O "ESPIRITISMO" BRASILEIRO COSTUMA COMPLICAR A VIDA DE CASAIS AFINS.
O "espiritismo" brasileiro é uma doutrina de condenações e pregações moralistas. A vida na Terra é uma penitenciária e só os que cometem erros graves é que são beneficiados pelo "fiado" de só pagarem pelos seus pecados daqui a uma ou duas encarnações.
Com isso, a pessoa que é dotada de uma significativa evolução espiritual é convidada a sofrer todo tipo de infortúnio na vida, mesmo que seja para parecer um personagem de Franz Kafka, suportando pesadas provações das quais não encontra razão consistente sequer para provocá-las. Mas como tudo é colocado na conta de "faltas passadas", o pessoal "espírita" logo aceita.
Assim, os atrasados pagam menos, vivem mais e podem expressar seus exemplos para a geração de seus netos e bisnetos. Quem é evoluído paga mais, vive menos e mal consegue criar um legado para a posteridade, com sua missão incompleta e, em muitos aspectos, natimorta.
Na vida amorosa, o reflexo desse mau agouro que a "doutrina do amor e da luz" influencia, direta ou indiretamente, nas pessoas, é que as melhores relações amorosas, baseadas na evolução espiritual, nas leis de atração e de amor e na afinidade de personalidades, são as que mais sofrem dificuldades em se consolidarem e se prolongarem.
É de chorar que o "espiritismo" ainda fala em "almas-gêmeas", diante de tantos casos de separações forçadas de casais potencialmente afins, seja porque os dois entes nem chegam a iniciar uma relação de namoro e pelo menos um deles se compromete com outro alguém de menor afinidade, ou seja quando a tragédia dissolve o casal deixando um deles na viuvez.
Autoritário, o próprio "espiritismo" prefere enfatizar as "uniões provacionais", dentro daquele espírito medieval de pregar "resgates morais" até na formação de casais. criando relações de conveniências ditadas não por famílias aristocráticas em negociação na Terra, mas pela "iluminada família espírita que nos quer bem".
NO BRASIL, ESTIMULA-SE A FORMAÇÃO DE CASAIS SEM AFINIDADE
Há uma estranha tradição, no Brasil, de que se deve estimular a formação de casais sem afinidade, sob a desculpa do "livre convívio das diferenças", do "aprendizado mútuo" e da "superação de divergências". Tanto que existe um ditado que diz "os opostos se atraem", uma equivocada analogia ao que ocorre, na Física, com prótons e elétrons.
Nas mídias sociais, o que há é a pregação politicamente correta de pessoas que recomendam que homens solitários namorem as mulheres que eles conseguem atrair, que não têm qualquer afinidade espiritual com eles. Recusá-las é visto como uma forma de "preconceito".
No machismo, existe até a norma de que o homem não pode recusar o assédio de qualquer mulher. A primeira que surge paquerando tem que ser aceita, sob pena do rapaz ser humilhado pelos seus amigos, diante de tamanha recusa.
Só que esse "maravilhoso" mundo dos casais sem afinidade, que tantas teorias "maravilhosas" são divulgadas nas mídias sociais, dentro do espírito politicamente correto, são fontes de casamentos bastante infelizes, não raro com desfechos trágicos.
Na melhor das hipóteses, os casais sem afinidade geram, na maioria das vezes, mulheres estressadas e homens preguiçosos, em relações que se arrastam como uma animosidade tolerada entre os cônjuges. Há até a típica cena do marido barrigudo que, cerveja na mão, pede à mulher para fazer pipoca ou trazer outra lata de cerveja.
Na pior delas, as relações terminam nos feminicídios que dramaticamente dominaram as estatísticas até Dilma Rousseff sancionar lei que os considera crimes hediondos. Em alguns casos, ocorre o inverso, com mulheres agredidas matando seus maridos para se prevenirem de suas represálias ou, em outras ocasiões, porque são elas mesmo as mais violentas.
Isso contrasta o que acontece no Primeiro Mundo, em que observa, sobretudo no âmbito das celebridades, que os casais que não possuem muita afinidade se divorciam "por "diferenças irreconciliáveis". Lá existe a consciência de não ficar "carregando casamento", como ocorre no Brasil.
SITUAÇÃO CONFUSA
O Brasil que acha que vai comandar o mundo e se tornar o farol da humanidade planetária está muito atrasado no âmbito das relações amorosas. A baixa valorização dos casais afins, numa sociedade marcada pela indiferença, pelo desprezo ao ser humano e pelo desrespeito ao outro, aliado ao egocentrismo das conveniências e do "jeitinho", cria uma situação bastante confusa.
Por exemplo, os casais passam a se unirem apenas porque frequentam os mesmos restaurantes por um longo período de tempo. Os processos de atração, unilaterais, forçam principalmente a união de homens e mulheres sem a menor afinidade entre si, mas que são apenas solteiros em longa data.
Os casamentos que, em maioria, mais se dissolvem são aqueles em que existe uma afinidade relativa mas de certo modo significativa. E os que mais duram são aqueles que não possuem a menor afinidade, sobretudo quando é aquela mulher de personalidade moderna e arrojada que se casa com um empresário que tende a ter um comportamento sisudo e pouco sensível.
Isto quer dizer que as "diferenças irreconciliáveis", que nos EUA e na Europa são motivo para o divórcio, no Brasil eles não atrapalham a manutenção do casamento, já que o divórcio é visto como um processo economica e socialmente custoso.
Neste caso, a gente observa que, quando casais com alguma afinidade se separam, é porque a relação deles é livre e espontânea a ponto de se dissolverem sem qualquer problema. Já no caso dos casais sem afinidade, o processo é mais trabalhoso pela rede de conveniências que tal relação envolve.
Primeiro, o divórcio, em si, pode gerar uma pensão alimentícia onerosa e problemática, que aumentará o conflito do casal em separação. Segundo, ele causará traumas nos filhos, não raro ainda crianças. Terceiro, ele romperá com uma rede de relações que envolve vizinhos, sócios, colegas de trabalho, contatos influentes e poderá afetar a ascensão sócio-econômica do casal.
É uma situação estranha, surreal, mas que é própria de um Brasil marcado por um conservadorismo ideológico e moral típicos, que oferecem condições para a ideologia "espírita" que conhecemos. E que lição isso poderá trazer para o mundo, não sabemos, a não ser para ensinar o que não se deve ser feito. E isso mantém o Brasil ainda em retaguarda na comunidade das nações.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
terça-feira, 7 de abril de 2015
"Espiritismo" e a ilusão das "almas gêmeas"
ILUSTRAÇÃO MISTIFICADORA MOSTRA A COMPREENSÃO "ESPÍRITA" DO MITO DAS "ALMAS GÊMEAS".
Um dos maiores mitos defendidos pelo "movimento espírita" é o das "almas-gêmeas", do qual estabelecem supostas teorias "científicas" e "racionais" para algo que, no sentido antropológico e sociológico, é bastante discutível e duvidoso.
Costumamos classificar os espíritos afins como "almas-gêmeas" no sentido da imaginação poética, como uma licença própria do lirismo sentimental, de sentido mais metafórico. Mas isso não significa que isso tenha validade científica, pois, da forma como prega o "espiritismo" brasileiro, é como se houvesse a ideia de haver "espíritos siameses", o que na verdade é uma ótica materialista.
A ideia de "almas-gêmeas" superestima o fato de duplas de indivíduos, geralmente um casal heterossexual de acordo com o conservadorismo católico herdado pelo "espiritismo" brasileiro, com uma mitificação que vem do Velho Testamento, com a Arca de Noé e a lenda de que espécies animais, incluindo a humana, teriam necessariamente uma forma feminina e masculina no embarque do grande navio, a proteger da enchente (o dito "Grande Dilúvio").
Que existem pessoas dotadas de muita afinidade espiritual, isso é possível. Mas a realidade é tão complexa que é difícil enumerar até que ponto essas pessoas podem ser afins e até quando podem permanecer nessa condição, sem falar da ampla diferença e variedade de casos e circunstâncias.
A mitificação "espírita", no entanto, pressupõe que as "almas-gêmeas" são uma espécie de "espíritos-grudes", talvez esta seja até a melhor denominação para as fantasias defendidas pelos "espíritas", que adotam uma visão materialista do que entendem como espíritos afins, que na sua crença estão "grudados um no outro" no decorrer de encarnações.
Essa visão materialista está de acordo com a abordagem "espírita" de renegar individualidades. como se nota em relação às tragédias coletivas, entendidas como um "ajuntamento cármico" de diferentes pessoas que, na verdade, nem se conheciam direito antes de morrerem juntas. As "almas-gêmeas" também são uma recusa dessa individualidade.
O QUE DIZ EMMANUEL
O autoritário jesuíta Emmanuel, provavelmente um dos poucos espíritos a se manifestar em Chico Xavier, era um entusiasma na ideia de "espíritos-grudes", ele, o medieval catequizador que, mesmo na sua manifestação sobre o anti-médium mineiro, ainda acreditava que negros e indígenas eram "animais selvagens", um exemplo de evidente preconceito racial.
No livro O Consolador, em 1941, há uma "entrevista" - um arremedo do que se observa em obras de Allan Kardec, como O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo - em que o jesuíta faz suas pregações religiosas conservadoras e cientificamente pedantes, enquanto também lança um poema dotado do mais piegas e enjoativo sentimentalismo.
