MALCOLM MUGGERIDGE, CHICO XAVIER E ROBERTO MARINHO - TUDO A VER.
O Brasil tem dessas tristes peculiaridades. Tem uma "cultura popular" surreal, controlada por uma elite de empresários do entretenimento que ditam o "gosto popular" por intermédio de executivos de rádio e TV. E temos ainda uma religiosidade extrema que teima em exercer monopólio sobre a realidade.
Muitos de nós ainda pensam a realidade como se fosse uma novela de televisão. Vemos as coisas de maneira institucionalizada, materialista ou mediante velhos preconceitos morais. Até o "funk" é um reflexo desses preconceitos e dessa imagem estereotipada e idealizada do "bom pobre" que as classes médias, ditas "esclarecidas", se mantém ideologicamente.
Há quinze anos, um ídolo religioso festivo e supostamente ecumênico, símbolo de aparente caridade e portador de uma mitologia ao mesmo tempo contraditória e fantasiosa, faleceu depois de anos doente. O "médium" Francisco Cândido Xavier, aliás, o primeiro anti-médium do Brasil, faleceu com 92 anos de idade, causando comoção entre seus fanáticos seguidores.
Popularmente conhecido como Chico Xavier, seu mito, aparentemente associado a qualidades positivas como "bondade", "humildade", "sabedoria" e "simplicidade", foi na verdade construído, e muiot bem construído, criando uma linearidade ideológica que agrada muitas pessoas, mesmo aquelas que não são consideradas "espíritas".
Mas mito bem construído não quer dizer necessariamente um mito realista. Afinal, é como diz o ditado: "é bom demais para ser verdade". O mito que hoje se conhece de Chico Xavier esconde aspectos bastante sombrios, a partir do fato dele ser um grande e gravíssimo deturpador da Doutrina Espírita.
Como uma versão brasileira de J. B. Roustaing, Chico Xavier difundiu, sob o rótulo de "espiritismo", conceitos extremamente contrários aos que foram originalmente difundidos pela obra de Allan Kardec. O caso aberrante de uma doutrina que renega os ensinamentos de seu precursor já é um atestado de desonestidade doutrinária, que faz desmerecer a alta reputação que o "espiritismo" brasileiro possui oficialmente.
Chico Xavier começou causando muitas confusões. Poeta mediano, ele preferiu investir numa suposta prosa e poética que se dizia "de autores já mortos", trazidas por alegada "comunicação espiritual".
Isso se constituiu numa farsa, na qual Chico Xavier evidentemente não participou sozinho, mas contou com uma multidão de editores e consultores literários, a serviço da FEB e sob a orientação do presidente da entidade, Antônio Wantuil de Freitas.
A farsa pode ser facilmente diagnosticada pelas irregularidades extremas de estilo, identificadas até mesmo em pequenos trechos, às vezes, mas, em outras, evidenciada por textos inteiros. Nomes como Auta de Souza e Humberto de Campos eram creditados em "obras espirituais" que nem de longe lembravam seus estilos originais. Soavam como os fakes da Internet soam hoje.
Só os enganos que Chico Xavier, que personificava o mito mineiro do "come quieto" (referência à imagem dos mineiros como "astuciosos") e, por isso, foi uma espécie de Aécio Neves religioso no seu tempo (o próprio Aécio manifestou profunda admiração pelo "médium"), no qual "fazia das suas" que nunca era punido, já desmerecem tanta idolatria, que chega ao nível da emotividade cega e viciada, uma espécie de masturbação com os olhos pela busca da comoção fácil.
Chico Xavier cometeu muitos males, além de deturpar a Doutrina Espírita e criar psicografias fake. Cometeu juízos de valor cruéis contra pessoas humildes que eram vítimas de infortúnios, acusadas de terem sido "romanos sanguinários". O juízo de valor, ao mencionar encarnação muito distante, era feito à revelia de qualquer teoria da Ciência Espírita e indicava, também, falta de misericórdia e descumprimento do ensinamento kardeciano do "esquecimento de vidas passadas".
O anti-médium - assim considerado por romper com o status de intermediário próprio do ofício de médium - de Pedro Leopoldo e Uberaba também cometeu outras crueldades: expôs demais as tragédias familiares, prolongando-as e alimentando o sensacionalismo midiático, combinado ao fanatismo religioso.
Ele evitou que pessoas encarassem a dor da perda de entes queridos na privacidade e num luto rápido, e, o que é mais grave, ainda enviou mensagens "espirituais" que soavam fake, produzidas por diversas fontes de pesquisa e interpretação, como a "leitura fria", alegando serem "mensagens espirituais" dos entes queridos, um trote comparável ao dos sequestradores que imitam as vozes de suas vítimas em sinistros estelionatos telefônicos.
O "médium" também difundiu valores ultraconservadores, vários deles próprios da Teologia do Sofrimento, corrente medieval do Catolicismo que fazia apologia da desgraça humana como meio de obter rapidamente as "bênçãos futuras". Com isso, criava mitos perigosos como "inimigo de si mesmo", que contraditoriamente incitava os sofredores a cometer suicídio, prática reprovada pelo próprio "espiritismo" brasileiro.
Há também trechos dos livros de Xavier que sugerem preconceitos sociais graves, como o racismo (quando, em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, índios e negros eram classificados como "selvagens") e o machismo ("o verdadeiro feminismo é feito dentro do Lar e na prece", ironizava Emmanuel), além do juízo de valor contra pessoas pobres (Cartas e Crônicas).
Não bastasse isso, Chico Xavier pedia para o povo, no auge da ditadura militar, "orar em favor dos militares", que construíam um "reino de amor" sob o sangue de muitos inocentes. E o anti-médium mineiro defendia a censura, ao dizer que "é no silêncio que Deus ouve os apelos dos sofredores".
