domingo, 19 de janeiro de 2014

"Espiritismo" brasileiro exagera na valorização da família

 
Uma caraterística típica do Espiritolicismo, o dito "espiritismo" que existe no Brasil, é o valor exagerado que a doutrina dá em relação à instituição família, vista de uma maneira que beira ao moralismo mais materialista.

É nesta abordagem que o Espiritolicismo mostra suas fortes influências católicas, principalmente ligadas à hierarquia familiar e sobretudo à mitificação dos entes queridos que morrem de repente, principalmente os mais jovens. O Espiritolicismo adora explorar o mito dos "pais que são órfãos de seus filhos".

A maioria das palestras, seminários e artigos ditos "espíritas" segue esse tema, mesmo aqueles feitos sob o pretexto da "ciência", apesar de pregarem tão meramente o moralismo religioso temperado apenas com argumentos pseudo-psicológicos.

O que o "espiritismo" brasileiro se esquece é que a família é um grupo social provisório, material, é uma escola em que os espíritos da Terra encaram para resolver boa parte de seus conflitos pessoais ou para reforçar laços de afeição e amizade.

No entanto, não se deve ver a família como uma instituição fixa, pétrea, como o Espiritolicismo tenta nos fazer crer. Seus ideólogos chegam a falar em "almas gêmeas" ou "famílias espirituais", como se quisessem procurar equivalentes, no além-túmulo, a irmãos gêmeos ou a status parentais como "tios", "tias", "avós", "avós", "filhos" e até "enteados" e "empregadas domésticas".

Isso é uma visão materialista, que vai contra os ensinamentos de Allan Kardec e mesmo de Jesus que, certa vez, quando palestrava para um grupo de pessoas, perguntou, metaforicamente: "Quem são meus pais? Quem são meus irmãos?".

Não que não devamos desgostar de nossos pais, mães, tios etc. Não que não devamos ter uma relação de afeição e amizade permanente com eles. O que se quer esclarecer é que as condições de parentesco são terrenas, e a hierarquização a elas atribuídas é transitória e variante com o tempo e com o tipo de sociedade.

Isso o Espiritolicismo diz admitir, mas na prática nega. Ele prega um moralismo que transforma famílias em grupos sociais rigidamente fixados, dentro de relações hierárquicas austeras, em que até filhos adultos devem se comportar como criancinhas obedientes para seus pais, a não ser que esses filhos adultos já sejam, da parte deles, pais de outras crianças ou jovens.

Além do mais, a própria pieguice do apego à instituição familiar, a comoção mórbida e por vezes hipócrita das tragédias familiares - sobretudo pela glamourização das mortes precoces junto à "demonização" das vidas passadas que transformam vítimas em "culpadas" e culpados em "inocentes" - só prejudica a real compreensão desta instituição.

As famílias são apenas instituições provisórias. As afeições e amizades continuam, e os conflitos também continuam, neste caso até serem resolvidos e se converterem em outras afeições e amizades. Mas as relações variam e nada impede que o pai de alguém seja, numa vida posterior, o  filho deste mesmo alguém.

Irmãos podem reencarnar como gente sem qualquer parentesco. Estranhos podem virar parentes. Um irmão e uma irmã podem reencarnar como marido e mulher. Uma tia pode reencarnar como um tio de alguém. É muito, muito variável, para que os "espíritas" acreditem confortavelmente na supremacia da família dentro de dogmas religiosos rígidos.

O melhor é que não nos preocupemos muito com os conflitos familiares, mas sim com os conflitos humanos em geral. O moralismo religioso não resolve as tensões familiares, antes fosse apenas um sustentáculo para manter ou recuperar as relações hierárquicas.

Além disso, as pessoas vivem muito acima de suas estruturas familiares. A família é apenas uma instituição como tantas na sociedade. Não é o núcleo central da humanidade, é apenas um meio social que representa o aprendizado seguro ou inseguro (no caso das falhas de caráter) das pessoas no conhecimento do meio em que vive.