Reproduzimos então a "entrevista" de Emmanuel publicada no referido livro, o mesmo das declarações machistas dadas ao "mentor" de Francisco Cândido Xavier. Mais abaixo, publicamos o referido poema.
Pedimos para os leitores apreciarem com a máxima cautela e rigorosa vigilância os textos a seguir, para não se entorpecerem nem se deixarem seduzir-se pelo aparente tom sentimental e dócil de tais mensagens. Elas aqui aparecem para serem analisadas e demonstrar o que diz a ideologia "espírita" em relação ao referido tema.
ENTREVISTA PUBLICADA EM O CONSOLADOR - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, PELO ESPÍRITO EMMANUEL - FEB, 1941, Pags. 322 a 330.
Há uma gradação do amor, no seio das manifestações da natureza visível e invisível?
- Sem dúvida, essa gradação existiu em todos os tempos, como gradativa é a posição de todos os seres na escala infinita do progresso. O amor é a lei própria da vida e, sob o seu domínio sagrado, todas as criaturas e todas as coisas se reúnem ao Criador, dentro do plano grandioso da unidade
universal.
Desde as manifestações mais humildes dos reinos inferiores da Natureza, observamos a exteriorização do amor em sua feição divina. Na poeira cósmica, sínteses da vida, têm as atrações magnéticas profundas; nos corpos simples, vemos as chamadas “precipitações” da química; nos reinos mineral e vegetal verificamos o problema das combinações indispensáveis. Nas expressões da vida animal; observamos o amor em todo, em gradações infinitas, da violência à ternura, nas manifestações do irracional.
No caminho dos homens é ainda o amor que preside a todas as atividades da existência em família e em sociedade. Reconhecida a sua luz divina em todos os ambientes, observaremos a união dos seres como um ponto sagrado, de referência dessa lei única que dirige o Universo.
Das expressões de sexualidade, o amor caminha para o supersexualismo, marchando sempre para as sublimadas emoções da espiritualidade pura, pela renúncia e pelo trabalho santificantes, até alcançar o amor divino, atributo dos seres angelicais, que se edificaram para a união com Deus, na execução de seus sagrados desígnios do Universo.
Será uma verdade a teoria das almas gêmeas?
- No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.
Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentaram a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, envolvendo umas para as outras num turbilhão de ansiedades angustiosas; atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram no acervo real para os seus corações – a da ventura de sua união pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida.
Existe nos textos sagrados algum elemento de comprovação para a teoria das almas gêmeas?
- Somos dos primeiros a reconhecer que em todos os textos necessitamos separar o espírito da letra; contudo, é justo lembrar que nas primeiras páginas do Antigo Testamento, base da Revelação Divina, está registrada: “e Deus considerou que o homem não devia ficar só”.
A atração das almas gêmeas é traço característico de todos os planos de luta na Terra?
- O Universo é o plano infinito que o pensamento divino povoou de ilimitadas e intraduzíveis belezas.
Para todos nós, o primeiro instante da criação do ser está mergulhado num suave mistério, assim como também a atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma para outra, no instituto dos trabalhos, das experiências e das provas, no caminho infinito do Tempo.
A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso conhecimento relativo, nos desígnios divinos, insondáveis na sua sagrada origem, constituindo a fonte vital do interesse das criaturas para as edificações da vida. Separadas ou unidas nas experiências do mundo, as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia supremas, até que se integrem, no plano espiritual, onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino, finalidades profundas de todas as cogitações do ser, no Dédalo do destino.
A união das almas gêmeas pode constituir restrição ao amor universal?
O amor das almas gêmeas não pode efetuar semelhante restrição, porquanto, atingida a culminância evolutiva, todas as expressões afetivas se irmanam na conquista do amor divino. O amor das almas gêmeas, em suma, é aquele que o Espírito, um dia, sentirá pela Humanidade inteira.
Se todos os seres possuem a sua alma gêmea, qual a alma gêmea de Jesus-Cristo?
- Não julguemos acertado trazer a figura do Cristo para condiciona-la aos meios humanos, num paralelismo injustificável, porquanto em Jesus temos de observar a finalidade sagrada dos gloriosos destinos do espírito.
N’Ele cessaram os processos, sendo indispensável reconhecer na sua luz as realizações que nos compete atingir. Representando para nós outros a síntese do amor divino, somos compelidos a considerar que de sua culminância espiritual enlaçou no seu coração magnânimo, com a mesma dedicação, a Humanidade inteira, depois de realizar o amor supremo.
Perante a teoria das almas gêmeas, como esclarecer a situação dos viúvos que procuram, novas uniões matrimoniais, alegando a felicidade encontrada no lar primitivo?
- Não devemos esquecer que a Terra ainda é uma escola de lutas regeneradoras ou expiatórias, onde o homem pode consorciar-se várias vezes, sem que a sua união matrimonial se efetue com a alma gêmea da sua, muitas vezes distante da esfera material.
A criatura transviada, até que se espiritualize para a compreensão desses laços sublimes, está submetida, no mapa de suas provações, a tais experiências, por vezes pesadas e dolorosas. A situação de inquietude e subversão de valores na alma humana justifica essa provação terrestre, caracterizada pela distância dos Espíritos amados, que se encontram num plano de compreensão superior, os quais, longe de desdenharem as boas experiências dos companheiros de seus afetos, buscam facultar-lhes com a máxima dedicação, de modo a facilitar o seu avanço direto às mais elevadas conquistas espirituais.
Os Espíritos evolutidos, pelo fato de deixarem algum amado na Terra, ficam ligados ao planeta pelos laços da saudade?
- Os espíritos superiores não ficam propriamente ligados ao orbe terreno, mas não perdem o interesse afetivo pelos seres amados que deixaram no mundo, pelos quais trabalham com ardor, impulsionando-os na estrada das lutas redentoras, em busca das culminâncias da perfeição.
A saudade, nessas almas santificadas e puras, é muito mais sublime e mais forte, por nascer de uma sensibilidade superior, salientando-se que, convertida num interesse divino, opera as grandes abnegações do Céu, que seguem os passos vacilantes do Espírito encarnado, através de sua peregrinação expiatória ou redentora na face da Terra.
Somente pela prece a alma encarnada pode auxiliar um Espírito bem-amado que a antecedeu na jornada do túmulo?
- A oração coopera eficazmente em favor do que partiu, muitas vezes com o espírito emaranhado na rede das ilusões da existência material. Todavia, o coração amigo que ficou aí no mundo, pela vibração silenciosa e pelo desejo perseverante de ser útil ao companheiro que o precedeu na sepultura, para os movimentos da vida, nos momentos de repouso do corpo, em que a alma evoluída pode gozar de relativa liberdade, pode encontrar o Espírito sofredor ou errante do amigo desencarnado, despertar-lhe à vontade no cumprimento do dever, bem como orienta-lo sobre a sua realidade nova, sem que a sua memória corporal registre o acontecimento na vigília comum.
Daí nasce à afirmativa de que somente o amor pode atravessar o abismo da morte.
==========
ALMAS GÊMEAS (POEMA)
Alma gêmea de minha alma
Flor de luz de minha vida
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão .
Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho ,
Chegaste, devagarinho ,
E encheste-me o coração.
Vinhas na benção das flores
Da divina claridade ,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor !
És meu tesouro infinito .
Juro-te eterna aliança
Porque sou tua esperança ,
Como és todo meu amor !
Alma gêmea de minha alma
Se eu te perder algum dia...
Serei tua escura agonia ,
Da saudade nos seus véus...
Se um dia me abandonares
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te , entre as flores
Da claridade dos céus.
Um dos maiores mitos defendidos pelo "movimento espírita" é o das "almas-gêmeas", do qual estabelecem supostas teorias "científicas" e "racionais" para algo que, no sentido antropológico e sociológico, é bastante discutível e duvidoso.
Costumamos classificar os espíritos afins como "almas-gêmeas" no sentido da imaginação poética, como uma licença própria do lirismo sentimental, de sentido mais metafórico. Mas isso não significa que isso tenha validade científica, pois, da forma como prega o "espiritismo" brasileiro, é como se houvesse a ideia de haver "espíritos siameses", o que na verdade é uma ótica materialista.
A ideia de "almas-gêmeas" superestima o fato de duplas de indivíduos, geralmente um casal heterossexual de acordo com o conservadorismo católico herdado pelo "espiritismo" brasileiro, com uma mitificação que vem do Velho Testamento, com a Arca de Noé e a lenda de que espécies animais, incluindo a humana, teriam necessariamente uma forma feminina e masculina no embarque do grande navio, a proteger da enchente (o dito "Grande Dilúvio").
Que existem pessoas dotadas de muita afinidade espiritual, isso é possível. Mas a realidade é tão complexa que é difícil enumerar até que ponto essas pessoas podem ser afins e até quando podem permanecer nessa condição, sem falar da ampla diferença e variedade de casos e circunstâncias.
A mitificação "espírita", no entanto, pressupõe que as "almas-gêmeas" são uma espécie de "espíritos-grudes", talvez esta seja até a melhor denominação para as fantasias defendidas pelos "espíritas", que adotam uma visão materialista do que entendem como espíritos afins, que na sua crença estão "grudados um no outro" no decorrer de encarnações.
