sábado, 1 de março de 2014
"Espiritismo" brasileiro pensa que está pensando
O "espiritismo" brasileiro tem um grande cacoete. É uma religião retrógrada e dotada de um misticismo moralista, mas tem a mania de dizer que é uma mistura de "ciência e filosofia", com todos os discursos e arremedos que lhe são possíveis de fazer.
O Espiritolicismo, que é o que denominamos o "espiritismo da FEB" e similares, apenas pensa que "pensa". Acha que se encontra "à luz da ciência" e que é uma doutrina voltada para a busca do conhecimento.
No entanto, tudo o que esse "espiritismo" faz é apenas um engodo que cria tão somente um aparato de racionalidade que não discute ideias, apenas transmite um amontoado de conceitos confusos, seja de um catolicismo medieval não assumido, seja de enxertos apressados e malfeitos de outras crenças, juntando com palavras rebuscadas e conceitos espíritas muito mal interpretados.
Para reforçar esse aparato, só mesmo a "roupagem" de palestras que, já na propaganda, forjam um racionalismo forçado, com ilustrações cósmicas ou antropomórficas, além do simulacro de seminários e, no caso de tratamentos espirituais, há ambientes que simulam uma estética hospitalar com música relaxante, lençóis brancos, cortinas de cores leves e alegres e por aí vai.
Tem até receituário, água fluidificada, recomendação para não comer carne durante uma semana nem em pensar em sexo. Se a Jessica Alba, por exemplo, aparecer usando um biquíni num portal de celebridades na Internet, deve-se controlar a excitação pela sensual atriz. Pelo menos neste caso há um "freio" chamado Cash Warren, que devolve os desafortunados à realidade.
Mas esse arremedo de racionalidade não ajuda muito. Tudo não passa de ritual religioso, que pouco acrescenta ao ser humano, da mesma forma do que perder horas e horas rezando um terço católico, na tentativa de "receber o perdão".
Os adeptos do Espiritolicismo, no entanto, acabam sendo seduzidos por essa falsa racionalidade, pela pseudo-ciência "espírita", que os faz muito mais confusos do que esclarecidos. Claro, com "palavras de amor" se aceita qualquer coisa.
Se no "espiritismo" brasileiro, mesmo seus maiores líderes - sobretudo um verborrágico como o pseudo-cientista Divaldo Franco - pouco entendem de conhecimentos científicos, seus adeptos entendem menos ainda. Mesmo assim, fica todo mundo pensando que entende um pouco de ciência e que "entende muito mais" por causa dos "espíritos superiores" da doutrina.
Grande balela. Primeiro, o "espiritismo" sofre a intervenção dos deturpadores, que tiram justamente o que havia de científico na doutrina original de Allan Kardec, traindo violentamente sua dificílima missão. Segundo, os que vêm depois tornam-se colaboradores dessa deturpação e ficam brincando de ciência. Terceiro, surgem os adeptos que acham que tudo isso é ciência e pronto.
Se os primeiros mentem, os segundos espalham a mentira e os terceiros assinam embaixo, então o "espiritismo" brasileiro nem de longe representa qualquer inclinação à ciência. Ele apenas usa um verniz "científico" para seu esgoto sobre o qual "navegam" tanto ideias boas mal interpretadas como outras ideias de valor e veracidade bastante duvidosos.
O "espiritismo" brasileiro, agindo assim, perdeu uma boa oportunidade de ser um diferencial para outras seitas e movimentos religiosos. Perde até mesmo para certos movimentos católicos e evangélicos que, pelo menos, tentam algum avanço mesmo diante de ideias surreais e valores moralistas.
