quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"Palavras de amor" não absolvem erros do "Espiritismo" brasileiro


Quando surgem denúncias de erros graves ou equívocos constrangedores praticados no Espiritolicismo, que é o dito "Espiritismo" brasileiro, seus adeptos se insurgem e chegam mesmo a dizer "Deixa pra lá,  o que importa são as lições de amor que a doutrina nos dá".

É o caso, por exemplo, de quando se apontam os grotescos erros históricos apontados por historiadores renomados em vários trechos do livro Há 2000 Anos, que o espírito Emmanuel havia ditado ao médium Chico Xavier em 1944.

Os leitores entusiasmados dessa duvidosa obra literária, um "novelão" malfeito de uma linguagem por demais rebuscada e retórica digna do mais retrógrado catolicismo medieval traduzido para o português, simplesmente menosprezam tais erros históricos em nome das "lições de amor" que a obra parece "inspirar".

Outros então chegam ao ridículo de indagar se os dados contidos no livro não seriam "verdadeiros", por conta de um espírito que tais pessoas acreditam ser "superior", o "guia iluminado" de Chico Xavier, a "pessoa mais bondosa" que passou pela face da Terra, na impressão dessas mesmas pessoas.

Impressões semelhantes ocorrem quando Divaldo Franco é acusado de plágio, ou de dar informações erradas em suas palestras verborrágicas, ou diante do aberrante livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, suposta psicografia montada pela FEB sob responsabilidade assumida por Chico Xavier usando o nome do escritor Humberto de Campos.

"Que importam os erros, o que importa é o amor". "Quem é que garante que eles tenham sido erros?". São reações diferentes, mas que colocam o amor acima da honestidade da razão, dentro daquilo que, no catolicismo medieval, havia sido conhecida como a supremacia da fé sobre a razão.

No catolicismo medieval, falava-se no tal "mistério da fé". Era obrigado acreditar, e não pensar. O cientista Galileu Galilei chegou a ir aos tribunais porque questionou concepções astronômicas defendidas pela "Santa Igreja" na época, começo do século XVII. Isso porque suas descobertas científicas nada tinham valor diante da fé cega defendida pelos católicos da Inquisição.

Mesmo sob o pretexto de uma "fé raciocinada" que não se observa na prática, o "Espiritismo" brasileiro também mostra um ranço de catolicismo medieval, quando tenta absolver os erros da razão em prol da "emotividade do amor, da caridade e da fraternidade".

Só que isso, mais do que significar uma adaptação "moderna" para o "mistério da fé" do catolicismo medieval, é uma amostra de conformação com a desonestidade, com a ignorância convicta e nada inocente, e com outros vícios trazidos pelo "movimento espírita".

Afinal, um livro como Há 2000 Anos, em que Emmanuel narra sua suposta passagem nos tempos de Jesus Cristo, revela-se uma fraude aberrante, porque Emmanuel, a partir dos erros históricos que transmite, desconhecendo a geografia, a geopolítica e mesmo o sistema de castas familiares adotado pelo Império Romano, acaba demonstrando que não teria vivido naqueles tempos.

Isso é desonesto, porque Emmanuel diz que foi um senador romano que nenhum documento histórico conseguiu comprovar. Pelo contrário, Emmanuel se baseou na duvidosa "epístola Lentuli", que nem a Igreja Católica, nos seus altos surtos medievais, admitia veracidade.

A "epístola", apócrifa (sem autoria creditada), só teria sido publicada a partir do século XIII, portanto bem depois da vida de Jesus. Antes disso, nenhum documento, dos que hoje restam, dá conta do tal "Públio Lentulus" que Emmanuel diz ter sido, e é pouco provável que os documentos perdidos também possam constar de tal dado.

Portanto, se aprendemos, na nossa sociedade, que a desonestidade macula qualquer sentimento de amor, por que teremos que aceitar tal defeito em relação ao "Espiritismo" brasileiro? Inútil dizer que as "lições de amor" estão acima de qualquer desonestidade ou erro histórico. Até porque desonestidade é enganar quem ama o enganador, é traição, intriga, desmoralização e gera tristeza.

