sábado, 7 de junho de 2014
"Anjo" Ismael teria sido o mentor do Espiritolicismo
Há, no "espiritismo" brasileiro, a crença de um mentor maior que estabeleceu as diretrizes da doutrina adotada no país, chamado Ismael e considerado "anjo". Como acredita o Espiritolicismo, Ismael seria oficialmente o guia espiritual do Brasil.
Figura estranha e sinistra, Ismael teria aparecido pela primeira vez em 1873, na reunião do grupo de Estudos Espíriticos Confúcio, dirigido por Antônio da Silva Neto e por Francisco Leite de Bittencourt Sampaio (homenageado por uma rua na altura do Parque União), divulgando uma mensagem dizendo-se guia espiritual do país.
O grupo Confúcio foi um dos embriões da Federação "Espírita" Brasileira e uma das primeiras orientações dadas por Ismael é de que a Doutrina Espírita deva ser abordada com prioridade nos aspectos religiosos divulgados a partir do livro Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing.
A recomendação criava um desvio da linha de raciocínio iniciada por Allan Kardec, que priorizava o método científico e o raciocínio filosófico, e limitava o aspecto religioso às questões de ordem ética e moral da vida humana.
Embora o discurso de Ismael - que, entre outras coisas, cria uma prece, é evocado no livro Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho e envia mensagem posterior em 1941 - pareça bem intencionado no "amor e caridade" dos ensinamentos de Jesus, ele escondia a implantação de uma reciclagem do antigo docetismo do Catolicismo medieval.
O docetismo data do século II. Sua base teórica está em afirmar que Jesus Cristo era uma ilusão, pois nunca teve corpo físico e suas dores não teriam sido ilusões, principalmente o trágico caminho para a cruz. Essa tese é abertamente defendida por Roustaing, sob o codinome "Jesus fluídico".
Roustaing, às custas de uma única médium (a senhora Emilie Collignon), afirma ter recebido mensagens dos quatro evangelistas e de Moisés, lançou questões que iam contra os princípios lançados por Kardec, como creditar a reencarnação como castigo. Kardec via a reencarnação como um aprendizado, num sentido positivo ignorado por Roustaing.
Através da ação de Ismael, o "espiritismo" brasileiro construiu sua base teórica através deste livro de Roustaing (que tinha três volumes, no original; a FEB o lançou com quatro). Mas como Roustaing causou séria polêmica por conta da tese do "Jesus fluídico", a FEB adotou a esperteza de ocultar o nome de Roustaing e colocar suas ideias na "conta" de Kardec.
O misterioso Ismael é até hoje evocado, como "mestre" do "espiritismo" brasileiro, tendo sido citado em mensagem atribuída a José do Patrocínio. Roustaing continua no mercado - Os Quatro Evangelhos são publicados até hoje - mas as ideias roustanguistas são hoje "atribuídas" a Allan Kardec, Chico Xavier, Ismael ou Emmanuel, conforme as conveniências da FEB.
QUEM FOI ISMAEL?
O "anjo" Ismael, que ainda por cima também induziu o médium Edgard Armond a criar um programa de "evangelização" (termo considerado "alienígena" no Espiritismo autêntico) na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP, a mesma envolvida numa tradução grotescamente deturpada dos livros de Kardec), tem seu nome atribuído a um personagem bíblico.
Ismael teria sido, na suposta encarnação antiga, um personagem homônimo, filho de Abraão com a criada deste, Agar, e que teria vivido entre os séculos XXI e XVIII antes da era cristã. Viveu na Mesopotâmia e teria sido um dos ancestrais do povo árabe.
Ismael teria se casado com uma egípcia, com quem teve doze filhos, e aparentemente ele viveu até a idade de 137 anos, um dado bastante controverso. Afinal, era raro na época pessoas atingirem idade tão elevada e pode ser que a idade seja atribuída a um cálculo que não corresponde aos critérios etários adotados hoje, que correspondem a um ano com doze meses e cerca de 30 dias cada.
Os dados sobre Abraão e seus descendentes - Ismael teria sido seu primogênito - são ainda misteriosos e imprecisos, e não há fontes que ofereçam informações relativas fora da Bíblia. Mas, a julgar pelo perfil do "anjo" Ismael, também é duvidoso que ele tenha sido o tal personagem bíblico.
Afinal, o docetismo defendido por Ismael em função de Roustaing data da Idade Média, bem diferente do messianismo que os textos do Velho Testamento descreviam, que eram mais próximos do povo judeu. O docetismo deriva de conceitos agnósticos medievais, cujo misticismo é apenas um derivado excêntrico do Catolicismo, embora não exatamente uma seita.
O que se pode inferir é que o "anjo" Ismael, na verdade, seria um membro da falange de Emmanuel, o astuto deturpador da Doutrina Espírita através dos livros registrados por Chico Xavier e outros. Há quem diga que seja o próprio Emmanuel, mas a hipótese de Ismael ser um cúmplice do jesuíta tem maior probabilidade.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Liberdade de religião não é desculpa para se aceitar fraudes
A Constituição Federal garante a liberdade da fé religiosa. Isso é bastante saudável, em que pese as controvérsias que muitas religiões causam em seus respectivos pontos de vista. Mas, até certo ponto, é muito válido que uma pessoa escolha sua crença religiosa e a condicione como meio de obter a serenidade e o bem-estar espiritual.
O grande problema é quando a fé religiosa vira pretexto para violências, mentiras e atos de intolerância. No Oriente Médio, a religião se transformou, na prática, em "partido político", quando tradições religiosas são deturpadas em movimentos guerrilheiros para enfrentar forças apoiadas pelos EUA, com suas "religiões cristãs".
No caso do "espiritismo" brasileiro, a queixa maior está numa série de fraudes usadas sob o verniz da "mediunidade", não bastassem as distorções ideológicas violentas da doutrina de Allan Kardec, corrompidas por ideias adaptadas do Catolicismo medieval.
A liberdade religiosa não pode servir de estímulo para distorções, fraudes, mentiras, agressões, ou qualquer ato nocivo à integridade moral ou física da espécie humana. Mas, infelizmente, muitos se deixam levar pela "aura de amor, caridade e fraternidade" e caem facilmente em muitas armadilhas armadas pelos exploradores da fé escondidos na doutrina da "espiritualidade avançada".
