quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
Colunista do Brasil 247 erra feio ao citar obra 'fake' atribuída a Humberto de Campos
O pato da FIESP é ilustrativo. Os brasileiros são como filhotes de patos, que se agarram à primeira coisa que veem pela frente e lhes é do agrado. O colunista Ribamar Fonseca, do Brasil 247, embora num texto bem intencionado, recorreu à religião da plutocracia e da Rede Globo, o "espiritismo" brasileiro, para fazer apelos à paz num contexto de ódio e de intolerância social. Foi no texto "Em busca da paz", publicado no dia 04 de abril de 2016.
O texto, que cita uma obra fake atribuída a Humberto de Campos, a patriotada literária Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, escrito a quatro mãos por Francisco Cândido Xavier e Antônio Wantuil de Freitas para tentar agradar o Estado Novo - sobretudo a pessoa do Departamento de Imprensa e Propaganda, Lourival Fontes - , é uma tentativa de inserir igrejismo num portal de esquerda, no qual o autor é tomado de emoção e fascinação obsessiva em torno de Chico Xavier.
Sem levar a fundo os aspectos sombrios do "médium" mineiro, que sempre foi um sujeito conservador, um católico de crenças ortodoxas - beirando ao nível de um Olavo de Carvalho - e havia defendido a ditadura militar em um programa de TV de grande audiência, o escritor Ribamar Fonseca pode ter agido por boa-fé, mas isso não o isenta de ter cometido um grave equívoco, tão apegado à tentadora fascinação por um ídolo religioso.
O escritor, que talvez não tenha lido Allan Kardec senão em traduções igrejistas - crê-se, que, no caso, a da FEB lhe teria sido disponível - e não tenha a menor ideia de que o que conhecemos como "Espiritismo" no Brasil é uma deturpação das mais grosseiras, rebaixando o legado deixado por Kardec a um sub-Catolicismo de matizes medievais.
Esquece também Ribamar Fonseca que o caso Humberto de Campos levou Chico Xavier para os tribunais, por acusações de apropriação indébita do nome de um morto. O processo foi movido pelos herdeiros do escritor e a seletividade da Justiça, hoje conhecida através de nomes como Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e Gilmar Mendes, entre outros, beneficiou Xavier, que havia sido, em seu tempo, uma espécie de Aécio Neves da religião.
Quanto choque levaria Ribamar Fonseca se conhecesse o que os deturpadores brasileiros fizeram com o "espiritismo". Além disso, teorizar demais sobre a paz, como fazem os "espíritas", não resolvem as coisas, porque a vida é muito complexa para que se resolvessem conflitos e desigualdades pelo apelo à "paz em Cristo". Isso é igrejismo barato e sabemos que nem todos os que dizem "Senhor, Senhor", se vangloriando de suposto messianismo, podem ser considerados dignos de evolução moral.
Ribamar, como escritor e intelectual, deveria perceber que as obras originais de Humberto de Campos apresentam um estilo MUITO DIFERENTE do que se atribui à obra espiritual do autor maranhense. A desinformação quanto a isso, mesmo justificada pelas paixões religiosas, não se justifica. Ainda mais num portal de esquerda, que deveria ser um contraponto à mídia hegemônica, é duvidoso haver a defesa de Chico Xavier, que é um grande protegido da Rede Globo de Televisão.
Além disso, devemos ter cuidado quando se teoriza demais sobre a paz e apela demais para a tese de que "somos todos irmãos", que não resolve os conflitos em si existentes. Em muitos casos, o contexto da situação pode fazer com que a frase "somos todos irmãos" soe mais irritante que consoladora, e essa ideia também pode sugerir uma retórica dócil contra a individualidade e a diversidade humana.
"Irmão" é um eufemismo católico para "gado", e a analogia do rebanho, do gado bovino, é muito utilizada pelo discurso religioso conservador - no qual se inspira o "movimento espírita" brasileiro - , que remete à ideia de "somos todos irmãos" como forma de deixarmos tudo como está, desde que aceitemos passivamente, mesmo com graves injustiças, apenas minimizando os efeitos dos prejuízos.
Além disso, há uma obra de George Orwell - conhecido por relatar a tirania em 1984 - chamada A Revolução dos Bichos, nos quais a ideia de "fraternidade" religiosa é contestada: "Todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros". O sentido permaneceria totalmente o mesmo se mudarmos a frase para "Todos são irmãos, mas uns são mais irmãos que os outros".
Somos a favor da paz e da fraternidade, mas preferimos não colocá-las no aparato morto da teoria. Em vez de nos preocuparmos se somos ou não "irmãos", preferimos defender o fim das injustiças e desigualdades, resolvendo os conflitos conforme as circunstâncias. Aprisionar o conceito de paz e fraternidade em palavras bonitas mas vagas não impede, todavia, que injustiças sejam cometidas só porque os algozes e abusadores "também são nossos irmãos".
Isso é complicado de dizer, diante de um Brasil preso em paixões religiosas e no qual os "médiuns espíritas" conseguiram seu êxito de dominar os brasileiros através do perigoso método da fascinação obsessiva, lançando mão de muitas armadilhas que haviam sido alertadas por Kardec e seus mensageiros em toda a obra da Codificação.
A título de estimular o questionamento, reproduzimos o texto de Ribamar Fonseca, pedindo às pessoas que leiam o texto com cuidado, para não cair na tentação das paixões religiosas (perigoso véu que entorpece os sentidos através de seu forte apelo emocional) que certos trechos apresentam.
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Em busca da paz
Ribamar Fonseca - Brasil 247 - 4 de Abril de 2016
As paixões políticas, que obliteram o raciocínio e enegrecem o coração, criaram um campo fértil para a proliferação da intolerância e do ódio disseminados no país. Como consequência, estimulados pelas postagens odientas nas redes sociais, os atos de hostilidade, sobretudo contra pessoas ligadas ao governo e ao PT, se multiplicaram em todo o território nacional, revelando um comportamento fascista que já ultrapassa os limites suportáveis por uma democracia e que, portanto, precisa ser reprimido com rigor, na forma da lei, antes que surja a primeira vítima fatal.
Como até hoje nenhuma providência foi tomada contra esses insanos que, além de insultos, ofensas e ameaças até a autoridades constituídas dos três poderes, já pregam a morte dos adversários políticos, vai chegar o momento em que ninguém estará seguro em lugar nenhum. E a violência, que é o argumento dos ignorantes, dominará as ruas das grandes e pequenas cidades do Brasil.
Antes confinados às redes sociais, onde um advogado filiado ao PSDB ameaçou matar a presidenta Dilma Rousseff e mais recentemente criou-se um grupo intitulado "Morte a Lula", que prega o assassinato do ex-presidente operário, os atos de hostilidade se tornaram físicos e pessoas com a sanidade afetada pela paixão política, potencializada pelo ódio e intolerância, já agrediram verbalmente os ex-ministros Guido Mantega e Alexandre Padilha em lugares públicos, além de parlamentares, artistas e jornalistas simpatizantes de Dilma e Lula, como Chico Buarque de Holanda e Juca Kfouri, entre outros. Nem os ministros Teori Zavascki e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, escaparam das hostilidades dos opositores do governo, simplesmente porque tomaram decisões justas, consideradas favoráveis aos petistas. Ninguém, portanto, está imune aos ataques dessa horda.
Conscientes da gravidade da situação, alimentada todo dia pelo noticiário oposicionista da grande mídia, algumas autoridades e representantes da sociedade organizada já começaram a se mobilizar em busca da paz, advertindo para os perigos do clima de ódio e intolerância e exortando ao diálogo as forças antagônicas, única maneira de conseguir-se a pacificação nacional. Um dos primeiros a pregar a necessidade de paz foi o ministro Marco Aurélio Mello, seguido do ministro das Comunicações Edinho Silva, mas já tem muito mais gente se movimentando nesse sentido, como o ministro da Justiça, o secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o presidente do Instituto dos Advogados, que se reuniram em Brasília para elaborar um documento capaz de sensibilizar o país para a urgência de criar-se um ambiente de paz, indispensável à governabilidade e à superação das crises.