No exemplo de Há 2000 Anos, Emmanuel cometeu uma grande fraude. Como foi fraudulento o livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que não passou de uma reedição de uma antiga palestra e nada acrescentou de revelações ao duvidoso horizonte historiográfico brasileiro, ditado pelos burocratas do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil.

Portanto, fraudes assim não podem ser inocentadas pelas "palavras de amor" que transmitem. Isso as faz até piores, porque as "palavras de amor" servem para enfeitar a desonestidade e fazê-la palatável e apreciável para mentes sensíveis, porém pouco preparadas para discernir as coisas. Daí a imoralidade que nenhum "amor" consegue suavizar.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

José Datrino e a gentileza que Chico Xavier não teve com vítimas da tragédia de circo em Niterói

 
Temos que admitir. O Profeta Gentileza superou o "médium" Chico Xavier no socorro moral aos familiares das vítimas do trágico e criminoso incêndio ocorrido no Gran Circo Norte-Americano, em Niterói, no dia 17 de dezembro de 1961.

Ele foi o empresário paulista José Datrino, que tinha sua pequena empresa de transporte de carga. Com a tragédia, no entanto, ele decidiu largar tudo e ajudar as pessoas. Tornou-se um pregador, aos 44 anos, vivendo de forma humilde. Tornou-se até excêntrico e era visto como louco, mas, se reagia com revolta, era contra as pessoas que tentaram humilhá-lo com gracejos e xingações.

José Datrino foi consolar e ajudar diversos familiares das vítimas da tragédia do circo em Niterói. Se dirigiu ao local, nos arredores da atual Praça Dez de Novembro, ou Praça dos Expedicionários, próximo ao antigo prédio da Estação Ferroviária General Dutra, que ainda funcionava na época, e atualmente sob um dos viadutos da descida da Ponte Rio-Niterói, que então não existia.

Ao longo dos anos 60 e 70 Datrino consolou tantas pessoas que foi apelidado de José Agradecido e, depois, de Profeta Gentileza. Ele plantou grama e algumas plantas no local em que ocorreu a tragédia e, depois, passou a escrever frases de solidariedade com um estilo gráfico que hoje é imitado em camisetas e outros objetos.

Compare isso com a "revelação" que Chico Xavier trouxe, usando o nome de Irmão X - o pseudônimo que parodiava o codinome Conselheiro XX, que Humberto de Campos, usurpado postumamente pela tendenciosa bibliografia de Xavier - , havia feito.

Conforme havíamos escrito, no livro Cartas e Crônicas, de 1966, Xavier havia divulgado que os mortos da tragédia circense teriam sido antigos cidadãos da Gália, então uma parte do Império Romano e que hoje corresponde à cidade de Lion, na França, e que teriam "pago" antigas dívidas morais com o passado.

É o famoso "Bem feito!!", como diz o anedotário popular. 40 anos antes de Woyne Figner Sacchetin usar o nome de Santos Dumont para acusar os mortos do acidente da TAM no Aeroporto de Congonhas (SP) de "súditos sanguinários do Império Romano", Xavier fez exatamente o mesmo usando Humberto de Campos para acusar os mortos de Niterói da mesma forma.

Mas José Datrino, transformado no "louco" Profeta Gentileza, não quis saber se os mortos do incêndio do Gran Circo Norte-Americano eram ou não antigos cidadãos do Império Romano. Ele se dirigiu aos familiares e se tornou amigo dessas famílias, procurando ajudá-las não apenas com menagens de consolo, mas com alguma colaboração possível.

Daí que o Espiritolicismo, que tanto se promove com "palavras de conforto", tem seus violentos surtos moralistas, além do envaidecimento de usurpar a memória de ilustres falecidos - como Santos Dumont e Humberto de Campos - para atender aos interesses dos dirigentes espiritólicos, sejam os que estão na FEB, sejam os dissidentes que mantém seus princípios e valores, de alguma maneira.

O exemplo do Profeta Gentileza se valeu pela generosidade em si, um sentimento que está acima das religiões e que não depende do uso de nomes ilustres nem se serve da verborragia de espíritos farsantes (como o "padre" Emmanuel) para expressar o verdadeiro significado de caridade.

