AS IMAGENS NÃO CONSEGUEM ESCONDER O TOM BRINCALHÃO DA FALSA MATERIALIZAÇÃO.
No blogue Obras Psicografadas, foi publicada uma denúncia de um internauta, que usou o pseudônimo de Anderson Dreamer, sobre antigas atividades do Lar Frei Luiz reportadas na Revista Cristã de Espiritismo, edição de março de 2003.
Anderson relata que seu irmão lhe havia mostrado a revista naquela época e apontava com ceticismo o que a reportagem de capa mostrava. Anderson, nessa época, ainda estava crédulo, acreditava na "superioridade" dos "espíritas" e da "evolução máxima" de gente como Chico Xavier e José Medrado.
O Lar Frei Luiz está localizado no bairro da Taquara, região de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Foi local de dois fatos recentes que tomaram conta dos noticiários publicados na grande imprensa e também na Internet.
Um foi a divulgação de uma suposta mensagem espiritual, atribuída à cantora Cássia Eller, na qual aparecem aspectos estranhos à natureza da artista, como teorias pedantes e prolixas sobre "espiritismo" e descrição surreal do mundo espiritual, mais apropriada da ficção medieval, como a presença de dragões e a ocorrência de tempestades.
Outro foi o assassinato de um veterano tarefeiro - como os "espíritas" chamam seus colaboradores - , o suposto médium Gilberto Arruda, responsável pelo setor de dependentes químicos. "Espíritas" tentaram vincular o fato à tese de "intolerância religiosa" só porque na época ocorreram atentados a centros ecumênicos ou a umbandistas, quando a tese mais provável seria de alguma vingança pessoal.
A reportagem da Revista Cristã se refere a atividades de materialização realizadas entre 1968 e 1969. É claro que, pela linha editorial da revista, que tende a seguir a linha "espírita" da FEB, credita as atividades como autênticas e verídicas ou, quando muito, passíveis de investigação pela ciência, mas sempre com a torcidinha a favor. E ainda há acadêmicos "espíritas" em Juíz de Fora, para ajudar.
Na ilustração no alto, nota-se, nas duas fotos de cima, supostas materializações de médicos árabes, na esquerda o suposto espírito Ahamed e à direita um anônimo que havia sido "desencarnado na Ásia". Já nas fotos abaixo, aparece um suposto monge budista e um outro médico que teria o rosto "queimado", suposto reflexo de sua última tragédia.
Anderson foi alertado pelo irmão devido ao grau de canastrice das fotos. Notam-se gestos jocosos dos encenadores, dá para perceber que eles mal conseguiam esconder a brincadeira. Há olhares lânguidos ou beicinhos que sugerem que os envolvidos estivessem conscientes de estarem se divertindo com a fraude.
Outro aspecto estranho é que nenhum deles apresentava máscara cirúrgica da medicina e os trajes árabes correspondiam a fantasias disponíveis em lojas de roupas para carnaval, diferente do vestuário árabe original.
O SUPOSTO MÉDIUM IVAN FERREIRA DE CASTRO FOI UM DOS QUE PARTICIPARAM DA BRINCADEIRA.
Anderson pesquisou na Internet o livro Médicos do Espaço, de Roni Lima, publicado em 2000 pela editora Mauad, e verificou que um dos supostos espíritos materializados seria o suposto médium da casa, Ivan Ferreira de Castro, através da comparação entre um dos retratos publicados no referido livro, confrontado com a foto publicada na reportagem da revista.
Observa-se, também, que, além das roupas supostamente árabes serem caricatas, próximas a de fantasias de carnaval, os médicos "barbudos" apareciam com uma barba grotesca, que parece um monte de cabelo colocado no rosto, Uma máscara de carnaval também seria utilizada como suposto disfarce para esconder a suposta aparência tenebrosa de um presumido "espírito das trevas".
ESPETÁCULOS DE ILUSIONISMO
O próprio Gilberto Arruda teria participado de espetáculos deste tipo, ele que foi um dos que alegavam receber espíritos de médicos alemães. E aspectos grosseiros eram vistos também em pretensas levitações ou supostas aparições de espíritos de crianças, o que revela uso de cobertores ou de artifícios usados em espetáculos circenses de ilusionismo.
Nesses rituais de "materialização" - vários deles eram abertamente apoiados pelo "insuspeito" Chico Xavier - , pessoas se disfarçam com maquiagens e uso de roupas ou cobertores, geralmente brancos, para se passarem por espíritos materializados.
Antes do caso Otília Diogo (1963-1965), havia casos em que voluntários cobriam até mesmo as cabeças, enquanto recortes de revistas, jornais ou fotocópias de fotos familiares representavam os rostos dos supostos espíritos, que mais pareciam "cabeças de papel".
Em 1954, forjou-se uma "materialização" do padre Emmanuel colocando uma maquete com o "corpo" nos moldes do desenho do Cristo Redentor, com a diferença dos braços, e no rosto em que é colada uma conhecida gravura do padre. A maquete era iluminada com luzes neon azuis e uma voz em off dizia para Chico Xavier, um dos presentes, abandonar a prática e se concentrar na escrita.
A alegação era que a "materialização" causaria repercussões polêmicas (na verdade, era o medo de que a fraude fosse desmascarada). Na ocasião, observava-se o deslumbramento sofrido pelo viúvo de Irma de Castro, a Meimei, Arnaldo Rocha, que, tomado das saudades da amada, sucumbiu à fascinação causada pelas manobras mistificadoras do anti-médium mineiro.
Mas como os rostos não mudavam de expressão, a medida foi descartada. Numa dessas fraudes, um suposto John Kennedy (sim, o presidente dos EUA assassinado diante de multidões em 1963) aparecia sempre sorrindo, com a imagem claramente retirada de uma revista de grande circulação, e mundialmente conhecida.
Os espetáculos ocorrem geralmente com uma plateia colocada a relativa distância do público, geralmente sentado em suas cadeiras. evitando a proximidade com os praticantes. A desculpa era de "não atrapalhar as aparições dos espíritos materializados ou a concentração mediúnica". A verdade, porém, é que a distância era feita para evitar que alguém reconhecesse a fraude.
sexta-feira, 17 de julho de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
"Protegido" de Emmanuel, Fernando Collor se irrita ao ser investigado
A Operação Lava-Jato, que investiga denúncias de corrupção envolvendo políticos, empresários (sobretudo de empreiteiras) e diretores da Petrobras, entrou em novas etapas aprofundando ainda mais as investigações.
Desta vez, a Procuradoria Geral da República ordenou, entre outras coisas, busca e apreensão de bens e documentos nas empresas administradas pelo senador Fernando Collor de Mello e seus familiares, em Alagoas, incluindo carros de luxo e vistorias feitas na TV Gazeta de Alagoas, afiliada da Rede Globo de Televisão, e na Organização Arnon de Mello.
Três carros foram apreendidos, um Porsche, um Ferrari e um Lamborghini, considerados carros caríssimos por simbolizar o luxo e a imponência financeira. Outros políticos também tiveram seus bens e residências vistoriados.