Já o "espiritismo" brasileiro bota as sujeiras religiosas debaixo do tapete. E, na medida em que absorve ideais velhos do catolicismo medieval, mesclados com clichês da espiritualidade e dos conhecimentos científicos banalizados por leigos, o Espiritolicismo não só deixa de cumprir sua promessa supostamente inovadora como torna-se, ele mesmo, retrógrado e antiquado.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Espiritolicismo Anedótico - I
Uma fictícia, porém, esclarecedora conversa entre o médico Carlos Chagas (1878-1934) e o escritor Humberto de Campos (1886-1934), a respeito da exploração de seus nomes pelos deturpadores da Doutrina Espírita no Brasil. Não, isso não é mediunidade, é um diálogo fictício mesmo, mas se ele é ficção na forma, ele no entanto traz uma mensagem bastante realista.
CARLOS CHAGAS - Prezado Humberto.
HUMBERTO DE CAMPOS - Sim, amigo Carlos!
CARLOS CHAGAS - Uma preocupação muito grande cerca a minha consciência, um tanto apreensiva. Andam falando que eu virei um tal de André Luiz, que nunca ouvi falar, um tal médico de bigode fino que soube através de terceiros que me avisaram de tamanho embuste.
HUMBERTO DE CAMPOS - É mesmo?
CARLOS CHAGAS - Sim, amigo. E eu posso garantir que não sou esse cara. Mas de que adianta? Inventam aquilo que chamam de "centro espírita", botam o nome de André Luiz e usam minha imagem assim sem licença, sem verificação, sem coisa alguma!
HUMBERTO DE CAMPOS - É verdade. Mas você, perto de mim, mais parece um sortudo. Pior é a minha sina, você nem imagina o fardo que eu tive depois que deixei a vida na Terra.
CARLOS CHAGAS - E qual foi o problema, afinal?
HUMBERTO DE CAMPOS - Simples, caro Carlos. Um certo mineiro, Chico Xavier, passou a virar meu bajulador, sendo um grande parasita a se aproveitar do meu nome e do meu prestígio.
CARLOS CHAGAS - Sim. Conheço esse Chico. Ouvi falar que esse tal André Luiz tem relação com o nome de um falecido irmão dele.
HUMBERTO DE CAMPOS - Isso. O que ocorreu foi o seguinte. Fui eu, ainda nos meus anos terrestres, resenhar meio com desconfiança um livro chamado Parnaso de Além-Túmulo, que o tal Chico lançou supostamente de mensagens espirituais de poetas falecidos, e eis que, depois de meu falecimento, o Chico passou a aprontar em torno de minha figura.
CARLOS CHAGAS - Que coisa grave!
HUMBERTO DE CAMPOS - E é grave mesmo, Carlos! Veja só! De repente veio um livro tolo, com narrativa um tanto infantilizada, chamado Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, e Chico jogou a obra para minha autoria. Eu não seria capaz de escrever um livro desses!!
CARLOS CHAGAS - Isso é uma coisa séria. E nós não temos mais controle sobre nossas vidas, e, de vez em quando, vem gente inventar qualquer coisa que nós não fizemos nem teríamos coragem de fazer.
HUMBERTO DE CAMPOS - Pois é. Pois o lamentável documento causou a maior confusão entre meus entes queridos, que deixei ainda prematuro, aos 48 anos, ainda na metade de minha missão de ativo colaborador de nossa cultura. Esse Chico foi para os tribunais, porque minha esposa e dois de meus filhos desconfiaram do conteúdo e do teor do livro em questão.
CARLOS CHAGAS - Sei desse episódio. Isso deu a maior confusão, mas o juiz não entendeu a coisa, e como estava alheio a esse negócio de obras de espíritos do além, ele deu como improcedente a questão, dando num empate.
HUMBERTO DE CAMPOS - Sim, empate! Juridicamente falando! Mas a vitória acabou sendo de Chico Xavier e seus tutores de uma tal de FEB, e desde então Chico não parou de pegar no meu pé!!
CARLOS CHAGAS - Não foi aí que Chico e o pessoal dessa FEB decidiram mudar o nome do "seu" Humberto de Campos para Irmão X?