Isso é pior, porque o "espiritismo", no Brasil, é autoproclamado "a última palavra em religiosidade", e isso traz responsabilidades pesadas que qualquer distorção soa criminosa, vergonhosa, constrangedora.
É como Jesus disse: "dará-se mais àquele que tem". Essa frase não tem a ver com privilégios, mas com responsabilidades, porque a pessoa que sabe de algum princípio moral tem maior responsabilidade para assumi-lo e sustentá-lo. Se ela assim o procede, obtém maior e melhor aprendizado. Mas, se ela trai esse princípio moral, o aprendizado vem da maneira oposta, através da dor e do infortúnio.
Essa é a sina do conhecimento, que os líderes "espíritas" no Brasil desconhecem. Eles têm, pelo menos em tese, um dom mediúnico que não se manifesta a toda hora, e no entanto se acham no direito até mesmo de fingir às vezes que recebem espíritos, usando falsetes em psicofonias, falsificando quadros de maneira grotesca, ou plagiando outros livros apenas trocando as palavras.
E tudo isso é feito sob a desculpa de expressar "palavras de amor", "recados fraternais" e "mensagens de fé e caridade". O quanto há de criminoso nisso, em que amor, caridade e fraternidade são desculpas para que certas pessoas se sirvam das habilidades velhacas da mentira e da falsidade!!
A liberdade religiosa não dá imunidade ao crime, à mentira e a enganação feitas sob o manto da religião e dos projetos filantrópicos. O direito da fé religiosa é até maculado por essas verdadeiras manifestações da demagogia, da sedução e da intimidação, verdadeiras indústrias da vaidade de supostos líderes que usam seu carisma para ludibriar as pessoas e intimidar a reação da Justiça.
Dessa maneira, os líderes "espíritas" esperam que possam sair impunemente de acusações de falsificação de pinturas, de plágios literários, de falsetes pseudo-psicofônicos, alegando que são "vítimas de perseguição" por conta de supostas missões de caridade.
Querem eles que a Justiça dos homens não os condene por seus crimes de enganação e falsidade, e querem, esses mesmos "líderes espíritas", que a Justiça de Deus os acolha como se fossem as pessoas dotadas de perfeição e dispensadas de qualquer responsabilidade de enfrentar futuras provações.
Iludidos pela vaidade, pela presunção que a falsa modéstia da pretensa humildade religiosa lhes garante, eles se apoiam no pretexto da liberdade religiosa, das missões de caridade, para abusarem da boa-fé de seus adeptos e seguidores, que a eles recorrem para obter assistência espiritual.
Isso se torna muito pior. Tanto quanto a escravidão e o arbítrio da tirania. Porque as pessoas sofredoras e necessitadas acabam se tornando reféns de todo um esquema de mentiras, fraudes, autoritarismos, dogmas injustos, e se acham beneficiadas e protegidas por todo esse engodo místico. É extremamente lamentável tudo isso.
A liberdade religiosa pode até se servir de fantasias, de mitos e crenças surreais, que, sob a perspectiva de cultura, podem gerar expressões riquíssimas e admiráveis. Os cultos africanos, as religiões judaica e muçulmana, e até mesmo o Catolicismo em certo ponto, geraram valores culturais bastante admiráveis, belíssimos e muito ricos que produziram bens e identidades sócio-culturais locais.
Mas daí a permitir, por exemplo, que obras e mensagens supostamente "espirituais" sejam legitimadas mesmo quando destoam seriamente dos perfis originais dos autores atribuídos é um abuso dessa liberdade, que compromete até mesmo a credibilidade de uma religião, no caso o "espiritismo" brasileiro, aqui denominado Espiritolicismo.
Liberdade é responsabilidade. Renato Russo havia dito que "disciplina é liberdade". Mas, certamente, não é a "disciplina, disciplina, disciplina" do traiçoeiro Emmanuel, mas a verdadeira disciplina de, antes de cobrar as responsabilidades de outros, deve-se assumir as próprias responsabilidades.
Liberdade religiosa não pode dispensar a honestidade nem a ética. A verdadeira caridade é aquela que não trai a honestidade, a sinceridade. Porque a honestidade é a que garante a confiança necessária em todo ato caridoso. A caridade perde todo o sentido quando é feita para acobertar a mentira.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
O combativo José do Patrocínio não iria pedir para que "oremos pela paz"
Grande erro a Federação "Espírita" Brasileira, ao divulgar a mensagem para o Brasil durante a Copa do Mundo FIFA 2014, usar o nome de José do Patrocínio na suposta psicofonia realizada na sede da instituição roustanguista, há quase um mês.
Isso porque o principal pedido do suposto José do Patrocínio, o de "orarmos pela paz" - eufemismo para não nos mobilizarmos em protestos sociais (mesmo pacíficos) para não prejudicar as festas da Copa - , destoa completamente do perfil original do jornalista e ativista do Abolicionismo.
É, aliás, um grande sinal de incoerência, porque a mensagem divulgada pela FEB tem um tom mais próximo de um líder católico. Talvez se a mensagem fosse atribuída a Alceu Amoroso Lima tivesse mais sentido, embora soasse também um tanto grotesca e cheia de possíveis equívocos em relação à personalidade desse ilustre líder católico, que usava o pseudônimo Tristão de Athaíde.
Se observarmos a trajetória de José do Patrocínio, podemos concluir que a tal psicofonia nunca seria realmente dele. Primeiro, porque aquela época não se dispunha de tecnologia sonora disponível, pois elas estavam ainda em estudo e sua descoberta, em 1877, evidentemente só levaria muito tempo para ser popularizada.
Não dá para sabermos como foi a voz de José do Patrocínio, pois sua voz, seu modo de falar, se perderam no tempo. Menos um ponto para a esperteza dos dirigentes da FEB, que tentaram usar um abolicionista para assinar embaixo nas profecias atribuídas ao sinistro Ismael, com o pretexto de realizar uma "psicofonia" que não dá para ser comprovada.