Essa visão materialista está de acordo com a abordagem "espírita" de renegar individualidades. como se nota em relação às tragédias coletivas, entendidas como um "ajuntamento cármico" de diferentes pessoas que, na verdade, nem se conheciam direito antes de morrerem juntas. As "almas-gêmeas" também são uma recusa dessa individualidade.
O QUE DIZ EMMANUEL
O autoritário jesuíta Emmanuel, provavelmente um dos poucos espíritos a se manifestar em Chico Xavier, era um entusiasma na ideia de "espíritos-grudes", ele, o medieval catequizador que, mesmo na sua manifestação sobre o anti-médium mineiro, ainda acreditava que negros e indígenas eram "animais selvagens", um exemplo de evidente preconceito racial.
No livro O Consolador, em 1941, há uma "entrevista" - um arremedo do que se observa em obras de Allan Kardec, como O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo - em que o jesuíta faz suas pregações religiosas conservadoras e cientificamente pedantes, enquanto também lança um poema dotado do mais piegas e enjoativo sentimentalismo.
Reproduzimos então a "entrevista" de Emmanuel publicada no referido livro, o mesmo das declarações machistas dadas ao "mentor" de Francisco Cândido Xavier. Mais abaixo, publicamos o referido poema.
Pedimos para os leitores apreciarem com a máxima cautela e rigorosa vigilância os textos a seguir, para não se entorpecerem nem se deixarem seduzir-se pelo aparente tom sentimental e dócil de tais mensagens. Elas aqui aparecem para serem analisadas e demonstrar o que diz a ideologia "espírita" em relação ao referido tema.
ENTREVISTA PUBLICADA EM O CONSOLADOR - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, PELO ESPÍRITO EMMANUEL - FEB, 1941, Pags. 322 a 330.
Há uma gradação do amor, no seio das manifestações da natureza visível e invisível?
- Sem dúvida, essa gradação existiu em todos os tempos, como gradativa é a posição de todos os seres na escala infinita do progresso. O amor é a lei própria da vida e, sob o seu domínio sagrado, todas as criaturas e todas as coisas se reúnem ao Criador, dentro do plano grandioso da unidade
universal.
Desde as manifestações mais humildes dos reinos inferiores da Natureza, observamos a exteriorização do amor em sua feição divina. Na poeira cósmica, sínteses da vida, têm as atrações magnéticas profundas; nos corpos simples, vemos as chamadas “precipitações” da química; nos reinos mineral e vegetal verificamos o problema das combinações indispensáveis. Nas expressões da vida animal; observamos o amor em todo, em gradações infinitas, da violência à ternura, nas manifestações do irracional.
No caminho dos homens é ainda o amor que preside a todas as atividades da existência em família e em sociedade. Reconhecida a sua luz divina em todos os ambientes, observaremos a união dos seres como um ponto sagrado, de referência dessa lei única que dirige o Universo.
Das expressões de sexualidade, o amor caminha para o supersexualismo, marchando sempre para as sublimadas emoções da espiritualidade pura, pela renúncia e pelo trabalho santificantes, até alcançar o amor divino, atributo dos seres angelicais, que se edificaram para a união com Deus, na execução de seus sagrados desígnios do Universo.
Será uma verdade a teoria das almas gêmeas?
- No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.
Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentaram a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, envolvendo umas para as outras num turbilhão de ansiedades angustiosas; atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram no acervo real para os seus corações – a da ventura de sua união pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida.
Existe nos textos sagrados algum elemento de comprovação para a teoria das almas gêmeas?
- Somos dos primeiros a reconhecer que em todos os textos necessitamos separar o espírito da letra; contudo, é justo lembrar que nas primeiras páginas do Antigo Testamento, base da Revelação Divina, está registrada: “e Deus considerou que o homem não devia ficar só”.
A atração das almas gêmeas é traço característico de todos os planos de luta na Terra?
- O Universo é o plano infinito que o pensamento divino povoou de ilimitadas e intraduzíveis belezas.
Para todos nós, o primeiro instante da criação do ser está mergulhado num suave mistério, assim como também a atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma para outra, no instituto dos trabalhos, das experiências e das provas, no caminho infinito do Tempo.
A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso conhecimento relativo, nos desígnios divinos, insondáveis na sua sagrada origem, constituindo a fonte vital do interesse das criaturas para as edificações da vida. Separadas ou unidas nas experiências do mundo, as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia supremas, até que se integrem, no plano espiritual, onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino, finalidades profundas de todas as cogitações do ser, no Dédalo do destino.
A união das almas gêmeas pode constituir restrição ao amor universal?
O amor das almas gêmeas não pode efetuar semelhante restrição, porquanto, atingida a culminância evolutiva, todas as expressões afetivas se irmanam na conquista do amor divino. O amor das almas gêmeas, em suma, é aquele que o Espírito, um dia, sentirá pela Humanidade inteira.
Se todos os seres possuem a sua alma gêmea, qual a alma gêmea de Jesus-Cristo?
- Não julguemos acertado trazer a figura do Cristo para condiciona-la aos meios humanos, num paralelismo injustificável, porquanto em Jesus temos de observar a finalidade sagrada dos gloriosos destinos do espírito.
N’Ele cessaram os processos, sendo indispensável reconhecer na sua luz as realizações que nos compete atingir. Representando para nós outros a síntese do amor divino, somos compelidos a considerar que de sua culminância espiritual enlaçou no seu coração magnânimo, com a mesma dedicação, a Humanidade inteira, depois de realizar o amor supremo.
Perante a teoria das almas gêmeas, como esclarecer a situação dos viúvos que procuram, novas uniões matrimoniais, alegando a felicidade encontrada no lar primitivo?
- Não devemos esquecer que a Terra ainda é uma escola de lutas regeneradoras ou expiatórias, onde o homem pode consorciar-se várias vezes, sem que a sua união matrimonial se efetue com a alma gêmea da sua, muitas vezes distante da esfera material.
A criatura transviada, até que se espiritualize para a compreensão desses laços sublimes, está submetida, no mapa de suas provações, a tais experiências, por vezes pesadas e dolorosas. A situação de inquietude e subversão de valores na alma humana justifica essa provação terrestre, caracterizada pela distância dos Espíritos amados, que se encontram num plano de compreensão superior, os quais, longe de desdenharem as boas experiências dos companheiros de seus afetos, buscam facultar-lhes com a máxima dedicação, de modo a facilitar o seu avanço direto às mais elevadas conquistas espirituais.
Os Espíritos evolutidos, pelo fato de deixarem algum amado na Terra, ficam ligados ao planeta pelos laços da saudade?
- Os espíritos superiores não ficam propriamente ligados ao orbe terreno, mas não perdem o interesse afetivo pelos seres amados que deixaram no mundo, pelos quais trabalham com ardor, impulsionando-os na estrada das lutas redentoras, em busca das culminâncias da perfeição.
A saudade, nessas almas santificadas e puras, é muito mais sublime e mais forte, por nascer de uma sensibilidade superior, salientando-se que, convertida num interesse divino, opera as grandes abnegações do Céu, que seguem os passos vacilantes do Espírito encarnado, através de sua peregrinação expiatória ou redentora na face da Terra.
Somente pela prece a alma encarnada pode auxiliar um Espírito bem-amado que a antecedeu na jornada do túmulo?
- A oração coopera eficazmente em favor do que partiu, muitas vezes com o espírito emaranhado na rede das ilusões da existência material. Todavia, o coração amigo que ficou aí no mundo, pela vibração silenciosa e pelo desejo perseverante de ser útil ao companheiro que o precedeu na sepultura, para os movimentos da vida, nos momentos de repouso do corpo, em que a alma evoluída pode gozar de relativa liberdade, pode encontrar o Espírito sofredor ou errante do amigo desencarnado, despertar-lhe à vontade no cumprimento do dever, bem como orienta-lo sobre a sua realidade nova, sem que a sua memória corporal registre o acontecimento na vigília comum.
Daí nasce à afirmativa de que somente o amor pode atravessar o abismo da morte.
==========
ALMAS GÊMEAS (POEMA)
Alma gêmea de minha alma
Flor de luz de minha vida
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão .
Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho ,
Chegaste, devagarinho ,
E encheste-me o coração.
Vinhas na benção das flores
Da divina claridade ,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor !
És meu tesouro infinito .
Juro-te eterna aliança
Porque sou tua esperança ,
Como és todo meu amor !
Alma gêmea de minha alma
Se eu te perder algum dia...
Serei tua escura agonia ,
Da saudade nos seus véus...
Se um dia me abandonares
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te , entre as flores
Da claridade dos céus.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
"Espiritismo" brasileiro, curas espirituais e Ciência Espírita
O "MOVIMENTO ESPÍRITA" CONSIDERA O MÉDICO ADOLFO BEZERRA DE MENEZES COMO SEU "CURANDEIRO ESPIRITUAL".
Existem curas espirituais? Espiritismo e a Medicina terrena podem conviver harmoniosamente? As curas espirituais dão mais certo do que as curas materiais da Medicina? A "medicina do além" prescinde de procedimentos médicos terrenos?
Como o "movimento espírita" se valeu da própria ignorância e de toda a deturpação da Ciência Espírita de Allan Kardec, isso estabeleceu um preço muito caro de uma doutrina cheia de irregularidades, que, a pretexto de curar, adoece, ou quando tenta curar de um modo, faz adoecer de outro, vide as energias sombrias que cercam seus membros.