Obscurantista, Xavier contrariava o legado kardeciano reprovando o questionamento. Odiava ver pessoas reclamando. Mas, quando lhe convinha, ele reclamava, também, como quando chamou de "bobagem da grossa" a desconfiança dos amigos do falecido engenheiro Jair Presente diante de irregularidades em supostas psicografias.
Xavier foi um mito ultraconservador que conseguiu ser empurrado até para a aceitação, um tanto ingênua, de pessoas progressistas, iludidas com a "boa imagem" de seu mito, aliando paradigmas de religiosidade muito retrógrados, mas ainda vistos como tradições a serem mantidas pelos brasileiros.
MITO DO "MÉDIUM BONDOSO" FOI PARA CONCORRER COM NEOPENTECOSTAIS
O que poucos percebem é que o mito de Chico Xavier mais conhecido hoje, o de suposto "símbolo de bondade e amor ao próximo", foi construído mediante uma necessidade de relançar o mito, antes associado a uma paranormalidade confusa e sensacionalista.
Deixou-se de enfatizar o suposto contato com os "literatos do além" e eliminou-se o envolvimento em supostas façanhas como psicofonia e materialização. Sem o tino sensacionalista de Wantuil, Chico Xavier, um mito sempre fabricado à maneira de um popstar, originalmente para enriquecer a FEB com as vendas de livros, sua imagem tinha que ser reciclada para um perfil mais clean, que permitisse a adoração religiosa sem causar tantas confusões.
E aí temos o seguinte contexto, em meados dos anos 1970: convulsões sociais com a crise da ditadura militar, ascensão de pastores eletrônicos (Edir Macedo e R. R. Soares) e desejo arrivista da Rede Globo em estabelecer um monopólio midiático. No "espiritismo", com a morte de Wantuil, veio a "fase dúbia" no qual os "espíritas" professavam um "roustanguismo sem Roustaing e com Kardec".
A FEB e a Rede Globo romperam com a animosidade e iniciaram um casamento feliz. Chico Xavier virou queridinho da Globo e seu mito foi reconstruído a partir de uma fonte internacionalmente conhecida: o documentário sobre Madre Teresa de Calcutá, Algo Bonito para Deus (Something Beautiful for God), de Malcolm Muggeridge, produzido pela BBC em 1969.
Muggeridge, católico de direita, reconstruiu o mito de Madre Teresa de Calcutá - depois acusada de deixar seus assistidos em condições degradantes - como um "símbolo da caridade plena", criando um roteiro digno de novela televisiva, com a "filantropa" posando com bebês no colo e falando frases de efeito que os incautos pensam ser "filosofia".
Todo esse roteiro foi feito para Chico Xavier através de noticiários da Globo, como o Fantástico e o Globo Repórter. Foi um longo trabalho desenvolvido a partir dos anos 1970, o que comprova que a concepção que os brasileiros têm de "doutrina espírita" vem da visão deturpada que a FEB desenvolveu e que foi lapidada pelo discurso da Rede Globo, rede tão poderosa que exerce influência até em parte de seus detratores, que lhe herdam até os hábitos e as formas de ver o mundo.
O mito "ecumênico" de Chico Xavier, associado a suposta filantropia (na verdade Assistencialismo, a caridade que não se interessa em combater os problemas sociais, mas antes minimizá-los sem mexer nos privilégios das elites, as mesmas que premiam os "médiuns" com medalhas e condecorações, tais como ditadores, tiranos e corruptos fizeram com Madre Teresa), foi construído pela Globo para evitar que concorrentes criassem seitas religiosas com forte aparato midiático.
A Globo não conseguiu evitar que a Rede Record, cuja cabeça-de-rede, a TV Record de São Paulo, é remanescente das primeiras emissoras de TV surgidas no Brasil, fosse adquirida por Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Mas teve de se consolar por ter conseguido transformar Chico Xavier numa "unanimidade", algo que nos faz lembrar de Nelson Rodrigues, quando certa vez associou a ideia de "unanimidade" a uma estupidez.
Faz sentido. Afinal, a adoração a Chico Xavier revela uma sociedade subserviente às paixões religiosas, com medo de esclarecer sobre a realidade nem sempre agradável da vida, e medo sobretudo de romper com paradigmas conservadores.
Reunindo paradigmas de religiosidade e moralismo bastante conservadores, Chico Xavier virou "santo" pelas "bênçãos" da Globo, e se os brasileiros adoram o "médium", eles expressam um conservadorismo que nem sempre se encorajam a assumir, tão apegados à pretensões e dissimulações que ocultam o lado beato e reacionário de muitos brasileiros, mesmo os ditos "modernos".
sexta-feira, 30 de junho de 2017
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Grupo religioso se reúne em Brasília para vigílias e orações
Na noite de ontem, um grupo de vinte religiosos se reuniu em Brasília para fazer uma "vigília". A reunião ocorre toda terça-feira e o grupo, aparentemente sem fins ideológicos nem bandeiras, tem como único objetivo "pedir bênçãos para o Brasil". O grupo reúne católicos, evangélicos e "espíritas".
A coisa, a princípio, parece bem intencionada. Pessoas dotadas com alguma esperança, se reunindo sem se preocuparem com desavenças pessoais, para pedir que vibrações positivas cerquem o Brasil e permitam criar energias psíquicas para superar a crise. Seria muito bom se não fosse um detalhe: as religiões costumam também participar em movimentos que pedem soluções golpistas.
Segundo o historiador Jorge Ferreira, até "espíritas kardecistas" participaram da Marcha da Família Unida com Deus pela Democracia, movimento que impulsionou o golpe civil-militar de 1964. Recentemente, as manifestações pelo "Fora Dilma" tiveram adesão sobretudo de seitas neopentecostais e o aval do "movimento espírita".