Segundo, porque o próprio José do Patrocínio chegou a ser acusado de mentor da Guarda Negra, grupo de militantes destinados a defender o governo imperial, não sem conflitos, sobretudo numa época de mobilização pela República, que poderia ter sido defendida por uma minoria, mas era uma minoria barulhenta e bastante agressiva.
De origem humilde, José do Patrocínio, nascido em 1853 e tendo vivido apenas 52 anos incompletos, chegou a ser servente de pedreiro na Santa Casa de Misericórdia e depois se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro na função de farmacêutico.
Ele foi responsável por diversos trabalhos como jornalista, inclusive como diretor de jornal, e por organização de diversas instituições contra a escravidão. Ele mesmo havia entrado em conflito com muitos militantes republicanos e, com a República, com os defensores do autoritário presidente Floriano Peixoto, durante o qual foi preso.
Ou seja, José do Patrocínio realizou protestos, foi um ativista enérgico e combatente, apenas sendo defensor do governo imperial, sendo que a princípio ficou entusiasmado com a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.
Talvez pela ligação dele com o Segundo Império tenha causado essa associação forçada da suposta psicofonia com seu nome. A FEB se originou provavelmente sob subsídios do Império, o que faz a entidade até hoje tratar Dom Pedro II, a Princesa Isabel e seus seguidores como se fossem "profetas da nova espiritualidade".
Mas a natureza de José do Patrocínio nada tem a ver com a mensagem divulgada pela FEB. Um texto meramente nos moldes do catolicismo mais piegas e antiquado, cujos apelos não tinham a ver com o ativismo do abolicionista, que, quando muito, apenas condenaria a desordem dos Black Blocs, sem recorrer à pieguice passiva de orações que não mobilizam.
terça-feira, 3 de junho de 2014
FEB não quer que você se manifeste e lute. Quer apenas que você fique "orando pela paz"
Na mensagem divulgada no mês passado, a Federação "Espírita" Brasileira expressou sua posição bastante conservadora e conformista quando João Pinto Rabelo, usando o nome do abolicionista José do Patrocínio, disse para os brasileiros que se apoiam no suposto "espiritismo" fiquem apenas "orando pela paz".
O discurso, que, como dissemos, está mais para cardeal católico do que para líder abolicionista, foi difundido sob o título "Prudência", na verdade condena as manifestações populares e quer que o Brasil fique num clima de passiva alegria em vez de lutar por melhorias.
Em tese, a mensagem da FEB apenas sugere para os brasileiros evitarem as tensões sociais que poderiam comprometer a festa da Copa do Mundo FIFA 2014, a ser realizada em várias capitais brasileiras, a exemplo dos protestos ocorridos durante a Copa das Confederações, no ano passado.
Só que os dirigentes da federação se esquecem que as tensões sociais que acontecem no Brasil são consequência de uma série de irregularidades, desigualdades, erros diversos que as pessoas de diversos tipos cometem, e que geram todo um quadro de violência, vandalismo, tragédias e outras coisas.
É evidente que todos nós desejamos a paz, mas o problema é que existe também a "paz sem voz", conforme lembrou o letrista Marcelo Yuka na letra da música de O Rappa, "A Minha Alma". Há também a paz passiva, a "paz-sividade" que cria uma falsa felicidade, uma "felicidade" um tanto egoísta, de achar que tudo está lindo enquanto a coisa está feia no lado de fora.
O Brasil ainda sofre, só para se ter uma ideia, as sequelas dos 21 anos de ditadura militar que ocorreram, e, desde os anos 90, do processo intenso e quase totalitário de imbecilização sócio-cultural às custas de uma mídia e de um mercado que são controlados por oligarquias sob a colaboração de gerentes, dirigentes e celebridades que "compram" até o apoio de intelectuais e acadêmicos.
Acumulamos uma série de retrocessos, que em muitos casos os progressos institucionais que conquistamos não compensam. Isso porque a "cultura popular" que temos é extremamente ruim, as medidas reformistas do Governo Federal e seus seguidores regionais são meramente paliativas e até o nosso ativismo social é corrompido pelo apoio, por exemplo, a funqueiros e mulheres-objetos.
Isso fora a impunidade, as injustiças dentro da própria Justiça, a corrupção institucionalizada e vista quase como uma etiqueta social para certos ambientes profissionais, dessas que você é constrangido caso se recusar a participar.
Tudo isso gera muitas tensões, muitos problemas, muita violência e muita desordem. Daí as reações diversas, do protesto pacífico aos vandalismos, da corrupção aos crimes individuais. Protestos negativos e positivos, como em todas tensões que reúnem forças antagônicas.
Essa é a Copa do Caos, só para usar o título de uma minissérie cômica da MTV Brasil. Por isso não há como ficarmos "orando pela paz", como recomendou o suposto "José do Patrocínio" que ainda fala em defesa do sinistro "anjo Ismael".
O que devemos fazer é trabalhar para resolver as centenas de problemas acumulados no Brasil nos últimos 50 anos, mesmo que o preço disso seja criar conflitos e novas tensões. Paciência. Há quem se beneficie com esses retrocessos e não quer "largar seus ossos".
O próprio Jesus já veio com esse objetivo. Ele não ficou "orando pela paz". Tornou-se ativista social num tempo ainda mais brutal que hoje, num Oriente Médio que sempre foi explosivo e tragicamente conflituoso, não teve medo de criar tensões e controvérsias e foi condenado por ameaçar os interesses exploradores do Império Romano.
Por outro lado, a própria FEB contribuiu para esses retrocessos, apoiando cenários políticos autoritários e se utilizando de crenças religiosas herdadas do catolicismo medieval e inquisidor, que havia exercido seu poder à custa do sangue de muitos inocentes.
A FEB se apoiou em ideias e procedimentos herdados de gente que defendia a escravidão e a queima de hereges ao ar livre. A FEB se apoiou em dogmas "cristãos" do Império Romano, apoiou ditaduras, respaldou o coronelismo e continua pregando um moralismo piegas e rígido que nada contribui para o progresso real da humanidade, mesmo se apenas no Brasil.