"Peçamos a Deus que inspire os homens públicos, atualmente no leme da Pátria do Cruzeiro, e que, nesta hora amarga em que se verifica a inversão de quase todos os valores morais, no seio das oficinas humanas, saibam eles colocar muito alto a magnitude dos seus precípuos deveres. E a vós, meus filhos, que Deus vos fortaleça e abençoe, sustentando-vos nas lutas depuradoras da vida material". Esse texto, muito atual, do espírito Emmanuel, consta do prefácio do livro "Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho", ditado há 78 anos, mais precisamente em 1938, pelo espírito do escritor Humberto de Campos, o mais jovem intelectual a ingressar na Academia Brasileira de Letras, e psicografado pelo médium Chico Xavier. Esse livro fortalece as esperanças de que o Brasil conseguirá mais uma vez superar suas dificuldades, sem maiores traumas, porque lá do alto a espiritualidade superior está atenta aos acontecimentos e também trabalhando em favor da paz em nosso país.
Ainda no mencionado livro, de 1938, Humberto de Campos faz uma exortação aos brasileiros, exortação essa válida para os dias atuais, nos seguintes termos: "Brasileiros, ensarilhemos para sempre as armas homicidas das revoluções! Consideremos o valor espiritual do nosso grande destino! Engrandeçamos a Pátria no cumprimento do dever pela ordem, e traduzamos a nossa dedicação mediante o trabalho honesto pela sua grandeza! Consideremos, acima de tudo, que todas as suas realizações hão de merecer a luminosa sanção de Jesus, antes de se fixarem nos bastidores do poder transitório e precário dos homens! Nos dias de provações, como nas horas de venturas, estejamos irmanados numa doce aliança de fraternidade e paz indestrutível, dentro da qual deveremos esperar as claridades do futuro. Não nos compete estacionar, em nenhuma circunstância, e sim marchar sempre, com a educação e com a fé realizadora, ao encontro do Brasil, na sua admirável espiritualidade e na sua grandeza imperecível!"
Vale a pena refletir sobre as palavras de Emmanuel e Humberto de Campos, psicografadas por Chico Xavier, porque elas traduzem o sentimento de todos os brasileiros que amam o seu país e querem vê-lo num clima de paz. Afinal, somos todos irmãos!
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
"Médiuns espíritas" já "receberam" a sua recompensa
OS CHAMADOS "MÉDIUNS ESPÍRITAS", COMO CHICO XAVIER E DIVALDO FRANCO, TAMBÉM RECEBERAM OS "PRÊMIOS DA TERRA".
A vida é dotada de mil complexidades. Muitas pessoas não percebem as sutilezas e no Brasil as armadilhas mais sutis nunca são devidamente percebidas, fazendo com que verdadeiros absurdos, que no mundo desenvolvido causariam constrangimento e desconfiança, fossem aceitos com a mais ferrenha convicção, dificultando até o mais empenhado questionamento e exame.
A deturpação do Espiritismo já havia ocorrido na França, quando o advogado de Bordéus, Jean-Baptiste Roustaing, tentou concorrer com a obra do pedagogo de Lyon, Allan Kardec, através do pomposo e rebuscado livro Os Quatro Evangelhos. Com esse livro, criou-se uma corrente igrejista que, no entanto, embora tenha enfraquecido o legado kardeciano na França, também não prosperou.
O roustanguismo prosperou no Brasil, quando serviu de raiz para o "movimento espírita". Mas, como num país marcado pelas conveniências, pelo jeitinho e pelo arrivismo, comete-se, pelo menos nas últimas quatro décadas, uma forma amalucada de "espiritismo", um "roustanguismo com Kardec" no qual, em tese, se proclama a fidelidade absoluta com os postulados espíritas originais, mas, na prática, se rende ao igrejismo de raízes roustanguistas.
A figura do "médium espírita" já é uma aberração, um subproduto da combinação entre sensacionalismo popularesco e fanatismo religioso. O "médium" perdeu aquela função intermediária dos tempos do Espiritismo original, passando a ser um "sacerdote sem batina", um pretenso símbolo de humildade para uma parcela da sociedade que não consegue ser humilde por si própria. Com o agravante que os médiuns franceses originais, mesmo aristocráticos, eram mais humildes.
O "médium" virou o centro das atenções, fazendo palestras para ricos, excursionando pelo Brasil e pelo mundo, em parte usando o dinheiro da caridade, em outra recebendo o patrocínio de empresas, fazendo um Assistencialismo que ajuda muito pouco os mais necessitados, não raro tratados como se fossem animais domésticos. Isso se comprova quando locais onde se situam "casas espíritas" se tornam impotentes na transformação social de suas comunidades.
O que se nota, como citado acima, é que os médiuns originais do tempo de Kardec, mesmo sendo figuras da aristocracia francesa, são mil vezes mais humildes que os "médiuns" brasileiros que são tão proclamados como "símbolos máximos da humildade humana".
Observando as fotos de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, nota-se que os dois muitas vezes apresentavam um semblante arrogante, embora aparentemente sereno. Sabe-se que, no caso de Chico Xavier, frequentemente se via ele com um semblante muito pesado, e, nos seus primeiros anos de atividade supostamente mediúnica, seu semblante era ainda mais agressivo e medonho. No programa Pinga Fogo, da TV Tupi, se via o "médium" com um jeito ranzinza e presunçoso.
Divaldo, mais sutil, no entanto fazia poses de falsa modéstia, com aparência de mansuetude típica dos canatrões religiosos. Em muitos casos, a fala mansa de Divaldo fere como um punhal, como no seu julgamento de valor contra os refugiados do Oriente Médio, definidos pelo "médium" como "antigos colonizadores que retornam à Europa para reconquistar velhos tesouros".
O ALÉM-TÚMULO COMO "DEPÓSITO" DE FANTASIAS MATERIALISTAS
Um dado que nem mesmo muitos críticos da deturpação espírita conseguem admitir é que a pretensa humildade espiritualista dos "médiuns", a qual se supõe ser uma renúncia aos gozos materiais, é na verdade uma expressão de perspectiva ilusória, na qual se imagina que, no mundo espíritual, possam se haver os mesmos gozos terrenos, só que de maneira melhorada e permanente.
O mundo espiritual é considerado ainda um mistério. Em sua obra, Kardec disse que não havia uma hipótese considerável do que seria, de fato, o mundo espiritual, e essa ideia não foi até hoje superada, não havendo estudos que, com segurança, pudessem ao menos supor o que seria o além-túmulo.
Os deturpadores do Espiritismo, que hoje tomam as rédeas da doutrina no Brasil e se acham até acima do próprio Kardec (ele que se adapte aos próprios deturpadores), é que criaram, a partir da famosa obra Nosso Lar, de Chico Xavier, fantasias materialistas que supõem que o mundo espiritual seria uma forma requintada da vida na Terra. Houve quem dissesse que as obras terrenas eram caricaturas do que já se havia feito (sic) na vida espiritual.
Essa visão materialista é usada para que os "espíritas" defendam o sofrimento dos que não detém os privilégios sociais. O próprio Chico Xavier foi devoto da Teologia do Sofrimento, corrente medieval do Catolicismo, e inseriu isso no "movimento espírita", defendendo sempre a aceitação do pior sofrimento, sem queixumes e em silêncio, sob a desculpa de que "uma vida melhor" espera o desgraçado extremo no além-túmulo.
Até a ideia de reencarnação é desvirtuada, nos fazendo esquecer que, se em poucos anos, muitas coisas mudam na vida, na encarnação seguinte, a coisa se complica ainda mais. Os "espíritas", insensíveis, acham que é possível uma pessoa deixar de fazer uma coisa em uma encarnação e poder fazer a mesma na encarnação seguinte, mas a verdade é que, mesmo existindo várias encarnações, a oportunidade que se perde numa delas está perdida para sempre, pois as condições humanas da encarnação seguinte se tornarão extremamente diferentes.
Mesmo assim, os "espíritas" insistem que não há problema em perder tudo numa encarnação, viver desgraças, enfrentar obstáculos intransponíveis, perder tempo dando murro em ponta de faca. E os "médiuns" faturam com essa "indústria do sofrimento", feita para lotar "casas espíritas" por mais que os chamados "tratamentos espirituais" se revelem terapias que trazem mais azar do que sorte na vida.