Quem não se lembra de nomes como Janaína Pascoal, a juíza que participou da elaboração do pedido de impeachment de Dilma Rousseff? E nomes como Marco Feliciano e Jair Bolsonaro, comprometidos com causas moralistas retrógradas? E o ator Alexandre Frota, depois da ascensão de Michel Temer ao poder, sendo divulgador da Escola Sem Partido? Todos eles são evangélicos.
E o "movimento espírita"? Robson Pinheiro escreveu "psicografias" atribuindo forças astrais à suposta corrupção do PT. Robson e o "Correio Espírita" chegaram a atribuir "começo de uma era" para manifestações de "coxinhas" vestidos com a camiseta da (corrupta) CBF que, em parte, queriam até "intervenção militar" (eufemismo para um novo golpe militar).
Essas manifestações, nas quais se viu jovens fazendo grosseria, baixando as bermudas para mostrar seus glúteos nus para ridicularizar a presidenta Dilma, além de cartazes com símbolos nazistas e até senhoras descansando com o cartaz "Por que não mataram todos em 64?", foram definidas como "momentos de despertar político da juventude" e há quem tenha suposto que o Brasil estava inaugurando um "período de regeneração".
Os católicos é que parecem mais moderados, tanto pelo conservadorismo mais ameno de alguns setores e pelo progressismo de outros setores. Eles passaram os "espíritas" para trás em termos de visão progressista e a Igreja Católica hoje assumiu uma abordagem mais moderna, que os "espíritas" nem de longe conseguem mais fazer.
Já o "espiritismo" brasileiro parece acompanhar, à sua maneira, o ultraconservadorismo dos neopentecostais. Se estes pretendem retroceder o Brasil aos padrões moralistas do tempo de Moisés, os "espíritas" sonham em ver o Brasil num contexto sócio-religioso e místico dos tempos do imperador Constantino.
Na prática o "espiritismo" está se formatando para ser a versão atualizada do velho Catolicismo jesuíta português, que vigorou no Brasil no período colonial, e que entrou em declínio depois que o então primeiro-ministro português Marquês do Pombal, adotando um rígido corte de gastos para fazer Portugal recuperar-se de um violento terremoto, decidiu cortar as atividades da Companhia de Jesus na então colônia sul-americana.
Daí que há uma certa incoerência em muitas atividades "espíritas", na verdade com forte ranço católico, como a obsessão por preces. A religião abraçou a causa medieval da Teologia do Sofrimento e o governo Temer contava com uma agenda política bem ao gosto dos "espíritas", como as reformas trabalhista e previdenciária e a Escola Sem Partido, cujo projeto não difere muito do que já é adotado na Mansão do Caminho de Divaldo Franco.
Deste modo, a religião que pede para as pessoas aceitarem o sofrimento - como fazia Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier - e definiu o momento atual como "início de regeneração" deveria se repensar antes de apelar para preces por um país melhor. Afinal, o que o país sofre hoje em provações está muito de acordo com o velho moralismo adotado pelos "espíritas".
terça-feira, 27 de junho de 2017
Provas que os "médiuns" brasileiros não podem ser filósofos
FILÓSOFOS OFERECEM PERGUNTAS, ENQUANTO "MÉDIUNS ESPÍRITAS" SE SUPÕEM POSSUIR RESPOSTAS PARA TUDO.
Muitas pessoas, tomadas pela emotividade cega e pelas paixões religiosas, não conseguem discernir as coisas e contraem a mania de certos preciosismos. Uma delas é atribuir aos "médiuns" brasileiros a errônea reputação de "filósofos", uma grande bobagem sem pé nem cabeça.
A atribuição se dá sob desculpas bastante falaciosas. Só porque filosofia quer dizer "amiga da verdade" e aos "médiuns" brasileiros se associa a suposta imagem de superioridade moral e ao pretenso intelectualismo, as pessoas tendem a achar que eles são "verdadeiros filósofos" por causa da suposta inclinação à "verdade" e à "sabedoria".
Essas pessoas nunca leram um livro filosófico e pensam que filosofia é um punhado de frases curtas que se joga nas redes sociais como se fosse "lição de vida", uma prática confusa que pode alternar depoimentos coerentes de intelectuais autênticos como pregações moralistas ou mistificadoras de ídolos religiosos.
Essa atribuição de "filosofia" nada tem de racional, mas é típica do pretensiosismo preciosista de muitos brasileiros, que sempre arrumam uma desculpa "nobre" para seus caprichos e interesses individuais.
Por exemplo, se gostam de tal cantor pop, não é porque suas músicas agradam, mas porque ele é "um grande poeta", mesmo quando suas letras são verdadeiras bobagens. Ficam superestimando o astro, quando o que ele faz não é um amontoado de sucessos comerciais interpretados à custa de muita coreografia e alimentados por factoides de sua vida pessoal.
Os ídolos religiosos são beneficiados por esse pretensiosismo, no qual a emotividade cega se julga substituta da razão. Mas ignora, no caso dos "médiuns espíritas" brasileiros, a grande incoerência que é atribuí-los como "filósofos", que não é difícil de ser diagnosticada por quem entende da verdadeira Filosofia. Vejamos:
1) OS "MÉDIUNS" SE PRETENDEM A TER A RESPOSTA PRONTA PARA TUDO - Os verdadeiros filósofos não têm essa pretensão. O pensamento autenticamente filosófico não tem a pretensão de mostrar respostas, mas questões, procurando instigar o pensamento questionador, enquanto os "médiuns espíritas" têm por tarefa promover a conformação sem estimular o raciocínio crítico das pessoas.