Por isso, que "paz" é essa que a FEB tanto fala? E que ainda atribui, de forma tão equivocada, ao nome de um militante abolicionista, José do Patrocínio, que em nenhum momento escreveria uma mensagem dessas?
Simples. É uma "paz" sem voz, uma paz forçada, que não receberá a adesão de todos, porque não é uma paz que resolva problemas, que liberte, que mobiliza. É uma paz que aprisiona, criando a alegria do nada, que investe no conformismo e na passividade. E que num momento ou em outro será deixada de lado quando explodirem as tensões que muitos se recusaram a resolver.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Espiritolicismo usa falecidos para fazer proselitismo religioso
SE O VERDADEIRO ESPÍRITO DE JOSÉ WILKER APARECER FAZENDO UM DISCURSO RELIGIOSO DE "AMOR E LUZ", PODE CRER, É IRONIA NA CERTA.
O "espiritismo" brasileiro fez piorar a situação das pessoas falecidas, já que elas já perdem o controle de suas imagens e seus legados aqui na Terra, imagine então se seus nomes e suas imagens são usados indevidamente para promover, na prática, proselitismo religioso às custas de mensagens panfletárias sobre "amor, luz, caridade e fraternidade".
As tragédias humanas causam tantos problemas que, dentro ou fora dos ambientes espiritólicos, há todo tipo de problema. Seja na visão um tanto distorcida que parentes dos falecidos têm de seu legado, seja nas supostas mensagens "mediúnicas" em que necessariamente o "de cujus" reaparece falando uma mensagem religiosa que não obstante é exageradamente piegas.
No momento, vemos desde o litígio entre os remanescentes da Legião Urbana, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, e o filho do falecido vocalista Renato Russo, Giuliano Manfredini, até a suposta psicofonia atribuída ao abolicionista José do Patrocínio pedindo para que oremos pela paz durante a Copa.
No primeiro caso, o que se observa é a obsessão de Giuliano em trabalhar sozinho a marca Legião Urbana, embora tenha convivido pouco com o pai e, em que pese o mérito da afeição e admiração profundas por ele, sua visão sobre a natureza artística da Legião Urbana é superficial e equivocada, a ponto de fazê-lo convidar Ivete Sangalo (?!) para duetar com um holograma do falecido cantor.
Para quem não sabe o que é holograma, trata-se de uma montagem digital, uma espécie de animação por computador baseada em uma seleção de movimentos e posições deixadas pela imagem antiga da personalidade falecida. Freddie Mercury, do Queen, e Elvis Presley foram os pioneiros. No Brasil, Cazuza e Renato Russo tiveram hologramas feitos para apresentações de tributo.
Neste caso, a disputa judicial leva em desvantagem justamente dois músicos que conviveram artisticamente com Renato e com ele são responsáveis pela maior parte dos clássicos da Legião Urbana. Podem não ser parentes, mas pesa sobre eles o mérito de serem co-responsáveis do legado artístico de Renato Russo, mais do que os familiares que não tiveram esse tipo de convivência.
Mas, infelizmente, não há como controlar a imagem de falecidos com isenção. Ocorrem litígios não só pelo legado deixado pelo falecido, mas pela personalidade da pessoa. Qualquer um faz o que quer com o falecido, e mesmo seus parentes mais chegados não conseguem compreender realmente o que o finado pensava ou sentia na vida.
A coisa ficou tão séria que a gente até imagina se muitos comediantes de stand up comedy em potencial estão escondidos em supostos médiuns que dizem incorporar vozes de antigas personalidades. Isso porque veiculam mensagens duvidosas e timbres também misteriosos, sobretudo de gente que viveu antes da popularização das tecnologias de imagem e de som.
O "espiritismo" brasileiro piora as coisas, na medida em que usa qualquer personalidade falecida para mandar supostas mensagens fraternais que na prática soam apenas como propaganda religiosa, como proselitismo feito em nome da fé.
Daí que fica muito estranho que, se levarmos em conta as supostas mensagens espirituais difundidas, os falecidos necessariamente se comuniquem conosco sempre com palavras de cunho místico, religioso, falando em "fé", "preces", "fraternidade" e outras coisas.
Pode até ser Che Guevara, Joey Ramone ou Bon Scott (primeiro vocalista do AC/DC) que a regra é a mesma. Todos mandando mensagens como se os Mamonas Assassinas de repente tivessem se convertido para a Renovação Carismática, facção mais festiva do Catolicismo.
Por isso vemos situações constrangedoras, em que um suposto Raul Seixas, adotando o codinome de Zílio, se manifesta de forma caricata, como se ainda fosse um Raulzito dotado de inspirações místicas, mas distorcido numa pieguice religiosa dotada de uma puerilidade que o roqueiro baiano não tinha, sobretudo no final da vida, quando Raul estava mais sarcástico e cético em relação a muitas coisas.
A falta de controle se deve sobretudo ao pouco conhecimento dos "espíritas" quanto à personalidade dos falecidos ilustres, a desinformação acerca de muitos detalhes pessoais. São sutilezas, aliás, ou nuances nem sempre tão sutis assim, que escapam à mente do "médium" que, num pequeno deslize, deixa a fraude ocorrer, que pode gerar efeitos bastante nocivos aos entes dos falecidos.
É o caso de parentes que deixam se comover com mensagens "amorosas" de espíritos farsantes e são contagiados de todo um clima de emotividade produzido. Isso é terrível, porque o verdadeiro espírito do ente falecido é deixado para trás por um farsante, encarnado ou desencarnado, que se passa pelo finado querido.
O espírito do além é reduzido, em tese, a um suposto garoto propaganda da "doutrina de amor e paz" do Espiritolicismo, com sua mensagem panfletária, piegas e mística, docilmente moralista. A esfera de emotividade seduz muita gente, enquanto o verdadeiro falecido, que quer se comunicar, é deixado de lado por causa de outro que se passa por ele.
Nem todo mundo do além se dispõe a mandar uma mensagem religiosa. E o contexto pode sugerir até mesmo certas ironias. Por exemplo, um ator como José Wilker, de admiráveis tiradas irônicas que seu grandioso talento pôde nos mostrar, só iria mandar mensagens religiosas como as "espirituais" que conhecemos se for para tirar um sarro ou fazer alguma ironia.