RECOMPENSAS TERRENAS
É um engano dizer que os "médiuns espíritas" não recebem recompensas terrenas nem se preocupem em alcançar o topo da pirâmide social. No topo da pirâmide até se situam, porque estão associados a um privilégio social, no caso a presunção do "contato direto com Deus", e os "médiuns", com toda a pose de "humildade" e "simplicidade", se sobressaem com esse suposto diferencial, tão terreno quanto os da riqueza material, para os aristocratas.
Devemos nos lembrar que mesmo a presunção de "divinização" que, na Terra, gozaram os supostos médiuns Chico Xavier e Divaldo Franco (este ainda goza), entre outros, supostamente creditada a níveis espirituais, não deixa também de ser um atributo terreno, até se percebermos que a trajetória desses "médiuns" é marcada por muita confusão e erros graves, que vão desde irregularidades nas obras "mediúnicas", indicando fraudes, até a defesa da ditadura militar (e do golpe de 2016) e o apoio a complexos alimentares de valor duvidoso.
Além disso, os "médiuns" praticam pouca caridade. Embora digam que fazem Assistência Social (caridade transformadora), o que fazem é Assistencialismo, de efeitos meramente paliativos. Se preocupam mais em usar a "caridade" para promover suas imagens ante a sociedade do que realizar progressos sociais.
Pelo pouco que fazem, com resultados muito medíocres para a pretensão de grandeza que os "médiuns" possuem, eles recebem os mais opulentos prêmios: medalhas, troféus, condecorações, títulos, diplomas, tudo isso às custas de ações puramente paliativas, discursos solenes, livrinhos de auto-ajuda e pregação religiosa, enfim, coisas abaixo até mesmo do mais precário humanismo.
Temos que nos lembrar de um trecho do texto "Trabalhadores do Senhor", em que o Espírito de Verdade dá duras críticas aos trabalhadores que adiam a colheita, que deixam o trabalho pela metade por causa dos gozos terrenos, que não podemos esquecer que têm seus diversos matizes, pois mesmo a "divinização" atribuída pelas paixões religiosas são também um gozo terreno. As sessões "mediúnicas" de Chico Xavier, por exemplo, passavam a mesma energia pesada, e morbidamente extasiada, das orgias marcadas pelo sexo e pelas drogas.
Cabe então reproduzirmos, mais uma vez, o parágrafo presente em O Evangelho Segundo o Espiritismo, obra original kardeciana, no Capítulo 20 - Trabalhadores de Última Hora, no item III das Instruções dos Espíritos:
"Mas infelizes os que, por suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, porque a tempestade chegará e eles serão levados no turbilhão! Nessa hora clamarão: 'Graça! Graça!' Mas o Senhor lhes dirá: 'Por que pedis graça, se não tivestes piedade de vossos irmãos, se vos recusastes a lhes estender as mãos, e se esmagastes o fraco em vez de o socorrer? Por que pedis graça, se procurastes a recompensa nos prazeres da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebeste a vossa recompensa, de acordo com a vossa vontade. Nada mais tendes a pedir. As recompensas celestes são para aqueles que não houverem pedido recompensas da Terra'".
Quantos pretensos humildes deixam o trabalho incompleto, querendo o dobro de homenagens pela metade do pouco que fizeram! Milhões de prêmios dados por um milésimo da caridade prometida! E, no caso de Chico Xavier, quanto ele esmagou o fraco quando disse a ele: "aceite a desgraça, sem queixumes"!
E o que é a divinização, com todo o aparato de "humildade" e "simplicidade", senão um orgulho muito mal disfarçado? E as palestras, as sessões "mediúnicas"? Ah, quantos gozos terrenos! Quanto êxtase fútil mal disfarçado de devoção religiosa! Quantas orgias não se faz, com o mesmo sentimento mórbido e doentio das festas mais sombrias, em reuniões "espíritas" marcadas pelas supostas mensagens de mortos ou por supostos eventos pacifistas!
As energias são tão parecidas que os "espíritas", diante da crítica mais suave e construtiva, são os primeiros a explodir em raiva e rancor, mesmo quando se disfarçam em linguagem de irônica mansuetude, o que prova o quanto não há diferença entre as festas dos umbrais terrenos e as sessões "mediúnicas" que Chico Xavier promovia em ambientes de muita catarse, muita ansiedade e muitos gozos terrenos das paixões religiosas e da idolatria barata aos totens da fé cega e fanática.
Com o culto à personalidade que os "médiuns" vivem, a coisa se agrava, e sabemos que Kardec e seus mensageiros espirituais não seriam tolos em aceitar que o igrejismo dos deturpadores brasileiros se sustente por aparatos frágeis de "caridade", que tão explicitamente mostram seu caráter falho, ao não garantir a prosperidade e a segurança social dos locais onde se instalam "casas espíritas" de toda espécie.
Se essa "caridade" só serve para que a opinião pública evite questionar os erros, muitos deles preocupantes, relacionados à vida e obra dos "médiuns", e garante a estes os prêmios terrenos dados em nome de um suposto humanismo, então vale corroborar o que o Espírito de Verdade disse: "Já recebestes ("médiuns") a sua recompensa, conforme a vossa vontade".
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Espírito de Verdade e o desmérito da "caridade" dos deturpadores do Espiritismo
CORPO DE HOMEM ASSASSINADO É CARREGADO POR POLICIAIS E AGENTES EM UBERABA, UMA DAS CIDADES COM GRANDE ÍNDICE DE VIOLÊNCIA EM MINAS GERAIS.
Pela grandeza com que se autoproclamam os "médiuns espíritas", eles teriam transformado o Brasil num país de alto grau de desenvolvimento humano. A conversa mole que os "espíritas" brasileiros em geral têm, de que "conseguem fazer" na véspera o que "não puderam fazer" no dia seguinte, faz com que sua "caridade" seja muito mais um mito do que uma realidade e um projeto de vida.
Os "espíritas" ajudam, mas muito pouco, abaixo do que a grandeza que eles julgam ter deveria sugerir. Eles tanto falam que fazem Assistência Social (a caridade que realmente transforma), mas na prática o que eles fazem é Assistencialismo (a caridade que apenas reduz os prejuízos sem resolver profundamente o problema), fazendo muito pouco pelo próximo e se preocupando mais com a propaganda "divinizadora" dos "médiuns", os "sacerdotes sem batina" do "espiritismo à brasileira".
Locais como Abadiânia, em Goiás, Pedro Leopoldo e Uberaba, em Minas Gerais, e o bairro de Pau da Lima, em Salvador, vivem do abandono, da pobreza e da violência extremas. As terras de Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e João Teixeira de Faria, o João de Deus, nem de longe correspondem à grandeza com que os "médiuns" se autoproclamam possuir, como pretensos cidadãos do mundo e supostos ativistas sociais de alegado alto conceito.
É muito comum os "espíritas" dizerem, num dia, que "estão transformando a humanidade", que "finalmente estão realizando seu trabalho em prol da evolução planetária", e, no dia seguinte, virem com outro discurso, dizendo que "não puderam fazer o que desejavam" usando várias desculpas, que vão dos problemas financeiros à ação de "espíritos obsessores". Essa conversa é malandra e nem de longe reflete a firmeza original que foi a marca do pedagogo francês Allan Kardec.
Só no caso de Uberaba, terra adotiva de Chico Xavier, além dos altos índices de violência que preocupam a população local, é risível que, no centenário de nascimento do "médium", o ano de 2010, a cidade tenha recebido "de presente" da ONU uma queda de 106 colocações em Índice de Desenvolvimento Humano, indo do 104º lugar em 2000 para 210º uma década depois.
Não há como separar caridade de qualidade de vida, como, de maneira tão hipócrita, certos devotos religiosos pregam para acobertar os erros de seus ídolos da fé. Se o ídolo religioso que se coloca sob uma situação de grandeza não consegue trazer resultados profundos e definitivos de evolução social, só realizando num caso ou em outro, então a grandeza dele é uma farsa.