2) OS "MÉDIUNS" EXPRESSAM IDEIAS MISTIFICADORAS - Por mais que um raciocínio filosófico apresente equívocos, seu propósito original é apresentar uma linha coerente de apresentação de ideias. Mas aí os seguidores dos "médiuns espíritas" vão dizer que o que estes falam é "claro, simples e coerente" e "dotado de muita lógica", mas essa alegação, além de ser mais emotiva que racional, revela uma falta de atenção. Se perguntarmos a esses seguidores sobre que razões eles têm, eles responderão de maneira confusa e expressarão sua constrangedora ignorância.
3) OS TEXTOS DOS "MÉDIUNS" SÃO PROLIXOS E REBUSCADOS - Não é próprio do filósofo autêntico o embelezamento de textos, mas o desenvolvimento de ideias. Em muitos casos, seus textos podem até serem difíceis de ler mas eles não tendem a serem prolixos ou rebuscados. Já os textos dos "médiuns" valem mais pelo adornamento de palavras, nas quais o pretexto das "mensagens de amor" e "lições de vida" só servem para dissimular ideias confusas e tentativas vãs de argumentação que divagam demais para apresentar ideias, havendo o risco constante de contradição e falta de lógica.
Com isso, facilmente se questiona a atribuição dos seguidores dos "médiuns" de que seus ídolos são "verdadeiros filósofos". Nem as alegações de "elevada condição moral" justificam, porque os três equívocos apresentados já comprovam que os "médiuns" não se comprometem com a busca da verdade, mas antes a posse de uma pretensa verdade à qual eles acham que não pode ser analisada.
Muitas pessoas, tomadas pela emotividade cega e pelas paixões religiosas, não conseguem discernir as coisas e contraem a mania de certos preciosismos. Uma delas é atribuir aos "médiuns" brasileiros a errônea reputação de "filósofos", uma grande bobagem sem pé nem cabeça.
A atribuição se dá sob desculpas bastante falaciosas. Só porque filosofia quer dizer "amiga da verdade" e aos "médiuns" brasileiros se associa a suposta imagem de superioridade moral e ao pretenso intelectualismo, as pessoas tendem a achar que eles são "verdadeiros filósofos" por causa da suposta inclinação à "verdade" e à "sabedoria".
Essas pessoas nunca leram um livro filosófico e pensam que filosofia é um punhado de frases curtas que se joga nas redes sociais como se fosse "lição de vida", uma prática confusa que pode alternar depoimentos coerentes de intelectuais autênticos como pregações moralistas ou mistificadoras de ídolos religiosos.
Essa atribuição de "filosofia" nada tem de racional, mas é típica do pretensiosismo preciosista de muitos brasileiros, que sempre arrumam uma desculpa "nobre" para seus caprichos e interesses individuais.
Por exemplo, se gostam de tal cantor pop, não é porque suas músicas agradam, mas porque ele é "um grande poeta", mesmo quando suas letras são verdadeiras bobagens. Ficam superestimando o astro, quando o que ele faz não é um amontoado de sucessos comerciais interpretados à custa de muita coreografia e alimentados por factoides de sua vida pessoal.
Os ídolos religiosos são beneficiados por esse pretensiosismo, no qual a emotividade cega se julga substituta da razão. Mas ignora, no caso dos "médiuns espíritas" brasileiros, a grande incoerência que é atribuí-los como "filósofos", que não é difícil de ser diagnosticada por quem entende da verdadeira Filosofia. Vejamos:
1) OS "MÉDIUNS" SE PRETENDEM A TER A RESPOSTA PRONTA PARA TUDO - Os verdadeiros filósofos não têm essa pretensão. O pensamento autenticamente filosófico não tem a pretensão de mostrar respostas, mas questões, procurando instigar o pensamento questionador, enquanto os "médiuns espíritas" têm por tarefa promover a conformação sem estimular o raciocínio crítico das pessoas.
2) OS "MÉDIUNS" EXPRESSAM IDEIAS MISTIFICADORAS - Por mais que um raciocínio filosófico apresente equívocos, seu propósito original é apresentar uma linha coerente de apresentação de ideias. Mas aí os seguidores dos "médiuns espíritas" vão dizer que o que estes falam é "claro, simples e coerente" e "dotado de muita lógica", mas essa alegação, além de ser mais emotiva que racional, revela uma falta de atenção. Se perguntarmos a esses seguidores sobre que razões eles têm, eles responderão de maneira confusa e expressarão sua constrangedora ignorância.
3) OS TEXTOS DOS "MÉDIUNS" SÃO PROLIXOS E REBUSCADOS - Não é próprio do filósofo autêntico o embelezamento de textos, mas o desenvolvimento de ideias. Em muitos casos, seus textos podem até serem difíceis de ler mas eles não tendem a serem prolixos ou rebuscados. Já os textos dos "médiuns" valem mais pelo adornamento de palavras, nas quais o pretexto das "mensagens de amor" e "lições de vida" só servem para dissimular ideias confusas e tentativas vãs de argumentação que divagam demais para apresentar ideias, havendo o risco constante de contradição e falta de lógica.
Com isso, facilmente se questiona a atribuição dos seguidores dos "médiuns" de que seus ídolos são "verdadeiros filósofos". Nem as alegações de "elevada condição moral" justificam, porque os três equívocos apresentados já comprovam que os "médiuns" não se comprometem com a busca da verdade, mas antes a posse de uma pretensa verdade à qual eles acham que não pode ser analisada.
domingo, 25 de junho de 2017
"Caridade espírita" quase nada ajudou o Brasil
Principal argumento para blindar a deturpação da Doutrina Espírita e proteger a reputação dos "médiuns" que vivem do culto à personalidade, a "caridade espírita" não faz jus a sua fama de "transformadora" e "revolucionária" que seus adeptos tanto alardeiam por aí.
A "caridade" praticada pelo "espiritismo" brasileiro se limita a tarefas pontuais, dentro das definições do Assistencialismo. Até aí, nada demais, diante de "casas espíritas" que fazem projetos assistenciais e acolhem um grupo de pessoas pobres. O problema é o fato de que a medida é usada para proteger os deturpadores e tentar abafar qualquer questionamento, além de servir para a propaganda e promoção pessoal de seus ídolos religiosos, sobretudo "médiuns".