HUMBERTO DE CAMPOS - Foi, sim, e isso foi uma piada de muito mau gosto!! Eu havia escrito textos com o codinome Conselheiro XX. Eu senti que Chico estava gozando da minha cara. E aí passou a fazer coisas horríveis usando o meu nome ou me colocando o tal nome de "Irmão X".
CARLOS CHAGAS (rindo) - Você pode apostar que só não colocaram Irmão XX porque iria fazer trocadilho com uma gíria infantil chamada "xixi", porque aí pegaria muito mal, não é mesmo?
HUMBERTO DE CAMPOS - Só faltava isso. E Chico me usou até para fazer acusações levianas a respeito de uma tragédia de um circo, em Niterói, muitos anos depois de meu falecimento, e botou sob minha responsabilidade a calúnia de dizer que os pobrezinhos, mortos num ambiente que deveria ser de alegria, teriam sido cidadãos romanos sanguinários!!
CARLOS CHAGAS - Isso é muito ruim para as famílias que perdem seus entes queridos, e são obrigadas a aceitar que as vítimas são as culpadas. É um absurdo essa tal doutrina que criaram, esse Chico que me chama de André Luiz e que atua ao lado de um tal de Waldo, que criou uma religião esotérica e delirante que ele pensa ser ciência.
HUMBERTO DE CAMPOS - Waldo... Waldo... Ah, sim, o Waldo Vieira. Um desses sujeitos que depois têm um surto e criam seitas místicas ao seu bel prazer. Dizem que tudo que se diz de André Luiz saiu da mente do Waldo.
CARLOS CHAGAS - Foi, mas em parceria com Chico, que aceitou a brincadeira.
HUMBERTO DE CAMPOS - A triste lição disso tudo é que às vezes não conseguimos zelar pelas imagens de nós mesmos depois que falecemos.
CARLOS CHAGAS - Não, mesmo. E eles ainda usam o pretexto de superioridade espiritual para fazer o que bem entenderem de nós.
HUMBERTO DE CAMPOS - Sou muito mais conhecido por essas obras fantasmagóricas mesquinhas, registradas levianamente em meu nome, do que pelo que eu produzi enquanto eu passava os meus dias no solo terrestre.
CARLOS CHAGAS - E eu, então? Fora a doença que descobri, o "mal de Chagas", que é o que meus colegas denominaram minhas descobertas, não obtive mais reconhecimento, eu que lutei muito pela saúde pública e pelo combate às doenças que eliminam tantos pobres desprevenidos, abreviando sem necessidade seus já poucos anos de missão na Terra.
HUMBERTO DE CAMPOS - Enquanto isso, os que usam nossos nomes de maneira fútil se esbanjam em desavergonhadas, porém não assumidas, presunções, se achando íntimos de pessoas falecidas que no fundo eles nem conhecem direito, mas somente na forma superficial de leigos que se informam sobre os históricos dos famosos.
CARLOS CHAGAS - E eles ainda ficam com os louros, com a palavra final e, acima de tudo, com a adesão de fanáticos aos quais o menor questionamento lhes tira a paz de espírito, voltando-se com rancor e violentas ironias contra seus contestadores.
HUMBERTO DE CAMPOS - E são essas pessoas que juram que são completamente tomadas da mais pura energia de amor, mas que reagem às adversidades feito bestas-feras. Pasmemos nós dois, diante de tantos absurdos.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O mundo espiritual é um mistério para os olhos da Terra
PARECE COMERCIAL DE SABÃO EM PÓ, MAS É CENA DO FILME NOSSO LAR - Pessoas vestindo pijamas branquinhos, de tão limpinhos...
Mais um palpite vindo das mentes pedantes dos líderes do "espiritismo" brasileiro. Eles tentam definir o mundo espiritual como um campo florido, ou, às vezes, com um chão de nuvens, com pessoas que andam feito pessoas teleguiadas, mas portam boa aparência e vestem pijamas limpinhos de tão brancos.