Daí um Divaldo Franco que risivelmente foi considerado "o maior filantropo do Brasil" por ajudar 0,0012% da população brasileira em mais de 60 anos de atividade. Muitos se exultam diante dos 163 mil beneficiados pela Mansão do Caminho em seis décadas, mas isso é sinônimo de nada, diante da dimensão da população brasileira e de tantos anos de ação.
Mas para um "médium" que humilhou os refugiados do Oriente Médio que buscavam uma vida de paz na Europa, acusando-os de serem "tiranos colonizadores sedentos pela retomada de riquezas" e abriu seu Você e a Paz para o lançamento de um engodo alimentar condenado por nutricionistas e ativistas sociais sérios, não é surpresa que esse papo de "maior filantropo do Brasil" é conversa para boi dormir, servindo mais para propaganda de um ídolo religioso do que para um suposto atestado de atividade filantrópica.
ATÉ PARECE QUE KARDEC PREVIU TUDO ISSO
A deturpação do Espiritismo que ganhou êxito surreal no Brasil, no qual os próprios deturpadores se julgam acima até mesmo do próprio Kardec, tenta se sustentar com a retórica de "caridade", que é uma espécie de "rouba mas faz" dos "espíritas". Ou seja, usa-se a "caridade" para justificar fraudes na "mediunidade" ou a pregação de ideias que vão contra os valores da Codificação.
Mas até parece que o próprio Kardec previu isso, assim como os espíritos realmente benfeitores que, mesmo imperfeitos, traziam mensagens de indiscutível lucidez publicadas na bibliografia kardeciana. O Espírito da Verdade, coordenador desses trabalhos espirituais feitos por médiuns (autênticos e quase anônimos e mais humildes do que os "humildes médiuns" brasileiros que vivem do culto à personalidade) a serviço do pedagogo francês, escreveu um texto bastante consistente.
Intitulado "Trabalhadores do Senhor", o texto integra o item III das instruções dos espíritos publicadas no capítulo 20, Trabalhadores de Última Hora, do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, na tradução de José Herculano Pires.
Nele, se oferecem subsídios para um problema que mesmo os contestadores da deturpação do Espiritismo não conseguem perceber, ainda deslumbrados com a imagem "divinizada" dos "médiuns espíritas". É a "caridade" que mais serve para satisfazer o orgulho dos "benfeitores" do que para ajudar as pessoas, deixando o trabalho incompleto ou em parâmetros medíocres enquanto os "caridosos" se apressam em buscar prêmios opulentos para o muito pouco que fizeram.
O texto é surpreendente e coloca em situação vexaminosa os "médiuns" brasileiros, que descobrimos não passarem de gananciosos enrustidos, vivendo do culto à personalidade, sendo objetos da mais mórbida adoração e alvos do apego mais doentio, e compensando a falta de batina com a falsa modéstia, uma imagem "humilde" que serve mais de apelo para arrancar prêmios em diversos eventos, colecionando medalhas, diplomas, troféus pela pouca filantropia que realizam.
O segundo parágrafo desta passagem parece um recado direto aos "espíritas" brasileiros, que pedem louvores pelo quase nada que fazem e, em muitos casos, até pelo mal que provocam quando apelam aos sofredores a aceitação das desgraças, uma marca de Chico Xavier, devoto da Teologia do Sofrimento.
A ideia de que os que pediram as recompensas na Terra - a própria pretensa "luminosidade" dos "médiuns" é um prêmio terreno e não um atributo das altas esferas espirituais - não receberão as do Céu é bem ilustrativa, na derrubada das ilusões que os "espíritas" têm de que os "médiuns" ao morrerem encerrariam a missão encarnatória ou enfrentariam uma ou duas reencarnações como "missionários".
Em muitos casos, são justamente os "médiuns" os espíritos mais ordinários, os mais levianos e pretensiosos, procurando caprichar o máximo possível no seu aparato de humildade, bondade, progressismo, sem perceber o quanto isso é uma extravagância pelo avesso, pois o verniz de humildade revela também o luxo e a pompa sob novas e traiçoeiras máscaras. Vamos ao trecho do texto do Espírito de Verdade:
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III – Trabalhadores do Senhor
ESPÍRITO DE VERDADE - Paris, 1862
Publicado em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec - tradução de J. Herculano Pires
5 – Chegastes no tempo em que se cumprirão as profecias referentes à transformação da Humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse, e movidos apenas pela caridade! Suas jornadas de trabalho serão pagas ao cêntuplo do que tenham esperado. Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos, e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, na sua vinda, encontre a obra acabada”, porque a esses o Senhor dirá: Vinde a mim, vós que sois os bons servidores, vós que soubestes calar os vossos melindres e as vossas discórdias, para que a obra não sofresse!” .
Mas infelizes os que, por suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, porque a tempestade chegará e eles serão levados no turbilhão! Nessa hora clamarão: “Graça! Graça!” Mas o Senhor lhes dirá: “Por que pedis graça, se não tivestes piedade de vossos irmãos, se vos recusastes a lhes estender as mãos, e se esmagastes o fraco em vez de o socorrer? Por que pedis graça, se procurastes a recompensa nos prazeres da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebeste a vossa recompensa, de acordo com a vossa vontade. Nada mais tendes a pedir. As recompensas celestes são para aqueles que não houverem pedido recompensas da Terra”.
Deus faz, neste momento, a enumeração dos seus servidores fiéis. E já marcou pelo seu dedo os que só têm a aparência do devotamento, para que não usurpem o salário dos servidores corajosos. Porque é a esses, que não recuaram diante de sua tarefa, que vai confiar os postos mais difíceis, na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. E estas palavras se cumprirão: “Os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus!”.
Pela grandeza com que se autoproclamam os "médiuns espíritas", eles teriam transformado o Brasil num país de alto grau de desenvolvimento humano. A conversa mole que os "espíritas" brasileiros em geral têm, de que "conseguem fazer" na véspera o que "não puderam fazer" no dia seguinte, faz com que sua "caridade" seja muito mais um mito do que uma realidade e um projeto de vida.
Os "espíritas" ajudam, mas muito pouco, abaixo do que a grandeza que eles julgam ter deveria sugerir. Eles tanto falam que fazem Assistência Social (a caridade que realmente transforma), mas na prática o que eles fazem é Assistencialismo (a caridade que apenas reduz os prejuízos sem resolver profundamente o problema), fazendo muito pouco pelo próximo e se preocupando mais com a propaganda "divinizadora" dos "médiuns", os "sacerdotes sem batina" do "espiritismo à brasileira".
Locais como Abadiânia, em Goiás, Pedro Leopoldo e Uberaba, em Minas Gerais, e o bairro de Pau da Lima, em Salvador, vivem do abandono, da pobreza e da violência extremas. As terras de Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e João Teixeira de Faria, o João de Deus, nem de longe correspondem à grandeza com que os "médiuns" se autoproclamam possuir, como pretensos cidadãos do mundo e supostos ativistas sociais de alegado alto conceito.
É muito comum os "espíritas" dizerem, num dia, que "estão transformando a humanidade", que "finalmente estão realizando seu trabalho em prol da evolução planetária", e, no dia seguinte, virem com outro discurso, dizendo que "não puderam fazer o que desejavam" usando várias desculpas, que vão dos problemas financeiros à ação de "espíritos obsessores". Essa conversa é malandra e nem de longe reflete a firmeza original que foi a marca do pedagogo francês Allan Kardec.
Só no caso de Uberaba, terra adotiva de Chico Xavier, além dos altos índices de violência que preocupam a população local, é risível que, no centenário de nascimento do "médium", o ano de 2010, a cidade tenha recebido "de presente" da ONU uma queda de 106 colocações em Índice de Desenvolvimento Humano, indo do 104º lugar em 2000 para 210º uma década depois.
Não há como separar caridade de qualidade de vida, como, de maneira tão hipócrita, certos devotos religiosos pregam para acobertar os erros de seus ídolos da fé. Se o ídolo religioso que se coloca sob uma situação de grandeza não consegue trazer resultados profundos e definitivos de evolução social, só realizando num caso ou em outro, então a grandeza dele é uma farsa.