Para começar, nem tudo que é considerado oficialmente "caridade" no "espiritismo" brasileiro deve ser considerada como tal. As "cartas dos mortos" de Francisco Cândido Xavier, por exemplo, foram um processo pernicioso e perigoso que mistura fraudes com obsessão, além de alimentar o sensacionalismo através da divulgação da grande mídia.
Em primeiro lugar, isto é um ato de obsessão, na qual se evoca o nome do falecido sem muita necessidade, dentro de um clima de emotividade ao mesmo tempo piegas e mórbida, e ignorando se o espírito do falecido realmente está ou não disponível para trazer tal mensagem. Em certos casos, mas poucos, talvez estivesse disponível, não fosse o fato do "médium" Chico Xavier produzir mensagens fake, da mente do próprio mineiro.
A fraude foi diagnosticada por diversas fontes, e se torna, para desespero dos chiquistas, verídica. Há o estranho aspecto de muitas mensagens começarem com "Querida mamãe" e apresentarem propagandismo religioso explícito. Além do mais, muitas das mensagens apresentam claramente problemas de caráter pessoal do respectivo autor, como assinaturas diferentes das originais e aspectos de personalidade que contradizem com o que a respectiva pessoa foi em vida.
É a mesma queixa que se dá em relação aos autores famosos, quando Humberto de Campos, Olavo Bilac, Auta de Souza, Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos e outros "aparecem" nos livros de Chico Xavier com graves falhas quanto aos respectivos estilos e personalidades, praticamente refletindo, invariavelmente, a mesma linguagem e o mesmo pensamento pessoal do "médium", trazendo fortes indícios de terem sido obras fake.
As "mensagens dos mortos" não podem ser consideradas "caridade" porque acabam prolongando as tragédias humanas. Em vez das pessoas poderem encarar as tragédias de seus entes queridos no sossego da privacidade e num luto que poderia ser mais curto, a situação se prolonga e se complica com a exploração pitoresca e sensacionalista dessas supostas mensagens e pelo fato delas apresentarem indícios de fraudes, alimentados pela "leitura fria".
Para quem não sabe, a "leitura fria" é um método psicológico no qual o entrevistador colhe informações do entrevistado por meio de uma conversa em tom intimista. Com isso, o entrevistador não colhe apenas as informações que são ditadas pelo entrevistado, mas colhe também outras, mais sutis ou subliminares, que são trazidas pelo modo com que as pessoas falam ou reagem a respeito de alguma ideia.
Além disso, há várias denúncias de que as supostas mensagens espirituais seriam compostas de diversas informações colhidas não só da "leitura fria" ou das fontes diversas (imprensa, diários pessoais, conversas informais durante eventos "espíritas"), mas até mesmo dos formulários preenchidos pelos pacientes quando recorrem ao "auxílio fraterno".
Foi aí que veio uma pegadinha, num "centro espírita" em Campo Grande, Rio de Janeiro, em que a atriz Márcia Brito - que foi a Flora Própolis da Escolinha do Professor Raimundo - afirmou ter se impressionado quando a suposta mensagem atribuída ao falecido filho Ryan Brito citou o celular e RG da mãe. Ela se esqueceu que forneceu essas informações quando preencheu o formulário que sempre se faz num "auxílio fraterno".
Há muitas estranhezas nisso, não bastasse o fato do Brasil ter mais "médiuns" do que naturalmente se poderia ter. E também pelo fato dos "médiuns" não terem o caráter intermediário, mas serem sempre as atrações principais, com direito ao culto à personalidade, apesar de toda a roupagem de pretensa humildade. Além disso, os "médiuns", no Brasil, viram dublês de pensadores e de filantropos, garantindo assim seu estrelato.
E isso se reflete também na forma como os "espíritas" veem a "caridade", mais preocupados com o prestígio religioso do "benfeitor espírita", quase sempre um "médium", do que com os resultados alcançados, que, através de minuciosas pesquisas, se revelam bastante medíocres.
As próprias ações apresentam caraterísticas de Assistencialismo e não de Assistência Social. Só para entender a diferença dos dois, Assistência Social é uma caridade que transforma e o Assistencialismo é apenas uma caridade paliativa, que minimiza efeitos drásticos. Numa comparação mais metafórica, a Assistência Social elimina a doença da pobreza, o Assistencialismo apenas alivia suas dores e seus sintomas, sem no entanto trazer a cura.
O que vemos é o aspecto constrangedor de todo o estardalhaço que se faz com a "caridade espírita" diante de tão pouca coisa. As "caravanas" de Chico Xavier foram um espetáculo bastante ostensivo, exibicionista, mas cujo objetivo é muito frouxo: doar roupas e cestas básicas e oferecer sopas, um ato meramente paliativo, só considerado urgente em situações de calamidade pública.
Há muita diferença entre calamidade pública e pobreza extrema, porque na calamidade pública - recentemente houve um trágico incêndio num edifício residencial em Londres, mas a História registra o drama da Segunda Guerra Mundial - as perdas são inevitáveis em situações drásticas, de graves conflitos e catástrofes naturais.
Na pobreza extrema, o que ocorre são distorções sociais consequentes do descaso político, mas próprias de situações de aparente paz social e que podem ser resolvidas não pela caridade paliativa, mas por políticas profundas de emprego, educação e assistência social que instituições não-religiosas, envolvendo sindicatos e entidades de trabalhadores rurais, estão mais preparadas para fazer.
O grande problema dessa "caridade espírita" é que os mantimentos que a população recebe se esgotam em três semanas, se levarmos em conta que muitos pobres compõem famílias numerosas. Enquanto os "espíritas" saem comemorando por meses uma "caridade" feita num fim de semana ou numa efeméride, seus "beneficiados" voltaram à mesma situação carente de antes.