Fernando Collor se irritou com a investigação e, posando-se de vítima, fez um discurso furioso no Congresso Nacional anteontem, alegando, com sua habitual arrogância que marcou seu breve mandato como presidente da República, que o Supremo Tribunal Federal "extrapolou os limites do Estado democrático". No discurso, Collor disse se sentir "humilhado" com a investigação.
Alguns trechos do inflamado discurso de Fernando Collor são reproduzidos aqui, para perceber o quanto a arrogância e os malabarismos discursivos fazem com que os hipócritas mais habilidosos façam constantes discursos condenando a hipocrisia. Aqui estão:
"[A nova fase da Lava Jato] extrapolou todos os limites do estado de direito, extrapolou todos os limites constitucionais, extrapolou todos os limites da legalidade. Sem apresentar um mandado da Justiça, confrontando e invadindo a jurisdição da polícia legislativa do Senado Federal e, portanto, a soberania de um Poder da República, os agentes, sob as ordens de Rodrigo Janot, literalmente arrombaram, este é o termo, arrombaram o apartamento de meu uso funcional como senador da República".
"Uma operação espetaculosa, midiática, com vários helicópteros, dezenas de viaturas, absolutamente desnecessários, e maldosamente orquestrada pelo PGR, com único intuito mesquinho e mentiroso de vincular a uma investigação criminosa, bens e valores legalmente declarados e adquiridos nos anos, ou antes, de qualquer investigação, muito antes do suposto cometimento de pretensos crimes maldosamente a mim imputados".
"O argumento da operação, vejam só, foi o de evitar a destruição de provas. Depois de dois anos, evitar a destruição de provas, como se lá houvesse algum tipo de prova? E provas de que, afinal? E, por acaso, um veículo é um documento? Por acaso um veículo é um computador? Qual seria o objetivo, então, a não ser o de constranger, de intimidar e, principalmente, o de promover uma cena de espetáculo".
"Ferir direitos individuais, invadir propriedade alheia, recolher bens declarados, tudo isso de uma pessoa que nem sequer responde a um processo, e que sequer prestou depoimento, e que sequer foi ouvida, é, no mínimo, violar a Constituição Federal. Buscas, apreensões, invasões, arrombamentos como esses com objetivos atropelados, sejam eles contra qualquer pessoa, é um retrocesso".
EMMANUEL, PELO JEITO, FOI COM A CARA DE COLLOR
É conhecida na Internet a história do tratamento desigual que o "espiritismo" acabou trazendo para os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Fernando Collor, pesando muito mal justamente para aquele que só queria ajudar o país, o que põe em xeque o suposto caráter caridoso da doutrina.
Juscelino Kubitschek, que investiu na urbanização e industrialização do país, mas também procurava adotar medidas reformistas em prol das classes populares, era amigo do anti-médium Chico Xavier e, em 1960, declarou como "instituição de utilidade pública" a Federação "Espírita" Brasileira.
Mesmo com tanta generosidade, Juscelino acabou contraindo azar. Foi um dos primeiros políticos cassados pela ditadura militar. Não pôde concorrer para a Presidência da República em 1965. Não pôde levar adiante um movimento pela redemocratização do país, a Frente Ampla. Não pôde concorrer à Academia Brasileira de Letras e ainda morreu num estranho acidente de carro que legistas influentes tentam insistir que não foi atentado.
O azar contagiou até mesmo a filha, que não sobreviveu a um câncer mesmo estando bonita e jovial aos 56 anos, em 2000. E sobrou até para o ator José Wilker, que interpretou JK numa minissérie da Globo, um ateu que foi só consultar um "centro espírita" para morrer de infarto pouco depois,
Já Fernando Collor apenas acolheu Chico Xavier durante sua campanha eleitoral, quando visitou o anti-médium mineiro. Apesar das relativas simpatias mútuas (Chico acabou virando eleitor do dito "caçador de marajás"), a amizade não foi profunda, mas Collor ganhou uma sorte grande como se tivesse sido "amigo de infância" do figurão "espírita".
Collor chegou a ser investigado e condenado por corrupção, expulso do poder como presidente da República e proibido, durante oito anos, de exercer direitos políticos. Eram prejuízos sérios, mas contornáveis. Daí que Collor, depois disso, passou a reconstruir sua carreira política sem problemas.
Se Juscelino atraiu tragédias para si, Collor se livrou dos obstáculos a seu caminho. Seu principal denunciador, o irmão Pedro Collor de Mello, faleceu pouco após as denúncias do esquema de corrupção do tesoureiro Paulo César Farias (rival de Pedro no mercado de imprensa alagoano). Até parece que o "mentor" de Chico Xavier, Emmanuel, gostou de Fernando Collor.
O próprio Paulo César Farias foi misteriosamente assassinado, ao lado de sua então namorada Suzana Marcolino, em 1996, e as provas do crime foram apagadas por um aparentemente acidental trabalho de faxina no quarto de hotel onde os corpos foram encontrados.
Dessa forma, se perderam para sempre investigações que seriam fundamentadas nos depoimentos de PC Farias e nas ligações criminosas que envolveriam o tesoureiro e o próprio Fernando Collor, que, segundo o jornalista Lucas Figueiredo no livro Morcegos Negros, teriam relações com a máfia italiana e o narcotráfico internacional.
Além dessas manobras do destino, Collor foi favorecido pela blindagem que o fez ser eleito senador em 2006. Passou a ter o apoio de seus rivais, Lula e Lindbergh Farias. É blindado por setores flexíveis da mídia de esquerda. É ovacionado pelas mídias sociais como o "presidente que modernizou o país". Virou símbolo do "estadista destemido e desafiador".
Para piorar mais as coisas, Fernando Collor, cujo mandato como presidente do Brasil foi marcado pelo confisco das poupanças dos brasileiros para alimentar a corrupção dele e de PC Farias, realizou um plano econômico ultraconservador e ameaçou até privatizar as universidades públicas e demitir servidores públicos para "enxugar o Estado", um revisionismo histórico ameaça favorecê-lo.
REVISIONISMO FARIA "GLORIFICAR" DÉCADA PERDIDA DO BRASIL
Sim, porque silenciosamente adeptos de Collor tentam criar um lobby entre intelectuais e jornalistas para desenhar, aos poucos, um revisionismo histórico que definisse seu mandato como presidente do Brasil como "moderno, progressista e desafiador" e que o impeachment se deu porque Collor tinha "relações problemáticas" com o Congresso Nacional.
Esse revisionismo teria como pano de fundo promover a década de 1990 como uma "década positiva" e classificar tudo que aconteceu na década como "totalmente genial e genuíno". De início, o período da Era Collor seria manipulado nessa "reinterpretação" histórica e valores não-políticos seriam exaltados para depois colocar o presidente como "líder político" desses pretensos "anos dourados".
Era uma forma de elites interessadas promoverem o período que foi considerado a "década perdida" do Brasil, marcado pela violenta degradação sócio-econômica e cultural semelhante ao que ocorreu nos EUA da Era Reagan, como se fosse a "época de ouro para o Brasil", atribuindo levianamente o período a uma missão pretensamente futurista e falsamente progressista.