Daí um Divaldo Franco que risivelmente foi considerado "o maior filantropo do Brasil" por ajudar 0,0012% da população brasileira em mais de 60 anos de atividade. Muitos se exultam diante dos 163 mil beneficiados pela Mansão do Caminho em seis décadas, mas isso é sinônimo de nada, diante da dimensão da população brasileira e de tantos anos de ação.
Mas para um "médium" que humilhou os refugiados do Oriente Médio que buscavam uma vida de paz na Europa, acusando-os de serem "tiranos colonizadores sedentos pela retomada de riquezas" e abriu seu Você e a Paz para o lançamento de um engodo alimentar condenado por nutricionistas e ativistas sociais sérios, não é surpresa que esse papo de "maior filantropo do Brasil" é conversa para boi dormir, servindo mais para propaganda de um ídolo religioso do que para um suposto atestado de atividade filantrópica.
ATÉ PARECE QUE KARDEC PREVIU TUDO ISSO
A deturpação do Espiritismo que ganhou êxito surreal no Brasil, no qual os próprios deturpadores se julgam acima até mesmo do próprio Kardec, tenta se sustentar com a retórica de "caridade", que é uma espécie de "rouba mas faz" dos "espíritas". Ou seja, usa-se a "caridade" para justificar fraudes na "mediunidade" ou a pregação de ideias que vão contra os valores da Codificação.
Mas até parece que o próprio Kardec previu isso, assim como os espíritos realmente benfeitores que, mesmo imperfeitos, traziam mensagens de indiscutível lucidez publicadas na bibliografia kardeciana. O Espírito da Verdade, coordenador desses trabalhos espirituais feitos por médiuns (autênticos e quase anônimos e mais humildes do que os "humildes médiuns" brasileiros que vivem do culto à personalidade) a serviço do pedagogo francês, escreveu um texto bastante consistente.
Intitulado "Trabalhadores do Senhor", o texto integra o item III das instruções dos espíritos publicadas no capítulo 20, Trabalhadores de Última Hora, do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, na tradução de José Herculano Pires.
Nele, se oferecem subsídios para um problema que mesmo os contestadores da deturpação do Espiritismo não conseguem perceber, ainda deslumbrados com a imagem "divinizada" dos "médiuns espíritas". É a "caridade" que mais serve para satisfazer o orgulho dos "benfeitores" do que para ajudar as pessoas, deixando o trabalho incompleto ou em parâmetros medíocres enquanto os "caridosos" se apressam em buscar prêmios opulentos para o muito pouco que fizeram.
O texto é surpreendente e coloca em situação vexaminosa os "médiuns" brasileiros, que descobrimos não passarem de gananciosos enrustidos, vivendo do culto à personalidade, sendo objetos da mais mórbida adoração e alvos do apego mais doentio, e compensando a falta de batina com a falsa modéstia, uma imagem "humilde" que serve mais de apelo para arrancar prêmios em diversos eventos, colecionando medalhas, diplomas, troféus pela pouca filantropia que realizam.
O segundo parágrafo desta passagem parece um recado direto aos "espíritas" brasileiros, que pedem louvores pelo quase nada que fazem e, em muitos casos, até pelo mal que provocam quando apelam aos sofredores a aceitação das desgraças, uma marca de Chico Xavier, devoto da Teologia do Sofrimento.
A ideia de que os que pediram as recompensas na Terra - a própria pretensa "luminosidade" dos "médiuns" é um prêmio terreno e não um atributo das altas esferas espirituais - não receberão as do Céu é bem ilustrativa, na derrubada das ilusões que os "espíritas" têm de que os "médiuns" ao morrerem encerrariam a missão encarnatória ou enfrentariam uma ou duas reencarnações como "missionários".
Em muitos casos, são justamente os "médiuns" os espíritos mais ordinários, os mais levianos e pretensiosos, procurando caprichar o máximo possível no seu aparato de humildade, bondade, progressismo, sem perceber o quanto isso é uma extravagância pelo avesso, pois o verniz de humildade revela também o luxo e a pompa sob novas e traiçoeiras máscaras. Vamos ao trecho do texto do Espírito de Verdade:
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III – Trabalhadores do Senhor
ESPÍRITO DE VERDADE - Paris, 1862
Publicado em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec - tradução de J. Herculano Pires
5 – Chegastes no tempo em que se cumprirão as profecias referentes à transformação da Humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse, e movidos apenas pela caridade! Suas jornadas de trabalho serão pagas ao cêntuplo do que tenham esperado. Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos, e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, na sua vinda, encontre a obra acabada”, porque a esses o Senhor dirá: Vinde a mim, vós que sois os bons servidores, vós que soubestes calar os vossos melindres e as vossas discórdias, para que a obra não sofresse!” .
Mas infelizes os que, por suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, porque a tempestade chegará e eles serão levados no turbilhão! Nessa hora clamarão: “Graça! Graça!” Mas o Senhor lhes dirá: “Por que pedis graça, se não tivestes piedade de vossos irmãos, se vos recusastes a lhes estender as mãos, e se esmagastes o fraco em vez de o socorrer? Por que pedis graça, se procurastes a recompensa nos prazeres da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebeste a vossa recompensa, de acordo com a vossa vontade. Nada mais tendes a pedir. As recompensas celestes são para aqueles que não houverem pedido recompensas da Terra”.
Deus faz, neste momento, a enumeração dos seus servidores fiéis. E já marcou pelo seu dedo os que só têm a aparência do devotamento, para que não usurpem o salário dos servidores corajosos. Porque é a esses, que não recuaram diante de sua tarefa, que vai confiar os postos mais difíceis, na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. E estas palavras se cumprirão: “Os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus!”.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Desconfie de quem cobra a aceitação do sofrimento
Desconfie daqueles que cobram e insistem para que o sofredor aceite as desgraças que ocorrem na vida. Tenha pé atrás nos falsos conselhos dos que dizem que o infortúnio é o atalho para o Céu. Se afaste daquele que, ao ouvir de outrem o relato da pior desgraça, lhe diz que isso é a grande oportunidade de alcançar a felicidade.
Falácias como "a pessoa que sofre azar o tempo todo é a mais sortuda da vida, pois receberá o prêmio maior do alcance a Deus" e "dia de desgraça, véspera de bênçãos" resumem muito bem a hipócrita moral do "espiritismo" brasileiro, que comprovadamente se identificou com os postulados medievais da Teologia do Sofrimento herdada do Catolicismo jesuíta do Brasil-colônia.
Isso requer, no entanto, uma atenção muito grande, porque o "conselheiro" que, ao ouvir o outro se queixando de uma dificuldade acima do suportável, ao pedir a essa pessoa para aceitar essa triste situação, não o está fazendo com o sentimento amigo e fraterno tão atribuído aos "espíritas", mas um julgamento de valor moralista bastante severo e conservador.
Observemos bem, tomando como exemplo o movimento de uma balança. Se um lado está acima, é porque o outro lado está abaixo. No caso dos que cobram para as pessoas aguentarem as adversidades, mesmo além do limite suportável, sob a desculpa de que "são grandes desafios e aprendizados", é porque eles mesmos não sofreram um pingo das desgraças que acham bonitas quando são vividas pelos outros.
Quantos moralistas se regojizam quando é o outro que sofre, sentem um êxtase quando veem, por exemplo, que empregados esmagaram seus pés num acidente de trabalho e continuaram trabalhando até o fim de noite para receber umas poucas moedas, achando que isso é o caminho para a felicidade definitiva!
Quantos foram os que se autoproclamavam "emocionalmente solidários" diante de pessoas em sofrimento extremo! Quantos não disseram que os mendigos nas ruas são os "mais sortudos da misericórdia divina", quantos não falaram, extasiados, que "benditos são os pregos que ferem as mãos a ponto de sangrar, pois as cicatrizes das feridas são o carimbo da misericórdia de Deus"!