Portanto, devemos desconfiar sempre. Não é o "clima de amor e paz" que garante a veracidade das manifestações "espirituais". Um José do Patrocínio falando como se fosse cardeal da Santa Sé, um Rafael Mascarenhas escrevendo como se fosse coroinha de capela do interior, um Raul Seixas escrevendo como se fosse um debiloide astrológico, tudo isso requer cautela. E um pé atrás.
O "espiritismo" brasileiro fez piorar a situação das pessoas falecidas, já que elas já perdem o controle de suas imagens e seus legados aqui na Terra, imagine então se seus nomes e suas imagens são usados indevidamente para promover, na prática, proselitismo religioso às custas de mensagens panfletárias sobre "amor, luz, caridade e fraternidade".
As tragédias humanas causam tantos problemas que, dentro ou fora dos ambientes espiritólicos, há todo tipo de problema. Seja na visão um tanto distorcida que parentes dos falecidos têm de seu legado, seja nas supostas mensagens "mediúnicas" em que necessariamente o "de cujus" reaparece falando uma mensagem religiosa que não obstante é exageradamente piegas.
No momento, vemos desde o litígio entre os remanescentes da Legião Urbana, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, e o filho do falecido vocalista Renato Russo, Giuliano Manfredini, até a suposta psicofonia atribuída ao abolicionista José do Patrocínio pedindo para que oremos pela paz durante a Copa.
No primeiro caso, o que se observa é a obsessão de Giuliano em trabalhar sozinho a marca Legião Urbana, embora tenha convivido pouco com o pai e, em que pese o mérito da afeição e admiração profundas por ele, sua visão sobre a natureza artística da Legião Urbana é superficial e equivocada, a ponto de fazê-lo convidar Ivete Sangalo (?!) para duetar com um holograma do falecido cantor.
Para quem não sabe o que é holograma, trata-se de uma montagem digital, uma espécie de animação por computador baseada em uma seleção de movimentos e posições deixadas pela imagem antiga da personalidade falecida. Freddie Mercury, do Queen, e Elvis Presley foram os pioneiros. No Brasil, Cazuza e Renato Russo tiveram hologramas feitos para apresentações de tributo.
Neste caso, a disputa judicial leva em desvantagem justamente dois músicos que conviveram artisticamente com Renato e com ele são responsáveis pela maior parte dos clássicos da Legião Urbana. Podem não ser parentes, mas pesa sobre eles o mérito de serem co-responsáveis do legado artístico de Renato Russo, mais do que os familiares que não tiveram esse tipo de convivência.
Mas, infelizmente, não há como controlar a imagem de falecidos com isenção. Ocorrem litígios não só pelo legado deixado pelo falecido, mas pela personalidade da pessoa. Qualquer um faz o que quer com o falecido, e mesmo seus parentes mais chegados não conseguem compreender realmente o que o finado pensava ou sentia na vida.
A coisa ficou tão séria que a gente até imagina se muitos comediantes de stand up comedy em potencial estão escondidos em supostos médiuns que dizem incorporar vozes de antigas personalidades. Isso porque veiculam mensagens duvidosas e timbres também misteriosos, sobretudo de gente que viveu antes da popularização das tecnologias de imagem e de som.
O "espiritismo" brasileiro piora as coisas, na medida em que usa qualquer personalidade falecida para mandar supostas mensagens fraternais que na prática soam apenas como propaganda religiosa, como proselitismo feito em nome da fé.
Daí que fica muito estranho que, se levarmos em conta as supostas mensagens espirituais difundidas, os falecidos necessariamente se comuniquem conosco sempre com palavras de cunho místico, religioso, falando em "fé", "preces", "fraternidade" e outras coisas.
Pode até ser Che Guevara, Joey Ramone ou Bon Scott (primeiro vocalista do AC/DC) que a regra é a mesma. Todos mandando mensagens como se os Mamonas Assassinas de repente tivessem se convertido para a Renovação Carismática, facção mais festiva do Catolicismo.
Por isso vemos situações constrangedoras, em que um suposto Raul Seixas, adotando o codinome de Zílio, se manifesta de forma caricata, como se ainda fosse um Raulzito dotado de inspirações místicas, mas distorcido numa pieguice religiosa dotada de uma puerilidade que o roqueiro baiano não tinha, sobretudo no final da vida, quando Raul estava mais sarcástico e cético em relação a muitas coisas.
A falta de controle se deve sobretudo ao pouco conhecimento dos "espíritas" quanto à personalidade dos falecidos ilustres, a desinformação acerca de muitos detalhes pessoais. São sutilezas, aliás, ou nuances nem sempre tão sutis assim, que escapam à mente do "médium" que, num pequeno deslize, deixa a fraude ocorrer, que pode gerar efeitos bastante nocivos aos entes dos falecidos.
É o caso de parentes que deixam se comover com mensagens "amorosas" de espíritos farsantes e são contagiados de todo um clima de emotividade produzido. Isso é terrível, porque o verdadeiro espírito do ente falecido é deixado para trás por um farsante, encarnado ou desencarnado, que se passa pelo finado querido.
O espírito do além é reduzido, em tese, a um suposto garoto propaganda da "doutrina de amor e paz" do Espiritolicismo, com sua mensagem panfletária, piegas e mística, docilmente moralista. A esfera de emotividade seduz muita gente, enquanto o verdadeiro falecido, que quer se comunicar, é deixado de lado por causa de outro que se passa por ele.
Nem todo mundo do além se dispõe a mandar uma mensagem religiosa. E o contexto pode sugerir até mesmo certas ironias. Por exemplo, um ator como José Wilker, de admiráveis tiradas irônicas que seu grandioso talento pôde nos mostrar, só iria mandar mensagens religiosas como as "espirituais" que conhecemos se for para tirar um sarro ou fazer alguma ironia.