Nos encontros e desencontros da vida, nem sempre somos filhos que obedecem e pais que mandam. E as pessoas que vivem solteiras? E os adultos que precisam aprender mais que as crianças? E os espíritos jovens que são mais experientes que outros mais velhos?

Essas questões têm muito mais a ver com a existência humana em geral do que com a família que o "espiritismo" vê como uma instituição fixa e quase invariável, dotada de hierarquia e toda sua mistificação dogmática.

sábado, 18 de janeiro de 2014

José Medrado divulga "espiritismo" em rádio surgida em esquema de corrupção

MÁRIO KERTÈSZ, O "PAULO MALUF" BAIANO (E), E O MÉDIUM-ESTRELA ESPIRITÓLICO, O BAIANO JOSÉ MEDRADO.

O que é ser evoluído? É propagar suas mensagens simpáticas e carinhosas até mesmo em espaços de credibilidade bastante duvidosa? E justo abrir mão de princípios em nome da visibilidade? Ou será que os ideais a serem propagados não são tão bons assim e faz sentido eles encontrarem espaço em canais pouquíssimo confiáveis de divulgação?

Quem acompanha este blogue sabe que o "espiritismo" brasileiro está há pelo menos 130 anos - data da fundação da FEB - entregue a todo um rol de deturpações e erros gravíssimos. São tantos erros que não deveríamos sequer usar as "palavras de amor" como atenuantes a essa vergonhosa bagunça montada pelos "jesuítas do espaço".

Um caso de que o "espiritismo à brasileira" não mede escrúpulos para se propagar é o fato de um médium-estrela, o baiano José Medrado, fundador da Cidade da Luz e ligado ao espírito do frei jesuíta Carlos Murion, mentor desse templo espiritólico, se servir de uma emissora de rádio de origem muito suspeita para propagar sua doutrina.

Seu programa é irradiado na Rádio Metrópole, do engenheiro e ex-prefeito de Salvador Mário Kertèsz, considerado um dos "coronéis" do rádio baiano, que se aproveita do suposto rompimento com o grupo político de Antônio Carlos Magalhães para tentar dominar as forças progressistas que atuam na capital baiana.

A Rádio Metrópole tem origem suspeita, cuja origem se remete a um escandaloso esquema de corrupção montado por Kertèsz na segunda gestão municipal em Salvador. Sabe-se que Kertèsz foi um político "nascido" na ARENA, apadrinhado por ACM e cuja primeira gestão foi como prefeito biônico (nomeado pela ditadura militar) da capital baiana.

Kertèsz tem o mesmo estilo falsamente desenvolvimentista lançado pela ditadura e que no plano nacional, é comparável ao paulista Paulo Maluf, até por sua sede de corrupção e visibilidade política. Maluf também havia sido criado pela ARENA e iniciado sua carreira como prefeito biônico e tanto este como Kertèsz se igualam em desonestidade, tendenciosismo e ambição.

Como homem de mídia, Kertész pode também ser comparado, com segurança, ao ex-premiê italiano Sílvio Berlusconi, pela corrupção, pela personalidade falsamente sofisticada e pseudo-galanteadora. Kertèsz pode ser chamado, portanto, de "Sílvio Berlusconi com dendê".

A Rádio Metrópole havia sido uma repetidora da extinta emissora carioca Rádio Cidade, quando Kertész decidiu, ao lado de Roberto Pinho (recentemente envolvido no esquema de mensalão de Marcos Valério), desviar um grande valor de verbas públicas, do Fundo de Participação dos Municípios, que seria para obras de urbanização de Salvador, no final dos anos 80.

Através de empresas "fantasmas", Kertèsz e Pinho transferiram todo o dinheiro para seus patrimônios pessoais. Da parte de Kertèsz, uma parte do dinheiro público roubado foi usada para comprar ações nas emissoras Rádio Clube de Salvador AM, Rádio Cidade FM, Rádio Itaparica FM e TV Bandeirantes de Salvador.