Nomes que simbolizavam, na época, as baixarias musicais, como a geração brega de "pagodeiros" e "sertanejos" que fizeram sucesso na época, são tidos agora como "gênios injustiçados da MPB (?)". Até Michael Sullivan, que queria destruir a MPB, tentou um retorno posando-se de vítima e se promovendo às custas de suas próprias vítimas.
Mas o período tenta reabilitar todo mundo que provocou a bagunça dos anos 90. Gugu Liberato tentou ser promovido como um "grande comunicador". Até o ex-ator Guilherme de Pádua, que assassinou a colega Daniella Perez (filha da dramaturga Glória Perez), tentou voltar na condição de "polêmica sub-celebridade", tratado com carinho pela grande imprensa.
É verdade que isso é um ensaio para a tentativa de reabilitar a Era FHC, outro período de degradação sócio-econômica e cultural do país. Mas o gradual revisionismo que querem fazer usando a década de 90 para reabilitar um Fernando e depois outro através da "reavaliação positiva" de tudo que aconteceu de ruim na época é uma forma de reciclar estruturas de poder por trás de tudo isso.
E, no caso espiritual, nota-se que Fernando Collor foi beneficiado pela sorte ao representar um perfil de político e personalidade que se encaixa nos desígnios defendidos pelo ultraconservador jesuíta Emmanuel, que, dizem, "voltou à Terra" antes de Collor ver a sorte grande bater à sua porta. Mas o jesuíta deve ter adiantado e mandou seus amigos do além irem proteger o marajá das Alagoas.
Collor, com seu "triunfante" discurso, se protege de sua reputação de senador para se posar de vítima e acusar seus investigadores de "violarem o Estado democrático". E, empresário de uma afiliada da Rede Globo, ainda têm o descaramento de desqualificar a grande mídia. Triste termos pessoas assim na condição de pretensos líderes e oradores.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
PMDB compromete a democracia e o progresso do país
O Brasil sofre uma série de retrocessos, e isso não é recente, Desde a década de 1990, o processo que se iniciou com a ditadura militar de degradação nos âmbitos político, econômico, cultural e outros, se consolidou mesmo sob condições democráticas, até pela ascensão das elites civis que haviam feito papel coadjuvante nos anos de chumbo.
Começa-se hoje a questionar a supremacia de elites empresariais, tecnocráticas, políticas, religiosas e midiáticas que durante cerca de 50 anos, respaldando o regime militar como sua base civil de apoio ou como demanda de aprendizes que, mais tarde, tomariam o poder, como Fernando Collor, Mário Kertèsz e Jaime Lerner.
No âmbito político, observa-se o paradigma do PMDB, Partido do Movimento Democrático Brasileiro, cuja origem estava no antigo MDB da ditadura. Um partido que surgiu como oposição moderada e quase inofensiva ao poderio dos militares se transformou, aos poucos, no PMDB do fisiologismo e do autoritarismo pseudo-legalista.
O partido já governou o Brasil através de José Sarney, que por uma casualidade do destino passou a ser o titular do Governo Federal, já que Tancredo Neves, que chegou a governar o país em 1961 na breve fase parlamentarista do governo João Goulart, faleceu depois de longa enfermidade.
O PMDB tornou-se um paradigma de fisiologismo político, e passou a ser o símbolo de uma política que mistura iniciativas antipopulares, desrespeito às leis e demagogia. O PMDB passou a ser marcado por uma prática que misturava apelos populistas e projetos megalomaníacos de cunho elitista.
Se José Sarney, antigo udenista histórico, embora integrante da "moderada" facção "bossa nova" da União Democrática Nacional, formada por políticos emergentes e flexíveis em relação aos padrões do antigo partido, já era uma figura preocupante para a democracia, pelo seu perfil de "coronel político", pelo "culto da personalidade" nos seu antigo domicílio político, o Maranhão (estranhamente ele hoje representa o Amapá), os rumos posteriores do partido tornaram-se ainda piores.
Pois se antes o PMDB parecia indefinido quanto à sua política de atender ao interesse público, com políticas hesitantes em relação às necessidades que priorizavam as classes populares, hoje o partido está associado a uma corrente influente de políticos de prática autoritária de claro desrespeito às leis.
Através do grupo político de Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão e outros, nota-se a tendência de impor medidas sem consultar a população e até em prejuízo a ela, além desses procedimentos acontecerem à margem das leis.
Eles impõem seus pontos de vista antipopulares, decidem à revelia da população, manipulam Legislativo ou mesmo o Judiciário para lhes favorecerem os interesses e desobedecem as leis. Fazem tudo isso, mas insistem em dizer que agem em favor da lei e do interesse público, quando na verdade agem contra eles.
E isso é levado às últimas consequências por Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, antes um inexpressivo e corrompido politico carioca, marido da bela jornalista Cláudia Cruz (ex-Rede Globo) e convertido num déspota do Legislativo comprometido com os projetos antipopulares e até com o aumento de seus poderes pessoais.
Eduardo Cunha leva às últimas consequências o grupo político do PMDB carioca, que estabelece seu neo-coronelismo no Estado do Rio de Janeiro e já manchou a Cidade Maravilhosa com os ônibus submetidos à terrível medida da pintura padronizada, ao policiamento deficitário das UPPs e ao "embelezamento" da cidade como um pastiche grosseiro de Barcelona.
Se, com essas medidas, o grupo político de Eduardo Paes, Sérgio Cabral Filho e outros já preocupava o povo com seus arbítrios e suas visões fora da realidade, manipulando o Rio de Janeiro como se fosse um jogo de The Sims, Eduardo Cunha, querendo que velhinhos trabalhem mais e desejando que as cadeias fiquem superlotadas de adolescentes.
Para piorar, o PMDB carioca tempera com seu autoritarismo o partido já marcado por "raposas" como José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho e Roberto Requião, e influencia políticas impopulares até dos prefeitos de Salvador, ACM Neto, do DEM, e de Niterói, Rodrigo Neves, do PT, serviçais à especulação imobiliária dos grandes empreiteiros. Ambos cogitam migrar para o PMDB.
O PMDB é o maior partido do Brasil, e no plano nacional, não possui um perfil ideológico definido, ficando entre um populismo desleixado e um urbanismo elitista. Isso se deve pelas raízes históricas deixadas pelo MDB, que juntou desde conservadores do antigo PSD (partido de Juscelino Kubitschek) até comunistas moderados.
Na prática, o partido concentra demais seu poder e mais parece manobrar de trás os dois partidos que polarizam hoje o jogo político, o PSDB e o PT, já que o PMDB torna-se aliado de um e de outro conforme as circunstâncias. Isso não é bom.
Afinal, o PMDB é um dos dois partidos remanescentes da ditadura militar, e sua influência direta ou indireta na degradação do cenário politico brasileiro e na permanência das mesmas regras que combinam decisões autoritárias, demagogia e corrupção nos bastidores já começa a inspirar a reação radical da oposição.