Portanto, devemos desconfiar sempre. Não é o "clima de amor e paz" que garante a veracidade das manifestações "espirituais". Um José do Patrocínio falando como se fosse cardeal da Santa Sé, um Rafael Mascarenhas escrevendo como se fosse coroinha de capela do interior, um Raul Seixas escrevendo como se fosse um debiloide astrológico, tudo isso requer cautela. E um pé atrás.
domingo, 1 de junho de 2014
O suposto diálogo de "Irmão X" com Marilyn Monroe
Marilyn Monroe, uma das mais belas atrizes de Hollywood e que fez muito sucesso na década de 1950, teria feito 88 anos este ano. Mas faleceu prematuramente, já moralmente abatida por tantos escândalos que alimentam a mídia sensacionalista, ingerindo uma overdose acidental de remédios.
A morte ocorreu no dia 05 de agosto de 1962, sete anos depois de Carmem Miranda (outra vítima do consumo excessivo de remédios) e que foi o desfecho lamentável da loura sexy que na verdade era ruiva, se chamava Norma Jean e tinha mais um perfil de garota graciosa.
Em 1969, no auge do Espiritolicismo chiquista, seu ídolo maior Chico Xavier, já se desvencilhando do "ciclo André Luiz", tendo escrito o livro ...E a Vida Continua já sem seu parceiro Waldo Vieira, que rompeu com a FEB, escreveu, sob o nome de Irmão X, o livro Estantes da Vida.
Sabe-se que Irmão X foi o pseudônimo usado para substituir o nome de Humberto de Campos, já que a suposta atribuição de parte da bibliografia chiquista ao escritor de O Brasil Anedótico rendeu sérios problemas judiciais com os herdeiros do escritor. Mesmo assim, o codinome Irmão X parodia uma alcunha utilizada por Humberto em vida, Conselheiro XX.
Neste livro, é narrada uma suposta visita de "Irmão X" ao cemitério Westwood Memorial Park, em Westwood Village, em Los Angeles, onde o corpo de Marilyn Monroe está enterrado, além de uma suposta entrevista em que Marilyn é ainda encontrada no cemitério, triste, acolhida por uma senhora.
A entrevista parece verossímil, e consegue reproduzir a fragilidade emocional vivida pela jovem atriz, embora seja uma tristeza bastante exagerada para uma atriz do nível de Marilyn, que provavelmente teria em parte superado parte de seus problemas emocionais sete anos depois de seu falecimento.
Mas uma coisa chama a atenção desse texto, supostamente uma "reportagem" mas soando tão somente como um texto fictício bem escrito, é que Marilyn Monroe, sete anos após seu falecimento, continuava presa ao seu jazigo, algo que destoa de seu perfil dinâmico, embora ligado ao consumo doentio de remédios.
Seria pouco provável que Marilyn estaria presa ao seu caixão. Isso talvez fosse coisa de espíritos mais selvagens, quando muito de mendigos ou consumidores de drogas pesadas, como o crack, que ao falecerem se tornam prisioneiros de lugares onde são enterrados ou seus corpos foram deixados.
Marilyn, pelo tipo de personalidade que era, ficaria horrorizada em ver seu corpo imóvel enterrado no caixão. Será que, em 1969, ela teria interesse de ficar ali, um tanto patética, olhando para seu caixão e ficar perguntando infinitamente por que aquilo aconteceu?
Nada disso. Ela estaria em outra, seria acolhida por alguns amigos ou estaria se afeiçoando a um fã encarnado mais dedicado e de um estilo de vida mais interessante que inspire ao espírito de Marilyn consolo e ânimo. A título de comparação, vamos supor que Marilyn Monroe, em vez de ter morrido, ficou tão somente estressada.
Evidentemente, Marilyn, cansada, aborrecida e um tanto triste, não estaria aguentando as pressões do mundo do espetáculo e o que ela poderia fazer, diante desse momento, é agendar uma viagem para longe de Hollywood, Nova York e outros redutos de fama e estrelato e procurar um lugar mais sossegado para passar uns dias e descansar.
Ela não ficaria ali abobalhada diante da tela de cinema ou folheando as revistas sobre celebridades para ficar perguntando sem parar por que ficou tão estressada e cansada. Aliás, quem fica cansado não fica remoendo as razões de seu cansaço. A pessoa quer dar uma pausa para descansar ou fazer uma outra atividade.
O que ocorreu com Marilyn foi que ela simplesmente se afastou do cenário de sua angústia, horrorizada com o desfecho que aconteceu ainda na flor da idade, aos 36 anos. Pela sua personalidade, Marilyn sabia das pressões da mídia sobre o caso, e ela seria a última pessoa a ficar no cemitério chorando e sofrendo angústias.
Não se sabe onde Marilyn se "exilou". Mas a julgar pelo caráter suspeito da FEB, pelo desempenho irregular de Chico Xavier e pela fraude chamada "Irmão X", um alter-ego mal-arranjado para o suposto Humberto de Campos, certamente a "reportagem" nem de longe tem de verídica, sendo mais um texto de ficção escrito para seduzir as pessoas às custas do legado de Marilyn.
A atriz teria vivido bem longe. Não se sabe onde. Mas não é a mediunidade irregular e corrupta que irá responder. O que se sabe, ao certo, é que Marilyn, que não aguentava as pressões do show business, também não iria aguentar as pressões causadas por sua tragédia, tendo inevitavelmente que se afastar, até por vontade própria e urgente, de tudo que lembrasse esse momento infeliz.
Além disso, Marilyn também não iria estar assim de bandeja, disponível para o assédio espiritólico. Também pudera, os "nossos espíritas" são dotados de um estrelismo maior do que todo o elenco de Hollywood ao longo de sua história.
sábado, 31 de maio de 2014
Mensagem da FEB sobre a Copa é supostamente atribuída a José do Patrocínio
O LÍDER ABOLICIONISTA JOSÉ DO PATROCÍNIO TEVE SEU NOME USADO EM SUPOSTA PSICOFONIA PROMOVIDA PELA FEB.
Uma mensagem divulgada pela roustanguista Federação "Espírita" Brasileira (FEB), psicofonia atribuída supostamente ao espírito do jornalista e ativista do Abolicionismo, José do Patrocínio (1853-1905) foi lançada pelo "médium" João Pinto Rabelo durante a reunião do Grupo de Assistência aos Povos da África, na sede da FEB, em Brasília, no último dia 10 de maio.