Há também outro problema, que se refere ao estrelato dos "médiuns". Enquanto a Mansão do Caminho não consegue ajudar, ao longo de seus 65 anos de existência, sequer 1% da população de Salvador (em índices nacionais, a coisa seria pior), Divaldo Franco faz turismo para fazer palestras para ricos e poderosos no Primeiro Mundo, promovendo a deturpação e espalhando as traições doutrinárias que o baiano fez ao legado kardeciano.
A realidade em que vive o Brasil não conseguiu superar a pobreza extrema e os moradores de rua só crescem, diante desse quadro político neoconservador que promove a exclusão social através das reformas trabalhista e previdenciária do governo Michel Temer.
Por sua pretensão de grandeza e pelo alto prestígio dos "médiuns", que se autoproclamam "os maiores ativistas sociais" do Brasil, se a "caridade espírita" tivesse realmente funcionado, o Brasil teria atingido níveis impressionantes de desenvolvimento social.
Não adianta os "espíritas" dizerem que a "tarefa é complexa", ou que "houve obstáculos no caminho", "os espíritos inferiores não deixaram" ou coisa parecida, porque a pretensão de grandeza faz com que muitos palestrantes "espíritas" digam, num dia, que "estão vencendo os obstáculos", mas, no dia seguinte, desmentem dizendo que "não foi possível realizar a tarefa".
O que concluímos é que a "caridade espírita", seja de forma quantitativa e qualitativa, só trouxe resultados medíocres. Houve ajuda, mas ela está bem abaixo das expectativas e ela não traz mérito algum à doutrina deturpadora, porque não se pode usar a "caridade" como escudo para trair Allan Kardec, porque usar o "pão dos pobres" como justificativa para a deturpação é rebaixar a "bondade" como um ato permissivo a qualquer leviandade. Isso não é "bondade" verdadeira.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
"Espiritismo" e a analogia da consulta médica
O seguinte texto pode esclarecer como reagem os "espíritas" brasileiros em relação ao sofrimento humano.
Um paciente no consultório médico faz sua queixa de uma grave doença que lhe causa dores insuportáveis. Ele recorreu ao doutor confiante de que pudesse obter alguma receita ou remédio para cura, e por isso estava ali na sua exposição.
- Eu não consigo andar, de tanta dor!! Não consigo fazer as coisas do dia a dia, mas também tenho dificuldades para descansar. Perco o sono todas as noites, diante da dor que eu sinto, preciso de sua ajuda para me dar um remédio para a cura. Faço todas as recomendações que o senhor lhe der.
O médico, porém, responde com uma pergunta:
- Amigo, eu acho que você deve conviver com a dor. Deve aceitá-la, talvez até gostar dela, e ter paciência o máximo que puder.
- Como assim, doutor? Eu peço a cura e tento me esforçar para aguentar as dores que sinto agora, com a força da minha mente para evitar gemer, e você me diz para eu gostar da dor?
- Meu amigo, isso é um desafio que você tem que ter. Se eu curar você da doença, como é que você irá aprender com a vida?
- Eu estou deixando de fazer até as coisas mais desafiadoras, doutor! Só estou sentindo dor! Até as coisas mais simples estou tendo dificuldade para fazer! Perco sono toda noite!
- Já reservou um tempo para preces?
- Olha, doutor, faço preces o tempo inteiro. Digo sempre para Jesus me ajudar a suportar a dor, mas a coisa é difícil, é angustiante. Nem dá para mentalizar direito, com tanta dor no corpo!
- Amigo, confie e tenha paciência. Aguente a dor. Aguente quantos anos forem necessários. Se morrer, é porque você recebeu o abraço de Deus.
- Mas eu sinto dor. Eu gastei transporte e reservei um tempo para sua consulta, para você dizer para eu aceitar a dor até não se sabe quando, ou talvez até o fim da vida? E acha que vou perder essa vida, na qual eu nasci para alguma missão, assim de bandeja, jogando a vida no lixo?
- Entenda, amado amigo. Sua missão é sentir dor, que irá moldar sua alma. Se eu lhe desse a cura, como você se comportaria com isso?
- Eu me comportaria bem, seria feliz e prestativo, faria todo tipo de atividade, não teria medo de desafios, aprenderia a vida da melhor forma.
- Por que você não faz tudo isso sentindo dor? Veja o céu azul, os pássaros cantando, o rio mantém seu curso mesmo com os gritos de dor e os conflitos das espécies.
- Por que está me dizendo isso?
- Veja bem. Todos sentem os piores flagelos e a Terra gira, as flores nascem, crescem e morrem, os passarinhos voam e os belos ruídos da Natureza ressoam harmoniosamente.
- Mas eu sinto dor. Como é que posso me relaxar para ver o céu azul e os passarinhos? Meu corpo sofre de intensa dor.
- Mude seus pensamentos que a dor logo sai.
- Não dá. É orgânico. Tento mentalizar o fim da dor e ela só se agrava. Só para andar até aqui tive dificuldades, e ainda vim de longe, pegando mais de um ônibus!
- Meu amigo, tenha paciência e fé em si mesmo...
- Não posso. Tentei tudo. Que médico é esse que tem a cura nas mãos mas prefere que eu fique aguentando a dor? Depois eu critico o seu trabalho e o senhor não gosta e sai chorando. Se eu soubesse a sua resposta, nunca teria vindo aqui. Teria ficado em casa convivendo com a dor.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
PSDB, "espiritismo" e as blindagens que os beneficiaram
O PSDB, assim como o PMDB, soam partidos "espíritas" não assumidos. Como o "espiritismo" brasileiro, prega o maior número de sacrifícios para os mais pobres e uma maior misericórdia aos privilegiados. Defende um progresso social limitado, prega um moralismo austero, protege a supremacia da pirâmide social e ainda apresenta uma imagem de pretenso "vanguardismo" ideológico.
