformar uma possível intoxicação alimentar num tumor devastador de cura quase impossível é um gancho para forçar o milagre de Madre Teresa de Calcutá, um mito religioso que se revelou uma farsa.
O mais engraçado é que Madre Teresa vai virar santa dependendo de um segundo "milagre". O primeiro se revelou uma farsa, já que a indiana Monica Besra diagnosticada com câncer em 2002, conforme revelou o próprio marido da paciente, Selku Murmu, se curou da doença porque cumpriu rigorosamente todo o tratamento para combater o tumor, sobretudo tomando os remédios adequados e cumprindo recomendações para a saúde.
Madre Teresa precisava ter dois milagres confirmados para ser considerada santa. Teve o primeiro deles largamente contestado, com provas consistentes. E talvez seja isso que faça com que a Igreja Católica queira exercer monopólio de fontes, para evitar que, considerando outras fontes de informação, o "milagre" ocorrido no Brasil possa ser questionado como foi o de Monica Besra.
O mito de Madre Teresa de Calcutá foi construído por Malcolm Muggeridge, jornalista católico da BBC, que criou um documentário chamado Algo Bonito para Deus (Something Beautiful for God), em 1969. Nele foram inseridos os conhecidos elementos do marketing religioso, que criou paradigmas que agradaram multidões, sobretudo no Brasil.
Dá para perceber que tanto a Rede Globo quanto o "movimento espírita" adoram Madre Teresa. Ela é praticamente adotada pelos "espíritas" como se também fosse da doutrina brasileira, mesmo que ela tenha sido albanesa e atuado num bairro de Calcutá, na Índia.
O próprio mito de Francisco Cândido Xavier foi reciclado pela Rede Globo nos moldes que Muggeridge fez com Madre Teresa. Todos os elementos publicitários de "filantropia", observados em Madre Teresa, foram adotados de forma explícita para Chico Xavier, desde carregar bebê no colo, passar a mão na cabeça de um idoso doente e observar crianças tomando sopa no almoço.
Além disso, Madre Teresa e Chico Xavier foram adeptos da Teologia do Sofrimento, a macabra corrente medieval da Igreja Católica que faz apologia ao sofrimento humano como processo de "purificação da alma", uma espécie de "holocausto do bem".
É através da Teologia do Sofrimento que se investigou o porquê de tantos doentes e miseráveis alojados nas casas dirigidas por Madre Teresa serem tão maltratados, tendo péssimo regime alimentar, sendo remediados apenas com paracetamol e aspirina, recebendo injeção de seringas reutilizadas e deixados expostos uns diante dos outros, para o contágio de doenças graves como a Hanseníase.
A madre disse que o sofrimento é um "presente de Deus" e que o mundo teria que "aprender com o sofrimento humano". Chico Xavier não era diferente. Ele pedia para as pessoas que sofressem desgraças fingissem que está tudo bem, sem demonstrar sofrimento para os outros, sem se queixar, sem fazer um questionamento sequer e, de preferência, orando em silêncio para não perturbar o sossego dos algozes.
É sob essa perspectiva cruel e desumana, mas que encanta muitas pessoas pela forma dócil e bonita como se arrumam as palavras do discurso religioso, que faz com que Madre Teresa tenha garantido o caminho da santificação, um processo que esconde interesses comerciais do Vaticano, que envolvem sobretudo parcerias com o mercado turístico, já que as agências de viagens acham maravilhoso que Madre Teresa seja uma santa. É dinheiro que está em jogo no processo de santificação.
E a grande mídia brasileira, capaz de desmoralizar uma presidenta honesta por coisa nenhuma, também é capaz de santificar uma freira que deixava doentes expostos uns aos outros, contagiando doenças e sendo infectados por seringas reutilizadas, além de mal alimentados e muito mal assistidos.
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