Parece comercial de sabão em pó. Pessoas se reúnem, com roupas brancas, com uma paisagem de natureza e um céu azul, recebendo um infeliz que veste também um pijama branco, com um ar paternal e gentil.
Na novela A Viagem, exibida na Rede Globo há 20 anos - e que o canal Viva desistiu de reprisar - , o "mundo espiritual" era um grande gramado que mais parece um campo de golfe, onde havia até crianças (?!) brincando de roda, enquanto também tinha gente com seus pijamas branquinhos.
Mas o filme Nosso Lar, que, tal qual o livro que o inspirou, o "espiritismo" brasileiro anuncia como "retrato verídico da vida espiritual de um sofredor", no caso o fictício André Luiz, há a imagem mais típica da "idealização" dos espiritólicos do mundo espiritual.
Nele há todo um aspecto de ficção científica dos anos 1940, já que Nosso Lar é uma obra de 1944: concha acústica onde se realizava um concerto de música clássica, colônias espirituais com arquitetura moderna da época, e até mesmo um ônibus, chamado "Aeróbus", que parecia muito com os trolebus de então.
Só que o mundo espiritual ainda é um grande mistério, não porque nos é realmente desconhecido, mas é porque ele se oculta nas limitadas percepções de nossa vida material. E não adianta dar palpites se a ciência não obteve os avanços necessários para sabermos o mundo espiritual pelos olhos terrenos.
O que podemos inferir é que o mundo espiritual é apenas uma extensão de nossa consciência. Mas, mesmo assim, isso se torna tão vago quanto um sonho que temos quando dormimos, que é um contato momentâneo com o mundo espiritual.
Todavia, não existem essas coisas de um céu com pessoas de pijamas, ou de cavernas trevosas com zumbis se arrastando pelo chão. O mundo espiritual ainda é um enigma, que a tecnologia da TCI (Trans-Comunicação Instrumental) só está começando a desvendar, e mesmo assim com alguns espiritólicos atrapalhando os estudos e a divulgação dessa novidade.
Por isso, prefere-se definir o incerto como algo que não está comprovado. Nada de palpites surreais, nada de imaginações férteis supondo coisas magníficas. Se querem fazer ficção científica, estejam à vontade, podem fazer o que imaginarem, mas definir seus delírios como "retratos fiéis" do mundo espiritual não pode. Até porque futuras descobertas podem decepcioná-los.
Mais um palpite vindo das mentes pedantes dos líderes do "espiritismo" brasileiro. Eles tentam definir o mundo espiritual como um campo florido, ou, às vezes, com um chão de nuvens, com pessoas que andam feito pessoas teleguiadas, mas portam boa aparência e vestem pijamas limpinhos de tão brancos.
Parece comercial de sabão em pó. Pessoas se reúnem, com roupas brancas, com uma paisagem de natureza e um céu azul, recebendo um infeliz que veste também um pijama branco, com um ar paternal e gentil.
Na novela A Viagem, exibida na Rede Globo há 20 anos - e que o canal Viva desistiu de reprisar - , o "mundo espiritual" era um grande gramado que mais parece um campo de golfe, onde havia até crianças (?!) brincando de roda, enquanto também tinha gente com seus pijamas branquinhos.
Mas o filme Nosso Lar, que, tal qual o livro que o inspirou, o "espiritismo" brasileiro anuncia como "retrato verídico da vida espiritual de um sofredor", no caso o fictício André Luiz, há a imagem mais típica da "idealização" dos espiritólicos do mundo espiritual.
Nele há todo um aspecto de ficção científica dos anos 1940, já que Nosso Lar é uma obra de 1944: concha acústica onde se realizava um concerto de música clássica, colônias espirituais com arquitetura moderna da época, e até mesmo um ônibus, chamado "Aeróbus", que parecia muito com os trolebus de então.