Isso faz com que até mesmo a "medicina espírita" feita no Brasil, em que pesem seus aparentes êxitos, sejam uma prática irregular que utiliza métodos e critérios indevidos, improvisados pela força da ignorância. E isso vem desde o começo, quando os primeiros focos de "movimento espírita", bem antes de Chico Xavier, eram conhecidos pelo seu curandeirismo.
As acusações de charlatanismo e exercício ilegal da Medicina atingiam os "espíritas" daqueles tempos, as primeiras três décadas do século XX, que deram sequência ao final do século XIX com a fundação da Federação "Espírita" Brasileira. Atividades do tipo eram reprimidas pela polícia, que prendia seus praticantes e quem estivesse ali apoiando tudo isso.
Os "espíritas" se julgavam "perseguidos" com essa repressão. É certo que havia o lado da intolerância religiosa e também da influência monopolística do Catolicismo propriamente dito no Brasil. Mas a verdade, também, é que muitas dessas práticas se inspiravam mais em correntes esotéricas do que em procedimentos realmente científicos que evocassem a ajuda do além.
Vieram os passes, prática do "movimento espírita" desprovida dos conhecimentos necessários do Magnetismo de Franz Anton Mesmer, e os tratamentos espirituais, que se limitavam a dar um receituário homeopático ou banhos de ervas, para complementar os atos de mãos sacudindo pelo ar, sobre pessoas deitadas e um fundo musical "relaxante".
Não há estudos sérios e vieram fenômenos que se valiam de sensacionalismo, misticismo ou de espíritos inferiores, ainda endurecidos, que vieram sob o pretexto de "ajudar os doentes" com seus métodos duvidosos. Até facas sujas eram usadas para perfurar corpos sob a desculpa de retirar tumores através da cirurgia "mediúnica".
Casos assim se refletem no fenômeno "Dr. Fritz" que envolveu alguns supostos médiuns. Mas há também o caso do antigo presidente da FEB, Adolfo Bezerra de Menezes (que carece de uma biografia realmente imparcial sobre sua pessoa), médico, militar e político, que está associado a um suposto espírito que faz curas espirituais e lança cheiro de éter para anunciar sua presença.
Bezerra popularizou o processo e representou um contraponto ao seu quase xará, o Dr. Adolph Fritz, que teria influído nas mortes de alguns "médiuns" vistos como malcriados. Aparentemente mais dócil e sensível, pelo menos de acordo com a imagem deixada na posteridade através dos arranjos da FEB, dr. Bezerra representa a face "amorosa" das curas espirituais.
Embora as curas atribuídas a Bezerra (que na verdade podem ser de espíritos desconhecidos simpatizantes, já que o ex-presidente da FEB teria reencarnado e já está duas encarnações após seu falecimento em 1900) pareçam bem intencionadas, elas não fogem à regra do misticismo religioso que distorce as compreensões médicas e terapêuticas.
Afinal, a fé religiosa corrompe o sentido das curas mediúnicas e reduz seu processo a um misticismo placebo, já que o processo medicinal se torna praticamente inócuo, enquanto a cura toda vem de um paciente que acaba criando suas próprias condições de cura às custas do seu próprio sossego e aparente sensação de alívio.
EFEITO PLACEBO
É o efeito placebo. Os tratamentos medicinais, neste caso, tornam-se inócuos e ineficazes em si, mas a pessoa tem a impressão de estar tão aliviada e sossegada que acaba se curando. Ela acredita tanto na sua cura que é curada mais pela sua crença do que pelo tratamento em si, cuja única participação na cura está em dar a falsa impressão de que faz algo e afirmar ao paciente que ele será curado.
É como naqueles remédios vendidos pelos antigos mascates, muito comuns em meados do século XIX, que não passavam de água com açúcar ou mel de abelha misturado com alguma tintura, que seus vendedores prometiam a cura definitiva para as piores doenças, e isso numa época em que a Medicina ainda se servia de práticas ainda toscas de tratamento contra enfermidades.
A pessoa saía aparentemente curada, mais por suas sensações do que pelo remédio em si, que nada influiu na mudança. Quando muito, o remédio, se tinha sabor delicioso, só agradava o paladar (aquele misto de água de bica com pó de gelatina e mel de abelha era realmente uma delícia), mas outros remédios nem sempre têm esse sabor e são igualmente inócuos.
O grande problema é que, no "espiritismo" brasileiro, todo o processo de "curas espirituais" é feito sem qualquer conhecimento da Ciência Espírita, nem do Magnetismo de Franz Mesmer, nem de outras ciências associadas direta ou indiretamente à doutrina de Allan Kardec.
DESPREZO À CIÊNCIA E CONFLITO COM A "MEDICINA DOS HOMENS"
A prática das "curas" da "medicina espírita" ocorrem em claro conflito com a chamada "medicina dos homens", espécie de denominação pejorativa que os "espíritas" fazem a tudo de científico que vai contra os limites religiosos de sua doutrina. Sabemos que o "espiritismo" brasileiro só aceita a Ciência quando ela não contraria seus dogmas, totens e práticas.
O que há é um arremedo de consulta médica, quando um tipo de "auxílio fraterno" - réplicas de confessionário de igreja fantasiados de consultórios psicológicos - se expande em um simulacro de consulta médica, feita geralmente por um não-médico mas sempre um "espírita", que estabelece um receituário que inclui repouso, esquecimento de assuntos sobre sexo e remédios homeopáticos.
Evidentemente, diante da aparente condição "conciliadora" do "espiritismo", que não pode se voltar contra as práticas terrenas, irá "recomendar" ao paciente que esteja em tratamento médico com os "homens da Terra" que continue com o tratamento, até porque seria forçar a barra demais o "espiritismo" substituir a medicina terrena e deixar os pacientes morrerem à própria sorte.
No entanto, quando "não há necessidade" de um tratamento médico, o "espiritismo" faz seu "espetáculo de medicina" - em inglês, os mascates que vendem remédios são conhecidos através da denominação medicine show - , que às vezes incluem seus próprios produtos "homeopáticos" (como comprimidos pequenos e simpáticos com gosto de hóstia só que com mais açúcar e um talco ou pomada).
Os tratamentos envolvem geralmente colocar as pessoas numa sala, não raro uma sala coletiva com vários leitos, em que há um aparato que imita os quartos hospitalares. Neles há, geralmente, uma luz azul que é acesa quando as demais são apagadas, sendo um ponto azul enquanto um mediador faz a oração e seus assistentes fazem o ato de abanar as mãos, que os "espíritas" denominam "passe".
Tudo ritualístico, pretensamente terapêutico, mas a julgar pelas irregularidades do "movimento espírita", um processo bastante perigoso e sem qualquer segurança. Eles podem curar num aspecto, mas trazer má sorte na vida. Ou então curar em primeira instância e agravar a doença em outra.
Se não é a força psicológica de certas pessoas, que acidentalmente praticam autocura, sem perceberem, de tão envoltas num otimismo que, por uma coincidência de ocasião (e não em função da fé religiosa, como muitos acreditam) acaba curando suas doenças. É um processo até agora misterioso, mas que com toda a certeza não é um milagre da fé.
É POSSÍVEL HAVER CURAS ESPIRITUAIS. MAS OS "ESPÍRITAS" NÃO DEIXAM
Haver curas espirituais e intervenção do além para a Medicina terrena é uma hipótese possível. O que se nota, porém, é que o "movimento espírita", que por suas irregularidades corrompe a ideia de contatos com o mundo espiritual através de um vale-tudo da imaginação fértil de seus líderes e "médiuns", impede que essa hipótese seja estudada e conhecida.
Isso compromete o desenvolvimento do processo de curas espirituais, e reduz tudo ao âmbito do misticismo, do esotérico, sem que a Ciência fosse devidamente valorizada. Não existem estudos sobre como a ação de espíritos do além-túmulo pode influir na cura de alguma doença, sobretudo grave, ou como se carateriza esse processo.
É uma coisa lamentável, e ela não se esclarece através do exemplo "bondoso" do dr. Bezerra de Menezes. Primeiro, pelo fato de que ele provavelmente nem está no mundo espiritual, porque pela sua natureza espiritual ele reencarnou alguns anos após morrer e, pelo prazo normal de seu físico, ele já esteja em encarnação ainda posterior, sendo hoje um rapaz encarnado de uns vinte e tantos anos.
Segundo, porque a simples devoção religiosa e o simples misticismo sentimental não garantem as condições científicas para possibilitar a cura de doenças, o fim das dores e a extinção dos sintomas e dos efeitos da enfermidade. Paciência, esse processo religiosista é uma questão de fé e não de ciência.
O "espiritismo" brasileiro acaba impedindo que estudos sérios fossem feitos nesse sentido. A bajulação à Ciência e o fingimento de que segue seus procedimentos não resolve. Seria necessário haver pesquisas sérias sobre o contato com o mundo espiritual, coisa que os "espíritas" brasileiros fingem que fazem e até trazem "descobertas" e "certezas", mas se recusam a realizar.