Além disso, em 1990, Kertèsz, que havia reconciliado com Antônio Carlos Magalhães, foi nomeado interventor do Jornal da Bahia, importante periódico progressista de Salvador. Kertèsz deu o golpe mortal ao jornal, transformando-o num tabloide popularesco da pior qualidade.

Estranhamente, os livros dos dois fundadores do Jornal da Bahia, João Carlos Teixeira Gomes e João Falcão, respectivamente Memórias das Trevas e Não Deixe Esta Chama Se Apagar, não denunciaram essa participação decisiva de Kertèsz na destruição do JBa, talvez por algum acordo secreto de poupar o nome dele em troca da visibilidade dos dois autores.

Kertèsz virou o típico "barão da mídia" não assumido. Ele quer ser o dono da opinião pública e quer controlar o pensamento de esquerda e as forças progressistas existentes na Bahia, através de seu radialismo tendencioso, pseudo-jornalístico e irresponsável.

Mário Kertèsz é uma versão "tabaréu" ("matuto") do que Bóris Casoy tem de pior - pense nos comentários do paulista sobre os garis, por exemplo - , mas quer parecer um suposto Mino Carta baiano (Mino é um jornalista progressista que dirige a Carta Capital).

A Rádio Metrópole, portanto, surgiu de uma roubalheira. Foi construída com dinheiro público, diante de uma Salvador com obras paralisadas. Uma corrupção sem tamanho, que Kertèsz tentou a todo custo ocultar, criando na rádio uma reputação de "honestidade", "democracia" e "diversidade ideológica" que na realidade nunca existiu nem irá existir.

Daí que faz sentido haver um programa espiritólico, diante das fraudes cometidas pelo "setor baiano", no caso através da figura "arrojada" de José Medrado que costuma desperdiçar suas palestras com piadinhas sobre louras e citações do portal Kibe Loco. E que ainda bota um Chicletão com o picareta Bell Marques no toca-CD para animar a plateia "espiritualizada".

Vá entender...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Para criticar o Espiritolicismo, os outros exigem "base teórica". E no próprio Espiritolicismo?


Quando se debatem os erros do Espiritolicismo - o dito "espiritismo" brasileiro ditado pela FEB e pelos espíritos jesuítas - , de repente surgem pessoas pretensamente "racionais" que reclamam da "falta de embasamento teórico" de tais críticas.

Na tentativa de parecerem "sábios", querendo soar filosóficos, essas pessoas simulam uma "busca à verdade", tentando desafiar a credibilidade das críticas livres daqueles que identificam erros e equívocos desta forma distorcida da Doutrina Espírita, em que o professor Allan Kardec não passa de um boneco de bajulação gratuita e alvo de inverdades e mitos surreais.

Se você escreve, por exemplo, um texto relacionando um episódio de desenho animado com lições kardecianas, você está "faltando com as bases científicas". Imagine você usar o desenho do Gasparzinho (Casper The Friendly Ghost) para falar sobre os protetores espirituais. Se "não tiver base científica", não presta.

Nas mídias sociais, é o que se faz quando se critica, por exemplo, os deslizes cometidos pelo médium-estrela Chico Xavier. Se você escreve algum deslize sobre ele tal como um blogueiro que diz que a Rede Globo manipula a opinião pública, você está "faltando" com algum embasamento teórico.

"Me prove por A mais B que Chico Xavier não psicografou metade dos livros de sua autoria e me arrume documentos que confirmem que Emmanuel foi um mau-caráter", é o que costumam dizer tais pessoas, que estufam os peitos na mais pedante postura de pseudo-sábios.