As palavras do Profeta Gentileza, além disso, superam, e muito, em simplicidade e generosidade do que a verborragia prolixa e extremamente moralista que Emmanuel e similares lançam através da indústria de livros "psicografados" que mais fazem dizer do que ajudam na evolução verdadeira do indivíduo.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Para o "Espiritismo" brasileiro, suicidas são piores que homicidas

DA ESQUERDA: O CANTOR INGLÊS IAN CURTIS, A POETISA ANA CRISTINA CÉSAR, O ESCRITOR AUSTRÍACO STEFAN ZWEIG E O EX-PRESIDENTE BRASILEIRO GETÚLIO VARGAS, EXEMPLOS DE FAMOSOS SUICIDAS.

O "Espiritismo" brasileiro é tomado de uma moral muito esquisita, bastante punitiva e revanchista, que volta e meia aparece para contradizer toda sua suposta aura de "amor e caridade", num sentimento moralista herdado explicitamente do catolicismo medieval.

Uma das teses estranhamente difundidas pelo Espiritolicismo (que é o que podemos denominar esse espiritismo distorcido) é que o suicídio é um ato muito mais cruel do que o homicídio, e contra o qual vários palestrantes despejam mil calúnias.

Segundo essa tese, enquanto os homicidas seriam "agentes" para a reparação de "dívidas espirituais" de suas vítimas, os suicidas seriam pessoas bastante covardes que teriam jogado fora suas encarnações e sua missão de expiação de faltas passadas.

No primeiro caso, a vítima é sempre a culpada. Os homicidas sofrem o atenuante de serem "jagunços" das forças superiores, cumprindo o "erro necessário" de eliminar suas vítimas como uma "medida" de "retornar" a estas as punições que haviam cometido no passado.

Os suicidas se tornam então os mais graves, o que é um contrasenso. Afinal, geralmente os homicídios são provocados pelos impulsos do egoísmo material, e são feitos ignorando as necessidades de outras pessoas, o que prova, por uma simples questão de ordem antropológica ou filosófica, que o homicídio sempre é pior do que o suicídio.

O suicídio é condenável, à sua maneira, mas não como o homicídio. O homicida é mil vezes mais condenável, porque tira a vida de outra pessoa, num ato que é puro egoísmo às últimas consequências. Já o suicida apenas tira sua vida por conta própria, numa atitude voluntária que pode até constituir num sério erro, mas nele o grau de egoísmo é simplesmente atenuado.

Além disso, imaginar que os homicidas são apenas "jagunços" terrenos a serviço das "leis do além" seria apostar numa "justiça com as próprias mãos" sob o verniz de "moral espírita". Seria defender a pena de morte de pessoas que, no momento presente (ou pouco antes da morte das vítimas), eram inocentes, simpáticas e estavam dando alguma valiosa contribuição à humanidade.

Só isso nivela os ditos "espíritas" brasileiros, tidos como "superiores", "evoluídos" e "guias da elevação moral da humanidade", aos piores tiranos do Império Romano que se regojizavam em mandar cristãos para encarar leões famintos nas arenas ou a serem queimados diante das multidões nas ruas.

Com um agravante. As autoridades do passado eliminavam cristãos que julgavam associados a valores e interesses que contrariavam essas elites políticas, o que era gravíssimo e desumano, mas estava de acordo com o seu jogo de interesses e sua precária formação ética e moral.

Já os "espíritas", com sua moral dita "elevada" apoiada por espíritos ditos "superiores", muitas vezes se comprazem com os falecimentos precoces de pessoas inocentes, sem qualquer motivo ou interesse determinado, bastando ser simplesmente pessoas de boa índole e boas realizações que "precisavam" ir "na hora oportuna" (eufemismo para mortes prematuras) para "o outro lado".

Enquanto isso, nada se fala quando homicidas, tomados pelas pressões emocionais que sofrem na sociedade contemporânea, ou tomados pelos vícios que lhes debilitam a saúde e os fazem vulneráveis aos acidentes, ou por outros fatores, também perdem a vida relativamente cedo.

Pelo contrário, os espiritólicos acham que os homicidas se destinam a viver longas vidas tranquilas, ou de sofrimentos "recuperáveis" na encarnação presente, evitando as consequências naturais de seus atos, "premiados" pela "jagunçada" a serviço das "forças do além".