Ah, quantos Pilatos se escondem em falsos cristos, se divertindo, no entretenimento das "lindas estórias de superação" que as religiões, inclusive a "espírita", às custas do sofrimento do outro, que serve de espetáculo para a "masturbação dos olhos" a que se tornou, de forma tão fútil, a busca frenética e ensandecida por "estórias comoventes" para trazer às pessoas uma ilusão de "bondade" que elas mesmas são incapazes de desenvolver em situações normais.
E os palestrantes, sobretudo "médiuns"? Eles fazem turnês, lançam livrinhos, participam de eventos em hotéis cinco estrelas, conhecem os maiores monumentos do mundo desenvolvido, são hospedados e fazem refeições do bom e do melhor, recebem medalhas, diplomas, troféus e outros prêmios pelo pouco que fazem de "caridade", primeiro pensando na sua imagem "divinizada" diante do público, depois, e, talvez, em último plano, pensando nos mais necessitados.
E os membros dos "auxílios fraternos" dos "centros espíritas"? Eles que, mediante os tratamentos espirituais que oferecem, sempre aconselham as pessoas a suportar as adversidades, algo comparável ao de um médico que, sendo informado da doença de um paciente, lhe recusa a contribuir para uma cura, seja receitando remédios ou cirurgias, dependendo do caso.
Eles vivem do conforto e, se não da ausência de problemas, pelo menos da ausência das graves adversidades que eles aconselham seus atendidos a aceitarem. É como diz o ditado popular, "pimenta nos olhos dos outros é refresco". Pelo jeito, se a "pimenta" for fluidificada, melhor ainda, segundo a moral do "espiritismo" brasileiro e sua indústria de comoções baratas às custas da desgraça alheia.
domingo, 3 de dezembro de 2017
"Espiritismo" e o mito do "Natal todos os dias"
O mito do "Natal todos os dias" pregado pelo "espiritismo" brasileiro, aparentemente, apela para a ideia da "ação social" religiosa, na qual, supostamente, o exemplo de Jesus de Nazaré serve de modelo, numa aparente ajuda ao povo pobre na concessão de mantimentos, donativos em geral e até gestos de solidariedade e carinho.
No entanto, alguns aspectos devem ser questionados neste mito. Em primeiro lugar, o apelo do "Natal todos os dias" é um apelo igrejeiro, e sua perspectiva é religiosa, apelando para um tipo de "bondade humana" que soa paternalista, e, não raro, sutilmente dominador e manipulador, porque muitas vezes o preço da "caridade" religiosa é a cooptação de novos fiéis para uma seita religiosa, gente humilde que é mais fácil de controlar e impor ideias.
Sabe-se que a "caridade" pregada pelo "espiritismo" brasileiro é o Assistencialismo e não a Assistência Social. O Assistencialismo apenas "alivia as dores", mas não traz a "cura" da doença da pobreza que a Assistência Social traz. Além disso, o Assistencialismo "espírita" serve mais para fazer propaganda dos "médiuns" e dos donos das "casas espíritas" que se promovem com a "caridade".
São apenas ajudas pontuais, individuais, paternalistas, nas quais se observa o contraste hierárquico da "superioridade" do "benfeitor" diante da "inferioridade" do "beneficiado". A pretensa superioridade dos religiosos é notória, quando forjam uma postura "benevolente" para os desgraçados que, não obstante, os próprios religiosos esnobam suas condições, através de juízos de valor que, no caso dos "espíritas", apela para encarnações antigas e já superadas.
Como que querendo relembrar uma ferida que, provavelmente, já se cicatrizou, o "médium" Divaldo Franco, ao sair de um evento "espírita" na Espanha, fez um grave e cruel juízo de valor contra os refugiados do Oriente Médio. Em atitude que devia ser condenável, não fosse a imunidade que os "médiuns" têm - eles nunca são responsabilizados quando cometem graves erros - , Divaldo acusou os refugiados de "quererem retornar à Europa para reconquistar velhos tesouros".
Divaldo disse isso com ar de serenidade, o que é muito mais cruel. O artífice do Você e a Paz - a ter mais uma edição, com cada vez menos frequentadores, no Campo Grande, em Salvador, no próximo dia 19 - é o mesmo que, na edição paulista desse evento, permitiu, sem exigir pareceres técnicos ou outros exames rigorosos, que um alimento condenado por nutricionistas sérios fosse oficialmente lançado.
Esse alimento, a "farinata" de João Dória Jr., só não pesou contra Divaldo Franco porque o "médium" baiano, protegido da Rede Globo de Televisão, nem sequer teve seu nome citado, apesar da camiseta do prefeito de São Paulo ter mostrado o logotipo do evento e o nome do "médium". Em aspecto surreal, a mídia esquerdista - talvez seduzida pela imagem "caridosa" dos "médiuns espíritas" - compartilhou do mesmo silêncio da mídia hegemônica (Globo, Folha, Estadão, Veja etc).
Divaldo Franco fez seu juízo de valor normalmente naquele clima de "morde e assopra" que seu antecessor Francisco Cândido Xavier havia feito quando, no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, escrito em 1937-1938 pelo "médium" e pelo presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, mas levianamente atribuído ao "espírito Humberto de Campos", citou negros e índios como sendo "selvagens".
É aquela ideia: "fulano é desgraçado, mas merece a nossa total consideração". "Consideração" é um eufemismo para um "espírita" parecer amistoso para aquele por quem o religioso sente algum tipo de aversão. É uma simulação de "sentimento amistoso", que envolve uma aparente misericórdia, que serve mais para promover o bom-mocismo de um "espírita".
Isso merece uma observação cautelosa, porque o "espírita" que humilha o outro, geralmente mais pobre ou de ideologias mais progressistas, depois tenta voltar atrás e diz que o outro é "digno de perdão e do amor infinito de Deus". Isso é uma linguagem que merece uma interpretação cuidadosa, porque revela uma sutil hipocrisia e um jogo de linguagens de apelo cruelmente hierárquico.
É como se os "espíritas", sobretudo os aberrantes "médiuns", dissessem: "Os outros não prestam, mas nós é que somos os bonzinhos, dando carinho a esses seres imprestáveis. Eles são o lixo social, mas nós é que somos o tesouro, por estarmos ligados a Deus".
Ninguém percebe o quanto visões tão cruéis assim existem, como no próprio caso de Chico Xavier, o "homem chamado Amor" que despejou insultos contra as vítimas do incêndio de um circo em Niterói chamando-os de "romanos sanguinários" (Cartas e Crônicas, 1966), e ainda botando a culpa em Humberto de Campos, muito mal disfarçado pelo paródico codinome de "Irmão X".
É constrangedor que Chico Xavier havia pedido para que ninguém julgasse quem quer que fosse, mas em Cartas e Crônicas, ele fez um julgamento de valor dos mais cruéis e humilhantes, se valendo da fraqueza de um povo humilde e sub-escolarizado, sem dinheiro para pagar um advogado para processar o "médium" por danos morais. E mais deplorável ainda foi Chico quando botou o seu juízo de valor pessoal na conta do espírito de Humberto de Campos, que não está mais aí para reclamar.
Pior: o "piedoso médium", para o qual muitos seguidores não gostam que se façam críticas ou questionamentos, também esculhambou os operários e camponeses despejando um comentário reacionário no programa Pinga Fogo, da TV Tupi de São Paulo, em 1971, no qual pediu para os brasileiros orarem em favor da ditadura militar, rezando pelos generais que, segundo Chico, estavam "construindo um reino de amor". Um "reino de amor" sob o sangue de muitos inocentes!!
Mas o próprio Chico Xavier também disparou um comentário extremamente grosseiro e irritado contra os amigos do falecido engenheiro Jair Presente. Com muita razão, os jovens e os familiares, que conviveram com o jovem paulista, não estavam vendo autenticidade alguma nas supostas psicografias lançadas por Xavier.
Enfurecido e ríspido, Xavier reagiu atribuindo essa desconfiança a uma "bobagem da grossa". Pior: botou esse mesmo comentário numa suposta mensagem posterior usando o nome de Jair Presente, o que reforça mais uma vez o caráter duvidoso dessas "psicografias".
Além do mais, encerremos esta postagem mostrando a terrível hipocrisia da frase, aparentemente simpática e meiga, de Chico Xavier: "O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros".