É o que costumamos fazer. Quem critica o Espiritolicismo arruma alguma prova, alguma base teórica. Só que não da forma "científica", no sentido da retórica cientificista, da verborragia acadêmica, do desfile de referências bibliográficas e do discurso asséptico típicos das obras que são científicas na forma, mas nada têm de científicas no conteúdo.

Essas pessoas que cobram "embasamento" é que se sentem incomodadas quando algum contestador do Espiritolicismo desqualifica Chico Xavier, Bezerra de Menezes, Divaldo Pereira Franco e, por isso, usam a desculpa da "falta de base teórica" para neutralizar as críticas.

Ora, se "desmoralizamos" Chico, Bezerra e Divaldo, é porque apontamos seus erros e damos alguma explicação possível para eles, sem que sejamos obrigados a criar um discurso acadêmico, prolixo e lotado de referências bibliográficas, até por muitos de nós não terem o tempo disponível de pesquisar uns dez ou vinte livros para "justificar com categoria" as nossas teses.

E AS OBRAS "ESPÍRITAS"? QUEM COBRA "BASES TEÓRICAS"?

É muito engraçado que tais pessoas não fazem o mesmo com as chamadas "obras espíritas", e aqueles que cobram dos anti-espiritólicos a base teórica, de preferência aprofundada e engenhosa, para legitimar as teses por estes apresentadas, não fazem qualquer tipo de cobrança do lado das obras espiritólicas.

Por exemplo. O livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que Chico Xavier teria escrito usando o nome do pouco antes falecido Humberto de Campos, tem um conteúdo que não difere muito dos livros didáticos mais patéticos, com narrativa infantilesca demais para ser atribuída realmente ao notável escritor, e sem acrescentar revelação alguma às interpretações equivocadas e ridículas da História do Brasil.

Quem é que surge, dos "sábios conhecedores do Espiritismo", para cobrar qualquer tipo de base teórica a um livro desses? Que revelação poderia trazer, além de uma visão aristocrática do processo histórico brasileiro?

O que esse livro acrescenta às tão precárias interpretações históricas, justamente nos primeiros tempos da História das Mentalidades de Marc Bloch, a "história dos anônimos", em que os agentes sociais não são políticos, militares e famosos, mas pessoas anônimas, sociedades e mesmo hábitos sócio-culturais?

Nada. Nenhuma questão é lançada. Pelo contrário, tais pessoas, tão orgulhosas em quererem cobrar "fundamento teórico" dos outros, se contentam em acreditar que a única revelação que livros como Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, traz para nós são as "grandiosas lições de amor e caridade" contidas em suas páginas.

Coisa mais ridícula que isso não há!! E elas vão muito contra a simplicidade de Allan Kardec, que exigia fundamento teórico e base científica, sim, mas no conteúdo e não na forma. É uma simples questão de lógica e não de embelezamento de palavras.

Você pode escrever uma tese anti-espiritólica como quem escreve um texto em um fanzine, quase como um misto de carta para os amigos com redação escolar. Mas se seu conteúdo tiver a honestidade do raciocínio lógico, que não é traída pela "modesta" organização das palavras, ele vale muito mais do que teses rebuscadas e ornamentadas que nada conseguem dizer.

O raciocínio lógico não se manifesta necessariamente pela engenhosa retórica do discurso científico. E, numa época em que uma bobagem como o "funk" é defendida por "sofisticadas" monografias, documentários e reportagens, há que se convir que nem sempre a forma "científica" de discurso revela um conteúdo realmente científico.

Ciência é a busca da verdade, através do raciocínio, da pesquisa e da experimentação de ações. O "espiritismo" brasileiro nada tem de realmente científico, porque "ciência" é apenas a desculpa para legitimar crenças absurdas e fantasiosas que há muito contaminam essa doutrina.