Pouco importa se os homicidas fumaram demais, se drogaram até a overdose, cometeram imprudências nos volantes ou têm risco de serem mortos por desafetos, de sofrerem doenças gravíssimas de consequências fatais ou de serem mortos por assaltantes que os encontram no "calor" da liberdade condicional.

Para os espiritólicos, homicida não pode morrer cedo (embora tenha muito mais risco de abreviar suas próprias vidas devido a diversos fatores) e, por mais que desperdice sua vida tirando a dos outros, está "cumprindo sua missão" de suposto resgate das faltas de suas vítimas.

Apenas por uma mórbida supervalorização da vida espiritual, os moralistas espiritólicos parecem ver os homicidas de forma meramente atenuante, suave e quase carinhosa, talvez até adiando a punição para outra encarnação, enquanto desprezam o sofrimento dos familiares de suas vítimas.

Enquanto isso, os suicidas continuam sendo "linchados" pela moral espiritólica, que nem sequer pensa nos problemas que estão por trás desses atos de suicídio, dos dramas pessoais desses infelizes (apenas Yvonne Pereira, dentro dos limites espiritólicos, fez alguma coisa neste sentido).

Por outro lado, os espiritólicos festejam a partida precoce de muitas vítimas sob a ação de outrem, mesmo que vários projetos de transformação da humanidade sejam interrompidos dramaticamente. Que moral "superior" é essa que trata o homicídio como algo menos grave que o suicídio, é de uma estranheza que dá calafrios.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Chico Xavier cometeu crueldade com as vítimas do circo de Niterói


Vimos o caso do livro Voo de Esperança, em que o médico paulista Woyne Figner Sacchetin usou o nome de Alberto Santos Dumont para ofender as vítimas do acidente da TAM, acusados de terem sido "romanos sanguinários" numa linguagem bastante duvidosa para ser do saudoso pioneiro da aviação.

A aberração ocorreu de tal forma que houve um processo judicial, movido por herdeiros de Santos Dumont, em que o juiz que acatou a ação entendeu que o livro não só usava de forma leviana o nome do engenheiro e aviador mineiro como apresentou passagens bastante ofensivas aos 199 mortos da tragédia.

Não eram ofensas individuais, mas em conjunto, em que os mortos, como um grupo de pessoas afetadas por uma mesma ocorrência, eram coletivamente acusados de terem sido membros do Império Romano instalados na atual França que sentiam prazer em ver pessoas queimadas em praça pública.

Pois o fato, gravíssimo, teve um antecedente e, é bom avisar aos amantes da espiritualidade mais piegas e tendenciosa, que é a "doutrina" do Espiritolicismo, o responsável desse embuste é ninguém menos que o médium Chico Xavier, figura "inatacável", sinônimo da "bondade absoluta", o "homem chamado amor".

Chico fez exatamente o mesmo que Woyne, só que passou incólume por conta da visibilidade e da imagem de "bonzinho" que cultivou sob o suporte publicitário da FEB. O que se torna muito mais grave, porque Chico Xavier quer passar uma imagem de "espírito puro" através de uma crueldade, de uma ação fraudulenta, que relataremos a seguir.

Pois o livro Cartas e Crônicas (1966), em que Chico Xavier, um tanto visado pelo uso do nome de Humberto de Campos, mudou o nome do "espírito" para Irmão X (uma paródia do pseudônimo "Conselheiro XX" que Humberto havia lançado em vida), fez similar acusação contra as centenas de vítimas (número até hoje misterioso) da tragédia do Gran Circo Norte-Americano.

A tragédia ocorreu em 17 de dezembro de 1961, quando um ex-funcionário do circo, para se vingar de uma desavença com os patrões que o demitiram, chamou alguns comparsas e espalharam fogo no circo, causando tumultos e uma enorme tragédia, cujo número oficial variava de 323 a 500, mas teria sido maior pelas graves queimaduras e outros males causados a outras vítimas.