Graças a isso, extremistas articulam o relançamento de outro partido, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), que estabeleceu e manobrou as regras da ditadura militar. Com um cenário político desses, o Brasil não terá condições para se desenvolver de forma justa e benéfica. E há o autoritário e retrógrado Eduardo Cunha no Legislativo e como segundo suplente da Presidência da República.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Comentário sobre o catolicismo de Chico Xavier
No blogue Obras Psicografadas, um comentário interessante correspondente à postagem sobre a suposta mediunidade de Francisco Cândido Xavier, através do livro Adeus Solidão merece ser reproduzido.
Ele se refere à vocação católica de Chico Xavier, subestimada pelos "espíritas", que o veem como o pretenso herói de combate ao Catolicismo medieval, que, sabemos, não passou, nunca passou de uma grande propaganda enganosa.
Isso porque o "espiritismo" trabalhado pelo anti-médium mineiro, até pela influência do jesuíta Emmanuel, ligado ao Catolicismo português inspirado ainda num moralismo próprio da Idade Média, segue essa linha que diz combater. E a vocação católica de Chico Xavier era tanta que ele cultuava imagens de santos, rezava terços e tudo. Nada a ver com Allan Kardec, com a mais absoluta certeza.
Vamos mostrar então o comentário, de autoria do internauta Borges:
"Estou inclinado a acreditar que o Sr. Chico Xavier era detentor de uma mediunidade limitada e a usou habilmente para chancelar a imagem de super-médium que hoje conhecemos. O que me levou a esta conjectura reside nos fatos que nortearam a sua vida durante a infância e juventude.
É sabido que o catolicismo foi o seu berço religioso, onde poderia encontrar todos os ingredientes que aspirava para a sua vida de santidade. Poderia ter sido padre ou até mesmo bispo. Além disto, teria a oportunidade de desenvolver seus pendores literários, louvando a mãe santíssima e realçando a deidade de Jesus Cristo, sem sofrer acusações de desvios doutrinários.
Diante deste quadro, fica a indagação: Por que migrou para o espiritismo? A resposta mais evidente parece ser a presença de mediunidade em seu caminho, fenômeno abominado pelos católicos.
Uma vez dentro do espiritismo, deve ter notado que o seu Deus Jesus, tinha sido rebaixado para a condição de espírito evoluido. Era necessário reparar esta situação.
Assim, se não poderia chamá-lo de Deus, poderia contudo, descrevê-lo como tal. Foi o que parece ter feito ao escrever o livro “A caminho da luz”.
Neste livro, no capítulo “A gênese planetária”, Chico consegue fazer o inusitado, ao expandir a história de Cristo, do novo para o antigo testamento.
Para evidenciar minha suspeita, destaco um trecho do subtítulo “O Divino Escultor”: “Sim, Ele havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a sabedoria do Pai deslocara do Sol para suas mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça. Com seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáxico”.
Tudo se passa como se Deus tivesse colocado a Terra quase incandescente nas mãos de Cristo dizendo “toma que o filho é teu”. A leitura completa do capítulo citado sugere que Jesus se tornou um apêndice de Deus, responsável pela evolução da Terra até nossos dias.
A analogia não para por aí, destaco um trecho do subtítulo “A solidificação da matéria”: “As mãos de Jesus haviam descansado, após o longo período de confusão dos elementos físicos da organização planetária”. Parece uma alusão ao descanso de Deus, após o sétimo dia da criação do mundo, relatado na gênese bíblica".
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Dia Mundial do Rock:marketing, estereótipos e aparente filantropia
"CULTURA ROCK" ESTEREOTIPADA: Ídolos, instituições e ícones do consumismo do roqueiro caricato.
Oficialmente, hoje é o Dia Mundial do Rock. É uma escolha muito estranha, porque o pretexto usado para a data, o Live Aid, que celebra 30 anos de realização, era um evento eclético, em que até nomes do pop convencional, como Madonna e George Michael, se apresentaram.
Curiosamente, foi um evento filantrópico, destinado a ajudar flagelados da Etiópia, embora a arrecadação tivesse destinação controversa, já que os críticos do evento alegavam que apenas uma parte do dinheiro e bens ia realmente para os etiopianos, isso quando os soldados guerrilheiros não confiscam os bens e as autoridades não desviam a grana para si.
O Live Aid nem significou muito para o rock, até porque havia centenas de nomes roqueiros no circuito alternativo que desconfiavam do caráter marqueteiro do evento. Mesmo para o Brasil, com toda a histeria pelo Live Aid, o evento inspirou mais o Criança Esperança da Rede Globo do que qualquer evento genuina e especificamente roqueiro.
No Brasil submisso, em que o Sul e Sudeste são ainda mais subservientes ao poder midiático, mercadológico e tecnocrático e o Estado do Rio de Janeiro leva isso às últimas consequências, todos aceitam que um evento pop eclético seja celebrado como "histórico" para o rock.
Embora a data se relacionasse também com eventos ligado ao rock, como o surgimento dos Rolling Stones, em 1962, ela corresponde ao Live Aid, com base num pedido do cantor e músico Phil Collins para criar a efeméride, ela só é comemorada no Brasil. Ninguém levou a sério o apelo do músico inglês.
No exterior, a data praticamente não é lembrada. E no Brasil ela passou a ser comemorada nos anos 1990, para alimentar um mercado "roqueiro" movido por empresários e publicitários, muito mais próximo de uma imagem de consumo do que de uma cultura socialmente compartilhada.
No Brasil, a "cultura rock", depois de dignos e heróicos exemplos como o até hoje prestigiado Rock Brasil e rádios como a Fluminense FM (RJ) e 97 Rock (SP), e, antes, a Eldo Pop FM (RJ), sucumbiu a um comercialismo iniciado por rádios pop e consagrado por emissoras como a 89 FM (SP) e Rádio Cidade (RJ), que tratam o rock mais como "seita" do que como cultura.
Junto a isso, há um mercado que, eventualmente, promove publicitariamente uma imagem ao mesmo tempo fanática e estereotipada do fã de rock, mais preocupado em clichês de som, comportamento e atitudes do que em ter uma personagem própria, humana e racional.
Trata-se de um público consumista cuja "rebeldia" se limita a aspectos formais como a linguagem ao mesmo tempo informal e agressiva, ao vestuário de certa forma arrojado e a gestos como botar a língua para fora, fazer "air guitar" e fazer o sinal do diabo com as mãos e que, ideologicamente, é capaz de ser o completo oposto da verdadeira rebeldia roqueira marcada sobretudo pelos anos 1960.
Primeiro, porque o roqueiro estereotipado brasileiro se conforma com os nomes comerciais do rock - sobretudo Guns N'Roses, mas também grupos como System of a Down, Offspring, Linkin Park e o "alternativo" Queens of The Stone Age, além do "pragmatismo" das bandas nacionais dos anos 90 - e se contentam facilmente com os grandes sucessos das paradas, felizes em ouvir as mesmas músicas 10 vezes por dia.
Evidentemente, são aspectos completamente anti-roqueiros, pois os roqueiros autênticos são conhecidos por sua postura política definida, majorativamente progressista - embora haja reacionários, sobretudo influentes, como Johnny Ramone e o brasileiro Lobão - , e não iriam ficar satisfeitos em ouvir apenas um punhado de greatest hits despejados pelas FMs comerciais fantasiadas de rock.