A mensagem apresenta um tom por demais católico para que se observe alguma veracidade na atribuição de autoria. Afinal, pelo tom que se tem da mensagem, ela está muito mais próxima do discurso de um cardeal do que de um intelectual abolicionista, e mais uma vez se evoca o misterioso espírito Ismael, o sinistro figurão tido como "mentor espiritual do Brasil".
O texto, a ser reproduzido abaixo na íntegra, para que nossos leitores possam analisá-lo com questionamento mais aprofundado, afinal, por mais que naqueles tempos do Segundo Império os textos eram dotados de linguagem culta, isso não significa que qualquer um possa escrever uma mensagem em tons triunfalistas mesclados com uma retórica religiosa e piegas.
A mensagem enfatiza a necessidade de conformismo e a restrição da manifestação social às orações para que, segundo a FEB, a Copa do Mundo sirva como "instrumento de Paz no Brasil e no intercâmbio entre os Povos".
A FEB ignora que muitos dos problemas e conflitos que existem são por conta das injustiças sociais, da corrupção, das desigualdades de toda espécie, da mediocrização sócio-cultural, da demagogia e outros problemas. Como vamos ficar "orando pela paz" diante de tantos problemas a combater?
A mensagem tornou-se disponível ao público a partir do dia 22 de maio e é anunciada como "Mensagem da FEB para a Copa do Mundo de 2014", na tentativa de fazer vincular o evento esportivo às supostas promessas de Ismael descritas no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.
======
PRUDÊNCIA
Aquietemo-nos! Relembram os Instrutores Espirituais.A transição recomenda prudência.A Pátria do Cruzeiro, com a responsabilidade de representar a fraternidade na Terra, está diante dos olhos do Mundo que aproveitando a ocasião dos jogos redescobre o Brasil.
Colocamo-nos, nesse momento, à disposição dos benfeitores, para pedir as bênçãos para nossa gente, para nossa terra, para nosso torrão Natal. E percebemos o cuidado dos Espíritos Nobres que representam os Pais da Pátria, para zelar pelo equilíbrio, pela prudência e pela ordem.
Os benfeitores nos recomendam prudência. Aquietarmos antes de acelerarmos; paciência, antes que a preocupação maior; oração, antes que o receio.
Os nossos Amigos Maiores pedem que nos habituemos nesses dias: amanhecer orando pela Pátria; durante o dia, mentalizar a paz na Pátria; ao adormecer, orar pelo equilibro da Pátria, porque o mundo espiritual nobre, certamente, cuidando de nós, cria as condições de defesa para que os acontecimentos ocorram com equilíbrio, para que a ordem não se deixe vencer pela desordem, para que a prudência nos conduza com equilíbrio à condução do processo das mudanças necessárias.
Os irmãos infelizes, acostumados à balburdia, à desordem no mundo espiritual inferior, querem aproveitar, também, no seu trabalho organizado, chamar atenção do mundo, para desmoralizar o grande Programa de Jesus para o Brasil.
Por isso, em nome deles, nós queremos pedir aos nossos companheiros o hábito da oração em favor da paz.
Teremos, certamente, preocupações graves que devem esperar de nós e receber das nossas orações o testemunho do equilíbrio, para que as forças do mal não encontrem espaço também em nós.
Os espíritas conhecedores desses acontecimentos, da ação dessas criaturas infelizes, nossos irmãos, devemos estar conscientes de que representamos elos da grande corrente da Bondade que protege o grande programa que o Cristo de Deus colocou nas mãos do povo Brasileiro.
Estejamos, pois, meus irmãos, atentos, não sejamos aqueles que multiplicam as más informações e notícias, mas asserenados, aquietados, nos liguemos aos benfeitores, nesse momento importante, para que possamos transmitir para o Mundo inteiro a nossa gente tão boa, a expectativa de um ambiente de paz e de um povo ordeiro e generoso, mas sobretudo Cristão.
Orando juntos, estaremos ligando as forças vivas da bondade, que emana do coração do nosso mestre, o Cristo de Deus, estaremos oferecendo aos nossos dirigentes encarnados, aqueles homens e mulheres que têm a incumbência de zelar pelo equilíbrio e pela orientação política, econômica, social do Brasil, para que os acontecimentos, que possam ocorrer, não perturbem a generalidade da Nação, e para que o programa do Cristo se faça maior do que os transtornos, e para que, de um modo geral, todos nós contribuamos para a paz.
Mantenhamo-nos aquietados, confiantes, vigilantes e orando, entregando-nos às mãos santíssimas de Jesus de Nazaré.
O Anjo Ismael, aqui, na Federação Espírita Brasileira, organizou programa de trabalho intenso, com os espíritos que representam os dirigentes espirituais do Brasil, para estabelecer nos pontos estratégicos, em Brasília, nas demais cidades importantes do País, as defesas geradas, necessárias para a vigilância e para que a ordem não se perturbe.
Não tenhamos receios, confiemos atentos.
Os momentos políticos que vive o planeta não têm como não refletir no Brasil, e representando o foco do Mundo nesses dias é importante que estejamos aqui na nossa Casa, oferecendo o melhor ambiente vibratório de beleza espiritual, para que o Anjo Ismael possa cumprir, com o apoio dos Espíritos Nobres, o programa de Jesus.
Os momentos recomendam prudência, como dizíamos, e cuidado.
Oremos meus irmãos e mantenhamo-nos em paz.
Que Jesus abençoe a Pátria que amamos, que o Cristo de Deus ilumine as consciências das nossas autoridades, que os ambientes dos jogos sejam protegidos pelas forças da luz, e que a nossa certeza na condução dessas energias nobres faça de nós também instrumento da paz.
Que o Cristo de Deus nos abençoe, abençoe a Federação Espírita Brasileira, abençoe o nosso País, e nos inclua no grande programa dos trabalhadores do Bem.
Abraço-vos, fraternalmente,
José do Patrocínio (sic).
Uma mensagem divulgada pela roustanguista Federação "Espírita" Brasileira (FEB), psicofonia atribuída supostamente ao espírito do jornalista e ativista do Abolicionismo, José do Patrocínio (1853-1905) foi lançada pelo "médium" João Pinto Rabelo durante a reunião do Grupo de Assistência aos Povos da África, na sede da FEB, em Brasília, no último dia 10 de maio.