Numa narrativa habilidosa, o livro "psicografado" de 1966 acusa as vítimas de terem sido antigos romanos que massacraram cristãos e os condenavam sumariamente de diversas formas. Para piorar, a narrativa, que atribuiu a ocorrência para o ano 177 de nossa era, ainda usa a cidade francesa de Lion, berço do mestre Allan Kardec, para tamanha leviandade chiquista.

A narrativa tem como personagens o imperador Marco Aurélio, o guerreiro Lúcio Galo, o general Avídio Cássio, o patrício Álcio Plancus e culmina num plano de incendiar uma arena, com vários prisioneiros, inclusive idosos, doentes, escravos, mulheres e crianças, depois de verificarem que os leões que haviam sido trazidos da África eram mansos.

No decorrer do texto, a multidão incentivava as autoridades romanas a prepararem o incêndio, e vários haviam, segundo a narrativa, colaborado nos preparativos, indo até mesmo às residências buscar suspeitos para serem queimados na tragédia. Houve quem, segundo a narrativa, trouxesse fileiras de crianças para o trágico espetáculo.

Pois esse conto de horror épico descrito pelo suposto Humberto de Campos, agora rebatizado de "Irmão X", culminava com os dois parágrafos de conteúdo terrivelmente moralista, em que vem a acusação leviana de que as vítimas da tragédia do Gran Circo Norte-Americano são acusadas de terem sido políticos e militares sanguinários dos tempos do Império Romano, com estas palavras:

"Durante a noite inteira, mais de mil pessoas, ávidas de crueldade, vasculharam residências humildes e, no dia subsequente, ao Sol vivo da tarde, largas filas de mulheres e criancinhas, em gritos e lágrimas, no fim de soberbo espetáculo, encontraram a morte, queimadas nas chamas alteadas ao sopro do vento, ou despedaçadas pelos cavalos em correria.

Quase dezoito séculos passaram sobre o tenebroso acontecimento... Entretanto, a justiça da Lei, através da reencarnação, reaproximou todos os responsáveis, que, em diversas posições de idade física, se reuniram de novo para dolorosa expiação, a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói, em comovedora tragédia num circo".


A mensagem, portanto, destoa completamente da "bondade infinita" de Chico Xavier e que, num sentimento claramente revanchista, acusa os pobres populares de terem sido sanguinários, vingativos etc, assim sem provas reais ou coisa parecida, numa clara demonstração de acusação leviana e ofensiva.

É um mistério sabemos quem fomos em outras encarnações. Mas talvez isso não tenha muito importância no nosso processo evolutivo. Mas a literatura espiritólica sempre explora a boa-fé das pessoas e promove um moralismo barato às custas da exploração leviana da ideia de reencarnação, acusando vítimas de erros que são apenas presumidos.

Portanto, conclui-se que Chico Xavier cometeu a mesma fraude do dr. Woyne Figner, com o mesmo grau moralista e ofensivo que acusava levianamente as pessoas que foram assistir a um espetáculo alegre e divertido de terem queimado cristãos em outros tempos.

Mas Chico foi poupado, até porque havia "ganho" o processo movido pelos herdeiros de Humberto de Campos, que queriam os direitos autorais do embuste chamado Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, e construiu sua imagem "irretocável" através da habilidade publicitária da roustanguista Federação "Espírita" Brasileira.

sábado, 7 de dezembro de 2013

"Médium" havia usado o nome de Alberto Santos Dumont em fraude literária


Na postagem anterior, comentamos a habilidosa fraude do livro JK: Caminhos do Brasil, em que o "médium" Woyne Figner Sacchetin habilidosamente imitou o estilo de escrever do ex-presidente Juscelino Kubitschek e escreveu um livro sobre um suposto candango brasiliense, Severino, para forjar humildade e vender o livro dentro do já tendencioso mercado espiritólico.

Woyne, segundo informações colhidas na Internet, seria um médico oftalmologista de São José do Rio Preto (SP), com doutorado na USP. Aparentemente, não é uma figura destacada no chamado movimento espírita, mas havia decidido faturar em torno de obras "psicografadas".

Pois Woyne havia se envolvido numa outra encrenca, pior do que as contradições que jogou aqui e ali no livro atribuído a JK, do qual apontamos a contradição entre a reação que Juscelino teve diante da pergunta de um comerciante, Toniquinho da Farmácia, sobre a possibilidade de construção de Brasília. Nos registros históricos, JK hesitou um pouco, mas no livro "espírita", "respondeu sem hesitar".