CONSUMISMO E RELIGIOSIZAÇÃO
Essa "cultura rock" de fachada é ancorada por emissoras de rádio FM que se dizem "especializadas em rock" e que, só pelo quadro de locutores, nota-se total despreparo com o segmento, agindo e falando como se dirigissem a fãs do One Direction.
Eles guiam todo o consumismo, como se fossem "babás eletrônicas" dos jovens "rebeldes". Apenas tocam o rock comercial que serve de trilha sonora de uma catarse que nada tem a ver com cultura, porque é apenas um estereótipo que precisa ser encenado 24 horas por dia, e mais parece uma "seita religiosa" do que uma rebeldia de verdade.
Os "roqueiros" manobrados por tais FMs e regidos pelo mercado dominado por donos de empresas de entretenimento, são trabalhados para ser apenas um rebanho submisso para lotar plateias de grandes festivais tidos como "de rock", que cobram ingressos caros e abrigam lojas que vendem roupas, calçados, outros produtos e também refeições com preços bastante caros.
Daí a rebeldia formal que apenas reproduz clichês caricatos do roqueiro rebelde. Daí a religiosização, que, como toda religião, abraça uma causa eliminando sua essência original, como no caso do Cristianismo medieval, sem qualquer relação real com a doutrina original de Jesus.
Esse "rock" é apenas uma "seita" na qual toda uma mística de "superioridade" é atribuída a ele. "Roqueiros" desse porte parecem devotos de um ritmo no qual não conseguem entender, e que em muitos casos gostam muito menos do que parece. Dizem gostar de AC/DC, por exemplo, mas não suportam ouvir mais do que um mero acorde introdutório da música "Back in Black".
São apenas pessoas que exaltam mitos com histeria que corrompe a consciência. Nem sabem por que dizem gostar de Renato Russo, por exemplo, embora esse público já tenha detestado ele quando o revival dos anos 80 não se tornou um fenômeno comercializado pela grande mídia.
Esses "roqueiros" dizem que o rock é "a música superior do mundo", mas, fora o rock comercial - sobretudo Guns N'Roses, surrealmente superestimado pelos provincianos brasileiros - , não valorizam devidamente o gênero. E são capazes de seguir, como carneirinhos, a decisão de uma data como a do Live Aid sem questionar, ignorando que o festival filantrópico não era só de roqueiros.
Esses jovens se contentam em ouvir, sobretudo de FMs canastronas, só os sucessos, apreciam as bandas comerciais e relativamente mais recentes (sobretudo anos 90), são despolitizados mas tendem, quando contrariados, a superar o reacionarismo de Lobão, aceitam pagar caro num evento "de rock" e ainda aceitam que um evento que teve Madonna e George Michael seja lembrado numa efeméride sobre rock.
Com toda a certeza, nada menos roqueiro do que essas atitudes que os "roqueiros" tentam fazer convencer que se trata da verdadeira atitude rock. Eles não conseguem entender o estado de espírito do rock, preferindo o "estado da matéria" dos estereótipos, da forma e não do conteúdo.
Não é por acaso que uma das rádios preferidas se chama Cidade. Para eles, o mundo pouco importa, só a cidade, só a província. Só importa o lugar onde eles vivem, a visão provinciana que faz com que só eles comemorem, no dia do Live Aid, o Dia Mundial do Rock, quando o resto do mundo nem leva essa data tão a sério.
Oficialmente, hoje é o Dia Mundial do Rock. É uma escolha muito estranha, porque o pretexto usado para a data, o Live Aid, que celebra 30 anos de realização, era um evento eclético, em que até nomes do pop convencional, como Madonna e George Michael, se apresentaram.
Curiosamente, foi um evento filantrópico, destinado a ajudar flagelados da Etiópia, embora a arrecadação tivesse destinação controversa, já que os críticos do evento alegavam que apenas uma parte do dinheiro e bens ia realmente para os etiopianos, isso quando os soldados guerrilheiros não confiscam os bens e as autoridades não desviam a grana para si.
O Live Aid nem significou muito para o rock, até porque havia centenas de nomes roqueiros no circuito alternativo que desconfiavam do caráter marqueteiro do evento. Mesmo para o Brasil, com toda a histeria pelo Live Aid, o evento inspirou mais o Criança Esperança da Rede Globo do que qualquer evento genuina e especificamente roqueiro.
No Brasil submisso, em que o Sul e Sudeste são ainda mais subservientes ao poder midiático, mercadológico e tecnocrático e o Estado do Rio de Janeiro leva isso às últimas consequências, todos aceitam que um evento pop eclético seja celebrado como "histórico" para o rock.
Embora a data se relacionasse também com eventos ligado ao rock, como o surgimento dos Rolling Stones, em 1962, ela corresponde ao Live Aid, com base num pedido do cantor e músico Phil Collins para criar a efeméride, ela só é comemorada no Brasil. Ninguém levou a sério o apelo do músico inglês.
No exterior, a data praticamente não é lembrada. E no Brasil ela passou a ser comemorada nos anos 1990, para alimentar um mercado "roqueiro" movido por empresários e publicitários, muito mais próximo de uma imagem de consumo do que de uma cultura socialmente compartilhada.
No Brasil, a "cultura rock", depois de dignos e heróicos exemplos como o até hoje prestigiado Rock Brasil e rádios como a Fluminense FM (RJ) e 97 Rock (SP), e, antes, a Eldo Pop FM (RJ), sucumbiu a um comercialismo iniciado por rádios pop e consagrado por emissoras como a 89 FM (SP) e Rádio Cidade (RJ), que tratam o rock mais como "seita" do que como cultura.
Junto a isso, há um mercado que, eventualmente, promove publicitariamente uma imagem ao mesmo tempo fanática e estereotipada do fã de rock, mais preocupado em clichês de som, comportamento e atitudes do que em ter uma personagem própria, humana e racional.
Trata-se de um público consumista cuja "rebeldia" se limita a aspectos formais como a linguagem ao mesmo tempo informal e agressiva, ao vestuário de certa forma arrojado e a gestos como botar a língua para fora, fazer "air guitar" e fazer o sinal do diabo com as mãos e que, ideologicamente, é capaz de ser o completo oposto da verdadeira rebeldia roqueira marcada sobretudo pelos anos 1960.
Primeiro, porque o roqueiro estereotipado brasileiro se conforma com os nomes comerciais do rock - sobretudo Guns N'Roses, mas também grupos como System of a Down, Offspring, Linkin Park e o "alternativo" Queens of The Stone Age, além do "pragmatismo" das bandas nacionais dos anos 90 - e se contentam facilmente com os grandes sucessos das paradas, felizes em ouvir as mesmas músicas 10 vezes por dia.
Evidentemente, são aspectos completamente anti-roqueiros, pois os roqueiros autênticos são conhecidos por sua postura política definida, majorativamente progressista - embora haja reacionários, sobretudo influentes, como Johnny Ramone e o brasileiro Lobão - , e não iriam ficar satisfeitos em ouvir apenas um punhado de greatest hits despejados pelas FMs comerciais fantasiadas de rock.