É justamente no "espiritismo" da FEB, sobretudo nas obras de Chico Xavier, que carecem de base científica e fundamento teórico. Há coisas que se dizem num livro e são desmentidas em outro, há detalhes surreais, há fantasias delirantes e outros absurdos. Portanto, seus adeptos não podem nos cobrar um embasamento se ele está ausente justamente na "maravilhosa" doutrina que acreditam.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Músicas espiritualistas: supérfluo e futilidades


A chamada "música espírita" é uma forma de entretenimento espiritualista que não é ruim em si, mas é dotada de muito caráter supérfluo além de inspirar uma série de avaliações fúteis sobre o que é uma música com "mensagem espiritualista".

Em primeiro lugar, deve-se afirmar que as "músicas espíritas", ou mesmo a execução de números musicais em centros espíritas, são apenas eventos inócuos, que, do contrário que muitos imaginam, de nada contribuem para a elevação de energias psicológicas nesses lugares.

As músicas não atraem necessariamente espíritos superiores, mas apenas espíritos que gostam de determinadas músicas, independente de que caráter sejam. E uma série de equívocos ou mesmo trivialidades comprovam que as "músicas espíritas" nem de longe atraem os espíritos superiores.

Primeiro, pelo próprio caráter de centros espíritas, controlados por pessoas imperfeitas, e que já sofrem as influências corrompidas que vemos no "espiritismo" brasileiro. As execuções musicais são, em si, a parte mais inofensiva dos eventos "espíritas", que não melhoram nem pioram as energias existentes nesses lugares.

Segundo, é quando existem as tais "músicas psicografadas", com todo seu caráter panfletário e monotemático ligado à "vida eterna" e ao "amor e caridade", e que não raro destoam dos estilos pessoais dos espíritos a que se atribui a autoria. Aí não há "palavra de amor" que sustente tamanha fraude.

Terceiro, é a falta de critério nas escolhas de canções comuns, independente do conteúdo religioso, usadas com supostas mensagens "espíritas", podendo ser uma boa MPB de delicioso lirismo poético, mas podendo ser um brega piegas de mensagens "positivas", como "Um Dia de Domingo", de Michael Sullivan e Paulo Massadas.

Na Cidade da Luz, principal templo espiritólico em Salvador (Bahia), o médium-estrela José Medrado chegou a pedir que toquem um sucesso do grupo Chiclete Com Banana, que não é lá dos nomes mais espiritualistas de nossa música.  E cujo futuro ex-vocalista, Bell Marques (que sairá do grupo no próximo Carnaval) andou envolvido em diversas encrencas nos últimos anos.

No meio do caminho, vale até mesmo letras de Jota Quest, que não é muito apreciado pelo conteúdo das letras de suas músicas, consideradas até mesmo fracas. Mas expressões como "amor maior que eu" e "aonde tenha Sol, é pra lá que eu vou" se encaixam nos clichês das "mensagens espirituais".

Há vários intérpretes "espíritas", cujo perfil não difere muito dos cantores e conjuntos católicos, embora com a "flexibilidade" que os aproxima dos ídolos evangélicos. Mas a qualidade musical não está necessariamente nas mensagens de amor, até porque de mensageiros amorosos os "umbrais" (só para citar um jargão espiritólico) estão há muito superlotados.

É muito complicado estabelecer que música faz bem ou mal ao espírito. O julgamento de que músicas orquestradas, lentas ou de mensagens românticas ou espiritualistas representa necessariamente qualidade musical é bastante discutível, mesmo adotando critérios técnicos e caprichando nas teorias sobre o que é uma "boa música".

Vide o caso de nomes como Whitney Houston, Michael Bolton e Celine Dion, com todos os clichês de emotividade e romantismo a que estão (ou estiveram, no caso de Whitney, já no mundo espiritual) ligados, e que chegam a irritar boa parte da sociedade por causa desses mesmos elementos de "emoção" e "letras de amor" cantados aos berros.

Esse julgamento é tão inválido quanto vestir roupa de gala num dia de praia. Nem sempre aqueles valores pré-estabelecidos de elegância, espiritualidade, romantismo, pompa e outros critérios de pretensa superioridade agradam as pessoas. Há gente que se relaxa muito mais ouvindo heavy metal do que uma "agradável" orquestra de Ray Conniff, que por sua vez irritam muitas pessoas.