É uma pena, porque talvez fosse louvável que houvesse uma parceria entre a medicina terrena e a do além-túmulo na criação de técnicas e condições de curas, sem sucumbir ao esotérico, ao místico, ao religioso e ao sentimental. Se houvesse uma coisa séria, em vez desse "mundo do faz-de-conta espírita", podemos aproveitar até as autocuras dos próprios pacientes.
Mas dizendo assim fica muito fácil. E fica fácil quem é acusado de descaso afirmar que vai fazer tudo direito e cumprir todas as promessas. Só que o estudo da Ciência Espírita é bastante complexo, e escapa das convicções da fé e desvia-se completamente do sentimentalismo religioso e, principalmente, vai longe do todo-fingimento "espírita" que tudo diz fazer e não faz.
Existem curas espirituais? Espiritismo e a Medicina terrena podem conviver harmoniosamente? As curas espirituais dão mais certo do que as curas materiais da Medicina? A "medicina do além" prescinde de procedimentos médicos terrenos?
Como o "movimento espírita" se valeu da própria ignorância e de toda a deturpação da Ciência Espírita de Allan Kardec, isso estabeleceu um preço muito caro de uma doutrina cheia de irregularidades, que, a pretexto de curar, adoece, ou quando tenta curar de um modo, faz adoecer de outro, vide as energias sombrias que cercam seus membros.
Isso faz com que até mesmo a "medicina espírita" feita no Brasil, em que pesem seus aparentes êxitos, sejam uma prática irregular que utiliza métodos e critérios indevidos, improvisados pela força da ignorância. E isso vem desde o começo, quando os primeiros focos de "movimento espírita", bem antes de Chico Xavier, eram conhecidos pelo seu curandeirismo.
As acusações de charlatanismo e exercício ilegal da Medicina atingiam os "espíritas" daqueles tempos, as primeiras três décadas do século XX, que deram sequência ao final do século XIX com a fundação da Federação "Espírita" Brasileira. Atividades do tipo eram reprimidas pela polícia, que prendia seus praticantes e quem estivesse ali apoiando tudo isso.
Os "espíritas" se julgavam "perseguidos" com essa repressão. É certo que havia o lado da intolerância religiosa e também da influência monopolística do Catolicismo propriamente dito no Brasil. Mas a verdade, também, é que muitas dessas práticas se inspiravam mais em correntes esotéricas do que em procedimentos realmente científicos que evocassem a ajuda do além.
Vieram os passes, prática do "movimento espírita" desprovida dos conhecimentos necessários do Magnetismo de Franz Anton Mesmer, e os tratamentos espirituais, que se limitavam a dar um receituário homeopático ou banhos de ervas, para complementar os atos de mãos sacudindo pelo ar, sobre pessoas deitadas e um fundo musical "relaxante".
Não há estudos sérios e vieram fenômenos que se valiam de sensacionalismo, misticismo ou de espíritos inferiores, ainda endurecidos, que vieram sob o pretexto de "ajudar os doentes" com seus métodos duvidosos. Até facas sujas eram usadas para perfurar corpos sob a desculpa de retirar tumores através da cirurgia "mediúnica".
Casos assim se refletem no fenômeno "Dr. Fritz" que envolveu alguns supostos médiuns. Mas há também o caso do antigo presidente da FEB, Adolfo Bezerra de Menezes (que carece de uma biografia realmente imparcial sobre sua pessoa), médico, militar e político, que está associado a um suposto espírito que faz curas espirituais e lança cheiro de éter para anunciar sua presença.
Bezerra popularizou o processo e representou um contraponto ao seu quase xará, o Dr. Adolph Fritz, que teria influído nas mortes de alguns "médiuns" vistos como malcriados. Aparentemente mais dócil e sensível, pelo menos de acordo com a imagem deixada na posteridade através dos arranjos da FEB, dr. Bezerra representa a face "amorosa" das curas espirituais.
Embora as curas atribuídas a Bezerra (que na verdade podem ser de espíritos desconhecidos simpatizantes, já que o ex-presidente da FEB teria reencarnado e já está duas encarnações após seu falecimento em 1900) pareçam bem intencionadas, elas não fogem à regra do misticismo religioso que distorce as compreensões médicas e terapêuticas.
Afinal, a fé religiosa corrompe o sentido das curas mediúnicas e reduz seu processo a um misticismo placebo, já que o processo medicinal se torna praticamente inócuo, enquanto a cura toda vem de um paciente que acaba criando suas próprias condições de cura às custas do seu próprio sossego e aparente sensação de alívio.
EFEITO PLACEBO
É o efeito placebo. Os tratamentos medicinais, neste caso, tornam-se inócuos e ineficazes em si, mas a pessoa tem a impressão de estar tão aliviada e sossegada que acaba se curando. Ela acredita tanto na sua cura que é curada mais pela sua crença do que pelo tratamento em si, cuja única participação na cura está em dar a falsa impressão de que faz algo e afirmar ao paciente que ele será curado.
É como naqueles remédios vendidos pelos antigos mascates, muito comuns em meados do século XIX, que não passavam de água com açúcar ou mel de abelha misturado com alguma tintura, que seus vendedores prometiam a cura definitiva para as piores doenças, e isso numa época em que a Medicina ainda se servia de práticas ainda toscas de tratamento contra enfermidades.
A pessoa saía aparentemente curada, mais por suas sensações do que pelo remédio em si, que nada influiu na mudança. Quando muito, o remédio, se tinha sabor delicioso, só agradava o paladar (aquele misto de água de bica com pó de gelatina e mel de abelha era realmente uma delícia), mas outros remédios nem sempre têm esse sabor e são igualmente inócuos.
O grande problema é que, no "espiritismo" brasileiro, todo o processo de "curas espirituais" é feito sem qualquer conhecimento da Ciência Espírita, nem do Magnetismo de Franz Mesmer, nem de outras ciências associadas direta ou indiretamente à doutrina de Allan Kardec.
DESPREZO À CIÊNCIA E CONFLITO COM A "MEDICINA DOS HOMENS"
A prática das "curas" da "medicina espírita" ocorrem em claro conflito com a chamada "medicina dos homens", espécie de denominação pejorativa que os "espíritas" fazem a tudo de científico que vai contra os limites religiosos de sua doutrina. Sabemos que o "espiritismo" brasileiro só aceita a Ciência quando ela não contraria seus dogmas, totens e práticas.
O que há é um arremedo de consulta médica, quando um tipo de "auxílio fraterno" - réplicas de confessionário de igreja fantasiados de consultórios psicológicos - se expande em um simulacro de consulta médica, feita geralmente por um não-médico mas sempre um "espírita", que estabelece um receituário que inclui repouso, esquecimento de assuntos sobre sexo e remédios homeopáticos.
Evidentemente, diante da aparente condição "conciliadora" do "espiritismo", que não pode se voltar contra as práticas terrenas, irá "recomendar" ao paciente que esteja em tratamento médico com os "homens da Terra" que continue com o tratamento, até porque seria forçar a barra demais o "espiritismo" substituir a medicina terrena e deixar os pacientes morrerem à própria sorte.
No entanto, quando "não há necessidade" de um tratamento médico, o "espiritismo" faz seu "espetáculo de medicina" - em inglês, os mascates que vendem remédios são conhecidos através da denominação medicine show - , que às vezes incluem seus próprios produtos "homeopáticos" (como comprimidos pequenos e simpáticos com gosto de hóstia só que com mais açúcar e um talco ou pomada).
Os tratamentos envolvem geralmente colocar as pessoas numa sala, não raro uma sala coletiva com vários leitos, em que há um aparato que imita os quartos hospitalares. Neles há, geralmente, uma luz azul que é acesa quando as demais são apagadas, sendo um ponto azul enquanto um mediador faz a oração e seus assistentes fazem o ato de abanar as mãos, que os "espíritas" denominam "passe".
Tudo ritualístico, pretensamente terapêutico, mas a julgar pelas irregularidades do "movimento espírita", um processo bastante perigoso e sem qualquer segurança. Eles podem curar num aspecto, mas trazer má sorte na vida. Ou então curar em primeira instância e agravar a doença em outra.
Se não é a força psicológica de certas pessoas, que acidentalmente praticam autocura, sem perceberem, de tão envoltas num otimismo que, por uma coincidência de ocasião (e não em função da fé religiosa, como muitos acreditam) acaba curando suas doenças. É um processo até agora misterioso, mas que com toda a certeza não é um milagre da fé.
É POSSÍVEL HAVER CURAS ESPIRITUAIS. MAS OS "ESPÍRITAS" NÃO DEIXAM
Haver curas espirituais e intervenção do além para a Medicina terrena é uma hipótese possível. O que se nota, porém, é que o "movimento espírita", que por suas irregularidades corrompe a ideia de contatos com o mundo espiritual através de um vale-tudo da imaginação fértil de seus líderes e "médiuns", impede que essa hipótese seja estudada e conhecida.
Isso compromete o desenvolvimento do processo de curas espirituais, e reduz tudo ao âmbito do misticismo, do esotérico, sem que a Ciência fosse devidamente valorizada. Não existem estudos sobre como a ação de espíritos do além-túmulo pode influir na cura de alguma doença, sobretudo grave, ou como se carateriza esse processo.