A mensagem apresenta um tom por demais católico para que se observe alguma veracidade na atribuição de autoria. Afinal, pelo tom que se tem da mensagem, ela está muito mais próxima do discurso de um cardeal do que de um intelectual abolicionista, e mais uma vez se evoca o misterioso espírito Ismael, o sinistro figurão tido como "mentor espiritual do Brasil".
O texto, a ser reproduzido abaixo na íntegra, para que nossos leitores possam analisá-lo com questionamento mais aprofundado, afinal, por mais que naqueles tempos do Segundo Império os textos eram dotados de linguagem culta, isso não significa que qualquer um possa escrever uma mensagem em tons triunfalistas mesclados com uma retórica religiosa e piegas.
A mensagem enfatiza a necessidade de conformismo e a restrição da manifestação social às orações para que, segundo a FEB, a Copa do Mundo sirva como "instrumento de Paz no Brasil e no intercâmbio entre os Povos".
A FEB ignora que muitos dos problemas e conflitos que existem são por conta das injustiças sociais, da corrupção, das desigualdades de toda espécie, da mediocrização sócio-cultural, da demagogia e outros problemas. Como vamos ficar "orando pela paz" diante de tantos problemas a combater?
A mensagem tornou-se disponível ao público a partir do dia 22 de maio e é anunciada como "Mensagem da FEB para a Copa do Mundo de 2014", na tentativa de fazer vincular o evento esportivo às supostas promessas de Ismael descritas no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.
======
PRUDÊNCIA
Aquietemo-nos! Relembram os Instrutores Espirituais.A transição recomenda prudência.A Pátria do Cruzeiro, com a responsabilidade de representar a fraternidade na Terra, está diante dos olhos do Mundo que aproveitando a ocasião dos jogos redescobre o Brasil.
Colocamo-nos, nesse momento, à disposição dos benfeitores, para pedir as bênçãos para nossa gente, para nossa terra, para nosso torrão Natal. E percebemos o cuidado dos Espíritos Nobres que representam os Pais da Pátria, para zelar pelo equilíbrio, pela prudência e pela ordem.
Os benfeitores nos recomendam prudência. Aquietarmos antes de acelerarmos; paciência, antes que a preocupação maior; oração, antes que o receio.
Os nossos Amigos Maiores pedem que nos habituemos nesses dias: amanhecer orando pela Pátria; durante o dia, mentalizar a paz na Pátria; ao adormecer, orar pelo equilibro da Pátria, porque o mundo espiritual nobre, certamente, cuidando de nós, cria as condições de defesa para que os acontecimentos ocorram com equilíbrio, para que a ordem não se deixe vencer pela desordem, para que a prudência nos conduza com equilíbrio à condução do processo das mudanças necessárias.
Os irmãos infelizes, acostumados à balburdia, à desordem no mundo espiritual inferior, querem aproveitar, também, no seu trabalho organizado, chamar atenção do mundo, para desmoralizar o grande Programa de Jesus para o Brasil.
Por isso, em nome deles, nós queremos pedir aos nossos companheiros o hábito da oração em favor da paz.
Teremos, certamente, preocupações graves que devem esperar de nós e receber das nossas orações o testemunho do equilíbrio, para que as forças do mal não encontrem espaço também em nós.
Os espíritas conhecedores desses acontecimentos, da ação dessas criaturas infelizes, nossos irmãos, devemos estar conscientes de que representamos elos da grande corrente da Bondade que protege o grande programa que o Cristo de Deus colocou nas mãos do povo Brasileiro.
Estejamos, pois, meus irmãos, atentos, não sejamos aqueles que multiplicam as más informações e notícias, mas asserenados, aquietados, nos liguemos aos benfeitores, nesse momento importante, para que possamos transmitir para o Mundo inteiro a nossa gente tão boa, a expectativa de um ambiente de paz e de um povo ordeiro e generoso, mas sobretudo Cristão.
Orando juntos, estaremos ligando as forças vivas da bondade, que emana do coração do nosso mestre, o Cristo de Deus, estaremos oferecendo aos nossos dirigentes encarnados, aqueles homens e mulheres que têm a incumbência de zelar pelo equilíbrio e pela orientação política, econômica, social do Brasil, para que os acontecimentos, que possam ocorrer, não perturbem a generalidade da Nação, e para que o programa do Cristo se faça maior do que os transtornos, e para que, de um modo geral, todos nós contribuamos para a paz.
Mantenhamo-nos aquietados, confiantes, vigilantes e orando, entregando-nos às mãos santíssimas de Jesus de Nazaré.
O Anjo Ismael, aqui, na Federação Espírita Brasileira, organizou programa de trabalho intenso, com os espíritos que representam os dirigentes espirituais do Brasil, para estabelecer nos pontos estratégicos, em Brasília, nas demais cidades importantes do País, as defesas geradas, necessárias para a vigilância e para que a ordem não se perturbe.
Não tenhamos receios, confiemos atentos.
Os momentos políticos que vive o planeta não têm como não refletir no Brasil, e representando o foco do Mundo nesses dias é importante que estejamos aqui na nossa Casa, oferecendo o melhor ambiente vibratório de beleza espiritual, para que o Anjo Ismael possa cumprir, com o apoio dos Espíritos Nobres, o programa de Jesus.
Os momentos recomendam prudência, como dizíamos, e cuidado.
Oremos meus irmãos e mantenhamo-nos em paz.
Que Jesus abençoe a Pátria que amamos, que o Cristo de Deus ilumine as consciências das nossas autoridades, que os ambientes dos jogos sejam protegidos pelas forças da luz, e que a nossa certeza na condução dessas energias nobres faça de nós também instrumento da paz.
Que o Cristo de Deus nos abençoe, abençoe a Federação Espírita Brasileira, abençoe o nosso País, e nos inclua no grande programa dos trabalhadores do Bem.
Abraço-vos, fraternalmente,
José do Patrocínio (sic).
Assinar:
Postagens (Atom)