Existem gostos individuais que a "música espírita" torna inútil resolver. E diante da situação complicada do Espiritolicismo, seu caráter supérfluo se acentua completamente. E os espíritos superiores, por sua vez, não se sentem identificados com esses ambientes que lhes soam lugares entediantes de bajulação e inutilidade.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

"Mensagens de amor" não garantem superioridade de caráter


Uma das grandes desculpas adotadas pelos adeptos do "espiritismo" brasileiro, para aceitarem suas falhas e defeitos, é que a doutrina "já vale por si só" pelas "mensagens de amor" que transmitem em seus centros e em suas obras.

Tentam argumentar que a grande produção de livros e a imensa realização de palestras sobre palavras "fraternais", de "amor e caridade", de "paz e de luz", são suficientes para assegurar a superioridade de caráter dos "espíritas", a ponto de creditar muitos de seus líderes e ídolos como "espíritos superiores".

Só que a própria natureza de qualquer relação social afirma o contrário, que meras palavras de amor não bastam para que alguém seja considerado superior ou elevado. A confiabilidade excessiva dada ao Espiritolicismo é algo perigoso, e não raro situações traiçoeiras são propiciadas por conta desse envolvimento emocional na suposta esfera de "amor e luz".

Na infância, muitos filhos são alertados pelos pais sobre perigosos adultos - antigamente falava-se até do "homem do saco", que sequestrava criancinhas - que ofereciam balas e brinquedos para meninos e meninas que optarem por segui-los.

Tais homens, dotados de perversidade e malícia, adotam sempre um discurso doce, simpático e jovial, tentando imitar a inocência infantil, no seu modo de dizer. Se uma criança acreditar no discurso e seguir o homem, ela será sequestrada, será levada para longe de sua família e poderá até ser morta pelo criminoso.

Palavras doces, sobretudo em textos bastante rebuscados e produzidos em quantidade industrial, não garantem superioridade espiritual, e todo um esquema de fraudes, distorções e dissimulações do suposto "espiritismo" no Brasil se apoiam nessa retórica melíflua para obter o consentimento geral de seus seguidores.

Daí os inúmeros erros. Daí a manifestação de espíritos farsantes. Daí toda sorte de processos mediúnicos duvidosos. Ou então de supostas mediunidades que não passam de delírios da imaginação férfil. Coisas que dificilmente serão resolvidas com uma enxurrada de palavras de amor.

Pelo contrário. Assim como pessoas perversas em geral podem enganar as pessoas adotando um discurso dócil, o Espiritolicismo, com sua retórica cheia de palavras amorosas, seduz seus seguidores que aceitam qualquer tipo de erro ou falha, além de qualquer enganação ou simulacro, sem qualquer verificação ou quesitonamento, mas com uma assustadora fé-cega e nada racional.

Por isso, alertamos sobre os perigos dessas "mensagens de amor". Falar e escrever é fácil. O problema é que pessoas com caráter bastante falho e até mau podem usar, de vez em quando, a habilidade do discurso amoroso para ludibriar as pessoas.

O Espiritolicismo, com suas sérias deturpações que mancham o legado de Allan Kardec, se serve muito desse discurso bonzinho. Mas os erros graves cometidos pela doutrina brasileira só demonstram que "mensagens de amor" não garantem superioridade de caráter, antes representando perigosas armadilhas para pessoas inocentes e de boa-fé.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Revista "espírita" aposta num Jesus com cara de MacGyver


O "espiritismo" brasileiro mantém o vício do Catolicismo de não investir numa aparência exata de Jesus. E sucumbe a qualquer visual atribuído a Jesus, inclusive os "olhos azuis" da canção "espírita" ou das "sábias" pregações do médium-estrela Divaldo Franco.