É uma coisa lamentável, e ela não se esclarece através do exemplo "bondoso" do dr. Bezerra de Menezes. Primeiro, pelo fato de que ele provavelmente nem está no mundo espiritual, porque pela sua natureza espiritual ele reencarnou alguns anos após morrer e, pelo prazo normal de seu físico, ele já esteja em encarnação ainda posterior, sendo hoje um rapaz encarnado de uns vinte e tantos anos.
Segundo, porque a simples devoção religiosa e o simples misticismo sentimental não garantem as condições científicas para possibilitar a cura de doenças, o fim das dores e a extinção dos sintomas e dos efeitos da enfermidade. Paciência, esse processo religiosista é uma questão de fé e não de ciência.
O "espiritismo" brasileiro acaba impedindo que estudos sérios fossem feitos nesse sentido. A bajulação à Ciência e o fingimento de que segue seus procedimentos não resolve. Seria necessário haver pesquisas sérias sobre o contato com o mundo espiritual, coisa que os "espíritas" brasileiros fingem que fazem e até trazem "descobertas" e "certezas", mas se recusam a realizar.
É uma pena, porque talvez fosse louvável que houvesse uma parceria entre a medicina terrena e a do além-túmulo na criação de técnicas e condições de curas, sem sucumbir ao esotérico, ao místico, ao religioso e ao sentimental. Se houvesse uma coisa séria, em vez desse "mundo do faz-de-conta espírita", podemos aproveitar até as autocuras dos próprios pacientes.
Mas dizendo assim fica muito fácil. E fica fácil quem é acusado de descaso afirmar que vai fazer tudo direito e cumprir todas as promessas. Só que o estudo da Ciência Espírita é bastante complexo, e escapa das convicções da fé e desvia-se completamente do sentimentalismo religioso e, principalmente, vai longe do todo-fingimento "espírita" que tudo diz fazer e não faz.
sábado, 4 de abril de 2015
A "religião do BRT"
CARLOS ROBERTO OSÓRIO, O "ARCEBISPO CARIOCA" DA "RELIGIÃO DO BRT".
O Brasil tem a mania de "religiosizar" as coisas. Tem a "religião" do futebol, a "religião" das "rádios rock" 89 FM e Rádio Cidade, a "religião" do "funk", a "religião" do PT, a "religião" do anti-petismo, a "religião" da cerveja, a "religião" do vinho, a "religião" do Jornalismo. Sem falar do "deus" dinheiro que mede todas as coisas.
E tem a "religião" do BRT. A "divindade" em questão são ônibus articulados ou bi-articulados, esteticamente parecidos com foguetes, de ampla mas evidentemente limitada capacidade de ocupação de passageiros e supostamente destinado a viagens mais rápidas e com menos lotação.
A "religião" do BRT envolve medidas antipopulares que são impostas por secretários de transportes que se acham dotados de poderes "divinos". Só por uma relativa, ou em muitos casos, apenas simbólica, capacidade técnica, eles se acham no direito de impor medidas prejudiciais à população e que só atendem aos interesses particulares desses tecnocratas.
No Brasil das "desculpas", em que há argumentos maravilhosos usados para justificar as piores atrocidades, os tecnocratas da "religião" do BRT (Bus Religion Transit?) geralmente tentam justificar medidas impopulares e nada funcionais como a pintura padronizada de ônibus ou a redução drástica da quantidade de ônibus em circulação.
ÔNIBUS PADRONIZADOS SÓ SERVEM PARA EXPOR O LEIAUTE DO GRUPO POLÍTICO QUE GOVERNA UMA CIDADE OU REGIÃO.
A "religião" do BRT tem seu papa, que é o arquiteto e político (originário da ditadura militar) Jaime Lerner e, no Rio de Janeiro, teve seu "messias" o ex-secretário de Transportes de Eduardo Paes, Alexandre Sansão, que passou sua "profissão de fé" para sucessores como Carlos Roberto Osório, convertido agora a "arcebispo do Rio de Janeiro" dessa "seita".
Assim como o Catolicismo se fundamenta nos Dez Mandamentos de Moisés, mas nem sempre obedecendo seus artigos (o Catolicismo medieval não seguia, por exemplo, o quinto mandamento), a "religião do BRT" diz seguir a Lei de Licitações (8666/93) mas descumpre grosseiramente alguns de seus artigos.
E aí autoridades e tecnocratas ficam inventando vantagens que, na prática, são improcedentes e só são usadas para perpetuar medidas que contrariam o interesse do povo, mas que os mandantes alegam que são feitas "pelo interesse público".
Aí a pintura padronizada dos ônibus, que amarra diferentes empresas de ônibus em "consórcios", grupos empresariais politicamente aglomerados pelo Estado, como se não bastassem as oligarquias empresariais privadas, adotam uma mesma imagem para elas com a clara ênfase do logotipo da prefeitura ou do órgão estadual, atitude cheia de irregularidades legais, que violam gravemente os principios de concessão de linhas de ônibus.
A secretaria de Transportes "competente" concede as linhas, mas não dá às empresas o direito de usar sua própria identidade visual (direito que garante mais transparência no serviço de ônibus). A concessão fica pela metade, porque o órgão estatal impõe "sua imagem", quer se fazer "representado" pelas frotas em circulação nas cidades ou regiões, o que é, em si, irregular e nocivo à população.
Afinal, a pintura padronizada faz as pessoas confundirem os ônibus, podendo correr até riscos ou atrasos. No Rio de Janeiro, as pessoas pegam o 254 da Acari pensando ser o 232 da Matias e, em vez de ir ao Lins, têm que saltar no Jacaré, que até em horários diurnos têm ocorrência de assaltos. Em outros casos, pegar ônibus errado pode significar atraso no trabalho e provável demissão.
Mas isso também serve para acobertar a corrupção de empresas de ônibus e políticos, e a estrutura político-empresarial dos consórcios é um pano de fundo para isso, fazendo piorar o sistema. No cotidiano dos passageiros, isso se reflete principalmente quando empresas de pior desempenho têm a mesma pintura das de melhor qualidade, dificultando a identificação para possíveis reclamações contra o péssimo serviço.
ACIDENTES COM BRT - "REAJUSTES ESPIRITUAIS" NA MOBILIDADE URBANA?
Mas o aspecto surreal está no fato de que as autoridades defendem a drástica redução de ônibus em circulação. Não se trata na redistribuição racional de frotas nas linhas (que na verdade têm "excesso de ônibus" porque seus percursos são iguais, enquanto faltam linhas para outras ruas e bairros), mas de redução de ônibus, mesmo.
Sim, o problema que faz as pessoas esperarem até mesmo por mais de uma hora a chegada do ônibus desejado e, quando chega, está superlotado, é visto como "virtude" e algo "positivo" pelas autoridades "mais respeitadas". O próprio Jaime Lerner, que as pessoas esquecem que foi político da ARENA (o partido da "situação" na ditadura), também pensa assim.
E o que acontece com tudo isso? A "religião do BRT" impõe todos esses transtornos por causa do "milagre" do BRT (Bus Rapid Transit), e de valores "divinizados" que incluem ônibus com ar condicionado ou chassis de marcas suecas (Volvo e Scania), considerados mais possantes.
BILHETE ÚNICO - O "bônus-hora" por suportarmos, no "silêncio da prece", os transtornos do transporte público?
E há ainda o "milagre" do Bilhete Único, um cartão eletrônico em que a pessoa, em tese, pode pegar duas linhas de ônibus em prazo de duas horas pagando uma passagem. Só que o cartão constantemente enguiça e os congestionamentos nas ruas fazem com que o "benefício", uma das supostas vantagens da "religião do BRT", percam o sentido. Mas ninguém pode perder a fé e todos devem reclamar sem "queixumes", rezam seus "mandamentos".
Em prol de tudo isso, aceitamos pegar ônibus padronizados cuja empresa temos dificuldade de reconhecer - logotipos pequeninos ou nomes de empresas expostos em letreiros ou janelas não resolvem - , e isso depois de esperar mais de meia-hora ou mesmo quase duas horas, em troca de ônibus de concepção avançada em corredores exclusivos e "rápidos".
Ônibus longos que parecem foguetes, com ar condicionado e chassis de marca sueca não são garantia de transporte mais eficiente ou de transparência no sistema de ônibus. Como também construir corredores expressos nem sempre agem em harmonia ou adequação à mobilidades urbana, até porque nem toda cidade tem estrutura urbana para essas avenidas exclusivas para ônibus.
Em muitos casos, estruturas urbanas das cidades são sacrificadas e, no Rio de Janeiro, parte de um terreno ecologicamente protegido foi destruída para extensão de um corredor de BRT. Patrimônios históricos e áreas ambientais podem ser destruídos para a construção de corredores exclusivos.
Da mesma forma, também pode haver o desvirtuamento do trânsito de avenidas, como a problemática mão única das avenidas Roberto Silveira e Amaral Peixoto, em Niterói, que só beneficia o uso abusivo de automóveis, os maiores vilões do trânsito nas grandes cidades.
Só o assunto da mobilidade urbana, através desses exemplos acima, mostra o quanto persiste uma mentalidade retrógrada, de cunho autoritário e antipopular, nos políticos e tecnocratas que estão no poder. O povo é obrigado a aceitar "bovinamente" as medidas, em troca de medidas paliativas como BRT e seu corredor expresso, que na prática só causaram problemas e até acidentes fatais.