Woyne escreveu, depois do "simpático" livro de 480 páginas, um outro livro chamado Voo da Esperança, que supostamente se dedica a "explicar" o acidente do voo JJ 3054 da TAM. Também foi editado pela Lachâtre, que publicou o outro livro.

Para quem não sabe, o acidente do voo da TAM foi um dos piores ocorridos no Brasil e também na América Latina. Foi durante o pouso de um avião da linha JJ 3054, que ligava São Paulo a Porto Alegre, no Aeroporto de Congonhas, no lado paulista. O contato de uma das asas com um prédio que armazenava combustível, aliado ao excesso de combustível no avião, provocaram a tragédia.

Um grande incêndio foi provocado e todos os 187 ocupantes do avião morreram. Além destes, 12 pessoas que se encontravam no solo no local do acidente também faleceram, o que totalizou para 199 o número de vítimas da tragédia.

O livro pode em si ter um apelo sensacionalista de um certo mau gosto, mas a coisa pararia aí se não fosse um detalhe bastante oportunista: como é de praxe nas obras espiritólicas, um nome ilustre foi usado como suposto autor espiritual, e no caso foi ninguém menos que Alberto Santos Dumont, o inventor do transporte aéreo.

E aí vieram frases amargas como "Ontem vocês queimaram seres humanos, hoje veem seus corpos queimados" e "A providência divina, em sua sabedoria infinita, não colocou neste avião espíritos inocentes, mas almas seriamente comprometidas com um passado de erros", que dificilmente sairiam de uma mente generosa que havia sido o genial engenheiro mineiro.

Os herdeiros de Alberto Santos Dumont, descendentes dos sobrinhos do inventor (que havia sido solteiro), decidiram então processar Woyne e o juiz Antônio Roberto Andolfato de Souza, de São José do Rio Preto (SP), decidiu proibir a comercialização da obra, por reconhecer nela passagens que soam ofensivas para os parentes das vítimas.

Com um certo tom "revanchista", Woyne teria escrito, através do uso do nome do pioneiro da aviação, que os mortos do acidente com o avião da TAM teriam sido antigos romanos que se regojizavam punindo infratores e acusados de subversão ao poder do Império Romano condenando-os a serem queimados vivos em praça pública.

Uma obra dessas vai contra os princípios de caridade, e se torna bem mais grave que o "generoso" livro atribuído a JK, embora este seja grave por si só, por conta da desonestidade que a contradição deixa vazar em certas mensagens fraudulentas.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Suposto espírito de Juscelino Kubitschek entra em contradição


As supostas psicografias que são feitas no Brasil já dão conta de sua falsidade quando elas repercutem muito pouco entre aqueles que conhecem bem ou conviveram com o suposto espírito atribuído como autor de cada livro.

Este é o caso de Juscelino Kubitschek, o ex-presidente que tentou ser membro da Academia Brasileira de Letras mais de 35 anos antes de Fernando Henrique Cardoso conquistar sua cadeira na instituição. Um livro supostamente atribuído ao expírito do ex-presidente que mandou construir Brasília havia sido lançado em 2006, aproveitando a comemoração dos 50 anos de posse do político e médico mineiro.

Intitulado JK: Caminhos do Brasil (editora Lachâtre), do obscuro "médium" Woyne Figner Sacchetin, o livro é até habilidosamente bem escrito, que dá até para acreditar que foi Juscelino quem escreveu, à primeira vista, porque o estilo de narrativa parece o mesmo dos discursos do ex-presidente. Mas pelo menos uma contradição desmascara completamente o livro, mostrando a sua farsa.

A passagem se relaciona ao episódio de 1955, em que a chuva fez Juscelino, então candidato à presidência da República, ter que desembarcar na pequena cidade de Jataí, em Goiás, e onde improvisou um discurso que se tornou histórico por causa da pergunta de um cidadão, conhecido como Toniquinho da Farmácia, fez sobre a construção de Brasília.