CONSUMISMO E RELIGIOSIZAÇÃO
Essa "cultura rock" de fachada é ancorada por emissoras de rádio FM que se dizem "especializadas em rock" e que, só pelo quadro de locutores, nota-se total despreparo com o segmento, agindo e falando como se dirigissem a fãs do One Direction.
Eles guiam todo o consumismo, como se fossem "babás eletrônicas" dos jovens "rebeldes". Apenas tocam o rock comercial que serve de trilha sonora de uma catarse que nada tem a ver com cultura, porque é apenas um estereótipo que precisa ser encenado 24 horas por dia, e mais parece uma "seita religiosa" do que uma rebeldia de verdade.
Os "roqueiros" manobrados por tais FMs e regidos pelo mercado dominado por donos de empresas de entretenimento, são trabalhados para ser apenas um rebanho submisso para lotar plateias de grandes festivais tidos como "de rock", que cobram ingressos caros e abrigam lojas que vendem roupas, calçados, outros produtos e também refeições com preços bastante caros.
Daí a rebeldia formal que apenas reproduz clichês caricatos do roqueiro rebelde. Daí a religiosização, que, como toda religião, abraça uma causa eliminando sua essência original, como no caso do Cristianismo medieval, sem qualquer relação real com a doutrina original de Jesus.
Esse "rock" é apenas uma "seita" na qual toda uma mística de "superioridade" é atribuída a ele. "Roqueiros" desse porte parecem devotos de um ritmo no qual não conseguem entender, e que em muitos casos gostam muito menos do que parece. Dizem gostar de AC/DC, por exemplo, mas não suportam ouvir mais do que um mero acorde introdutório da música "Back in Black".
São apenas pessoas que exaltam mitos com histeria que corrompe a consciência. Nem sabem por que dizem gostar de Renato Russo, por exemplo, embora esse público já tenha detestado ele quando o revival dos anos 80 não se tornou um fenômeno comercializado pela grande mídia.
Esses "roqueiros" dizem que o rock é "a música superior do mundo", mas, fora o rock comercial - sobretudo Guns N'Roses, surrealmente superestimado pelos provincianos brasileiros - , não valorizam devidamente o gênero. E são capazes de seguir, como carneirinhos, a decisão de uma data como a do Live Aid sem questionar, ignorando que o festival filantrópico não era só de roqueiros.
Esses jovens se contentam em ouvir, sobretudo de FMs canastronas, só os sucessos, apreciam as bandas comerciais e relativamente mais recentes (sobretudo anos 90), são despolitizados mas tendem, quando contrariados, a superar o reacionarismo de Lobão, aceitam pagar caro num evento "de rock" e ainda aceitam que um evento que teve Madonna e George Michael seja lembrado numa efeméride sobre rock.
Com toda a certeza, nada menos roqueiro do que essas atitudes que os "roqueiros" tentam fazer convencer que se trata da verdadeira atitude rock. Eles não conseguem entender o estado de espírito do rock, preferindo o "estado da matéria" dos estereótipos, da forma e não do conteúdo.
Não é por acaso que uma das rádios preferidas se chama Cidade. Para eles, o mundo pouco importa, só a cidade, só a província. Só importa o lugar onde eles vivem, a visão provinciana que faz com que só eles comemorem, no dia do Live Aid, o Dia Mundial do Rock, quando o resto do mundo nem leva essa data tão a sério.
domingo, 12 de julho de 2015
O "espiritismo" e a dependência psicológica das orações
O "espiritismo" glamouriza o sofrimento, culpa as vítimas, inocenta os culpados e cria toda uma bagunça social, moral e até cultural através de seu moralismo herdado do Catolicismo medieval. que, embora os "espíritas" não admitam, é uma herança explícita, por mais não assumida que seja.
Afinal, essa mania de culpar vítimas e inocentar algozes é um legado medieval. O Centro "Espírita" Irmã Lúcia - sempre os títulos católicos - de Blumenau, divulgou uma mensagem em que o suposto espírito de Eduardo de Jesus, filho do coreógrafo Carlinhos de Jesus, apelava pela inocência de um dos seis assassinos do jovem músico.
É sempre assim. Há a alegação, de um lado, de "reajustes espirituais" ou "resgates morais" que são usados como pretexto para culpar e acusar as vítimas, e, de outro, a tese dos "justiceiros espíritas" que criminosos e algozes de qualquer espécie, encarnados ou desencarnados, vistos como "jagunços" a serviço da "Lei de Causa e Efeito" acreditada pelos "espíritas" brasileiros.
Essa ideia moralista reflete uma grave contradição do "espiritismo" brasileiro, que tanto diz para nunca julgarmos ou condenarmos outrem, mas que julga e condena da forma mais severa do que aquela com que pede para que não façamos.
Os "médiuns espíritas" não têm a menor ideia de quem foi quem em encarnações anteriores, mas têm a arrogância de presumir que todos os brasileiros tinham vivido no Império Romano e que por isso até as mais inocentes vítimas da violência teriam sido algozes sanguinários naqueles tempos imperiais.
O tão "bondoso e puro" Chico Xavier tem em seu currículo um julgamento de extrema crueldade. O anti-médium mineiro, que dizia para nunca julgarmos nem culparmos quem quer que fosse, julgou as vítimas do trágico incêndio em um circo de Niterói, no final de 1961, de terem sido gauleses sanguinários no tempo do Império Romano. E ainda botou culpa no Humberto de Campos.
Diante desse severo moralismo dos "espíritas", que fazem glamourização do sofrimento, prometendo bênçãos que só virão no além-túmulo (você, desgraçado, só vai ter vida melhor depois que morrer), é natural que um conhecido livro tenha uma passagem de longo sofrimento, etapa primordial desse taylorismo religioso que é o "espiritismo" brasileiro.
Para quem não sabe, taylorismo é a ideologia profissional lançada pelo norte-americano Frederick Taylor, no século passado, e que consistia em trabalhar mais e mais para obter remunerações melhores. Quem conseguisse sair vivo depois de trabalhar como um condenado era premiado com promoções e cargos melhor remunerados ou, ao menos, com algum aumento salarial.
No "espiritismo", a ideia é sofrer, sofrer e sofrer, aguentar os retrocessos da vida, adiar grandes projetos pessoas para não se sabe quando - talvez na próxima encarnação, quando não haverá condições para tal realização - , e, para resolver os problemas, só mesmo o "silêncio da prece".
O livro Nosso Lar, o arremedo de ficção científica de Chico Xavier, mas definido como "suposto relato realista da vida espiritual", o personagem André Luiz passa oito anos no Umbral, zona atribuída a um ambiente cavernoso de pessoas mórbidas e embrutecidas.