Só que o mundo espiritual ainda é um grande mistério, não porque nos é realmente desconhecido, mas é porque ele se oculta nas limitadas percepções de nossa vida material. E não adianta dar palpites se a ciência não obteve os avanços necessários para sabermos o mundo espiritual pelos olhos terrenos.
O que podemos inferir é que o mundo espiritual é apenas uma extensão de nossa consciência. Mas, mesmo assim, isso se torna tão vago quanto um sonho que temos quando dormimos, que é um contato momentâneo com o mundo espiritual.
Todavia, não existem essas coisas de um céu com pessoas de pijamas, ou de cavernas trevosas com zumbis se arrastando pelo chão. O mundo espiritual ainda é um enigma, que a tecnologia da TCI (Trans-Comunicação Instrumental) só está começando a desvendar, e mesmo assim com alguns espiritólicos atrapalhando os estudos e a divulgação dessa novidade.
Por isso, prefere-se definir o incerto como algo que não está comprovado. Nada de palpites surreais, nada de imaginações férteis supondo coisas magníficas. Se querem fazer ficção científica, estejam à vontade, podem fazer o que imaginarem, mas definir seus delírios como "retratos fiéis" do mundo espiritual não pode. Até porque futuras descobertas podem decepcioná-los.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Não existe data marcada para a evolução da humanidade
Dotado de um pedantismo falsamente profético, o Espiritolicismo tem o cacoete de estabelecer datas prévias para a evolução da humanidade, da transformação do mundo em um estágio de maior progresso moral e social.
Isso vem tanto de parte de Chico Xavier quanto de Divaldo Franco ou algum outro oportunista que surgir com alguma datinha na cabeça. Divaldo Franco, por exemplo, estabeleceu o ano de 2052 para a suposta entrada de uma fase de regeneração, que os espiritólicos entendem como um estágio de quase perfeição.
Em primeiro lugar, não se marca data para a evolução da humanidade. Há progressos ou retrocessos independente de anos, décadas, séculos ou eras. O livre arbítrio das pessoas é que define se ocorre um progresso ou não, se é capaz de dar fim a uma era ou iniciar outra ou simplesmente de fazer melhorar ou piorar as coisas. Tudo depende das pessoas e seus atos.
Em segundo lugar, a sociedade é tão complexa que não há previsão de que haverá algum estágio de progresso humano. Há impasses, conflitos de interesses, tensões diversas e, de repente, um fato novo pode causar novas tensões. Tudo é imprevisível, diante do decorrer das coisas, das novidades, dos interesses diversos, dos benefícios de uns e prejuízos de outros.
O que pode haver é a união de pessoas para mobilizar para derrubar ou não contextos de ordem social, político e cultural nocivos. Mas isso é uma questão de vontades, interesses, coragens ou covardias, medos ou raivas, cautelas ou imprudências, de uniões ou dissoluções, de prepotências ou impotências, dos agentes sociais envolvidos.
Tudo é uma questão de ordem coletiva, da união de diversos livres arbítrios em prol de alguma causa. Mas tudo é complexo e imprevisível, que soa arriscado apostar em uma data prévia, em alguma informação segura sobre quando atingiremos algum estágio evolutivo.
Portanto, o Espiritolicismo, esse "espiritismo" brasileiro cheio de vícios e erros graves, cometeu mais um equívoco, na ânsia sensacionalista de querer impressionar as pessoas. Maus profetas, os espiritólicos usam a boa-fé das pessoas para fazerem falsas previsões, através de todo um discurso hábil feito para seduzir facilmente as plateias incautas.
Concluindo. Não acredite nessas bobagens. Vamos trabalhar, superar nossos egoísmos, lutar contra injustiças sociais, perceber os problemas dos outros em volta e lutarmos para uma sociedade mais justa e equilibrada. Sem nos preocuparmos com datas marcadas. Se depender da nossa vontade e de nossas condições, o progresso da humanidade pode ser agora mesmo. É só querer.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Reencarnação de animais ainda é um mistério
Animais reencarnam? Já fomos bichos um dia? Um ser humano pode reencarnar como um animal? Embora tenhamos algumas certezas a respeito, pelo menos no fato de que seres humanos não podem reencarnar como animais irracionais, a questão que envolve espiritualidade e mundo animal é ainda um grande enigma.