O PMDB é um partido amorfo e nada carismático, que não tem sucesso nas urnas. Mas é "espírita" no seu propósito de defender a lei do mais forte impondo sacrifícios demais aos fracos. As reformas trabalhista e previdenciária, assim como a terceirização generalizada, parecem terem surgido da mente de Emmanuel. Até a frase citada pelo presidente Michel Temer, "não reclame da crise, trabalhe", tem muito a ver com a frase do jesuíta: "não reclame, trabalhe e ore".
Mas, em termos de blindagem, o PSDB, que defende essas mesmas ideias do PMDB, é "espírita" quanto à blindagem. Há um paralelo entre o prestígio de Fernando Henrique Cardoso, por suas aparentes qualidades acadêmicas, com a de Divaldo Pereira Franco, e ambos têm também suas manias de pretensos profetas, tentando supor o futuro da humanidade, pelo menos no Brasil.
Já Aécio Neves lembra muito o jovem Francisco Cândido Xavier, não só pelo fato de ser mineiro. Da mesma forma que Chico Xavier, Aécio se meteu em muitas e muitas confusões, mas nada acontecia com ele. Chico também fez suas fraudes, combinando com um grupo de editores da FEB através de seu descobridor, Antônio Wantuil de Freitas, então presidente da federação, a realização de obras literárias fake que seriam atribuídas a suposta criação espiritual de personalidades mortas.
Mas o "espiritismo" brasileiro tem até exemplos de falsificadores de quadros que nem de longe podem ser desmascarados, apesar das pinturas "mediúnicas" apresentarem graves problemas de estilo em relação aos alegados pintores falecidos. E a aberrante facilidade de chamar tudo quanto é pintor para sessões de pintura "mediúnica", coisa completamente fora de lógica, também causa estranheza, mas tudo é aceito em nome do "pão dos pobres"...
A blindagem é absoluta, e os "espíritas" gozam de uma imunidade que o PSDB não tem. Chico Xavier também viveu seus dias de "seletividade da Justiça", e os juízes que cuidavam do processo do caso Humberto de Campos em 1944 tiveram a mesma omissão dos juízes atuais, seja da "República de Curitiba", seja do Judiciário de Brasília.
Da mesma forma que Michel Temer (peemedebista a serviço do projeto político do PSDB derrotado nas urnas em 2014), que escapou da cassação no julgamento de irregularidades de campanha presidencial de três anos atrás, Chico Xavier também foi beneficiado pela omissão dos juízes, que se recusaram a verificar o ponto mais explícito do processo: os textos do "espírito Humberto de Campos" REALMENTE destoam do estilo pessoal original do autor maranhense.
O "espiritismo" brasileiro é uma grande tragicomédia de erros. Optou originalmente pelo roustanguismo em detrimento das ideias originais de Allan Kardec. Depois, dissimulou tal postura prometendo "respeito às bases doutrinárias", mas manteve seu igrejismo roustanguista praticamente intato. Tudo isso às custas de práticas, procedimentos e ideias que foram feitas em total arrepio à Ciência Espírita.
De conceitos religiosos de um moralismo retrógrado - como defender a aceitação do sofrimento humano - a falsas mediunidades que mais parecem propaganda religiosa (dando a falsa noção de que os mortos viram sempre colaboradores de igreja), o "espiritismo" brasileiro caminhou para ser tão somente uma versão repaginada do velho Catolicismo jesuíta vigente no Brasil-colônia, e que mantivera seu caráter ideológico medieval.
O "espiritismo" brasileiro fala tanto em "caridade" e até se proclama a "religião da solidariedade". Mas os resultados de sua ajuda são muito medíocres, em qualidade e quantidade, enquanto os palestrantes "espíritas" ficam excursionando pelo país e até pelo mundo, espalhando a Deturpação, participando de eventos pomposos, usando bons aviões e bons hotéis não se sabe com que dinheiro, enquanto o Brasil nunca sai de sua situação de miséria, pobreza e violência.
Apelos ideológicos dos mais levianos e manipuladores, como o Assistencialismo - a "caridade" que traz poucos resultados para os mais necessitados, mas garante a promoção pessoal do "benfeitor" que comemora demais pelo quase nada que faz - e o Ad Passiones (todo tipo de discurso emotivo), assim como o vitimismo que os "espíritas" costumam reagir quando recebem duras críticas, também mostram o quanto a doutrina igrejeira é cheia de irregularidades graves.
Apesar disso, todos aceitam qualquer desculpa dada por qualquer "espírita" que a gente até imagina que faltou o PSDB se declarar oficialmente adepto do "espiritismo" brasileiro. Aécio Neves já chegou a dar altos elogios ao seu mestre Chico Xavier, mas faltou assumir de vez o vínculo "espírita", que lhe garantiria a blindagem mais completa. Em sua vida, Chico Xavier fundia as "qualidades" de Aécio Neves e Luciano Huck, como a capacidade de ser blindado e o Assistencialismo.
Afinal, se até falsificadores de quadros recebem a mais absoluta blindagem, a ponto de juízes e policiais só se dirigirem a eles para abraçar e até pedir conselhos, tucanos poderiam ter abraçado esse "espiritismo" igrejeiro que temos no Brasil para talvez vibrarem para o delator Joesley Batista, empresário da JBS, ter um pouco de misericórdia com os "irmãozinhos" de "plumagem azul".
O "espiritismo" brasileiro contraria seu nome oficial remetendo seu conteúdo a uma versão reciclada do Catolicismo jesuíta de herança medieval. Neste sentido, se afina com o PSDB, cuja sigla evoca o nome de "social-democrata" (termo que se refere a um capitalismo com reformismo social) mas seu conteúdo remete a um capitalismo que gradualmente caminha para os primórdios de 1750, através da defesa das reformas trabalhista e previdenciária.