Supondo que Chico concordasse com essa ideia atribuída a Jesus Cristo, ela entra em contradição com outras frases em que o "médium" de Pedro Leopoldo e Uberaba disse em prol da Teologia do Sofrimento. Em muitas frases e até em obras que ele participou e atribuiu, levianamente, a autoria de personalidades mortas, ele sempre pedia para as pessoas aceitarem e amarem o sofrimento, evitarem mostrá-lo para os outros e nunca reclamarem um momento sequer.
Como é que Chico Xavier pode dizer que "não se exige que pessoas façam grandes sacrifícios" se ele mesmo passou a carreira toda de dublê de pensador dizendo para as pessoas se sacrificarem de forma extrema? Quantos "Everest" Chico não teria aconselhado aos outros a subirem, com o risco de perder, para a morte, preciosos parceiros de jornada?
Isso é uma hipocrisia enorme que mostra o quanto a deturpação do Espiritismo agora mostra o preço que estabeleceu contra o que fez. Mostra sobretudo que o mito de "Natal todos os dias" não procede diante de uma religião extremamente moralista, que faz apologia da desgraça humana e impede, em muitos casos, as pessoas de praticarem a verdadeira caridade, com tantos infortúnios que dificultam tantos e tantos projetos de vida.
sábado, 2 de dezembro de 2017
Chico Xavier defende os "Everest" do sofrimento humano
Com toda certeza, Francisco Cândido Xavier nunca foi amigo, em nenhum momento, da coerência e do bom senso, o que sepulta, de uma vez por todas, qualquer vínculo do deturpador do Espiritismo e uma espécie de Aécio Neves da religião - ele podia apoiar fraudes de materialização que saía impune e livre de qualquer acusação de envolvimento - com os postulados kardecianos originais.
Prestando muito bem atenção na trajetória de Chico Xavier e tirando todo o véu das paixões religiosas, vemos que até as frases que ele difundiu não têm jamais a beleza que tanto se atribui, e se resumem a meros joguinhos de palavras e ideias opostas que só servem para puro entretenimento ou para transmissão de valores religiosos bastante conservadores, já que o "médium" mineiro tornou-se uma das figuras mais retrógradas que se conheceu na História do Brasil.
Uma destas frases pode sugerir a valorização da simplicidade humana, se entendida de forma solta e isolada. Mas é bom deixar claro que nenhuma das frases de Chico Xavier deve ser entendida sem analisarmos contextos e muitas vezes vendo o sentido oculto das mesmas. Mas a verdade é que estas frases NUNCA demonstram qualquer tipo de sabedoria ou lição de vida e quem deseja colocar o "médium" na lista dos grandes filósofos da humanidade, pode tirar o cavalinho da chuva.
Vejamos esta frase:
"O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros".
Em primeiro lugar, o Jesus Cristo que Chico Xavier acredita é medieval. O "médium" sempre foi um católico ortodoxo, cujo conservadorismo poderia muito bem competir com Gustavo Corção ou com, para citar os mais recentes, Olavo de Carvalho, se não fosse a paranormalidade que, sabemos, foi muito precária em Chico do que podemos imaginar. Ou seja, que Chico Xavier nunca foi um "super-médium" nem "super" coisa alguma, mas um católico medieval vivendo no Brasil contemporâneo.
Chega a ser constrangedor Chico Xavier dizer, supondo que ele concordasse com Jesus Cristo, que "não há exigência que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios, mas apenas que as pessoas se amem umas às outras".
Grande incoerência. Em outras frases, sabe-se que Chico Xavier pedia para as pessoas aceitarem o sofrimento sem queixumes, orando em silêncio e até amando as desgraças, como numa espécie de masoquismo religioso.
Como um devoto da Teologia do Sofrimento, Chico Xavier achava que, quanto pior para os outros, melhor, ou seja, defendia a ideia do sofrimento humano como se fosse um "caminho mais rápido para Deus", o que significa que a vida humana tenha que ser uma coleção de desgraças e infortúnios para que o desgraçado da ocasião possa se tornar, não se sabe quando, um "eleito de Deus".
Essa teoria, inserida no "espiritismo" brasileiro, remete ao caráter punitivista da doutrina que traiu Allan Kardec. Esse punitivismo "com amor" de Chico Xavier é um valor herdado, com a mais absoluta evidência possível, do deturpador Jean-Baptiste Roustaing, que, risivelmente, é visto pelos "espíritas" ora como um estranho desprezível, ora como um tirano irresponsável. Os "espíritas" precisam prestar muita atenção nas suas ideias, antes de desprezar ou rejeitar seu idealizador.
CHICO XAVIER COMETEU DESRESPEITO AO OUTRO
Quantos Everest a serem escalados com muito esforço e diante de perigos, e quantos sacrifícios imensos são defendidos em outras frases de Chico Xavier! Ah, que sórdida contradição o deturpador-mor do Espiritismo faz, com sua pretensa pose de humildade e sua intenção fútil de brincar com palavrinhas enquanto os sofredores dão duro na vida para terem algum lugar sob o Sol.
Enquanto o sádico Chico Xavier, com sua sopa de letrinhas igrejeira, ficava brincando com palavrinhas para ganhar, das elites conservadoras e ignorantes, o rótulo de "sábio" assim de graça e sem ser um pensador de verdade, os sofredores pouco se importam se estão subindo o Everest ou as escadarias das favelas para obter algum benefício na vida.
As frases revelam um sadismo impiedoso. É como se, com elas, Chico dissesse: "Vocês têm que sofrer, mas não é essa a sua finalidade", "Enquanto vocês sofrem, eu crio minhas frases sobre fraternidade". Isso é uma grande gozação, porque, em muitos momentos, Chico pede para as pessoas aceitarem os mais pesados sacrifícios e ficarem gostando de sofrer desgraças visando reduzir o caminho em direção aos céus.
Imagine defender o sofrimento humano e depois dizer que isso "não é necessário grandes sacrifícios". Isso é gozar da cara das pessoas, pois Chico, nas frases aqui analisadas, parecia concordar com Cristo na dispensa dos sacrifícios humanos que, no entanto, o "médium" defendia de maneira inflexível em outras frases. É desqualificar o próprio sofrimento humano, porque as pessoas são induzidas a aceitar as próprias desgraças por nada, sabendo que no fim não tinham necessidade disso.
"Sofra sem demonstrar sofrimento", dizia Chico Xavier, que chegava ao cinismo de botar na conta de mortos como Casimiro de Abreu e Auta de Souza, isso para não dizer Humberto de Campos, ideias pessoais do "médium", dotadas do mais mofado e antiquado moralismo ultraconservador. Isso é da mais extrema e preocupante gravidade, porque um "médium" colocar nos mortos a atribuição das opiniões pessoais dele é de uma leviandade altamente deplorável.
Isso é um grande desrespeito, e é bom as pessoas admitirem isso, para não caírem em futuras decepções. Um ídolo religioso não pode estar acima da humanidade e, se ele comete incoerências, melhor que tenhamos dúvida desse ídolo do que ficarmos atrofiando nossa capacidade de raciocínio para dar-lhe a razão que não tem.
Antes de mais nada, os sofredores merecem respeito e não podem ser avacalhados ao serem aconselhados a aceitar desgraças, para depois o "conselheiro" Chico Xavier dizer que "não é preciso grandes sacrifícios", é algo que não se pode definir como consolação, mas como um insulto. É inútil, no fim de tudo isso, apelar para que "amássemos uns aos outros", porque, pela Teologia do Sofrimento de outras frases chiquistas, a frase que ilustra esta postagem só faz irritar os sofredores cada vez mais.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
Devemos tomar cuidado com discurso de "intolerância religiosa"
Denúncias sobre intolerância religiosa se multiplicam e, de maneira bastante oportuna e necessária, criam-se delegacias especializadas nesse crime, no esforço de impedir que ações que já ocorrem no Primeiro Mundo, como os atentados que dizimam multidões, aconteçam no Brasil, assim como atos isolados que tantos danos, materiais e humanos, causam de forma lamentável.