E isso é ruim. Afinal, é uma sina triste no Brasil aceitar qualquer coisa em troca de supostos benefícios que não sabemos o que são e que, depois, se revelam não tão benéficos assim. Muitos entes queridos morrem sem necessidade e será que temos que aceitar todo prejuízo com a desculpa de "reajustes espirituais"?
Enquanto isso, delega-se "superioridade", sob qualquer critério, a egoístas que se valem do privilégio do diploma, do poder político, da visibilidade ou de outro tipo de prestígio para imporem seus abusos e explorarem a população indefesa que sofre todo tipo de prejuízo porque é "necessário". E tudo isso em troca de "benefícios" que nada trazem de muito vantajoso ou realmente benéfico, e que até chegam com mais prejuízos.
O Brasil tem a mania de "religiosizar" as coisas. Tem a "religião" do futebol, a "religião" das "rádios rock" 89 FM e Rádio Cidade, a "religião" do "funk", a "religião" do PT, a "religião" do anti-petismo, a "religião" da cerveja, a "religião" do vinho, a "religião" do Jornalismo. Sem falar do "deus" dinheiro que mede todas as coisas.
E tem a "religião" do BRT. A "divindade" em questão são ônibus articulados ou bi-articulados, esteticamente parecidos com foguetes, de ampla mas evidentemente limitada capacidade de ocupação de passageiros e supostamente destinado a viagens mais rápidas e com menos lotação.
A "religião" do BRT envolve medidas antipopulares que são impostas por secretários de transportes que se acham dotados de poderes "divinos". Só por uma relativa, ou em muitos casos, apenas simbólica, capacidade técnica, eles se acham no direito de impor medidas prejudiciais à população e que só atendem aos interesses particulares desses tecnocratas.
No Brasil das "desculpas", em que há argumentos maravilhosos usados para justificar as piores atrocidades, os tecnocratas da "religião" do BRT (Bus Religion Transit?) geralmente tentam justificar medidas impopulares e nada funcionais como a pintura padronizada de ônibus ou a redução drástica da quantidade de ônibus em circulação.
ÔNIBUS PADRONIZADOS SÓ SERVEM PARA EXPOR O LEIAUTE DO GRUPO POLÍTICO QUE GOVERNA UMA CIDADE OU REGIÃO.
A "religião" do BRT tem seu papa, que é o arquiteto e político (originário da ditadura militar) Jaime Lerner e, no Rio de Janeiro, teve seu "messias" o ex-secretário de Transportes de Eduardo Paes, Alexandre Sansão, que passou sua "profissão de fé" para sucessores como Carlos Roberto Osório, convertido agora a "arcebispo do Rio de Janeiro" dessa "seita".
Assim como o Catolicismo se fundamenta nos Dez Mandamentos de Moisés, mas nem sempre obedecendo seus artigos (o Catolicismo medieval não seguia, por exemplo, o quinto mandamento), a "religião do BRT" diz seguir a Lei de Licitações (8666/93) mas descumpre grosseiramente alguns de seus artigos.
E aí autoridades e tecnocratas ficam inventando vantagens que, na prática, são improcedentes e só são usadas para perpetuar medidas que contrariam o interesse do povo, mas que os mandantes alegam que são feitas "pelo interesse público".
Aí a pintura padronizada dos ônibus, que amarra diferentes empresas de ônibus em "consórcios", grupos empresariais politicamente aglomerados pelo Estado, como se não bastassem as oligarquias empresariais privadas, adotam uma mesma imagem para elas com a clara ênfase do logotipo da prefeitura ou do órgão estadual, atitude cheia de irregularidades legais, que violam gravemente os principios de concessão de linhas de ônibus.
A secretaria de Transportes "competente" concede as linhas, mas não dá às empresas o direito de usar sua própria identidade visual (direito que garante mais transparência no serviço de ônibus). A concessão fica pela metade, porque o órgão estatal impõe "sua imagem", quer se fazer "representado" pelas frotas em circulação nas cidades ou regiões, o que é, em si, irregular e nocivo à população.
Afinal, a pintura padronizada faz as pessoas confundirem os ônibus, podendo correr até riscos ou atrasos. No Rio de Janeiro, as pessoas pegam o 254 da Acari pensando ser o 232 da Matias e, em vez de ir ao Lins, têm que saltar no Jacaré, que até em horários diurnos têm ocorrência de assaltos. Em outros casos, pegar ônibus errado pode significar atraso no trabalho e provável demissão.
Mas isso também serve para acobertar a corrupção de empresas de ônibus e políticos, e a estrutura político-empresarial dos consórcios é um pano de fundo para isso, fazendo piorar o sistema. No cotidiano dos passageiros, isso se reflete principalmente quando empresas de pior desempenho têm a mesma pintura das de melhor qualidade, dificultando a identificação para possíveis reclamações contra o péssimo serviço.
ACIDENTES COM BRT - "REAJUSTES ESPIRITUAIS" NA MOBILIDADE URBANA?
Mas o aspecto surreal está no fato de que as autoridades defendem a drástica redução de ônibus em circulação. Não se trata na redistribuição racional de frotas nas linhas (que na verdade têm "excesso de ônibus" porque seus percursos são iguais, enquanto faltam linhas para outras ruas e bairros), mas de redução de ônibus, mesmo.
Sim, o problema que faz as pessoas esperarem até mesmo por mais de uma hora a chegada do ônibus desejado e, quando chega, está superlotado, é visto como "virtude" e algo "positivo" pelas autoridades "mais respeitadas". O próprio Jaime Lerner, que as pessoas esquecem que foi político da ARENA (o partido da "situação" na ditadura), também pensa assim.
E o que acontece com tudo isso? A "religião do BRT" impõe todos esses transtornos por causa do "milagre" do BRT (Bus Rapid Transit), e de valores "divinizados" que incluem ônibus com ar condicionado ou chassis de marcas suecas (Volvo e Scania), considerados mais possantes.
BILHETE ÚNICO - O "bônus-hora" por suportarmos, no "silêncio da prece", os transtornos do transporte público?
E há ainda o "milagre" do Bilhete Único, um cartão eletrônico em que a pessoa, em tese, pode pegar duas linhas de ônibus em prazo de duas horas pagando uma passagem. Só que o cartão constantemente enguiça e os congestionamentos nas ruas fazem com que o "benefício", uma das supostas vantagens da "religião do BRT", percam o sentido. Mas ninguém pode perder a fé e todos devem reclamar sem "queixumes", rezam seus "mandamentos".
Em prol de tudo isso, aceitamos pegar ônibus padronizados cuja empresa temos dificuldade de reconhecer - logotipos pequeninos ou nomes de empresas expostos em letreiros ou janelas não resolvem - , e isso depois de esperar mais de meia-hora ou mesmo quase duas horas, em troca de ônibus de concepção avançada em corredores exclusivos e "rápidos".
Ônibus longos que parecem foguetes, com ar condicionado e chassis de marca sueca não são garantia de transporte mais eficiente ou de transparência no sistema de ônibus. Como também construir corredores expressos nem sempre agem em harmonia ou adequação à mobilidades urbana, até porque nem toda cidade tem estrutura urbana para essas avenidas exclusivas para ônibus.
Em muitos casos, estruturas urbanas das cidades são sacrificadas e, no Rio de Janeiro, parte de um terreno ecologicamente protegido foi destruída para extensão de um corredor de BRT. Patrimônios históricos e áreas ambientais podem ser destruídos para a construção de corredores exclusivos.
Da mesma forma, também pode haver o desvirtuamento do trânsito de avenidas, como a problemática mão única das avenidas Roberto Silveira e Amaral Peixoto, em Niterói, que só beneficia o uso abusivo de automóveis, os maiores vilões do trânsito nas grandes cidades.
Só o assunto da mobilidade urbana, através desses exemplos acima, mostra o quanto persiste uma mentalidade retrógrada, de cunho autoritário e antipopular, nos políticos e tecnocratas que estão no poder. O povo é obrigado a aceitar "bovinamente" as medidas, em troca de medidas paliativas como BRT e seu corredor expresso, que na prática só causaram problemas e até acidentes fatais.
E isso é ruim. Afinal, é uma sina triste no Brasil aceitar qualquer coisa em troca de supostos benefícios que não sabemos o que são e que, depois, se revelam não tão benéficos assim. Muitos entes queridos morrem sem necessidade e será que temos que aceitar todo prejuízo com a desculpa de "reajustes espirituais"?
Enquanto isso, delega-se "superioridade", sob qualquer critério, a egoístas que se valem do privilégio do diploma, do poder político, da visibilidade ou de outro tipo de prestígio para imporem seus abusos e explorarem a população indefesa que sofre todo tipo de prejuízo porque é "necessário". E tudo isso em troca de "benefícios" que nada trazem de muito vantajoso ou realmente benéfico, e que até chegam com mais prejuízos.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Robin Williams teria complicado a vida de Chico Xavier
Recentemente, foi divulgado que o testamento do ator Robin Williams, falecido em agosto de 2014, estabeleceu restrições ao uso de sua imagem por 25 anos, estando proibido o uso que contrariasse o legado do ator, como a divulgação de fotomontagens para fins levianos ou a utilização de hologramas forjando a sua aparição.
Ele não pode ser usado ou inserido digitalmente em filmes e propagandas, e o uso de sua imagem se limita apenas à transmissão de filmes, entrevistas e outras aparições dentro do que já foi registrado sobre ele.