Durante tempos, antes das delações de Joesley para a Operação Lava Jato, o PSDB tinha a mesma blindagem dos "espíritas". Isso gerava até uma piada, um trocadilho cacófato: "Solta o cano que não cai" (que, dito rápido, soa "Só tucano é que não cai"). No "espiritismo", podemos dizer "Só espirre, tá, que não cai" (soa "Só espírita que não cai").
A blindagem que os "espíritas" recebem não é meritória e só é motivada porque há muita complacência movida pelas paixões religiosas. Sabe-se claramente que o "espiritismo" brasileiro comete traições vergonhosas em relação ao legado de Allan Kardec, mas os traidores tentam a todo custo jurar fidelidade.
Enquanto isso, a sociedade brasileira, como na anedota do marido "corno manso" que acredita que sua voluptuosa esposa sai de casa para "ver os priminhos", acha que o "espiritismo" pode trair Kardec "em nome da fé cristã" e fraudes "mediúnicas" podem ser feitas "pelo pão dos pobres". Como eles acreditam que o amor "pode tudo", então pode-se "mentir por amor" e promover a "fraternidade" entre o Bom Senso e o Contrassenso. Na esperteza, os "espíritas" voam mais alto que os tucanos.
segunda-feira, 19 de junho de 2017
A bajulação dos deturpadores aos espíritas autênticos
Nada como um deturpador igrejeiro do "movimento espírita" sair bajulando e exaltando os espíritas autênticos. Não bastassem as bajulações um tanto tendenciosas a Allan Kardec e seus espíritos relacionados - de Jesus de Nazaré a Erasto - , as adulações envolvem também espíritas brasileiros autênticos, como José Herculano Pires e Deolindo Amorim.
Na crise em que vive o "espiritismo" brasileiro, não são poucos os "médiuns" e os palestrantes que deturpam o Espiritismo a correr para o barco adversário, como piratas que migram para o navio inimigo. Assim, tentam "exaltar" a sabedoria e a coerência dos autênticos batalhadores da Doutrina Espírita, como se isso representasse um serviço exemplar para a propagação do verdadeiro Espiritismo.
Mas não é. A bajulação a Herculano, Deolindo, Carlos Imbassahy e outros não é garantia que o deturpador aprendeu realmente a lição e vai se tornar "espírita para valer". A aparente confraternização esconde, sob a beleza do seu discurso e a aparente pureza de seus gestos, objetivos bastante levianos de arrivismo e até de vínculo com causas que lhes são contrárias.
Quantas vítimas dessa adulação viscosa, essa baba de ovo, essa saliva escorrendo pela boca, de pessoas que deturpam o sentido de fraternidade, pregando uma espécie de "fraternidade para mim mesmo", na qual se exalta todo mundo que representa algo positivo e avançado para se obter vantagens pessoais e estabelecer vínculo com as personalidades realmente valiosas que passaram pela Terra.
Quantos bajuladores baratos se escondem em livros, palestras e títulos tão nobres. No "espiritismo" brasileiro, abrigo para tantas mentes medíocres, trapaceiras e canastronas, tantos são os que bajulam todo mundo que estiver ligado a algo positivo. Há aqueles que bajulam até mesmo Ernesto Che Guevara e Jimi Hendrix, talvez para causar impressão no público mais jovem.
Ah, quanta falta de observação de muitos brasileiros, iniciantes, leigos ou mesmo habituais no "espiritismo" brasileiro, de quantas incoerências existem em muitos palestrantes, em parte "médiuns", em outra parte apenas pretensos intelectuais, que com seu balé de palavras bonitas veiculam ideias que se chocam entre si, sendo capazes de escrever uma coisa num texto e outra completamente diferente em outro.
Quantos bajuladores arrancam aplausos com suas belas palavras! Ah, que veneno pode representar um elogio vindo de um bajulador barato, ferindo mais do que uma maledicência aberta! Quantos traidores não estão por trás daqueles que apertam a mão de pessoas de perfil mais avançado, dando-lhe os mais elaborados louvores verbais, para depois apunhalá-los pelas costas praticando ideias contrárias as dos bajulados.
Os brasileiros não observam isso com cautela e aceitam que escritores e palestrantes "espíritas" digam uma coisa num momento e outra depois. Num momento, ficam com o cientificismo de Kardec e juram fidelidade absoluta. Num outro momento, o traem com igrejismo extremado, e ficam com os deturpadores que usam a "caridade" como escudo para seus trabalhos de catolicização do Espiritismo.
Quanta podridão há nos bastidores do "movimento espírita". Quantos roustanguistas de carteirinha se dizem "absolutamente fiéis" a Kardec. Quantos exércitos de palavras são feitos para mostrar o bom mocismo dos deturpadores, que pensam que se pode falar em "caridade" e "fraternidade" para legitimar ideias contrárias à Codificação.
Diante desse esforço hercúleo dos Golias da palavra, dos Constantinos da fé a pregar mistificação, o "espiritismo", que tanto se gaba em "valorizar o Conhecimento", ainda condena o questionamento aprofundado, que tão levianamente define como "falta de perdão", usando expressões fortes como "tóxico do intelectualismo" para esconder seu medo de ser questionado.
Pois Kardec, que aceitava o debate e a controvérsia, nunca aprovaria esse engodo doutrinário, essa "lavagem de porco" a que se reduziu o "espiritismo" no Brasil, misturando igrejismo e cientificismo, ideias fantasiosas e outras realísticas, teorias mediúnicas corretas com mediunidade fake, e pregando a Teologia do Sofrimento sem assumir no discurso essa teoria medieval. O amor não pode proteger a hipocrisia.
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