Quem conhece História do Brasil sabe o que ocorreu. Toniquinho, sabendo que a Constituição de 1946, vigente na época, previa a transferência da capital do Brasil do Rio de Janeiro para uma cidade a ser construída no centro do país, perguntou se Juscelino iria cumprir esse dispositivo constitucional, se caso fosse eleito.

A História registra que Juscelino havia parado para pensar uns poucos segundos, antes de dar a resposta positiva que, depois, se tornou a marca de seu controverso governo, quando a construção de Brasília foi não só incluída no seu Plano de Metas como se tornou uma das maiores prioridades.

Na obra psicografada, feita pelo pretexto de narrar uma suposta trajetória de um candango chamado Severino, com todo o discurso que imitava o estilo de falar e escrever de Juscelino, o "espírito" teria dito simplesmente: "Respondi sem hesitar", numa grave contradição ao fato histórico.

Woyne (ou quem quer que seja, se este for um pseudônimo) deve ter lido muito a revista Manchete, que em muitas edições publicou textos de e sobre Juscelino, que foi grande amigo do editor Adolpho Bloch, mas imitação tem limites.

PROCESSO - O que se sabe é que Woyne acabou sendo processado por conta de um estranho livro de uma tragédia aeroviária ocorrida em 2007, usando como autor o nome do saudoso inventor Alberto Santos Dumont, que despejou mensagens de uma crueldade estranha ao jeito simples e simpático do pai da Aviação. E que vamos detalhar em outra oportunidade.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O espiritolicismo teria instinto de Herodes?


Estranha doutrina o espiritolicismo, que se manifesta pela glamourização das tragédias juvenis, pelos sentimentos mórbidos que cultiva diante de mortos prematuros, que atendem à indústria de supostas mensagens espirituais divulgadas aos familiares dos jovens falecidos.

Há uma ênfase estranha, um tanto macabra, a essas tragédias, que alimenta o sentimento mórbido, uma aparente tristeza que parece causar um secreto êxtase nos pregadores espiritólicos, diante das tragédias que vitimam jovens, sobretudo de boa aparência e grandes projetos futuros.

Sob o pretexto da sobrevivência do espírito, o espiritolicismo parece regojizar com tragédias que ceifam sobretudo jovens com grandes projetos de vida, como se quisesse "enterrar" o futuro neles expresso, e esconde um certo conservadorismo ideológico cruel desse suposto "espiritismo" feito no Brasil.

Primeiro, o sutil fascínio do espiritolicismo por jovens mortos, na ironia do espiritolicismo evocar tanto a figura de Jesus, parece mais evocar o instinto de Herodes que, segundo a Bíblia, teria sido advertido por algum profeta de que haveria um mensageiro que mudaria a humanidade, o que fez Herodes, o Grande, rei da Judeia, investir no assassinato de bebês pouco antes do ano zero de nossa era.

Segundo, o fascínio pelas tragédias juvenis do "espiritismo" brasileiro seria também uma maneira de defender valores conservadores desta crença, na medida em que contrapõe a ceifa do "novo" pela manutenção do "velho", já que o espiritolicismo atrai sobretudo uma grande demanda de gente idosa através de seu "catolicismo redivivo".

Este é um meio do espiritolicismo, mesmo com seu verniz de espiritualidade futurista, defender e sustentar valores moralistas, superestimando a instituição família não no que ela tem de importância social, mas pelos valores conservadores associados a esta instituição, remanescentes do catolicismo medieval.

Em terceiro lugar, o espiritolicismo estaria alimentando seus ritos e dogmas,com uma indústria de "mensagens consoladoras", explorando a tristeza das famílias que perdem seus entes queridos mais jovens e que são aproveitadas de seus prantos para serem envoltas nesse sistema de crenças medievais, moralistas, místicos e dogmáticos que nada contribuem para o verdadeiro crescimento espiritual.

Sob o pretexto de forjar esperanças em mentes afetadas pela tragédia, o espiritolicismo junta para si um grande rebanho de pessoas idosas, consideradas mais sensíveis, e por isso altamente vulneráveis a somar grandes números de fiéis dessa suposta doutrina que traveste o catolicismo medieval, já expurgado do Catolicismo propriamente dito, com espiritualidade pseudo-futurista.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...