Se observarmos o que é o "espiritismo" brasileiro, em que supostos médiuns usam a bel prazer os nomes dos mortos para redigir mensagens de sua própria imaginação, carregada de apelo religioso e cujas caraterísticas destoam do que os mortos pensariam ou agiriam em vida, as restrições divulgadas pelo testamento do ator, um dos mais prestigiados de Hollywood, causaria problemas.
Se, por exemplo, Chico Xavier vivesse hoje, ele teria problemas se quisesse usar o nome de Robin Williams para um livro ou uma mensagem religiosa. Sabemos os efeitos nefastos causados pela usurpação do nome do escritor Humberto de Campos (1886-1934), de danosas consequências para a posteridade, reduzindo o autor maranhense a uma "propriedade" do anti-médium mineiro.
Robin Williams seria visto também de forma negativa pelo "movimento espírita". De acordo com laudo médico, Robin teria cometido suicídio, por causa da depressão provavelmente causada por efeitos de demência e mal de Parkinson, que segundo algumas fontes teriam sido diagnosticados pouco antes de sua morte.
O suicídio é uma prática condenada severamente pelo "movimento espírita", que o vê como um ato hediondo, que interrompe a missão de resgates morais do indivíduo. Nem mesmo o homicídio é visto com tanta gravidade, já que o "espiritismo" vê neste ato um efeito de "reajustes espirituais", enquanto considera o suicídio como "grave ato de covardia".
Robin teve um histórico de uso de álcool e drogas e havia se esforçado para superar os vícios. Como ator, era reconhecido por seu grande talento em vários filmes. Atualmente seu espólio está sendo disputado na Justiça pela última esposa, Susan Schneider, com quem se casou em 2011, e os filhos de outros casamentos, a atriz Zelda Williams e os irmãos Zak e Cody, filhos de outros casamentos.
Se fossem aplicadas as restrições à prática "espírita" brasileira, seria proibida a divulgação de mensagens supostamente mediúnicas atribuídas a Robin Williams, mesmo que elas se apoiem por palavras aparentemente fraternais e consoladoras e supostamente positivas.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
"Espiritismo" e o maniqueísmo entre o "coração" e o "cérebro"
O "movimento espírita" promove um maniqueísmo, no qual o "coração" é o bem e o "cérebro" é o mal. Seu moralismo que superestima a família e as práticas irregulares e surreais ligadas à mediunidade e ao conhecimento dito "espírita" revelam essa realidade.
Em tese, o "espiritismo" brasileiro aprecia todo tipo de expressão do raciocínio humano, todo tipo de atividade científica e toda a trajetória de intelectuais que contribuíram para as descobertas, expansões e aprimoramentos no ramo do conhecimento humano. Mas isso apenas em tese.
Isso porque, na prática, o "espiritismo" brasileiro só aprecia o conhecimento lógico nos limites em que este não interfere na série de mistificações, mitificações ou mesmo fraudes que existem nesta doutrina religiosa, só apreciando a Ciência quando ela respeita tais restrições.
Se a Ciência é usada para corroborar, ainda que usando de metodologias insuficientes e duvidosas, as mistificações e atividades irregulares relacionadas ao "espiritismo" brasileiro, ela é exaltada e vista como "colaboradora da evolução espiritual e moral da humanidade".
Mas se a Ciência questiona vários desses procedimentos "espíritas", a visão torna-se outra: "expressão dos juízos terrenos movidos pelas paixões humanas", sendo a Ciência vista como "instrumento de perseguição e de calúnia contra os trabalhadores do bem e da fraternidade".
O que se nota, tanto no caso do processo judicial dos herdeiros de Humberto de Campos, em 1944, quanto no recente trabalho acadêmico sobre o livro Missionários da Luz, atribuído à autoria "espiritual" de André Luiz, nota-se esse maniqueísmo.
No caso do livro Missionários da Luz, de 1945, cientistas até cometeram o "lapso" de não terem consultado livros científicos da época de elaboração do livro - entre 1940 e 1944 - , supuseram, em uma monografia de 2013, a infundada tese de "pioneirisimo científico", de 13 a 63 anos, das ideias difundidas por "André Luiz" no referido livro.
Com esse episódio, os "espíritas" dizem exaltar a Ciência, evocando seu "papel" de "comprovar a seriedade" de "fenômenos espíritas" e de "obras que se dedicam a promover a fraternidade e o amor ao próximo, além de mostrar aspectos da vida no mundo espiritual".
Já no caso do processo da viúva e dos filhos de Humberto de Campos contra Francisco Cândido Xavier (que por sinal faria 105 anos hoje) e a FEB, a investigação científica e o raciocínio lógico foram maldosamente classificados pelos "espíritas" como fruto de "paixões terrenas" e impiedosos "juízos dos homens apegados às impressões da matéria".
Observando sobretudo casos como este, quando o raciocínio investigativo se volta a contestar atividades e ideias relacionadas ao "movimento espírita", este reage criminalizando o simples ato de raciocinar, que é perversamente definido como "expressão de paixões terrenas" e "instrumentos de maledicência e perseguição a homens de bem".
É como se os "espíritas" quisessem dizer: "Mente ativa é oficina do diabo", ou melhor, do "irmãozinho sofredor", como os "espíritas" dizem, em eufemismo, sobre o que acreditam ser os "espíritos obsessores" ou as "almas trevosas".
Os "olhos do coração"são a desculpa para que aspectos surreais ou irregulares do "espiritismo" sejam mantidos intocáveis. Seja a mediunidade irregular e duvidosa, na qual só aparece a caligrafia do suposto médium e a mensagem quase sempre tem um tom religioso,
O "espiritismo", dessa forma, adota a desculpa dos "olhos do coração" para que seus absurdos deixem de ser questionados. É como se o "movimento espírita" criasse uma ilha de surrealismo na qual ninguém deve interferir. Um mundo da fantasia, onde crenças contraditórias, absurdas, duvidosas terão que ser aceitas sob a desculpa do "espírito de tolerância e misericórdia".
Esta atitude é uma herança do Catolicismo medieval, com algumas adaptações. Os "espíritas" deixaram de acreditar em mares se partindo ao meio, mas acreditam que os espíritos do além-túmulo são necessariamente colaboradores da "igreja espírita" que creem existir por lá.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Equivalente "sofisticado" do "espiritismo", Cientologia é denunciada em livro e documentário
Religiões fraudulentas ou exploradoras da fé religiosa existem no Primeiro Mundo e agem para manter seu grau de prepotência e posse da verdade. Afinal, seus líderes se acham dotados de poderes "divinos" ou de "graças" recebidas por uma suposta entidade que eles entendem como "superior".
Mas, no "velho mundo" que Chico Xavier "previu" que será destruído para abrir caminho para um Brasil provinciano e fanaticamente religioso, as coisas são bem diferentes. Lá, as denúncias já passam dos círculos restritos da Internet e chegam a documentários e livros, como o recente documentário A Prisão da Fé (Going Clear: Scientology and the Prison of Belief), do cineasta Alex Gibney.
O documentário é baseado no livro do mesmo nome escrito por Lawrence Wright, que denuncia os bastidores da Cientologia, mas vai além com novas denúncias. Juntos, livro e documentário revelam o que ex-seguidores da seita informaram: sofreram torturas, humilhações e agressões físicas.
Para quem não sabe, a Cientologia é um equivalente "sofisticado" do "espiritismo brasileiro". Adota narrativas místicas semelhantes a Nosso Lar e uma série de crenças que misturam ritualismo religioso com pseudo-ciência. A Cientologia, além disso, cria suas colônias na Terra enquanto o "espiritismo" se limita a "reservá-las" para o "mundo espiritual".
A Cientologia foi fundada por L. Ron Hubbard, físico com inclinações místicas e já falecido, sendo seu sucessor David Miscavige. No Brasil, existe até um movimento similar, sem relação com a original, a Conscienciologia (ou Projeciologia), fundada por Waldo Vieira, ex-discípulo de Chico Xavier. A Conscienciologia, no entanto, soa mais como uma Cientologia hippie.
Ex-seguidores da Cientologia denunciam que sofrem problemas depois que rompem com a seita. São chamados pejorativamente de "apóstatas", são perseguidos e humilhados, além de proibidos de entrar em contato com aqueles que ainda estão na igreja.
A Cientologia tem como principais adeptos os atores Tom Cruise e John Travolta, dois dos mais populares astros de Hollywood. Devido as restrições dogmáticas da seita, John Travolta perdeu um dos filhos, Jett Travolta, por não lhe conceder tratamento contra uma doença, a síndrome de Kawasaki, uma rara inflamação no vaso sanguíneo, que pode causar de febre alta a parada cardíaca.
Os chefes da Cientologia tentam desqualificar Gibney e Wright, investindo dinheiro numa campanha difamatória, alegando que os dois estão fazendo "propaganda preconceituosa" contra a igreja e lançaram até um documentário em resposta, Get the Truth!.
Com essa situação, nota-se que um dos maiores problemas do mundo é a existência da religião da forma que se conhece hoje, em que a primitiva ligação entre o ser humano e uma simbólica entidade superior - que as formas ocidentais definem como "Deus" - está criando no seio dos movimentos religiosos manifestações perigosas de complexo de superioridade e de intolerância social, neste caso através de grupos fundamentalistas.
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