Infelizmente, desde os primeiros delírios de Jean-Baptiste Roustaing no livro Os Quatro Evangelhos, obra francesa que inspirou as diretrizes do "espiritismo" brasileiro, que tentou afirmar que os humanos poderiam reencarnar como animais, o Espiritolicismo sempre tentou dar um palpite naquilo que nada temos, sequer em hipóteses prováveis.
Tudo é mistério. Não sabemos sequer como funciona exatamente a inteligência dos animais. Se mesmo o cérebro humano guarda mistérios profundos, quanto mais a questão dos animais. O que existe são apenas teses de cunho biológico e psicológico que foram cientificamente comprovadas, como a emotividade de animais e seus instintos de atenção e cautela.
Allan Kardec apenas se limitou a dizer que os animais reencarnam imediatamente. Mas ele mesmo sabia que ainda tinha muita coisa a pesquisar, e mesmo as teses de Charles Darwin só viriam à luz muito depois e, mesmo assim, com muitos pontos ainda discutíveis.
No entanto, o resto ainda é um mistério. Aliás, pouco sabemos do que pensam os animais. A ciência ainda encontra uma série de questões delicadas. Os espiritólicos é que, pedantes, tentam dar como certo o incerto e tentam dar palpite naquilo que não sabem direito.
Por isso, o que podemos dizer é que o mundo animal ainda é desconhecido. Até que ponto animais podem pensar ou se comunicar, é algo que necessitaria de séculos de análises, testes e hipóteses. A cîência é muito mais complexa do que imaginam os "sabichões" do "espiritismo" brasileiro. Muito, muito mais complexa.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Espiritolicismo: uma Cientologia "caipira"?
O "espiritismo" brasileiro tem muito a ver com a Cientologia, embora ambas sejam doutrinas diferentes e independentes entre si. Isso porque as duas compartilham de muitos conceitos, métodos e pretensões, principalmente na intenção de camuflar um misticismo moralista e austero com simulacros de racionalidade científica.
Em um momento ou em outro, as duas doutrinas se encontram. Principalmente quando é para fazer propaganda de palestras ou eventos mostrando ilustrações com a galáxia no fundo, planetinhas, cabecinhas e corpos humanos sugerindo seminários "racionais" com abordagens "científicas" dos temas propostos.
É evidente que a Cientologia é ainda menos sutil que o "espiritismo" brasileiro, vide vários documentários que denunciam os abusos e crueldades nos bastidores da seita, fundada pelo antigo físico Lafayette Ronald Hubbard, conhecido como L. Ron Hubbard (1911-1986).
A Cientologia foi criada em 1952, em Nova Jersey (EUA), mesmo ano em que Divaldo Pereira Franco inicia suas atividades no Espiritolicismo, com a criação da Mansão do Caminho, na Cidade Baixa em Salvador.
Ambas as doutrinas acreditam na reencarnação, dentro de seus respectivos dogmas místicos. Ambas enfatizam fenômenos sobrenaturais. Em tese, diferem no fato da Cientologia cobrar taxas exorbitantes e o "espiritismo" brasileiro, não. Mas já existem casos dos ditos centros espíritas que mantém até carnês para associados darem suas "doações" mensalmente.
A própria Cientologia se define como "conhecimento no sentido pleno da palavra", algo que o "nosso espiritismo" também faz, principalmente nos seminários que falam de "autoconhecimento", que arrecadam muito dinheiro destinado supostamente a fins "filantrópicos".