O blogue Ceticismo.Net, um texto sobre Nosso Lar atenta para o sofrimento interminável que só com um excedente de orações e preces consegue atrair alguma salvação. O trecho comentado por André Carvalho, responsável pela página, ilustra bem essa queixa:
Agora, a maravilha é quando ele descobre quanto tempo ficou no Umbral: 8 anos. OITO ANOS! Supondo 2 anos bissextos no meio, temos 2922 dias de desespero. Supondo que ele dormia cerca de 8h por dia (quando os espíritos-de-porco deixavam), totaliza-se 46752 horas de dor, angústia e sofrimento ininterruptos, bebendo água da lama, correndo em frangalhos para lugar nenhum (tá no livro), rezando e pedindo por ajuda. A cereja do bolo é que Clarêncio esclarece (mas hein?) que ele conseguiu a dádiva de ser salvo porque implorou pela ajuda divina e que vários entes queridos dele imploravam para que Deus, em sua suprema bondade e justiça, o livrasse daquele mal. Ou seja, se o cara não tivesse ninguém para pedir por ele, seria bem capaz de ele estar correndo pra lá e pra cá pelo Umbral até hoje.
Conclusão para uma mente que para 1 minuto para refletir sobre isso: Sadismo! Pombas, entra na cabeça de alguém que uma Entidade Suprema fique observando alguém em estado de sofrimento extremo por oito anos, resolvendo livrar a cara só depois de estar satisfeito com as rezas e puxações de saco? ISSO é fraternidade? ISSO é bondade? ISSO é atitude que algo tido como a bondade extrema tenha? Não seria mais fácil dizer: Tirem logo o cara de lá, e dêem-lhe um esporro. Mas tira o cara de lá pelo amor de… pelo MEU amor, droga! E tudo isso porque ele bebeu demais, comeu relativamente muito e dava uns pegas em tudo que era rabo-de-saia? Se bem que mais pra frente aparece uma velhinha que ficou uns100 anos lá pelo Umbral, mas sua pose não parece que estava tendo o mesmo sofrimento de André Luiz.
Isso lembra os tratamentos espirituais. Fora pessoas "especiais" - entenda uma "pessoa especial" alguém como Luciano Huck, Ivete Sangalo, DJ Marlboro e Fernando Collor ou mesmo Eduardo Cunha e Jaime Lerner - , que se fizerem tratamento num "centro espírita", terão sorte grande na vida, ou os submissos à "fé espírita", o restante sempre arruma um prejuízo com tais tratamentos.
Quem procura agora um emprego ou quer ter mais sorte na vida amorosa, ao fazer um tratamento espiritual, não só vai continuar sem sorte para obter uma oportunidade nesses dois ramos, como atrairá mais infortúnios e limitações.
Não adianta o paciente ser uma pessoa boa, altruísta e de grandes projetos para transformar a sociedade. E é inútil ele seguir todas as recomendações do tratamento espiritual, não pensar em sexo, moderar na alimentação e, sobretudo, ter boas vibrações energéticas, porque depois de fazer o esperado tratamento, o azar bate à sua porta de uma maneira ou de outra.
Fazer tratamento espiritual, com todo o arremedo de terapia hospitalar com receituário homeopático, é pior do que passar debaixo de uma escada. Tem gente que passa debaixo de uma escada e tem o "corpo fechado", gíria do candomblé para pessoas que estão protegidas contra o azar e o infortúnio. Já quem faz tratamento espiritual quase sempre atrai algum azar.
De repente, surge aquela oportunidade de um concurso público para um excelente emprego numa autarquia. Mas o rapaz, depois que fez um tratamento espiritual, mergulha fundo nos estudos para o concurso, se dedicando exemplarmente na memorização dos assuntos.
Só que no meio do caminho uma greve de bibliotecários o impede de pegar os livros necessários, ele perde tempo procurando material que não lhe é acessível e, por mais que tente fazer tudo de melhor na prova, acaba sendo reprovado de uma maneira ou de outra.
Ah, mas ele "não precisa" se preocupar. Se ele, por exemplo, é formado em Jornalismo, tem um "bom emprego" naquela rádio FM metida a jornalística cujo dono e principal comunicador era um político corrupto que adquiriu essa FM num esquema de lavagem de dinheiro. Para piorar, esse patrão faz aniversário no mesmo dia que o rapagão que fez o tal tratamento espiritual.
Na vida amorosa, então, o rapaz não tem oportunidades para atrair mulheres de sua afinidade espiritual. Vejam como o "espiritismo" é materialista. Depois de um tratamento espiritual, o rapaz só passou a atrair periguetes cujos ex-namorados até hoje não suportam o fim da relação e, ciumentos, são capazes de matar qualquer um que chegasse perto das ex-namoradas, mesmo que seja para dizer a hora certa.
Veja que "oportunidade" que a "doutrina de amor e luz" traz. O rapaz não pode ter a colega mais bonita de sua escola ou faculdade, mas pode ter até uma "mulher-fruta" que foi noiva de um miliciano. E, para piorar, o rapaz não gosta de periguetes nem de "mulheres-frutas", mas as atrai de forma constante e persistente e, junto, atrai também a "sede de sangue" de seus ex-namorados.
Isso sem falar da fúria de sociopatas na Internet que o pobre coitado acaba atraindo, por causa das energias infectadas que os "centros espíritas" sempre possuem. E que não são exceções, mas a própria regra, diante de uma religião como o "espiritismo", que poderia existir com todas suas distorções, se não fosse o seu apego à mentira e à dissimulação.
A onda de infortúnios que, depois de tratamentos espirituais, faz jovens atraírem a fúria de internautas sociopatas, faz os chamados "nerds" atraírem o assédio de periguetes (que os nerds detestam) e a fúria vingativa dos sanguinários ex-namorados delas, e faz mães perderem filhos e pais perderem filhas (ou vice-versa), ainda é relativizada pelos "bondosos espíritas".
Eles ficam inventando que os tratamentos espirituais "dão certo, sim", e arrumam como desculpa que os "espíritos trevosos" é que atrapalham. Há até senhoras que, fingindo algum tom didático e maternal, tentam "explicar": "O tratamento está dando certo, com certeza. Mas sabe aqueles amiguinhos que não entendem e só querem atrapalhar? Pois é".
E o que eles recomendam? Mais orações, mais doutrinária, mais "leitura espírita". Mais livros de Emmanuel, mais palestras de Divaldo Franco, mais "silêncio da prece". Só que mais infortúnios acontecem, os jovens atraem ofertas de emprego mais tenebrosas, pretendentes desagradáveis com ex-namorados mais perigosos, e os sociopatas virtuais já rondam suas casas esperando vingança.
Os pais e mães, então, não bastassem perder filhos e filhas queridos, têm a "oportunidade" de terem suas casas saqueadas por outros filhos, por conta das drogas. Os pais não são instruídos a cuidar dos filhos, a não ser com sacrifícios quase inúteis e perdem até álbuns de famílias e tudo, porque os filhos que sobreviveram são justamente os mais problemáticos.
E aí, o que os "espíritas" recomendam? Mais preces, mais doutrinária, mais "leitura espírita", mais Emmanuel, mais Divaldo Franco, mais "música espírita", mais preces, mais doutrinária, mais "leitura espírita", mais Emmanuel, mais Divaldo Franco, mais "música espírita" e por aí vai.
Tudo acaba virando uma dependência psicológica, uma overdose de orações e ritos "espíritas", tudo feito para sair ou ao menos se proteger contra um infortúnio. Nem que seja para o jovem ficar trancado em casa nos momentos em que ex-namorados de periguetes e internautas sociopatas rondam a rua onde ele mora à espera da vítima para matá-la.