Pois a revista Ser Espírita, em sua edição mais recente, aposta num Jesus sisudo e com um olhar grave que, descontada a barba e o penteado, mais parece ter aquele jeitão de ator de filmes policiais, como se vê em Richard Dean Anderson, o ator que fez o popular MacGyver do seriado Profissão: Perigo.

O Jesus da capa da revista, além de terrivelmente sisudo e de semblante pesado - quando sabemos que Jesus, como espírito puro, tinha um semblante leve, sereno e alegre, apesar da aparência rústica de árabe - , aparece com um visual anglo-saxônico, próximo de um norte-americano de Nova York.

Jesus tinha uma aparência rude, porque veio das classes pobres do Oriente Médio. Mas isso não significa que ele tinha um semblante pesado de sisudez carregada. Pelo contrário, Jesus podia até ser enérgico e sério quando deveria ser, mas seu semblante expressava tanta alegria que ele era muito querido pelas crianças e se divertia muito nas festas.

Se pudéssemos conhecer Jesus como realmente havia sido, certamente veríamos um Jesus bastante social, animado, que nas festas dançava, ria, sorria e brincava com as pessoas. É muito provável que ele contava piadas também, mas elas, aparentemente, se perderam da memória deixada para os nossos dias.

Sim, isso mesmo. Jesus sorria, brincava, contava piadas. Era um grande contador de histórias, e sua descontração era um fator crucial para ele ser querido pela humanidade até hoje. Se não fosse assim, se fosse apenas o suposto "senhor dos exércitos" de olhar grave e carregado, Jesus dificilmente teria tido a popularidade que ultrapassou muitos séculos.

Quanto à aparência, Jesus era um árabe. A aparência rústica era própria do povo de sua região, e ele não teria tido a aparência de um galã de Hollywood ou coisa parecida. Se a revista Ser Espírita, cujo conteúdo envolve "ciência", tomou esta foto emprestada de uma outra fonte, talvez católica, é até compreensível, mas constitui num grande descuido.

Mas se a imagem tivesse sido criada por um ilustrador próprio da revista - não posso dizê-lo porque não folheei a publicação, não vi a ficha técnica - , seria muito mais grave, porque a aparência de Jesus em seus estereótipos do Primeiro Mundo revelam o mesmo caráter "higienista" do padrão de aparência defendido pelo Catolicismo medieval.

Portanto, isso mostra o quanto o Espiritolicismo, que se gaba em ser "tão científico" e "filosófico", é incapaz de esboçar uma aparência de Jesus que se aproxime realmente da realidade do povo árabe, do povo da Judeia, sobretudo quando hoje se discute a questão dos povos palestinos, vítimas dos conflitos sangrentos do Oriente Médio.

domingo, 12 de janeiro de 2014

As vaidades das supostas atribuições de vidas passadas


O Espiritolicismo virou uma Casa da Mãe Joana. Joana de Angelis, é claro. Tudo virou um vale tudo místico, que se torna pior porque se evoca a ciência para tentar corroborar qualquer tipo de abuso.

A "doutrina espírita" do Brasil permite que se delire "em nome da ciência", e que se façam muitas fantasias como se fossem "recados mediúnicos" ou "avisos espirituais". E a consciência de vidas passadas tornou-se um pretexto para que vaidades se dissimulem em supostas responsabilidades missionárias, praticamente escolhendo algumas celebridades para atribuir a elas vidas passadas.

Notando os diversos casos de figurões do dito "espiritismo" brasileiro, ou mesmo de recados de conhecidos espíritos do além em atuação a essa crença, há o evidente envaidecimento de certas personalidades terem supostamente sido antigos nomes ilustres de nossa História.

Os "espíritas" brasileiros pecam pela sua pretensa predestinação, se envaidecem de seus supostos privilégios de "conhecerem" espíritos ilustres como Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, Raul Seixas, Winston Churchill, Noel Rosa, Cazuza, Ayrton Senna e tantos outros. Nossa, há mais gente VIP no "espiritismo" brasileiro do que a revista Caras!!