O Espiritolicismo só não é tão sofisticado nas instalações nem na roupagem de seita que a Cientologia apresenta, com suas construções peculiares, com seus métodos e suas organizações rigidamente estruturadas. Neste sentido, o "espiritismo" brasileiro parece mais "modesto", uma Cientologia "caipira".
Um dado a destacar é que uma dissidência do Espiritolicismo, adotada por Waldo Vieira, ex-parceiro de Chico Xavier na produção de livros da FEB, é a que mais se aproxima da Cientologia, embora se autoproclame uma "ciência" que "estuda" a consciência conforme diversas abordagens "científicas" nas "mais diversas áreas do conhecimento".
Fica para outra oportunidade analisar as semelhanças e diferenças da Conscienciologia e Cientologia, mas adiantamos que, embora a Conscienciologia pretenda ser "mais científica" que a doutrina de Ron Hubbard, ela deixa transparecer a perspectiva mística em torno da suposta abordagem científica e filosófica da doutrina de Waldo.
Sabe-se que a Cientologia tem como principais adeptos Tom Cruise, John Travolta e Jennifer Lopez. No Espiritolicismo, as celebridades brasileiras que se destacam são a atriz Ana Rosa, o ator Carlos Vereza, a dançarina Scheila Carvalho, entre outros.
As estranhezas em torno da Cientologia já estão sendo desvendadas, embora seus adeptos tentem usar até a Justiça para evitar o êxito de seus críticos e lesados. Já o Espiritolicismo, se não tem a estrutura engenhosa da Cientologia, pelo menos mantém a sutileza de mascarar seus defeitos e irregularidades e, infelizmente, ainda atrai muitos adeptos com seu moralismo místico e pseudo-cientista.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Moisés seguiu sua travessia em maré baixa, não em mar "rasgado"
É a mesma embriaguez. A embriaguez do álcool, dos ébrios que em suas alucinações, veem a imagem de um poste se movendo. Ou a embriaguez da fé cega, em que seus adeptos, com seus delírios, acham que o mar havia se partido na famosa travessia de Moisés e o povo judeu.
Seria um absurdo, de acordo com os princípios da ciência, que o mar se partisse dessa forma narrada pelas Bíblias medievais, ou mesmo em traduções "evangélicas" que pouco romperam dos aspectos surreais do "catolicismo apostólico romano".
Não havia sequer técnicas de efeitos especiais - mesmo as usadas em Hollywood no filme Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments), de 1956, com o armamentista Charlton Heston no papel de Moisés, eram mais toscas - e nem mesmo Photoshop ou editores de vídeo para fazer o mar se "rasgar" como se pudesse ser cortado por uma tesoura.
O que realmente houve nada tem a ver com o que as estúpidas traduções medievais da Bíblia, que desnortearam traduções posteriores, fazendo o histórico documento da Antiguidade (cujos originais se perderam), mais parecer conversa de pescador, fazendo jus ao ditado popular "quem conta um conto, aumenta um ponto".
A verdade é que Moisés sabia dos movimentos do Mar Vermelho e ele, perseguido pelas tropas do faraó Ramsés, aproveitou o momento de maré baixa para atravessar o mar. O chão não estava sequinho como as traduções bíblicas medievais quiseram nos fazer crer em uma interpretação surreal, mas a maré estava baixa o suficiente para as pessoas caminharem pelas águas.
Infelizmente, o catolicismo medieval insistiu em visões surreais e fabulosas, vindas de épocas bem mais rudimentares e primitivas do que hoje. Tão primitivas que o hebraico e o aramaico não eram idiomas de rico vocabulário, daí as traduções bíblicas que variavam de um palavreado mal traduzido a distorções propositais.
Com isso, as pessoas acabaram ficando confusas e o fanatismo religioso beira à intolerância na crença cega de situações fantásticas e mágicas que, na verdade, nunca haviam acontecido e nem eram para acontecer, porque isso iria contra as leis de Deus do procedimento lógico das coisas.
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