Pois a dependência psicológica não trará necessariamente benefícios. Se o cara trabalha numa rádio corrupta - mordendo os beiços porque não passou para aquela tão sonhada autarquia - , a overdose de preces e ritos "espíritas" garantirá, ao menos, que ele, ao se envolver numa encrenca (como a associação ao patrão quando este é denunciado por ligação à corrupção de dirigentes esportivos), consiga se livrar de seus efeitos com a ajuda de um bom advogado.
No candomblé, pelo menos, o sujeito, embora passe a contrair uma dívida religiosa com os orixás, pelo menos consegue a resolução pronta de seus problemas e ao mesmo tempo evitar que infortúnios pesados aconteçam em suas vidas.
No "espiritismo", não. A ideia desta religião é a pessoa contrair um problema pesado, incluindo ameaças e infortúnios, sofrer até não poder mais - e, de preferência, acima das condições que ele pode suportar - e apenas resolver parcialmente os problemas com a overdose de preces e ritos "espíritas".
Isso se chama dependência psicológica. Como no uso de drogas em que o consumo cresce na medida em que o prazer da primeira tragada diminui a cada ingestão. Assim como a overdose de drogas acaba matando a pessoa ou transformando-a num verdadeiro monstro ou zumbi em vida, a overdose das orações e ritos "espíritas" cria uma pessoa religiosamente mais histérica e paranoica.
sábado, 11 de julho de 2015
O Brasil e a síndrome do "Médico e o Monstro"
Qual é a lição do livro O Médico e o Monstro (Dr Jekyll and Mr. Hyde), clássico da literatura escrito por Robert Louis Stevenson, para o Brasil? Será porque as pessoas têm um lado bom ou mau? Embora essa questão seja considerada, ela não é o principal aspecto na comparação que pode ser feita para nosso país.
A comparação mais exata é a luta permanente do pretensiosismo humano em ser uma coisa e agir como se fosse outra, reparando com aparências e procedimentos diversos. Geralmente as pessoas costumam ser algo mais vantajoso e avançado, mas adotam procedimentos mais retrógrados, e tentam agradar os dois lados através de um contraditório jogo de aparências e conveniências.
O "espiritismo" brasileiro segue essa linha. Religião supostamente baseada nas ideias de Allan Kardec, ela no entanto fundamentou seus valores com base no Catolicismo medieval português, vigente desde o Brasil colonial e trazidos pelos padres jesuítas que, já desencarnados, estariam protegendo a quase totalidade dos "centros espíritas" do país.
Como na obra de Stevenson, o "espiritismo" tenta às vezes agir de uma forma ou agir de outra. Numa, parece que se aproxima cada vez mais dos católicos, falando de Maria, Mãe de Jesus, usando jargões católicos como "cordeiro", "seara" e "bênçãos" e tudo o mais.
Mas, de repente, os "espíritas" voltam e fazem as eternas "juras de amor" a Allan Kardec, enfeitando periódicos espíritas com fotos de universo cósmico, bajulando cientistas, falando sobre Psicologia, dando seu pitaco sobre o pensamento de Einstein, Newton, Galileu e por aí vai.
Infelizmente, o Brasil costuma apreciar e exaltar esse comportamento esquizofrênico, que é erroneamente visto como "meio-termo". Embora seja um (falso) equilíbrio entre uma nova ideia e procedimentos tradicionais de uma ideia anterior, ela revela um problema que é a questão mal resolvida das pretensões e limites das pessoas.
É aquela ideia do marido infiel, que passa a noite se divertindo com as amantes, mas que sempre reserva um passeio na praça, nas tardes de domingo, com a esposa e os filhos, dando a falsa impressão de fidelidade absoluta e incorruptível. E isso tem muito a ver com um país que tenta trabalhar o novo quase sempre em bases velhas.
Tivemos um movimento iluminista que ainda se manteve em preconceitos escravagistas que demoraram a ser superados. Tivemos uma República implantada não em bases humanistas, como nos exemplos da França e dos EUA, mas de um golpe movido por escravagistas e coronelistas descontentes que colocaram um monarquista (!) para ser nosso primeiro presidente.
Recentemente, temos partidos de esquerda que se perecem com políticas neoliberais e alguns procedimentos bastante conservadores que contrastam com as promessas de transformações profundas que tais agremiações políticas defenderam no discurso.
Mas até a cultura jovem mostra exemplos do novo feito em bases velhas, como projetos de "rádios de rock" pelas emissoras de rádio 89 FM (SP) e Rádio Cidade (RJ) baseadas em velhos procedimentos do radialismo pop mais rasteiro.
As duas rádios, sabemos, personificam bem o tema de Stevenson. Em certos momentos, a 89 e a Cidade parecem voltar-se para o pop, com programas de piadas e um padrão de locução escancaradamente pop, mas, em outros momentos, tentam dar a impressão de que radicalizaram no rock, num esforço vão em ir para dois lados e servir às duas tendências ao mesmo tempo.
Chico Xavier, então, era a contradição em pessoa. Um homem que se alimentou por contrastes verbais e ideológicos, um católico que quis ser "espírita", um sub-escolarizado de leitura razoável que quis ser "sábio", o interiorano tido como o "dono do mundo" etc. Um rol de contrastes, um permanente jogo de ser-e-não-ser que ludibriou as massas.
Para quem não é muito esclarecido, isso é maravilhoso. É confortante algo ou alguém ser uma coisa e ser outra ao mesmo tempo, o que, para esse nível de pessoas, soa como um misto de versatilidade, imparcialidade e despretensão. Grande erro, que só é visto como acerto num país dotado de conceitos confusos como o Brasil.
Aqui, pela crença que as pessoas têm das coisas, um conceito de alguma coisa parece percorrer 360 graus de significados opostos entre si. E isso tem muito a ver com uma tradição que já permitiu uma aberração gramatical da língua portuguesa de definir "algum" e "nenhum" como "sinônimos", algo considerado normal até em linguagem culta!
Só que, quando existe um esclarecimento muito maior, procurarmos nos esforçar para não aceitarmos as contradições extremas que fazem algo ou alguém serem uma coisa e outra ao mesmo tempo. Que qualquer pessoa está sujeita a contradições, isso é verdade, mas como os erros, se elas são possíveis, isso não quer dizer que elas devam se manter aberrantemente opostas nem serem usadas como motivo de orgulho e vaidade.
As contradições existem para serem resolvidas e as pessoas, pelo menos, que possam cometer o menor número possível de contradições, com o menor nível de contraste observado nas mesmas. Querer que as coisas sejam e não sejam ao mesmo tempo não é buscar a coerência sem risco de contradição, mas antes transformar as contradições num espetáculo de incoerências, que só trazem confusão e insegurança a todos.
É essa a lição do médico-monstro de Stevenson. A lição de ser-e-não-ser que alimenta vaidades pessoais e faz com que oportunistas se aproveitem das contradições para permanecerem no poder, obter vantagens pessoais e lucrarem às custas da confusão dos não-esclarecidos.
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