Mas há os que acham que foram pessoas ilustres em outras vidas. O aberrante exemplo do farsante Oswaldo Polidoro é gritante: ele havia sido de Platão a Allan Kardec, passando de José de Anchieta e João Batista, o primo de Jesus.

Assim fica muito fácil: se eu tivesse visibilidade como líder "espírita", poderia muito bem dizer que eu fui, em outras vidas, o contista Esopo, o cientista Isaac Newton, o escritor Oscar Wilde e o ator James Dean, e convencer as pessoas de que eu estou certo nas pretensas informações.

Tudo virou um festival de pretensões, mesmo num contexto em que a consciência da vida espiritual é um assunto ainda controverso, com muito mais dúvidas do que certezas. Talvez com mais dúvidas e quase nenhuma certeza.

Mas no "espiritismo" brasileiro, o que vale é o delírio travestido de ciência, qualquer farsante aparece com mensagens "ocultas" sobre isso e aquilo, e de repente um palestrante surgido do nada vem tratar Elvis Presley como tivesse sido seu primo, e lucrar horrores com isso.

Será que Joana de Angelis foi realmente as tais Joanas de outras vidas? Será que o conservador Nelson Moraes entende mesmo de Raul Seixas? Emmanuel já quebrou a cara quando disse ter sido um senador romano que nunca existiu e demonstrou sérios desconhecimentos do sistema geopolítico e social do Império Romano do tempo de cristo.

E quais as preferências dos diversos "espíritas" quanto às vidas passadas ou quanto às "amizades" do além-túmulo que atribuem em suas "mensagens"?

Nota-se a preferência, quanto às vidas passadas, de juntar num balaio reencarnacional, filósofos, cientistas, padres, ativistas políticos, no caso de homens, e, no caso de mulheres, poetistas, artistas plásticas, missionárias, martires de toda ordem e ativistas sociais.

Já nas "relações sociais", há uma escolha de grandes intelectuais, artistas renomados, políticos de grande envergadura, escritores, poetas, artistas plásticos, cientistas. Todos parecendo entrar nos centros espíritas brasileiros como um cachorro entrando em um açougue num subúrbio.

Tudo se torna uma demonstração explícita de vaidade. Fulano foi o cientista tal noutra encarnação, e, indo mais atrás, foi um missionário católico na Idade Média, ou então foi um político do Império Romano que cometeu erros, ou então foi um filósofo da Grécia Antiga.

Todavia, se demonstrar os conhecimentos necessários para comprovar ou não esse acúmulo de reencarnações ilustres, haver qualquer contradição ou equívoco, o que em quase sua totalidade é provável de ocorrer, nota-se que a "maravilhosa atribuição" não passa de um grande blefe.

Esse verdadeiro envaidecimento tende quase sempre a ser fraudulento, uma vez que nota-se a presunção e o desejo de lotar plateias espíritas. É ótimo para o dirigente do tal centro espírita dizer que ele foi o cientista tal, o abade qual, o imperador acolá, para encher a casa onde ele dirige, e vender livros "espíritas" que nem água.

Enquanto isso, ainda carecem os esforços científicos mais básicos. Carece uma análise séria, uma pesquisa cautelosa, dentro de critérios realmente científicos. O mundo espiritual continua sendo uma incógnita, mas os "espíritas" brasileiros insistem em confundir palpites com certezas, não raro caindo na tentação de suas vaidades materialistas.

E, na medida em que esses "líderes espíritas" se utilizam de personalidades ilustres de maneira bastante leviana, eles cometem erros graves, de enganar as pessoas se aproveitando de sua boa-fé, e mascarando com "mensagens de amor" todo um esquema de mentiras e fraudes que alimenta o dito "espiritismo brasileiro".
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