O problema, no entanto, é como se observa no caso do bullying. Muitos valentões que na infância ou na adolescência agrediam colegas menos privilegiados nas escolas, se passam agora por agredidos. Há muita religião privilegiada que, diante da menor denúncia de irregularidade, reage com vitimismo e se passa por vítima de "intolerância religiosa".
O recente ataque de vandalismo, no Rio de Janeiro, a uma estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, ajuda a entender por que o ataque similar feito ao mausoléu, em Uberaba, do "médium" Francisco Cândido Xavier, não foi um ato de intolerância religiosa, mas um ataque a todo tipo de famoso, independente da atividade e do perfil que fosse.
Esses ataques se dirigem a qualquer tipo de famoso, geralmente uma pessoa que é considerada símbolo de uma cidade. Na verdade, o vandalismo é cometido quase sempre por pessoas movidas por um ódio generalizado à cidade onde vivem, é um ódio à cidade como instituição, e qualquer monumento de uma figura destacada em cada cidade pode ser atingido. Pode ser Chico Xavier, Dom Pedro I, Hebe Camargo, Leonel Brizola, Emílio Médici ou o palhaço Carequinha.
A intolerância religiosa acontece, mesmo, em religiões relacionadas a camadas sociais diferentes do padrão aceito pelas elites dominantes. Entre elas, estão as religiões afro-brasileiras, judaicas e muçulmanas, associadas a povos negros, árabes e mestiços, que estabelecem hábitos e crenças que não são compartilhados pela sociedade mais elitista.
O "espiritismo" não está entre as vítimas de intolerância religiosa. Tanto porque é uma religião de elite, que em muitos casos compartilha interesses com os neopentecostais (evangélicos derivados de movimentos como Assembleia de Deus e Igreja Nova Vida), como a criminalização do aborto.
O "espiritismo" é aceito pela alta sociedade e recebe uma blindagem surreal na qual a doutrina brasileira é tolerada até demais. Nem para dar explicações Divaldo Franco quis dar a respeito da "farinata" e por que decidiu homenagear uma estrela cadente da política nacional, o prefeito de São Paulo, João Dória Jr..
E A INTOLERÂNCIA DOS "ESPÍRITAS"?
O próprio Divaldo deu sua manifestação de intolerância depois de ser entrevistado por um veículo de imprensa após um congresso "espírita" na Espanha. Com o agravante de falar com um tom de mansuetude, Divaldo fez um julgamento de valor de extrema perversidade: acusou os refugiados do Oriente Médio de terem sido "antigos colonizadores sanguinários" que estariam voltando para a Europa para "recuperar seus tesouros".
Isso não foi uma declaração de intolerância? O prestígio de Divaldo não é razão para ele falar e fazer o que quer, e criticar suas posturas não é intolerância religiosa? E quem imagina se Divaldo não teria cometido intolerância religiosa no seu terrível juízo de valor, pois boa parte dos refugiados era de judeus e muçulmanos, pessoas que só queriam ter uma vida tranquila, ainda que modesta, sem se preocuparem com antigos tesouros ou coisa parecida, mas com um mínimo de qualidade de vida.
Os "espíritas" é que fazem juízo de valor o tempo inteiro. Se você vai para um "auxílio fraterno" em um "centro espírita" e descreve um problema pessoal, a resposta que quase sempre seus membros dão é para a pessoa aceitar o problema, porque ele lhe traz vantagens e benefícios na vida.
Se, por exemplo, um trabalhador reclama porque as contas acumulam e sobem e o salário desce - sim, estamos vivendo o "ótimo" período da reforma trabalhista que permite até mesmo redução salarial - , o "tarefeiro" da "casa espírita" dirá coisa do tipo: "de repente você está gastando demais em bobagem, corte a cesta básica, corte a salada, fique só com arroz e feijão, esse é um ótimo momento para você entrar em contato com Deus e negociar com seu patrão, que é um irmão seu".
Nem se as oportunidades que a pessoa atrai são azarentas - tipo um rapaz que perde tragicamente a moça por quem se apaixonou e depois atrai uma mulher-fruta que foi casada com um miliciano ciumento e enfurecido com o divórcio - o "tarefeiro espírita" se convence: geralmente ele vem com coisas do tipo "De repente a mulher-fruta precisa do amor de homens como você e não vejo problema em você negociar com o ex-marido dela. Fale com jeitinho e ele compreenderá".
Moleza. Negociar com o cano de um revólver, para um "espírita", tanto faz. Se a pessoa morrer, o "espírita" acha bom: "tadinho, mas ele está nos braços de Deus", dirá. A intolerância que os "espíritas" tem com as necessidades do outro, que combatem com o "exército de palavras" de seu julgamento de valor, é uma marca dessa religião que, apesar de "baseada" em postulados de Allan Kardec, é na verdade inspirada no Catolicismo jesuíta português.
Em 2009, uma entidade "espírita" na Espanha é que foi movida por profunda intolerância social. O evento Vida Depois da Vida, da região de Albacete, foi criticada por um acadêmico, o professor universitário Fernando Cuartero, por usar a estrutura da universidade onde ele lecionava, a Universidad de Castilla-La Mancha, para promover um evento religioso.
O Vida Depois da Vida poderia ter escolhido outro lugar, mas insistiu em usar a universidade e até suas marcas para promover o evento. Por ter chamado de "enganadores vulgares", o professor Cuartero foi processado pelo Vida Depois da Vida, uma entidade que se diz "seguidora da doutrina de Allan Kardec" mas é composta por muitos membros associados à Astrologia e ao esoterismo. A entidade manifestou admiração por Chico Xavier e Divaldo Franco.
Cuartero foi processado em 2010 e condenado a pagar multas e fazer retratação, mas um movimento de solidariedade de ativistas sociais e de entidades ligadas à liberdade de expressão do pensamento crítico apoiaram o professor, que, através de um processo de defesa na Justiça, foi absolvido. O caso revela que a intolerância está, muitas vezes, no lado dos "espíritas".
Religiões privilegiadas como os setores conservadores do Catolicismo, as seitas neopentecostais - como a Igreja Universal do Reino de Deus - e o "espiritismo" brasileiro não sofrem intolerância religiosa. Além disso, neopentecostais e "espíritas" estão associados a atos de intolerância, os primeiros através de pautas sociais retrógradas e atos de repressão a causas modernas, como a LGBT, por exemplo, e os segundos através do juízo de valor.
Uma pediatra de Rondonópolis (MT), com um juízo de valor não muito diferente do que "sabiamente" transmitiram Chico Xavier e Divaldo Franco, foi condenada por ter usado a "liberdade religiosa" para justificar a recusa de atendimento a uma criança cuja mãe informou ter sido vítima de estupro. A médica fez juízo de valor dizendo que a menina "tinha que sofrer aquilo" porque "exibia uma energia sexual que chamou a atenção do estuprador, seu próprio tio".
Nas seitas neopentecostais, há denúncias de enriquecimentos ilícitos de pastores evangélicos. Há também denúncias do uso de alegações "religiosas" para cometer atos de intolerância social e até de racismo, como no caso do combate às religiões afro-brasileiras. Investigar isso é intolerância religiosa?
E no "espiritismo"? Obras supostamente mediúnicas que revelam conteúdo fake - para desespero de muitos, nem Chico Xavier se livrou deste problema - têm que ser toleradas em prol da "liberdade religiosa"? Apontar irregularidades nos livros atribuídos ao espírito de Humberto de Campos, mesmo comprovadamente distantes do estilo original do autor, é ato de "intolerância religiosa"? Evidentemente, não.
A liberdade religiosa não pode servir de desculpa para as pessoas fazerem o que quiserem. É preciso ter muito cuidado e discernimento, porque o discurso de "liberdade religiosa" pode muito bem servir de estímulo ao obscurantismo e aos abusos cometidos sob a marquise da fé religiosa.
Combatemos a intolerância religiosa, mas vejamos o outro lado, quando religiões que abusam de seus procedimentos - como as traições que os "espíritas" fazem ao legado original de Allan Kardec - devem ser questionadas e investigadas. As religiões não estão acima da humanidade, elas precisam ter um limite para não cometer atos abusivos e irresponsáveis.
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